Tuesday, April 2, 2019

Aquele post que nunca pensei escrever...

(imagem da maravilhosa Unsplash: https://unsplash.com/photos/s9CC2SKySJM/share)

A verdade é esta... apetece-me muito pouco escrever por aqui. Aliás, ainda há muita coisa que gosto de partilhar e penso em fazê-lo, mas algo me impede e fogem-me as palavras. Não vejo grande propósito nisso. Talvez esteja com uma crise de identidade blogosférica, não sei.
Para ser mesmo sincera, estou num ponto tal que não vejo grande interesse neste espaço, não vejo um fio condutor, não vejo objectivos nem ideias. E não tem de haver. Mas mesmo um diário por vezes é um espaço de despejo, sem brio nenhum, escrito com letra ilegível e com a pergunta "para quê?" a pairar no ar.
Este meu diário está numa fase dessas. Ando há quase 14 anos nisto, já não sei escrever ou reflectir sem pensar em como isto poderia dar um post interessante.
E talvez o desgaste seja mesmo esse.
Quero perceber como é a vida para além dos posts. Quero arrumar bem a minha cabeça e o meu espaço.

Não sei se o desânimo é permanente, mas a verdade é que ando sem força para por planos em andamento, para me largar ao mundo como eu queria e sentia que devia. Afinal ainda não é tempo para me atirar cá para fora, a primavera chegou e continuo a querer estar recolhida como se fosse inverno. Escolhi mal a palavra do ano e tenho plena consciência que tenho de alterar o meu foco.

Não que ande parada na vida. Continuo a trabalhar para alguns dos objectivos que tinha definido, a aprender e a por coisas novas em prática, continuo a ler e a recolher informação, a fazer uma série de trabalho interno de mim para mim. E por isso não consigo mesmo comprometer-me mais com isto. Não quero, pelo menos para já.

Por isso, coloco aqui no blog umas reticências. Ainda não é o ponto final, mas pode vir a ser, não sei.

Prometo que vou manter a conta do instagram e do facebook abertas para quando me apetecer conversar, mas agora não me apetece blog, simplesmente. E queria assumir isso aqui, para não deixar isto mal tratado e abandonado. Por agora, cobrem-se os móveis, a porta fecha-se e logo se vê se isto volta a abrir ou se arranjo outro espaço mais arejado, ou se me fico por outras redes. Este foi o meu blog mais longo e acompanhou-me por tantas aventuras, adoro a energia que se gerou neste espaço ao longo dos anos. Mas temos que reconhecer quando as coisas já não funcionam.

Obrigada a todos os que me têm acompanhado, espero que possamos ir trocando ideias pela internet fora (tenho facebook, instagram e mail do blog, nada disto está parado).
E um até já!

Tuesday, March 5, 2019

A lista!

Na senda deste post, não podia deixar de partilhar convosco algumas pessoas que me estão a fazer pensar e a ajudar a mudar a minha relação com o corpo e a comida. Achei que por si só isto já tenho algumas coisas para partilhar que mereciam um post isolado, por isso, sem mais demoras, aqui vão elas... Aviso já que isto pode ser algo longo. E que mesmo assim vai faltar muita coisa...

Não conheço (ainda) contas portuguesas de profissionais especializados em alimentação intuitiva,  por isso os links e referências que tenho são mesmo de malta estrangeira, lá fora há todo um movimento a acontecer que gostava mesmo de ver replicado em várias profissões, seja de coaching, de nutricionistas, de psicólogos... A boa noticia é que cheira-me que ainda só estamos no começo.

Por cá conheço pouca coisa, confesso, mas há algumas mulheres que já lutam muito pelo positivismo e aceitação, portanto sugiro desde já o Lolly Taste da Vânia, e o blog da Helena Magalhães, que são as que mais vejo a abordar temas de amor-próprio e de quebra com esta cultura de dieta e imagem. Descobri também (sugestão da Ana) a Joana Margarida Morais e estou a adorar o feed do instagram dela. Noto também que há já alguns profissionais no instagram que também têm um discurso muito mais inclusivo e abrangente, e em breve teremos mesmo mais gente especializada neste tipo de abordagem.

