Monday, February 18, 2019

Um brinde a novas rotinas




Adoro aquela sensação de quando uma rotina nova se começa a tornar habitual e... rotineira. 
Somos seres capazes de nos adaptarmos a tudo, é um facto. Mas ainda assim nada nos prepara para o que vem na mudança de uma rotina, o que parece fácil pode revelar-se bem mais difícil do que parecia. Mas quando é uma mudança desejada e ponderada, e quando os valores estão ajustados, essa mudança torna-se menos complicada, menos assustadora. Ainda assim, não menos desafiante.

Isto para dizer que tenho uma nova rotina na minha vida. Mais uma mudança, mais um desafio. E sinto-me sempre uma imensa sortuda por experimentar um pouco de tudo, por poder explorar tanta coisa nova na minha vida. Que o medo nunca me paralise, que tenha sempre coragem para experimentar e avançar. 

E que as novas rotinas se tornem velhas rotinas com o bom sabor da conquista!
Uma boa semana, amigos.

Monday, February 11, 2019

(des)adequação


Há dias em que me sinto a querer confundir-me com as paredes e passar completamente despercebida. Não tenho feitio para falar (muito) alto, não gosto de chamar a atenção sobre mim, gosto de ficar caladinha e interferir muito pouco na confusão.

Este foi um um fim-de-semana incrivelmente proveitoso e feliz. Não aconteceu nada de mais, deu para passear um pouco pelo campo, o que já é óptimo, para tratar das lides domésticas, para me sentar a desenhar e ler um pouco (demasiado pouco, mas é melhor do que nada), para cozinhar, para brincar com o miúdo que incrivelmente deu noites com horas mais longas de sono. Foram dias vividos ao sabor das vontades, devagar.

Então venho num ritmo calmo, de um espaço que me permitiu respirar um pouco. E a agressividade de uma segunda-feira por vezes fere-me. Já deixei de me lamentar por uma série de coisas. Nos dias que correm eu tento ao máximo encontrar a alegria das pequenas coisas e aproveitar o meu tempo junto aos meus. Mas hoje custa-me esta coisa de me apresentar ao mundo. Custa-me sentir-me tão deslocada e fora de ritmo. Custa-me que a vida me obrigue tantas vezes para eu não ser eu, para marcar passo num ritmo diferente do meu, para me adequar mesmo que não esteja ainda completamente adaptada.

Hoje faz um ano que perdi a minha avó, e penso nas gerações de mulheres que me precederam e o quanto me pesa o amor por elas, pelas que me moldaram, pelas que não conheci mas marcaram a minha vida, e pelo legado que poderei vir a deixar, ou não. Magoa-me a velocidade com que a vida passa, magoa-me que não possa nunca apresentar ao Gonçalo aqueles que vieram antes de nós e são os meus pilares da família. 

Então estou assim, desadequada, longe do mundo, entregue ao meu universo.
E pisei cocó de cão. Outra vez (sim, na sexta aconteceu o mesmo).

Há dias em que a vida é apenas isto.

Wednesday, February 6, 2019

Deixem as mães em paz

Esta frase não é minha, quem a diz com muita (e necessária) frequência é a Susana, mas tenho de roubar e reforçar a mensagem, porque uma pessoa não pára de levar pressão de fora. E hoje preciso de deixar aqui um desabafo porque esta merda cansa, cansa demais, cansa todos os dias.

O meu filho não é desculpa para eu não ser pessoa. Na verdade, desde que ele nasceu que eu procuro voltar a ser uma pessoa, singular, sem ser apenas a mãe do Gonçalo. Mas não é fácil, é uma tarefa algo lenta. Especialmente porque, para começo de conversa, temos de perceber quem somos depois do nascimento de um filho. Se já não é descabida a ideia de que um filho recém-nascido ainda é, em todo o caso, um estranho que estamos a começar a conhecer, então e o que será dito de nos (re)conhecermos após termos "mãe" indelevelmente tatuado na alma? Após nos inchar a barriga, as coxas, as ancas, após passar por um parto, por um arrombo enorme no nosso corpo, e depois todo o tumulto hormonal, a loucura de tentar perceber o que se faz aquele ser pequenino que depende inteiramente de nós. Onde ficamos nós?

Não é fácil, não é imediato, mas ao fim de um tempo, começamos a reconhecer-nos. Um passo de cada vez. E enquanto desvendamos aquela pessoa que estava enterrada em nós, qual relíquia arqueológica, percebemos que mais uma vez teremos de reinventar quem somos, porque para além de tudo o mais que antes éramos, agora somos mães. Nada é exactamente igual. 

Recentemente li uma frase que resume bem este sentimento que a maternidade nos desperta: "The thing that is most difficult when you are a mother is that it is condemnation for a lifetime. It's never possible to press pause." - Leila Slimani


Usar a palavra "condemnation" parece um pouco brusco, mas por vezes uma pessoa sente-se assim, de facto. Não há forma de aligeirar o fardo, não podemos parar para respirar, temos de seguir em frente sem contemplações nem tempo para decidir se estamos a fazer bem ou mal. A nossa liberdade é sempre condicional a partir daqui.

Por isso custa e lixa bem a cabeça a uma pessoa, quando vêm de fora generalizar, dizer que tem de ser assim ou assado, senão o miúdo pode ficar isto ou aquilo, e que devias fazer o que dizem porque assim é que é.

(respiro fundo e lanço um suave "foda-se" mental)

Este discurso não é ok.

Se eu pudesse, jantava fora todas as semanas, tomava o pequeno-almoço com calma na cozinha, maquilhava-me todos os dias (em que me apetece) e não só os que até consigo encaixar o tempo, viajava sem puto sempre que a carteira permite, fazia fins-de-semana românticos com o meu parceiro. Era lindo, mas não é realista. Porque eu tenho um ser humano com vontades próprias e sonos instáveis que não me permitem estar confortável numa série de situações. Ainda.

Por isso irrita-me até à medula que achem que uso o meu filho como desculpa para nem sempre conseguir fazer coisas. Pessoal, eu já era uma cortes antes de ser mãe, eu sou introvertida, um serão ideal para mim será sempre sofá e uma manta com livros ou Netflix (e vinho já agora). Eu fantasio com uma passagem de ano sozinha. Esta sou eu, sempre fui, e não é um filho que muda.

