Tuesday, March 5, 2019

A lista!

Na senda deste post, não podia deixar de partilhar convosco algumas pessoas que me estão a fazer pensar e a ajudar a mudar a minha relação com o corpo e a comida. Achei que por si só isto já tenho algumas coisas para partilhar que mereciam um post isolado, por isso, sem mais demoras, aqui vão elas... Aviso já que isto pode ser algo longo. E que mesmo assim vai faltar muita coisa...

Não conheço (ainda) contas portuguesas de profissionais especializados em alimentação intuitiva,  por isso os links e referências que tenho são mesmo de malta estrangeira, lá fora há todo um movimento a acontecer que gostava mesmo de ver replicado em várias profissões, seja de coaching, de nutricionistas, de psicólogos... A boa noticia é que cheira-me que ainda só estamos no começo.

Por cá conheço pouca coisa, confesso, mas há algumas mulheres que já lutam muito pelo positivismo e aceitação, portanto sugiro desde já o Lolly Taste da Vânia, e o blog da Helena Magalhães, que são as que mais vejo a abordar temas de amor-próprio e de quebra com esta cultura de dieta e imagem. Descobri também (sugestão da Ana) a Joana Margarida Morais e estou a adorar o feed do instagram dela. Noto também que há já alguns profissionais no instagram que também têm um discurso muito mais inclusivo e abrangente, e em breve teremos mesmo mais gente especializada neste tipo de abordagem.

Mas adiante, aqui vão os meus links de referência, começando pelos especialistas:

Isabelle Ysebaert - Psicóloga e healtch coach, ger o projecto Full of joy. É super conveniente, pois mora cá em Portugal e tem uma forma super simples de abordar estas questões no blog e o melhor de tudo, gere um grupo de facebook com pessoas que estão motivadas a mudar a relação com a comida, e que enche de informação preciosa (e truques para começarmos a aprofundar esta relação com o corpo e a comida) e promete que, se continuar a crescer, terá em breve muito conteúdo de mais especialistas. Corram a juntar-se aqui, e podem dizer que fui eu que vos mandei! :)

Laura Thomas PhD - Adoro-a. é uma nutricionista sem papas na língua e que está cheia de vontade de desmistificar e mandar abaixo os pilares da cultura de dieta. Incluindo aqueles institucionalizados como a Ella Woodward e o Jamie Oliver (ah pois!). Sigam-na no instagram e ouçam o podcast - Don't salt my game, é super leve e sempre cheio de conteúdo interessante. Lançou um livro no início do ano sobre alimentação intuitiva que já está na minha mesa de cabeceira e que sinto que vai ser um verdadeiro guia para entrar neste mundo. Quando o ler hei-de falar dele.

Linda Tucker - Sigo-a há pouco tempo mas é uma health coach com um discurso muito abrangente e tolerante. Gostei particularmente deste post que acho que resume um pouco a fase em que me encontro e as perguntas que tenho e as dúvidas que estou a experimentar. Muito enriquecedor e interessante.

Christy Harrington - Mais uma nutricionista especializada, com direito a curso (carote) sobre alimentação intuitiva e muito conteúdo bom. Também tem um óptimo podcast, - Food Psych que confesso, não ouço tanto quanto gostaria porque ela tem uma voz um pouco irritante (será o sotaque americano?). Mas ainda assim, tem imenso conhecimento disto tudo e vale sempre a pena segui-la.

(há certamente muitos mais, mas estes são os que acompanho com mais regularidade)

Activistas com muito conhecimento de causa:

Cruzei-me com a Megan do Body Posi Panda, no instagram e achei-a muito doce e colorida, quase não a levei a sério. Mas enganei-me redondamente. Ela já passou por muito, esteve às portas da morte com uma anorexia, e tem muito a dizer sobre estes assuntos. É muito lógica na forma de argumentar e não há como não acenar que sim a tudo o que diz. Contra factos não há argumentos, de facto... Li o livro dela recentemente. É muito completo no que diz respeito ao positivismo corporal e na desmistificação do universo das dietas, mas também muito "activista". Pensei que ia ser mais leve, não foi o que esperava, mas nem por isso significa que tem menos informação e interesse. No entanto, no blog já temos uma boa dose de informação e de respostas que ela dá às dúvidas que são sempre dedicadas e cheias de carinho.

