segunda-feira, 29 de junho de 2020

Também andam farta/os do vosso blog ou sou só eu?

Calma minha gente, eu não vou mandar o blog abaixo. Na verdade este post é suposto ser positivo e construtivo.

Há dias a Catarina publicou no instagram um muito aguardado retorno ao blog. E aproveitou a dica para fazer uma consulta rápida nas stories se a malta ainda gostava de escrever blogs. Eu respondi com um chocho "gostava tanto de escrever mais mas não o largo". E ela respondeu-me alegremente que adora ler-me. E eu sei que é verdade, mas senti-me uma verdadeira impostora. 



A Catarina é uma das minhas blogger-musa. Ela sabe tornar um texto apelativo, sabe adorná-lo com boas imagens, faz reflexões muito pertinentes e tira conclusões certeiras. Sempre que lá vou, sinto que há conteúdo, dá gozo ler. Sinto-me muito próxima a ela apesar de só me ter cruzado com ela uma vez na vida, talvez tenha a ver com o facto de sermos ambas caranguejas, mas se calhar porque temos alguns pontos comuns nos nossos percursos e o entusiasmo dela faz-me lembrar o meu. 

Mas voltando um bocadinho atrás, senti-me um pouco impostora sim, porque de facto adoro escrever e manter este blog... mas não o faço. E passo muito tempo da minha vida a lamentar este facto em vez de o usar produtivamente para escrever ou... passe a redundância... produzir. E quando me dizem que gostam, o meu ego fica aos pulinhos, mas também um pouco envergonhado porque acho que sou mesmo capaz de fazer melhor.

Sempre que tenho algum tempo, penso no blog e no que gostaria que ele fosse, e não faço efectivamente nada por isso. Há dois anos que penso em renovar-lhe o aspecto, criar um logo mais interessante, e dedicar-me efectivamente em construir aquilo que acredito que o blog é e tem potencial para ser mas... não faço nada. Rabisco algumas ideias, sonho acordada e a coisa morre na praia sem nunca ver luz do dia.

Estou farta do blog sim. Ele não me fez nada de mal, muito pelo contrário, mas eu de facto estou cansada que seja só algo que pegue ocasionalmente. Claro que não significa que deva postar coisas só porque sim, mas eu gosto da continuidade que isto pode ter, gosto de ser mais assídua, mas não sou. 

Preciso de me mexer, preciso que seja um sítio que eu ache verdadeiramente apelativo, que goste de o ler, que seja visualmente interessante e reflicta de facto o meu lado criativo e entusiasmado pela vida, e acima de tudo, que eu consiga pôr mais vezes por escrito as ideias de posts que me flutuam à volta da cabeça. 

Por isso, já chega desta modorra, e vamos mas é por isto a andar sim? 
Entretanto, se tiverem dicas contra a procrastinação, temas que gostavam de ver no blog ou seja o que for, por favor partilhem que eu agradeço muito.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Aquele dia em que eu participei num podcast


Devo dizer-vos, eu adoro podcasts. Passo o dia a ouvi-los. Já quando ouvia mais rádio eu gostava mesmo era que me dessem conversa, e dei comigo muitas vezes a rir sozinha e a responder-lhes, presa no trânsito. Um mimo, como podem imaginar. 
Pois que eu comecei a ouvir podcasts graças a alguns pioneiros portugueses neste meio, e só depois tenho resvalado para os estrangeiros e só não subscrevo mais porque tenho uma quantidade gigante deles em stand-by. Tenho mesmo a sensação que estão a conversar comigo, sem falar na quantidade de coisas que tenho aprendido em entrevistas, comentários e esclarecimentos que muitos dão. É um meio riquíssimo e sem dúvida que tem acrescentado muito aos meus dias.

Isto para vos dizer que participei num podcast! Não foi assim daquelas coisas em que me convidam e querem falar comigo por ser eu, mas ouço o Arrepios com a Bilinha desde que apareceu, sou patrona no Patreon e gosto muito das temáticas que ela trata (sou aficcionada de terror e mistério e tudo de inexplicável), e como ela conta histórias a novos convidados todas as semanas, eu agitei desavergonhadamente o meu dedo no ar para gravar com ela e cá estou eu a conversar um pouco com a Raquel, que me contou uma história clássica de assombrações que merece a pena conhecer. 
Não estava nada nervosa, por incrível que pareça, mas de vez em quando acusava o cansaço e davam-me umas brancas ou divagava incessantemente, mas no geral foi uma experiência que adorei e quero repetir, seja com ela, seja com outros, seja criar o meu próprio podcast (?). 