O meu filho não é desculpa, quando eu quero, eu vou, eu participo, mas sim, tem limites. Ele ainda é um bebé. Eu ainda amamento e sim, isso condiciona muito a minha vida, mas é uma escolha minha que deve ser respeitada e aceite. E não vou nunca aceitar que me tentem fazer sentir mal porque não consigo fazer as coisas como antigamente. Não quero viver em função dele, mas há que aceitar que ainda não consigo estar completamente solta. Cada bebé tem o seu timing, cada mãe tem o seu alcance, cada família a sua forma de gestão. Temos de nos ir adaptando aos poucos e os outros têm mais é de comer e calar. Nisto sou muito peremptória.

Virem de fora criticar ou generalizar é algo que cada vez mais é inadmissível. Eu não o faço com ninguém, é muito fácil aproveitar estes momentos de fragilidade para opinar, difícil é respirar, parar, e aceitar que a outra pessoa apenas quer ser ouvida, não julgada.
E era engraçado que estes comentários não viessem de outras mães e pais, que sabem o que é que a casa gasta.
Enfim, precisava de mandar isto cá para fora. Peço desculpa estar ausente tanto tempo para vir aqui fazer um rant, mas precisava de exorcizar a coisa.

Suspiro...


Não sei de onde veio esta imagem, mas apareceu-me hoje no Pinterest e não resisto em partilhar. Se eu tivesse um espaço assim acho que nunca saía de casa, desta sala. Era tão feliz se tivesse uma biblioteca. Vá, trocava aquela poltrona por uma mais confortável e moderna e talvez pintasse as estantes de branco também. Não fosse eu ter um filho a relembrar que tenho de fazer comida, e dar banhos e lavar roupa e ninguém me punha a vista em cima, só a pilha de livros que tenho para ler.

Wednesday, January 9, 2019

Sobre a palavra para 2019 e o que quero para o novo ano

Confesso que ando com formigueiro desde o final de 2018, com vontade de fazer de 2019 um ano de actividade e produtividade. Depois de 2 anos de abrandamento e reclusão, em que parei com tudo o que era supérfluo e foquei-me na família e em casa, apetece-me começar a sair da casca e experimentar novamente coisas fora da minha zona de conforto.

Claro que entretanto apetece-me fazer tudo, mas ando a tentar reconhecer o que quero fazer e onde me focar para não desperdiçar energia nem voltar a procurar coisas que não têm a ver comigo (a ver se o ESSENCIAL não ficou apenas em 2018). No entanto é difícil de domar um entusiasmo parvo que por vezes me preenche. Uma coisa que percebo sobre mim, ainda me acontece tanta vez sentir-me a inundar de entusiasmo e paixão pela vida e pelas possibilidades de criar algo novo. Não precisa ser exclusivamente no início de um novo ano, claro. E gosto genuinamente desta característica em mim, quando vejo que consigo repescar aquela energia da criança e adolescente, que se deslumbra e encontra magia no mundo. Sem grandes ingenuidades, sei o que custa a vida e que as coisas boas exigem trabalho. Mas bolas, ainda bem que isto me sai naturalmente, não gostaria de fazer um esforço para ser optimista. 


Portanto, com esta vontade toda a abrir o ano, a palavra teria de significar movimento e atrevimento, mas ainda assim, saber quando abrandar e onde agitar as energias. Assim sendo e sem mais demoras, a palavra para 2019 é (Tcham tcham tcham tchaaaaammmm…) OUSAR (em inglês é tão mais dramático – DARE). Gosto do significado, ousar a sair da casca, a criar, a viver a vida que quero, a descobrir mais sobre mim, a errar. Simplesmente abrir-me para o mundo e avançar, com medos ou sem eles, em pleno. Porque há tanta coisa que fica pela metade ou pela vontade. 


Este ano, pela primeira vez, escolhi também palavras complementares, lembretes das áreas que quero focar esta palavra, ou se for preciso, abrigar-me dela (porque não vou estar em máximos sempre e também terei de ousar a descansar de vez em quando, sim, com direito a deixar a criança na escola e voltar para a casa suja para dormir ou bezerrar no sofá, se precisar). Por isso, CASA, CRESCIMENTO e CRIATIVIDADE também me acompanharão este ano. Parece-vos bem? Acham que dou conta do recado? Nunca pensei em mim como uma pessoa ousada, nem é exactamente esse o objectivo, quero garantir que consigo dar os passos para mudar as coisas e viver experiências de vida mais significativas para mim. A ver vamos se foi uma boa escolha. 


Posto isto, o que quero eu fazer em 2019? 

Como sabem (ou acho eu que sabem), eu fico-me pela palavra e não faço resoluções. No entanto há coisas que eu quero implementar aos poucos para 2019, que eu sei que quero trabalhar porque sinto essa vontade. Portanto há aqui 3 pontos que estão a ser tratados já já: 

O fim das dietas. No ano passado comecei a seguir contas de instagram do movimento Body Positive e os conceitos de alimentação intuitiva (na verdade já tinha ouvido falar disto há muitos anos, mas nunca aprofundei), sigo e leio profissionais da área que defendem estas premissas, ouço podcasts, leio livros sobre o tema. A verdade é que já não faço uma dieta desde que engravidei, escudei-me com a amamentação para não pensar nisso, mas há sempre uma voz cá dentro que não se cala de que eu devia fazer dieta e isto e aquilo. E cheguei à conclusão que preciso de mudar o paradigma. Deixar de me sentir incapaz ou pouco válida porque não tenho menos 10 quilos, a culpabilizar-me. Então ando a tentar encontrar o meu caminho aqui no meio. Não é fácil perceber como pode tudo funcionar, mas não quero mais ficar refém de dietas. Um dia escrevo sobre isto. 


Sustentabilidade. Sempre estive relativamente atenta às questões ecológicas e éticas, há muitos anos que fecho a torneira quando lavo os dentes, tomo banhos curtos, reduzo e reutilizo ao máximo o plástico antes de o reciclar. Mas ainda é pouco. Ando passo a passo, mas com alguma consistência a implementar algumas mudanças. Já comecei a usar apenas maquilhagem vegan e sem testes em animais, voltámos ao sabonete sólido lá em casa (ainda só para banhos, e só para os adultos, mas já é um passo), quero começar a usar champô sólido e o copo menstrual, uso cotonetes biodegradáveis (são de papel e ainda não são a solução ideal, mas lá chegaremos) e vou começar a usar produtos mais naturais ou feitos em casa para algumas necessidades (por exemplo, um esfoliante, pode sempre ser caseiro, gasta-se menos em embalagens e não polui tanto também). Quero estabelecer mais refeições vegetarianas em casa. Estou longe de estar a adoptar medidas perfeitas, mas uma vez que não vivo sozinha e não é fácil implementar mudanças radicais, vamos continuando a dar pequenos passos, na esperança que isto fique e se torne cada vez mais o nosso estilo de vida. 