Mas adiante, aqui vão os meus links de referência, começando pelos especialistas:

Isabelle Ysebaert - Psicóloga e healtch coach, ger o projecto Full of joy. É super conveniente, pois mora cá em Portugal e tem uma forma super simples de abordar estas questões no blog e o melhor de tudo, gere um grupo de facebook com pessoas que estão motivadas a mudar a relação com a comida, e que enche de informação preciosa (e truques para começarmos a aprofundar esta relação com o corpo e a comida) e promete que, se continuar a crescer, terá em breve muito conteúdo de mais especialistas. Corram a juntar-se aqui, e podem dizer que fui eu que vos mandei! :)

Laura Thomas PhD - Adoro-a. é uma nutricionista sem papas na língua e que está cheia de vontade de desmistificar e mandar abaixo os pilares da cultura de dieta. Incluindo aqueles institucionalizados como a Ella Woodward e o Jamie Oliver (ah pois!). Sigam-na no instagram e ouçam o podcast - Don't salt my game, é super leve e sempre cheio de conteúdo interessante. Lançou um livro no início do ano sobre alimentação intuitiva que já está na minha mesa de cabeceira e que sinto que vai ser um verdadeiro guia para entrar neste mundo. Quando o ler hei-de falar dele.

Linda Tucker - Sigo-a há pouco tempo mas é uma health coach com um discurso muito abrangente e tolerante. Gostei particularmente deste post que acho que resume um pouco a fase em que me encontro e as perguntas que tenho e as dúvidas que estou a experimentar. Muito enriquecedor e interessante.

Christy Harrington - Mais uma nutricionista especializada, com direito a curso (carote) sobre alimentação intuitiva e muito conteúdo bom. Também tem um óptimo podcast, - Food Psych que confesso, não ouço tanto quanto gostaria porque ela tem uma voz um pouco irritante (será o sotaque americano?). Mas ainda assim, tem imenso conhecimento disto tudo e vale sempre a pena segui-la.

(há certamente muitos mais, mas estes são os que acompanho com mais regularidade)

Activistas com muito conhecimento de causa:

Cruzei-me com a Megan do Body Posi Panda, no instagram e achei-a muito doce e colorida, quase não a levei a sério. Mas enganei-me redondamente. Ela já passou por muito, esteve às portas da morte com uma anorexia, e tem muito a dizer sobre estes assuntos. É muito lógica na forma de argumentar e não há como não acenar que sim a tudo o que diz. Contra factos não há argumentos, de facto... Li o livro dela recentemente. É muito completo no que diz respeito ao positivismo corporal e na desmistificação do universo das dietas, mas também muito "activista". Pensei que ia ser mais leve, não foi o que esperava, mas nem por isso significa que tem menos informação e interesse. No entanto, no blog já temos uma boa dose de informação e de respostas que ela dá às dúvidas que são sempre dedicadas e cheias de carinho.

Conheço o F*ck it Diet há pouco tempo, mas é um daqueles sites refrescantes com muita informação e bons conteúdos (também inclui um podcast que ainda não ouvi). Chega uma altura em que se calhar isto tudo se repete, mas acho que não nos faz mal deixar a informação entranhar-se sob outro ponto de vista e estas pessoas têm sempre a sua experiência pessoal a partilhar, com que nos identificamos imediatamente. Gosto muito do facto da Caroline ser uma pessoa "normal", que não tem excesso de peso nem aparenta ter qualquer tipo de problema com a imagem corporal, mas quem é que disse que para se ter disfunções alimentares ou lutar pelo positivismo corporal tem de ter um tipo de corpo específico? E o livro dela também está quase aí e parece-me muito interessante...