Se gostam destes temas ou se simplesmente querem conhecer a minha voz, e o meu tagarelar incessante, by all means, ouçam o episódio! No fim, se quiserem ser muito queridos digam que eu até me safei bem mesmo que não tenha sido o caso.  

(e já que estamos no tema dos podcasts, alguém interessado em saber o que me entra pelos ouvidos? Ou com vontade de partilhar aquele mesmo imperdível? É um assunto que não me cansa de todo, adoraria saber o que pensam.)

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Respect

Ando a mastigar as ideias para compor este post há alguns dias e sinceramente nem sei se o vou conseguir publicar já ou se o vou construir com o tempo. É muito difícil falar de racismo, de por os conceitos na mesa, de esmiuçar os pontos de vista e tentar abranger a complexidade de tudo o que abarca. E sei que, longo ou curto, este post vai sempre ficar incompleto e que nunca conseguirei falar de tudo o que se atropela na minha mente, mas tenho de tentar. Porque tenho uma voz, tenho uma plataforma (por pequena que seja) e tenho muita vontade de aprender, de compreender e de viver esta questão que se impõe incomodamente nas nossas vidas. No fundo, como tudo na vida.

Não podemos simplesmente fechar os olhos, fingir que não existe, que não tem importância, que vai passar. A memória é curta, mas enquanto continuam a morrer pessoas, e outras a passar por elas com impunidade, e a sermos TODOS constantemente atropelados pela profunda injustiça, de tudo isto, não podemos ignorar. Vamos convidar este incómodo, vamos debater, discutir, argumentar e contra-argumentar para, no mínimo, alargarmos as nossas mentes e aprendermos em conjunto. E com este conhecimento fazermos parte de uma sociedade mais equilibrada e justa, porque somos nós, unidos, que a construimos.

Tenho aprendido algumas coisas, alguns conceitos que não questionava antes. O fenónemo "black face", o #blacklivesmatter (que não é de todo um contraponto ao #alllivesmatter), a reconhecer o meu privilégio branco, e o que é verdadeiramente a "normalidade". Há tantas facetas para uma mesma coisa, não podemos simplesmente fechar os olhos a outras realidades que não a nossa. Empatia, precisa-se.

Aprendi com as minhas lutas pessoais que o meu sofrimento é válido, mas não é isolado. E que as minhas lutas pessoais são isso mesmo, apenas. E todos temos as nossas, ninguém escapa. Por isso quando começo a pensar no quanto as minorias têm de lutar e de se esforçar para ganharem credibilidade e peso e voz e um lugar minimamente respeitável na sociedade, só sei que nada sei. 

Eu neste momento posso descansar, posso por as minhas batalhas em pausa e relaxar confortável que amanhã ou depois pego nelas. Mas há quem não possa parar de lutar, que não se pode dar ao luxo de baixar a guarda, de sossegar. Não sei o que é ser olhada de lado, despertar desconfiança, insegurança, apenas pela minha aparência. Não sei o que é ter pavor de ser acusada injustamente porque se estiver no lugar errado à hora errada ninguém me vai automaticamente culpar e julgar pela cor da minha pele. Não sei o que é ouvir comentários asquerosos e injustos e sentir que o não há lugar para mim na sociedade. E acima de tudo, não sei o que é temer pela própria vida quando saio de casa. 

É incerto por onde podemos começar, mas mesmo que dê passos pequenos, vou dá-los. É o meu compromisso daqui para a frente. Estar atenta, ouvir, aprender, partilhar. Nunca me considerei (nem tenho feitio) propriamente activista, mas sei que posso e quero ser activa. 

Há muita informação a circular e dar continuidade à discussão, não deixar o assunto morrer é responsabilidade de todos. É o mínimo que podemos fazer. 

Não me quero alongar muito mais,  provavelmente voltarei a este assunto com posts mais orientados e mais explícitos (assim o espero) mas queria deixar-vos uma sugestão para terminar.
Subscrevam a newsletter da Nicole Cardoza. Tem informação interessante e muitíssimo bem documentada. Leiam, e se puderem, contribuam.

E se querem falar mais, usar esta plataforma, debater seja o que for comigo, corrigir-me, por favor, façam-no. Tenho o e-mail, facebook, instagram, caixa de comentários aberta. 