 Alimentar a criatividade. Não é segredo que eu gostaria de abranger muito mais o que faço e começar a dar passos na ilustração e alimentar o meu portfolio e o bichinho criativo. Nunca tive um espirito empreendedor para me lançar num negócio próprio, e nem sei se esta é a melhor altura para tentar (ou se eu até quero) tal coisa. No entanto, mesmo não me atirando a pés juntos, gostava muito mesmo de apostar mais fortemente nesta vertente e que o meu blog reflectisse precisamente isso (afinal, o objectivo dele era mesmo este, mas algures pelo caminho tornou-se também o meu diário pessoal). Portanto quero desenhar mais, desenvolver competências na ilustração digital, produzir trabalho mais criativo que me desafie, escrever mais, enfim. Para já, comecei a fazer um desenho por dia (quem me segue no instagram já viu) no caderno da lifestories (já não fazia isto há anos, na altura deixei o desafio a meio, desta vez quero levá-lo ao fim), mas não quero ficar por aqui. Vamos devagarinho a ver no que é que dá. Tenho ideias em processo mas ainda não prometo nada que isto está complicado para os compromissos. 

 E este post já vai longo, aplaudo a paciência de quem me lê até ao fim.

 Será boa altura para perguntar… vocês gostam de ler estes posts compridos? Têm paciência para as minhas viagens na maionese? Ou gostavam de coisas mais curtas e grossas, mais sentido de humor e palavrões…? Os desenhos parecem-vos bem ou não vos dizem nada(mas aí confesso que mesmo que não gostem muito acho que vão levar com eles na mesma, ando no mood de partilhar)? 

Enfim, respondam se quiserem, e se vos apetecer, caso tenham uma palavra do ano, uma resolução, intenção, para dois mil e dezanove, partilhem também nos comentários, adoro saber o que se passa por esses lados. Obrigada e um bom ano!

Friday, January 4, 2019

59

“59 anos. Estou tão velha. E gorda. Ainda ontem tinha a tua idade e dizia que estava velha.”

Eu consigo ouvir-te ainda. Queixavas-te que estavas velha sempre que fazias anos. Posso imaginar toda a nossa conversa ao telefone. Não ias querer pensar em celebrar, mas aceitavas o carinho que tivéssemos para te dar. Iriamos jantar. Talvez lá em casa para poderes gozar o teu neto como deve ser e ele poder dormir cedo como gosta (e acordar meia hora depois porque não gosta de dormir sozinho). Ias abrir presentes, atrapalhada, e sorrias o teu sorriso.

Até acho que sei o que gostaria de te oferecer hoje. A biografia da Michelle Obama, porque sei que ela é o teu tipo de mulher e ias adorá-la. Também sei de séries, filmes e músicas que queria ter partilhado contigo, e acredito que ias adorar algumas delas.

Às vezes imagino como serias nos dias que correm. Terias facebook e um smartphone? Faríamos videochamadas nas férias e teríamos trocado milhões de mensagens no whatsapp quando estava sozinha no hospital e o Gonçalo na incubadora. Precisei tanto de falar contigo, mas acho que ias chorar mais do que eu, se bem que te armarias em forte para mim.

Virias visitar-me todos os dias como o pai e dar uma mãozinha a organizar o fim do meu dia? Encherias o Gonçalo de beijinhos e já lhe terias inventado mil alcunhas tontas, estou certa.

Explicavas-me as coisas que eu não soube entender e que agora já percebo. Partilharíamos experiências e acalmarias o meu coração quando perco a paciência, ou a razão, ou o juízo. Ias adorar o Vítor porque ele tem qualidades que valorizas muito. Sei que ele te faria rir como me faz a mim. Aposto que o Gonçalo iria gostar do teu colo e dar-me-ia mais descanso.
Aposto que a família seria tão mais unida se cá estivesses.
Faríamos o Natal lá em casa e eu ia ajudar-te a cozinhar.

Provavelmente serias mais gordinha. Mas eu ia desafiar-te para caminharmos no paredão e apresentava-te os conceitos de positivismo corporal e alimentação intuitiva que estou a adorar explorar e obrigava-te a desistir das dietas e apresentava-te tostas de abacate com ovo escalfado e manteiga de amendoim com banana.

Aposto que tu e a Mariana dariam muitas turras, porque ela é teimosa como tu. Acho que ias rebentar de orgulho dela, porque ela é forte como tu.

Já há tanto tempo que estás longe, este é um exercício que normalmente recuso, porque parece que já não faz sentido e só serve para me magoar. És o maior “e se” da minha vida.Mas ainda és o meu refúgio, o meu farol, o meu peso e medida. As tuas palavras ainda me pautam as reacções, os teus valores são os meus. Mas hoje apeteceu-me navegar neste mar hipotético. Hoje é o teu dia. O mundo ficou tão mais rico quando apareceste. E sentimos todos a tua falta. Hoje e sempre.

Parabéns, mãe.

Wednesday, January 2, 2019

Despedir-me de 2018



Eu sei que este post deveria ter sido escrito há mais tempo, mas isto não tem propriamente regras fixas (e atendendo à assiduidade com que escrevo este blog, ainda estou surpreendida por conseguir fazer um post de despedida do ano velho ainda só passados 2 dias no ano novo).
Não me vou alongar muito neste post, até porque se tudo correr bem, tenho coisas para escrever em breve e talvez consiga manter um ritmo mais ou menos aqui no tasco. Mas preciso de escrever sobre este ano. 

Apesar de estar a preencher o meu Unravel the year, em que muito é dedicado ao ano que passou, e ter para mim um registo, sinto que o devo fazer aqui, porque a reflexão faz parte deste blog, e também me dá um sentido de "accountability" (como é que se diz isso em português?), em que posso perceber onde estou, o que mudou, o que evoluiu, o que ficou para trás.

2018 foi um ano estranho. Para mim foi bom, no geral. Perdi a minha avó no início do ano e foi a minha maior dor, mas arrumei relativamente bem a situação, encaixei a doença que a consumiu com alguma naturalidade, aceitei a perda e percebi que ela estava também pronta para que tudo cessasse, e sabia que ela queria descansar. E sei que ela aproveitou muito a vida dela, não se privou de excessos, de falar sempre o que pensava e de viver como ela queria, mesmo que a vida não fosse exactamente o que ela desejasse e esperava. 
Quanto a mim, como já aqui expliquei, a palavra do ano ajudou-me muito a pesar os passos que fui dando ao longo do do ano. A rejeitar o que não interessava, a perceber o que realmente é importante em cada situação. Ajudou-me a vários níveis, a perceber o meu papel no emprego, a conhecer-me melhor, a superar conflitos, a perdoar e aceitar determinadas coisas. Claro que não foi perfeito, nem eu fui, mas a verdade é que senti que esta palavra foi provavelmente a mais interessante que já escolhi e foi inacreditavelmente útil.