Redes sociais:

Para além da malta que já mencionei acima, há algumas contas avulso de positivismo corporal e de mulheres maiores que provam que não precisam de se enquadrar nos pârametros para serem bonitas e capazes de muita coisa. Temos a Milly com o  Self Love Clubb, que fala muito sobre saúde mental e aceitação de quem somos, sempre de uma forma crua e muito real, por vezes drástica, mas é fantástico lê-la (especialmente neste post, sobre a "dieta" que vai fazer para o casamento), a modelo Tess Holiday, que dispensa apresentações, a Paloma Elsesser, que outra modelo plus-size e é linda, e a actriz Jameela Jamil que se está a tornar no meu mais recente girl-crush. Há outras que sigo mas estou certamente a esquecer-me. Estas são as minhas maiores referências.
Também adoro o blog Style me Sunday, onde acompanhamos a Natalie, uma mulher real, com duas filhas, corpo mole e largo e roupa maravilhosa.

Por fim, como não poderia deixar de ler, uma listinha de livros. Não sou nenhuma expert no assunto, até porque ainda agora comecei, mas fica a minha wishlist, em que alguns são mesmo os livros referência do assunto:
- Intuitive Eating (ou, a Bíblia da coisa)
- Health at every size (que também passo a vida a ouvir falar)
- Body Positive Power que já falei ali acima e é uma óptima introdução no tema, em especial o capítulo dos distúrbios alimentares
- Just eat it - aposto que vai ser bom! Vou começar a ler esta semana.
- F*ck it diet - ainda não saíu mas arrisco dizer que vai merecer a pena

Obrigada a quem ficou até ao fim, este assunto vai voltar a ser falado de vez em quando no blog, porque gostava mesmo de reflectir sobre isto e perceber como pode funcionar este processo para mim. Ainda tenho um longo caminho a percorrer. Especialmente porque ainda não larguei completamente a ideia de que preciso de emagrecer para me sentir mais bonita e válida, e que há comidas boas e más. Vai ser puxado, eu sei, mas isto vai ao sítio. E contem comigo se quiserem debater mais sobre estes assuntos. 

Tuesday, February 26, 2019

Die, diet, die


Desde que me tenho como gente que a palavra dieta faz parte do meu vocabulário. Felizmente não (logo) por minha causa, mas pela minha mãe. Vi-a experimentar um pouco de tudo, em constantes dietas, a tomar comprimidos, batidos, a ir a este ou aquele médico, a desistir ao fim de menos de um mês. Este era o comportamento normal. Estar em dieta, estragar a dieta, procurar a próxima dieta. O normal para muita gente.

Eu, com 14 anos comecei a ficar gordinha. Talvez tenha sido aquela fase de mudança corporal da adolescência, mas lembro-me bem da minha médica me dizer que eu precisava de perder 3 quilos. E a partir daí começou toda uma nova fase da minha vida em que eu percebi que tinha de controlar o que comia para poder sentir-me mais digna. Lembro-me bem de me sentir tremendamente reduzida a nada porque era a gordinha. E lembro-me de pensar que talvez esse fosse o meu passaporte para finalmente ser notada, reconhecida. Não sendo eu uma rainha da popularidade, isto era assim uma coisa com algum destaque na minha vida. E assim foi, desde aí.

No entanto, nunca me senti muito confortável. Nunca levei muitas dietas a fundo, nunca gostei muito desta coisa da escravidão na comida, até porque a cada dieta, a contenção fazia depois o efeito oposto, e dava por mim a comer mais do que devia, daquilo que não devia comer, a massacrar-me por não ter força de vontade nem controlo sobre a comida. Muitas vezes olhava-me ao espelho e não achava que fosse assim tão gorda, outras, tudo era gordura e celulite. Basicamente um ciclo de tormento e culpa.

Percebi recentemente que, mesmo numa fase em que me alimentei "melhor", em que fiz dietas e até fiquei bastante tempo num registo dito "saudável", que nunca fui tão magra como gostaria. Aliás, a única vez que fui assim magra, foi precisamente numa fase em que me sentia uma merda, e de facto estava elegante e esguia, mas tinha as omoplatas a sairem das costas, o externo seco, perdi mamas e pasme-se, continuava com perna gordinha, portanto nunca iria ser uma Gisele Bündchen da vida. Não há nada de mal em querer perder algum peso, em querer seguir um estilo de vida saudável, em querer estar bem comigo mesma. Mas não sei se é uma dieta que vai conquistar isto. E chego a uma inevitável conclusão...