Respect.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Notas soltas de uma quarentena

Os dias são todos iguais. Há alguma dificuldade em perceber quando começa e acaba uma nova semana mas lá vamos desvendando o calendário, e assim de repente já passou um mês e uns trocos de isolamento e nem acredito que já é dia 20 de Abril. As crianças andam com os sonos todos trocados. E nós demasiado exaustos para tabelar as energias, vamos gerindo ao nosso ritmo. Todos passamos por altos e baixos, mais ou menos insónias, mais ou menos dificuldade em trabalhar. Mas a verdade é que sendo iguais ou não, eles passam e passam velozes. E ainda não sabemos muito bem quando e como acabarão.

Já me fui um bom bocado abaixo com isto tudo, já discuti muito, larguei lágrimas solitárias, mas também tive momentos de intensa paz. Ontem, pela primeira vez, deixei a loiça fora da máquina e só arrumei hoje de manhã (eu sempre tive uma pequena rebelde em mim). E soube bem não tentar controlar tudo. Não seguir uma obrigatoriedade de cumprir um horário rígido em casa. às vezes as coisas podem esperar.
Não limpo a casa tantas vezes como gostava mas ainda assim tenho as mãos feridas de tanto detergente e esfregona. 

As compras doem, está tudo caro, tudo se gasta mais, e claro que gastamos mais (os miúdos não param de comer?) mas não abdico de um vinho de vez em quando, de pilhas para os brinquedos, de risota e dança na sala ao som do panda. E em breve também vou gastar mais do que devo em terra e vasos para continuarmos a plantar coisas, comemos um rabanete cultivado por nós na salada e estava delicioso. Queremos mais. Girassóis estão a abrir na varanda.



Tento praticar aquela coisa da gentileza e paciência para comigo mesma todos os dias a cada falha, ao mínimo sinal de culpa, de alarme. Já percebi que muito desta vida é feito no improviso e nesta fase improvisamos mais que nunca. Quando temos por cá a mais velha fazemos trabalhos com ela e tentamos ter tempo para tudo. Nem sempre dá. Mas há dias desenhámos as duas e foi maravilhoso. Não escrevo como gostaria, apenas tenho apontado alguns momentos de angústia, e comecei um novo caderno de desenho e tenho tido alguns momentos felizes nele. Comecei a reaprender a tricotar e não tenho jeito nenhum mas tenho lãs maravilhosas herdadas da minha avó e ainda não desisti. 

Às vezes durmo sestas com o meu filho, vá... não é só às vezes, é quase sempre, mas ele também me interrompe tanto as noites, a juntar à minha insónia... uma sesta é um balão de oxigénio. Não tenho tempo para trabalhar nas pequenas coisas que tenho penduradas, mas elas cá continuam e vão avançando ao ritmo possível. Não me esqueço que sou uma sortuda que se pode dedicar mais ao filho e à casa do que muita gente. A sala já sofreu algumas alterações. Afinal, é de todos. Um colchão e almofadas no chão, a zona lounge, pizzas no sofá, a utilização de um móvel que estava por cá temporariamente para apoiar os trabalhos e brincadeiras, e as tralhas que se vão acumulando na arrecadação. E a casa sabe-me tao bem e nunca esteve tão cheia e tão bonita.

Video calls com os amigos que são irmãos, com os primos, com o meu pai e a minha irmã. Muitos beijinhos atirados no ar que sabemos que não os podem tocar, mas esperamos que lá fiquem junto a eles. Muitas saudades dos meus, da liberdade de sair, de os encontrar e abraçar quando quero. Conversas soltas, saudades, tagarelices, tudo por whatsapp. Não me canso das tecnologias nesta fase.

Ontem encontrei-me com o meu pai e irmã. Demos uma pequena volta aqui no quarteirão e sofri por não os abraçar. O meu filho, que não compreende este conceito de afastamento, não os largava, mas fartámos de lhe desinfectar as mãos para poder andar de mão dada com eles.
As actividades da escola vão ocupando as nossas mentes e mesmo assim pouco conseguimos fazer. Ai a culpa outra vez, preciso de mandar e-mail aos educadores. 

Leio menos livros, compenso nas revistas. Mil ideias enchem-me a cabeça e a Netflix ocupa o tempo solto. Já vi a segunda temporada do The terror na tv (é no AMC ou SY-FI? Já não sei), o Freud da Netflix, o Hill House Haunting e estamos a terminar o Irlandês. Em breve vai surgir a segunda temporada de Afterlife e quero ver o Dois papas. E o Stranger Things. E tanta coisa. Mas tudo devagar. Uma coisa de cada vez, ao ritmo dos dias. 
Que são todos iguais.

Como anda a vossa Coronatena?