2018 foi um ano de autoconhecimento e depuração. 
Tomei alguns passos de que me orgulho, doei cabelo e comecei alguns passos em direcção a um modo de vida mais sustentável - mais uma vez, não são muitos nem muito perfeitos, continuo a ter outras opções menos simpáticas, mas comecei a rejeitar determinadas marcas, tento reduzir o consumo de plástico sempre que posso, rejeitei palhinhas e deixei de comprar marcas de cosmética que testam em animais. Não é muito, mas são passos sólidos que tenciono prolongar e abranger em 2019 (já tenho algumas coisas em mente para começar a aplicar... baby steps).

Foi um ano em que voltei a ter casamentos para ir, vi bebés a nascer, vi gravidezes a surgir.

Foi um ano em que conheci mais pessoas nessa internet fora que pensam como eu e me encheram os dias de trocas alegres de palavras e piadas e carinho mútuo. Já há algum tempo que não sentia isto e é sempre bom ver as amizades virtuais a aparecerem e a contribuírem para a nossa felicidade.

Mas também foi um ano triste, demasiado triste para algumas pessoas que conheço e que gosto. Vi perdas absolutamente irreparáveis a acontecer, mortes demasiado trágicas, que me tiraram o chão. Assistir a isto tornou-me uma pessoa mais grata e mais consciente da fragilidade da vida e também me continua a impelir para lutar pelo que me faz feliz. 

Para 2019 quero erguer a cabeça e fazer coisas que me dão prazer e orgulho em mim mesma. Abracei o conceito do positivismo corporal e ando a fazer um esforço consciente para retirar a mentalidade de dieta do meu discurso e dos meus pensamentos, eu mereço ser feliz com o que tenho, com quem sou agora, e tudo o que eu sou é muito mais do que um corpo. 



Estou cheia de energia e optimismo para este ano. Só quero que seja um ano bom para as minhas pessoas. 

Deixei 2018 terminar com alguma calma e paz. Aproveitei os dias de férias para deixar o miúdo na escola e arrumar, preparar coisas, e renovar as minhas energias. Estas fotos foram tiradas num pequeno passeio a semana passada, durante uma manhã. Um bocadinho de natureza, ainda que seja recortada pela paisagem urbana, deu-me alento e forças para procurar o melhor. 

Em breve falo-vos da palavra que escolhi para 2019 e alguns planos e novidades que se avizinham. Obrigada por estarem aí e que seja um ano estupidamente feliz para todos.




Sunday, November 25, 2018

Para aquecer o coração

Há tempos comentava no facebook que ou sou uma grande sortuda, ou sou mesmo distraída e não me apercebo de muita coisa (abençoada ignorância). No meio do mundo louco da maternidade, das mães perfeitas e imperfeitas, das nazis da amamentação, das teorias de tudo, da parentalidade positiva e mil e uma correntes de pensamento há algo que é transversal a todas as mães, que é o  acto de levarem constantemente com as opiniões alheias. Ninguém gosta de ver as suas escolhas questionadas e comentadas por terceiros (mesmo que muitas gostem de opinar sobre outros).

Isto para dizer que até agora, por distracção ou mesmo por ter sido abençoada, não tenho tido a minha vida demasiado invadida por gestos, palpites, opiniões e invasões (apesar de perceber que esta coisa da amamentação prolongada causa algumas comichões, mas aí decido mesmo ignorar).
Assim, numa de contrariar a corrente de queixas sobre as críticas (se bem que posso também falar disto depois), gostava de partilhar convosco as coisas mais bonitas que disseram e fizeram. 
Porque há muitos gestos que são tão absolutamente generosos que eu até fico sem jeito e não faço ideia porque raio alguém faria isso por mim.

Ainda durante a gravidez recebi telefonemas e mensagens de mães do mesmo ano que me
ajudaram muito a alinhar expectativas.

A minha melhor amiga, através de conversas prolongadas ou só apenas pelo exemplo dela, me transmite imensa calma e ao mesmo tempo me faz ver que não existe cá isso de soluções chave-na-mão. É tudo inventado enquanto avançamos e essa é que é a beleza da coisa.

Quando escrevi este desabafo, e a uma leitora antiga do blog, que é minha amiga no facebook e tem também um filho uns dois ou três meses mais velho que o meu, me enviou uma foto da mesa da sala de jantar cheia de roupa e coisas para arrumar(tal e qual como a minha). Quase me vieram as lágrimas aos olhos só de pensar que não sou a única.

A minha ex-colega que me disponibilizou a irmã para me ajudar com a amamentação. Nunca fomos chegadas mas ela foi uma verdadeira amiga nessa fase. E recentemente encontrei-a numa festa e quando conversávamos sobre os sonos das crianças e como decorrem as noites (sendo que a filha dela dorme já a noite inteira e o meu é um terror) ela fez o comentário mais solidário e tranquilo que ouvi e foi absolutamente sincero (coisa tão rara entre mães)

Quando a querida Ana Sofia me pediu a morada e queria fazer-me comida quando o Gonçalo nasceu (não aceite,i mas esse gesto foi…nem tenho palavras)

O comentário da Ana neste post que me provocou uma mudança de pensamento: que quando aprendesse a deixar de me comparar com o pré filhos que tudo iria correr melhor (entre várias outras mensagens no Messenger que me fazem sentir uma pessoa/mãe normal) – e em relação a este… é tão verdadeiro, e estou MUITO mais adaptada à minha vida, já sinto que ser mãe é algo que faz parte de mim naturalmente, e sentir isto ajuda a aceitar todas as lutas que tenho de enfrentar no dia-a-dia. Que alívio.