Eu não quero fazer dieta! 
Percebi isso depois do Gonçalo nascer, com a amamentação, com as mudanças a que o meu corpo teve de se ajustar. Epá, não me apetece! E assim dei-me permissão para parar de pensar em dieta. Maaaaaaas... neste último ano senti que perdi muito o controlo do que como, e percebi que algo mais está errado. A minha relação com a comida está muito deteriorada. Vejo tudo como comidas boas e más, sinto-me culpada ainda, continuava a ter episódios de comer este mundo e o outro. Portanto, estava na mesma, apenas não estava num plano alimentar, porque a culpa e a vergonha ainda estavam lá.
Pensei em consertar isto tudo com outra dieta, mas para além de não me sentir bem a limitar o que como ainda estou a amamentar e não sinto que o deva fazer, para além de que, tendo de fazer ainda comida à parte para  miúdo (por pouco tempo, felizmente, ele já come quase tudo o que comemos), não me ia meter a braços com mais um prato à parte para mim. Mas, acima de tudo, continuava com a estranha sensação que isso não vai funcionar comigo.

E começou de uma forma muito simples e sem grande intenção, comecei a ler sobre motivação, sobre amor-próprio, porque se queria uma mudança, queria que ela viesse de um lugar de amor e não porque estou em luta comigo mesma. Queria acalmar os meus conflitos primeiro. Aos poucos tenho descoberto, de uma forma muito orgânica pela internet fora, algumas pessoas que falam destes assuntos de uma forma que me faz sentido. Comecei a ler e a informar-me, a acenar lentamente que sim aos artigos cientificamente fundamentados que as dietas não funcionam e que andamos a lixar o nosso sistema há décadas. Se já antes admirava modelos plus-size e outras activistas do positivismo corporal, encontrei pessoas ainda mais activas nas redes sociais, na imprensa, e em blogs, que exploram ainda mais o tema e preconizam uma quebra neste ciclo interminável de ódio e guerra com o próprio corpo, e agora estou plenamente convicta que há outro caminho a seguir. O da aceitação, da permissão, da compaixão.

Quero aprender sobre alimentação intuitiva, quero saber gostar de mim, quero quebrar o ciclo e sentir paz.
E acreditem, não é fácil, não é um caminho linear, não é acordar e decidir e já está. Também exige trabalho e muito exame de consciência.  Mas há algo neste caminho que me entusiasma. Ao contrário da ideia de trabalhar em mais uma dieta, a ideia de pegar em mim e ouvir o meu corpo dá-me ânimo. Não sei ainda se e quando vou conseguir, mas ainda só estou a começar.

Por aí também lutam muito convosco mesmas? Já pensaram seguir este caminho? Tenho muitos recursos que tenciono partilhar em breve, mas gostava muito que me contassem o que pensam sobre estes assuntos.

Monday, February 18, 2019

Um brinde a novas rotinas




Adoro aquela sensação de quando uma rotina nova se começa a tornar habitual e... rotineira. 
Somos seres capazes de nos adaptarmos a tudo, é um facto. Mas ainda assim nada nos prepara para o que vem na mudança de uma rotina, o que parece fácil pode revelar-se bem mais difícil do que parecia. Mas quando é uma mudança desejada e ponderada, e quando os valores estão ajustados, essa mudança torna-se menos complicada, menos assustadora. Ainda assim, não menos desafiante.

Isto para dizer que tenho uma nova rotina na minha vida. Mais uma mudança, mais um desafio. E sinto-me sempre uma imensa sortuda por experimentar um pouco de tudo, por poder explorar tanta coisa nova na minha vida. Que o medo nunca me paralise, que tenha sempre coragem para experimentar e avançar. 

E que as novas rotinas se tornem velhas rotinas com o bom sabor da conquista!
Uma boa semana, amigos.