Quando a minha prima, mãe de dois, um com 10 anos, outro com 7 meses e que eu adoro e admiro MUITO, me disse no aniversário do Gonçalo que não sabia como é que eu conseguia fazer tudo sozinha. Porque apesar de ter ajudas, o grosso do trabalho, do planeamento, das responsabilidades ainda sou em quem faz, e raramente tenho um minuto de descanso. Eu ainda tentei dizer que não fazia nada diferente dela, mas ela disse apenas “eu conto com a minha mãe para tudo, ela ajuda-me em montes de coisas e tu não tens esta ajuda”. Escusado será dizer que nem consegui conversar mais e entrei em modo maricas. Porque nessa altura percebi o que ela queria dizer, e senti-me mesmo uma mãe do caralho (como diz e bem a Susana, e eu sei que sou influenciável e tal mas há que dizer com todas as letras). Porque ser mãe sem ajuda da minha mãe está no top 5 das coisas mais dolorosas da minha vida, e estou a fazê-lo todos os dias, e acredito que estou a fazer bem.

Agora é a vossa vez. Quais os gestos, as palavras, as coisas bonitas que vos disseram acerca desta experiência da maternidade que vos tocaram o coração? Hoje ficamo-nos pelas optimistas, mas um dia destes podemos falar das piorzinhas também…

Thursday, November 22, 2018

Essencial

Como já disse antes, escolhi para palavra deste ano ESSENCIAL, porque no ano anterior tinha tido um tal arrombo na minha vida com o nascimento do Gonçalo, a luta que foi para amamentar e para superar um baby blues paralisante, esta palavra remetia para uma calma e análise que não costumam ser características típicas minhas, mas que precisava para compreender e aceitar as mudanças que a minha vida tinha acabado de sofrer. E ao mesmo tempo, não me perder de quem sou e daquilo que me caracteriza e do que gosto. E agora que o fim do ano se aproxima, começo a reflectir muito sobre isto, se funcionou para mim, se vivi esta palavra (e o seu significado) verdadeiramente ou se estive aquém.





O que este ano foi para mim
Pelas pesquisas que fui fazendo ocasionalmente no Pinterest e que alimentavam o meu board para a palavra (um hábito que quero continuar a manter para os próximos anos e próximas palavras), ESSENCIAL está ligado ao minimalismo, e se no início pensava em entrar numa onda de arrumação e destralhamento, não consegui reflectir minimamente esse conceito da coisa. 

O meu essencial não é tanto sobre como reduzir coisas da minha vida, mas antes o processo de estar em plena confusão e tentar orientar-me se quero ou não manter e como procurei (e procuro) perceber essencialmente quem sou, o que quero, para onde tenciono ir. 

Porque durante os últimos anos alimentei um sem número de sonhos mais ou menos realistas, muito baseados no que via pela internet fora (escrevi um pouco sobre isto aquie cheguei recentemente à conclusão que andei meio desorientada com isto tudo e sem tirar verdadeiro proveito das coisas. Percebi por exemplo que gostei muito de explorar a costura, mas não seria para fazer disso negócio, queria mesmo é saber como se fazem algumas coisas e divertir-me. Ainda adoro coisas craftys e projectos DIY mas já não quero fotografar mil vezes o que faço para por no blog ou no instagram. Quero só usufruir. E depois até posso partilhar, se me apetecer.

Sinto que 2018 foi uma espécie de ano zero do resto da minha vida. Porque foi um ano em que desarrumei as gavetas figurativas da minha mente e tentei por ordem no caos. 
Fiz muitas listas, ainda faço. Comecei por fazer playlists, bucketlists (é tão mais fácil escrever em estrangeiro), fiz desafios de journaling e reflecti sobre alguns temas. Foi engraçado. 
Dei por mim a ler e a dar abertura para explorar um mundo de gente que fala de temas mais holísticos (e por vezes quase esotéricos), de coaches motivacionais (quer acredite muito nisso ou não), li e-books, posts em blogs, ouço podcasts dentro destes temas do autoconhecimento e de desenvolvimento pessoal, sempre de espírito aberto e sentido crítico qb. Também andei por aí a explorar todo o tema de aceitação corporal e alimentação intuitiva. Descobri coisas interessantes, e pela primeira vez dei por mim a separar o que interessava do que era acessório. Não me apeteceu por nada em prática, apenas porque senti que o essencial era mesmo informar-me e avaliar à distância o que me interessa. Ando a dar algum tempo para as coisas ficarem ou passarem. Continuo a fazer listas, reflicto sobre os temas que me despertam alguma atenção, mas essencialmente gosto da sensação de que não me fechei ao mundo, mas antes mudei a mentalidade com que encaro estas coisas. E não me sinto assoberbada nem assustada com o excesso de informação interessante e útil. Estou ainda apenas a distinguir o que é importante para mim. E pegar numa coisa de cada vez (esta é provavelmente a minha maior conquista).

Em casa, abracei o caos. Gostava de destralhar, sim, mas enquanto não dá vou fazendo por orientar tudo o melhor que possa. Se todos tivermos roupa para vestir, comida, cuidados básicos de higiene, abraços e sorrisos para partilhar, já estamos bem encaminhadosO resto vai devagar. No trabalho, afasto-me de conflitos e aprendo a focar-me cada vez mais nas minhas tarefas, dou por mim a melhorar métodos de trabalho e os resultados estão à vista. Sinto-me extremamente orgulhosa de mim, porque acho que sou tão melhor profissional agora, mesmo usufruindo de uma redução horária.

Cheguei à conclusão que o essencial para mim não é desligar e deitar fora tudo o que é acessório. Eu preciso de muita coisa diferente para me motivar e me manter interessada. Preciso de livros por ler, de coisas a acontecer, de ter múltiplos interesses parados no tempo, à espera que me apeteça.

O essencial é saber gerir as prioridades do cérebro, parar com o multitasking, ouvir o corpo, o instinto, saber quando acrescentar e quando retirar, saber quando parar e quando descansar (não quero voltar a passar por um burnout). Tem muito a ver com autoconhecimento, e com a atitude que escolhi adoptar perante estas coisas, e pela primeira vez em muito tempo, começo a perceber bem quem sou. Pelo menos muito melhor do que até aqui.
Acho que foi uma boa palavra.

Wednesday, October 24, 2018

Coisas avulso

Devido ao post da semana passada da querida Susana (que tem só o blog/pág de facebook que me ajudam a lidar com esta coisa complexa e maravilhosa que é a maternidade sem enlouquecer ou me sentir uma freak), acredito que o meu blog receba agora uma fornada de novas leitoras. Assim em jeito de apresentação, deixo alguns factos aleatórios sobre mim só porque sim:
1- (isto já devem saber, mas) Sou a Joana, tenho 36 anos e sou designer gráfica há 13 anos. Ainda não me fartei da minha profissão mas sempre achei que não pode durar para sempre. A ver vamos se algum dia me vai dar para mudar radicalmente.
2- Em Setembro fez também 13 anos que escrevo blogs. Comecei completamente por acaso, para seguir e partilhar coisas com uma querida amiga que foi viver para os Estados Unidos e ficou por lá. Tornou-se o testemunho da minha vida desde aí (apesar deste blog ser mais recente, tem apenas 7 anos). Ela parou de escrever, eu não consigo largar isto… mas não actualizo com muita frequência, aviso já
3- Não suporto a moda dos unicórnios. 
4- Sou chocolatodependente e eu sei que está só na minha cabeça, mas não quero parar de comer. É uma escolha, e eu assumo.
5- O meu herói preferido é o Tio Patinhas
6- Consequentemente, sempre me considerei um pouco forreta e acho que é uma virtude 
7- Tenho boa memória e sei de coisas absolutamente desnecessárias e que não deveriam ocupar espaço cerebral. Mas também guardo imensas recordações que adoro partilhar com amigos mais antigos. 
8- Mas também sei o meu Nº de Cartão de cidadão e o NIF de cor. E falta pouco para decorar o meu NIB também
9- Sou introvertida e adoro ler. Tenho de ter sempre um livro na cabeceira mesmo que passe dias sem lhe tocar 
10- Tim Burton rules
11- Sou definitivamente uma morning person e acordo sempre com fome e com energia
12- O pequeno-almoço é a minha refeição preferida
13- O meu filho é provavelmente o bebé mais lindo que eu já vi
14- Já pratiquei patinagem artística e é a minha pedrinha no sapato não me ter dedicado mais àquilo (houve muitos problemas que impediram, um dia talvez vos conte)
15- Falando nisso, é um objectivo meu a curto prazo comprar patins para recuperar o hábito (próxima primavera, espero eu)
16- Sou uma geek. Adoro o Star Wars e não consigo escolher preferidos entre o senhor dos Anéis e o Harry Potter
17- O meu maior sonho seria comprar uma casa no campo e ter uma biblioteca “à antiga”, assim uma coisa muito ao estilo Enid Blyton. Quem sabe um dia.
E pronto, assim de repente não me ocorre mais nada, mas certamente ficou muito por dizer. E agora um desafio em cima do joelho, não se querem também apresentar e contar 3 coisas sobre vocês? Os comentários estão em aberto. E isto não é válido só para a malta “nova”, os que já cá vêm também podiam partilhar algo que não saiba sobre vocês. #ficaadica

Thursday, October 4, 2018

Ai pessoas...!

Estou cansada das pessoas. Muito a sério. Cansada da facilidade com que as pessoas descartam e destratam as outras, a facilidade como empurram os outros com a barriga para ficarem eles próprios no centro das atenções. Não posso mais participar em conversas onde só te ouvem porque estão à espera da vez deles para falar, e isto quando te ouvem, porque grande parte das vezes impõem-se, dominam tudo e não te deixam sequer opinar porque apenas a opinião deles conta.

Detesto como vejo pessoas a tirar conclusões sobre os outros e como espalham as suas visões e opiniões deturpadas pela sua própria perspectiva da vida porque têm de odiar alguém, porque tem de haver um objecto de rejeição, de conversa, de desprezo conjunto. Porque rejeitar é fácil, rejeitar une pessoas sob um denominador comum. Excepto que há as que ficam de fora, as que são ignoradas. E por vezes muito obviamente rejeitadas, a tentar fazer de tudo para não serem postas de parte, mas sem sucesso.

Odeio quando rotulam assim as pessoas. Sem dó nem piedade, sem tolerância, sem um mínimo de compreensão e compaixão.

Odeio que essas atitudes de merda sejam tão tóxicas que contaminem todos em redor.

Não sou nenhuma santa. Eu ainda julgo, critico e aponto o dedo. Mais vezes do que gostaria. Mas se antes o fazia e empinava o nariz, orgulhosa, hoje repenso, recolho o braço esticado em tom acusador e questiono. Não conheço o íntimo de ninguém, não sei o que passa, não sei as dores por que passam. E se não me está a fazer mal ou a provocar uma ofensa mortal, que direito tenho eu de rebaixar alguém? Porque me irrita? Porque não é igual à carneirada?


Infelizmente há quem queira ter a razão à força, que impõe a sua verdade impugnável e com isso empurra os outros para fora de vista. Como se isso não ofendesse também. Como se isso não magoasse.

O que nos dá o direito de atropelar assim as pessoas? Porque raio isso nunca ficou arquivado nos tempos de escola? Onde anda a compreensão e tolerância que tantos gostam de aclamar mas que depois quando lhes convém, fica esquecida?

Não precisamos de ser todos amigos de toda a gente e amar o mundo, claro que existem círculos mais restritos e devemos estar com quem nos diz mais, mas não é sempre assim que funciona a vida, também temos de tolerar e conviver com quem não nos é tão próximo. Rejeitar e rebaixar só porque é conveniente ou porque nos achamos na posse de uma qualquer posição superior à dos outros não é aceitável. Não sejamos então estas bestas críticas e intolerantes, não façamos aos outros aquilo que não gostamos que nos façam a nós. Será que custa muito?

Foda-se, eu achava que não. Mas já me enganei por menos…

Tuesday, October 2, 2018

Coisas que aprendi e não acreditava que eram reais (felizmente não são muitas)

Pessoal, estamos num impasse, porque ando verdadeiramente sem vontade de escrever.  As ideias para posts e pensamentos avulsos continuam a brotar desta cabecinha, mas quando coloco o dedo no teclado, nada sai. É um pouco frustrante, porque sinto que a minha cabeça está a entrar num estado de absoluta incapacidade de funcionar como devia. Sim, eu sei, agora tenho um bebé, que não dorme grande coisa, que não me larga, que eu amamento (e de alguma forma, acho que isso influencia a minha capacidade cerebral), como demasiado açúcar, tenho muita coisa (sopeirices) a acontecer na minha vidayaddayaddayadda.
Eu sei que um bebé nos rouba atenção, espaço, sanidade mental, e recentemente passei (espero que já tenha passado mesmo) uma fase catastrófica porque, depois ter passado 5 meses entre os primeiros dois dentes e o terceiro, e de repente nas duas últimas semanas apareceram três a espreitar sem aviso prévio, o que acredito que provocou a quantidade de noites mal dormidas que, ainda por cima, coincidiram com uma constipação do demo que não me larga há 2 semanas.

Portanto estamos bem.

Ainda assim, e apesar de eu me sentir absolutamente incapaz de juntar as ideias em frases coerentes e relativamente curtas, queria partilhar convosco algumas coisas que me diziam que iriam acontecer quando fosse mãe, e que ou não acreditava muito nelas (ou achava-as um pouco forçadas).

A primeira, eu era uma gabarolas com a minha imunidade. Raramente ficava doente, a única maleita que padecia era de alergias, que, com o passar dos anos têm vindo a abrandar. Não tinha febre há mais de uma década. Apanhava vento e correntes de ar sem um pio. Se estivesse um pouco mais afectada um dia de chá e brufens aliviava a coisa. E já me tinham dito que quando tivesse filhos o corpo ia reagir de maneira diferente e que apanhávamos facilmente as doenças dos putos e afins. A minha tosse de cão e o meu nariz pingão sem fim à vista confirmam esta tese, desde que o puto nasceu que eu sou uma menina. E pior, com a amamentação estou estupidamente limitada na medicação, e obviamente que não há cá aguardente com mel. Uma tristeza portanto. Sinto-me como o super-homem junto à kriptonite.

Segunda, que me esqueço das coisas mais facilmente. Esta vai e vem. Ainda acho que continuo a ter uma boa memória – e a prova disso é que ontem no trabalho, a falar com um colega, e com esta constipação e noites mal dormidas, lhe lembrei que ele se estava a esquecer do café na máquina. Nem tudo está perdido. Mas então no que toca ao blog, acontece-me mais vezes do que quero admitir, tenho ideias para posts e quando vou tentar ordenar ideias… esqueci-me (aliás, compilar as ideias para este post foi um feito, esqueci-me várias vezes do que queria escrever, e é aqui que sinto que os smartphonesforam das melhores invenções da humanidade).

Terceiro, que no fundo no fundo, eles dão bem menos trabalho quando são bebezinhos. E eu confesso que não acreditava muito nesta porque passei horrivelmente mal nos primeiros tempos. Aquelas coisas que ninguém fala: não me sentia particularmente apegada ao bebé, sentia-me exausta, a flutuar num mar de hormonas, nervosa e preocupada com a responsabilidade em ser a principal fonte de sobrevivência daquela criatura. Só queria que o tempo passasse e ele começasse a ser mais ele, e eu estivesse mais habituada ao meu papel de mãe. Pois… ontem passava pelas fotos dele tão pequenino e apesar das sestas de meia-hora que ela fazia, era realmente um sossego e tão mais fácil de lidar do que agora. Como é que eu não vi isso?? Mas ele agora é um espectáculo, divertido e provocador, e isso compensa (um pouco) a trabalheira que dá.
Ainda estou para perceber se entretanto com esta coisa das saudades do pouco trabalho que dava e de ter um bebé sossegadinho e dependente de mim me vão dar vontade de ter outro. Para já não acredito muito nisso, estou muito bem assim, obrigada. Mas nunca se sabe. No meio disto tudo, o que realmente aprendi com esta coisa da maternidade é nunca dar nada por certo nem definitivo. As coisas mudam facilmente e eu tenho de apanhar o ritmo e deixar de querer controlar tudo. E há dias em que isso custa horrores, mas acho que é capaz de ser a melhor e mais dura aprendizagem da minha vida. E há algo de bom em desafiar os limites.

Saturday, September 15, 2018

Aquela culpa que mói...

Sozinha em casa com a criança porque o pai foi a uma despedida de solteiro. O miúdo anda a engrenar nas rotinas da escola e dorme noites melhores (nem quero falar muito para não azarar a coisa) e sestas mais longas.
Miúdo já dorme há uma hora sem largar um suspiro e que faço eu? Treino o scroll nas redes sociais... Ando há dias com vontade de desenhar, de escrever, de pintar as unhas, e a coisa mais produtiva que fiz até agora foi um bolo de caneca porque me apetecia um doce (e sim, continuo a alimentar de forma errada este corpo que continua a não ser o meu - assunto para mais tarde quando conseguir ordenar melhor as ideias... quem sabe, depois de as escrever no meu diário!). E agora liguei o computador, para não escrever este post no telemóvel, porque há limites para a preguiça.
Eu sei que parar e fazer coisas altamente improdutivas faz parte e devemos aceitar que nem sempre temos de estar a produzir coisas ou a fazer coisas. Podemos ser preguiçosos de vez em quando. Mas se é para me massacrar num ecrã mais valia ver séries. Ou outras coisas mais interessantes como ler.  Tenho vários livros a meio (um deles até é e-book e leio-o no telemóvel), pilhas de revistas para terminar... Ou ver o catálogo do IKEA, que seja! 
Há coisas altamente inúteis mas que de alguma forma são positivas. Fazer scroll nas redes sociais faz-me sentir pior do que depois de comer o bolo de caneca inteiro. E agora que faço eu com esta culpa?

Bem, engulo-a e borrifo-me para o assunto. Esta sensação opressora de que não há tempo para as coisas há-de passar. Amanhã com sorte, terei uma sesta longa outra vez e posso fazer o que me apetece para equilibrar as coisas. Mas se me der na gana na altura, vou mesmo é dormir com o miúdo. Escrevo e desenho quando conseguir ou se sentir uma urgência ou necessidade imensa. Ele ainda é bebé e eu ainda tenho o direito de me sentir cansada. Os meus sonhos e ideias estão cá e não os quero deixar ir embora e hei-de redescobrir a minha produtividade e criatividade nestes escombros (aliás, eu sei que nunca me abandonaram completamente, depois da festa do Gonçalo)
Agora vou mas é ler antes de dormir que também faz bem e ajuda. E medito deitadinha na cama que também conta.

Friday, September 7, 2018

Setembro é sempre aquele mês...

Eis que 3 semanas volvidas estou de volta a estas lides, apenas para constatar que as férias passam sempre a correr, mesmo que durma pouco. Não vou entrar em detalhes do que é ter quase 3 semanas de férias para só ir 1 para fora e as restantes serem para limpar, arrumar, organizar a casa e a roupa. Nem o que é passar férias com crianças (spoiler: não são férias) ou dicas para o mesmo (deus me livre, nem sei como sobrevivi).
Apenas queria fazer uma pequena reflexão sobre o que é voltar à minha terrinha e como é regressar a casa depois de lá passar uns dias. Spoiler: é maravilhoso. Não interessa que esteja em férias que não são férias, que não consiga parar um segundo, que tenha levado papel e caneta e não escrevi uma linha, mas a inspiração que recebo dali continua a tocar-me, mesmo quando não posso fazer nada quanto a isso. E soube mesmo bem regressar a casa e perceber que sinto novamente Setembro como um mês de recomeços. Mais uma vez, não que tenha feito grande coisa sobre isso, andámos a matar saudades da família no regresso e depois começámos a levar a injecção da creche, que é todo um novo capítulo e uma nova dor-de-cabeça.
Mas a aproximação do Outono faz sempre com que me apeteça planear os próximos passos, começar esta fase do ano com outra energia e vontade, recolher em casa, projectar intenções para a minha vida… É sem dúvida, a minha fase do ano preferida.
Agora vamos a ver se isto não cai em saco roto e realmente avanço com as coisas. Ando já a fazer listas e a pensar no Natal (a ver se este é finalmente o ano em que despacho as prendas com mais antecedência para gozar dezembro com outra calma). Estou mais do que pronta para o Outono (até porque o verão não colabora e já quer avançar para a próxima estação). Vamos a isto?

Thursday, August 23, 2018

Amamãetação, ou como isto custa como o raio - parte 3

Chegámos à terceira e última parte de posts sobre a amamentação. Não volto a fazer-vos uma destas tão cedo...

Pois bem, passadas as dores e as agonias a coisa começou a decorrer mais tranquilamente. Ele mamava bem, tinha força, e eu finalmente conseguia parar para respirar. Foi nesta fase que consegui retomar leituras com calma enquanto ele demorava eternidades a mamar. A sério, o miúdo demorava o tempo que queria! Dormia pelo meio. Por vezes pousava-o e 5 minutos depois queria leite. Não conseguia perceber quando estava satisfeito. Finalmente ele tinha atinado na mama e gostava muito da livre demanda. Não fazia intervalos maiores que duas horas, excepto de noite, que conseguia dormir umas 3 horas de seguida... de vez em quando. Não conseguia aumentar o intervalo de tempo entre mamadas, por muito que a pediatra e a enfermeira do CS insistissem.
Ele simplesmente ficava.

Entretanto, como ele crescia e as necessidades mudavam, a pediatra aumentou a quantidade de leite artificial. E aqui comecei eu a ficar desconfortável. A mastite já tinha passado, ou estava prestes a passar, vamos continuar a encher o miúdo de leite artificial? Agora que o meu corpo entrava no esquema tinha de correr o risco de desmamar? Não estava a achar muita piada.
Apesar de continuar a não adorar a experiência da amamentação em si, não queria ser empurrada para fora dela. Comecei então aos poucos a ler artigos sobre largar a alimentação complementar e dar mama em exclusivo. Sabia que era possível, sabia de uma experiência em primeira mão. Mas não sabia o como.
(Faço aqui o parênteses sobre o assunto de contactar ajuda especializada de uma enfermeira ou uma CAM. Eu tentei no início, mas em Agosto era uma fase de férias e nem toda a gente estava disponível, o grupo da Liga La Leche estava parado, a irmã de uma rapariga que conhecia, que é enfermeira especializada também esteve quase para vir ajudar, mas uma noite mal dormida ditou que o encontro não acontecesse e essa rapariga estava grávida de fim de tempo, não deu para outras combinações. Por isso isto foi tudo muito à base de procurar soluções e tentá-las organicamente.)

Então fui testando. Continuava a dar de mamar em livre demanda. Por vezes não dava o leite artificial (especialmente porque ele mamava com muita frequência, e não podia fazer intervalos menores que 3 horas), à noite, com a preguiça em aquecer biberões e afins, quase não dava e ele parecia bem e satisfeito. E aumentava de peso. Numa consulta de rotina disseram que podia tirar o leite artificial à vontade, que o meu era suficiente. Só dava leite artificial à noite naquela de ver se ele dormia mais (nunca funcionou) e ele continuava a desenvolver-se lindamente. Uma noite tirei o leite artificial e não notei diferença. E assim voltei a amamentar em exclusivo. 
No meio disto tudo, devo ter comprado umas 3 ou 4 latas de leite artificial. 
Olhando para trás, parece ter sido um processo relativamente simples, mas naquelas fases complicadas, na loucura das hormonas, fui muito infeliz. Ninguém nos prepara para isto.

Hoje em dia ainda amamento. Não planeei nada disto, não sei até quando vou amamentar, se vou desmamá-lo por livre vontade ou esperar até ele querer. O que sei sobre este assunto é:

1- Amamentar é uma cena pessoal. Nunca deveremos julgar ninguém ou tentar influenciá-la só porque não concordamos. Eu já tive em todos os lugares do espectro, desde odiar com todas as forças, como adorar profundamente a experiência. Chorei de dor e de alegria. Mas não quer dizer que seja assim com toda a gente. Respeito toda a mãe que amamenta até aos cinco, como a que amamenta 6 meses, como a que não amamenta porque não pode, como a que amamenta porque não quer. Eu tive alguma sorte com a minha experiência, insisti porque quis e por alguma preguiça em assumir determinadas mudanças. Não sou nenhuma heroína por ainda amamentar, mas tenho motivos para dar continuidade.

2- Deveríamos mesmo ter acompanhamento mais especializado disponível. A amamentação é pior do que a gravidez e a privação de sono, e birras, tudo combinado. Mil obrigados às enfermeiras do SOS Amamentação, às enfermeiras do centro de saúde que foram dando apoio e conselhos, às mães que, amamentando ou não, me deram muitas perspectivas sobre o assunto para eu poder decidir o que queria fazer. Procurem sempre apoio e ajuda se têm dúvidas.

3- Amamentar pode ser muito lindo, mas também pode ser a pior seca da vida. Quando o bebé demorava 40 minutos a mamar em cada mama (até chegar aos 3 meses, idade em que lá aprendeu a acelerar a coisa) eu andava a morrer uma morte lenta de tanto tédio. Vá que me fui orientando para ler durante o processo. Essa coisa do vínculo especial... eh! Há momentos muito bonitos e especiais, claro, muitos deles gerados da minha emoção, porque o Gonçalo sempre foi irrequieto e não ficava embevecido a olhar para mim nem me lia os pensamentos, como se poderia imaginar, mas também podem existir momentos em tantas outras circunstâncias, e  as vezes em prefere estar com o pai, que nunca amamentou? 
Faz tudo parte. Pode ser lindo mas não vai propriamente descer uma luz divina sobre nós.

4- É uma espécie de super poder. Não é bem, mas sinto-me como tal por isso... :P

Resumindo. Façam o que querem. O corpo é vosso, as mamas são vossas. O que interessa é um bebé alimentado e nutrido, e uma mãe que pode zelar pelo crescimento dele em paz consigo própria. Custou-me a interiorizar isto, mas é mesmo isto.
E fechamos este assunto aqui.