Conheço o F*ck it Diet há pouco tempo, mas é um daqueles sites refrescantes com muita informação e bons conteúdos (também inclui um podcast que ainda não ouvi). Chega uma altura em que se calhar isto tudo se repete, mas acho que não nos faz mal deixar a informação entranhar-se sob outro ponto de vista e estas pessoas têm sempre a sua experiência pessoal a partilhar, com que nos identificamos imediatamente. Gosto muito do facto da Caroline ser uma pessoa "normal", que não tem excesso de peso nem aparenta ter qualquer tipo de problema com a imagem corporal, mas quem é que disse que para se ter disfunções alimentares ou lutar pelo positivismo corporal tem de ter um tipo de corpo específico? E o livro dela também está quase aí e parece-me muito interessante...

Redes sociais:

Para além da malta que já mencionei acima, há algumas contas avulso de positivismo corporal e de mulheres maiores que provam que não precisam de se enquadrar nos pârametros para serem bonitas e capazes de muita coisa. Temos a Milly com o  Self Love Clubb, que fala muito sobre saúde mental e aceitação de quem somos, sempre de uma forma crua e muito real, por vezes drástica, mas é fantástico lê-la (especialmente neste post, sobre a "dieta" que vai fazer para o casamento), a modelo Tess Holiday, que dispensa apresentações, a Paloma Elsesser, que outra modelo plus-size e é linda, e a actriz Jameela Jamil que se está a tornar no meu mais recente girl-crush. Há outras que sigo mas estou certamente a esquecer-me. Estas são as minhas maiores referências.
Também adoro o blog Style me Sunday, onde acompanhamos a Natalie, uma mulher real, com duas filhas, corpo mole e largo e roupa maravilhosa.

Por fim, como não poderia deixar de ler, uma listinha de livros. Não sou nenhuma expert no assunto, até porque ainda agora comecei, mas fica a minha wishlist, em que alguns são mesmo os livros referência do assunto:
- Intuitive Eating (ou, a Bíblia da coisa)
- Health at every size (que também passo a vida a ouvir falar)
- Body Positive Power que já falei ali acima e é uma óptima introdução no tema, em especial o capítulo dos distúrbios alimentares
- Just eat it - aposto que vai ser bom! Vou começar a ler esta semana.
- F*ck it diet - ainda não saíu mas arrisco dizer que vai merecer a pena

Obrigada a quem ficou até ao fim, este assunto vai voltar a ser falado de vez em quando no blog, porque gostava mesmo de reflectir sobre isto e perceber como pode funcionar este processo para mim. Ainda tenho um longo caminho a percorrer. Especialmente porque ainda não larguei completamente a ideia de que preciso de emagrecer para me sentir mais bonita e válida, e que há comidas boas e más. Vai ser puxado, eu sei, mas isto vai ao sítio. E contem comigo se quiserem debater mais sobre estes assuntos. 

Tuesday, February 26, 2019

Die, diet, die


Desde que me tenho como gente que a palavra dieta faz parte do meu vocabulário. Felizmente não (logo) por minha causa, mas pela minha mãe. Vi-a experimentar um pouco de tudo, em constantes dietas, a tomar comprimidos, batidos, a ir a este ou aquele médico, a desistir ao fim de menos de um mês. Este era o comportamento normal. Estar em dieta, estragar a dieta, procurar a próxima dieta. O normal para muita gente.

Eu, com 14 anos comecei a ficar gordinha. Talvez tenha sido aquela fase de mudança corporal da adolescência, mas lembro-me bem da minha médica me dizer que eu precisava de perder 3 quilos. E a partir daí começou toda uma nova fase da minha vida em que eu percebi que tinha de controlar o que comia para poder sentir-me mais digna. Lembro-me bem de me sentir tremendamente reduzida a nada porque era a gordinha. E lembro-me de pensar que talvez esse fosse o meu passaporte para finalmente ser notada, reconhecida. Não sendo eu uma rainha da popularidade, isto era assim uma coisa com algum destaque na minha vida. E assim foi, desde aí.

No entanto, nunca me senti muito confortável. Nunca levei muitas dietas a fundo, nunca gostei muito desta coisa da escravidão na comida, até porque a cada dieta, a contenção fazia depois o efeito oposto, e dava por mim a comer mais do que devia, daquilo que não devia comer, a massacrar-me por não ter força de vontade nem controlo sobre a comida. Muitas vezes olhava-me ao espelho e não achava que fosse assim tão gorda, outras, tudo era gordura e celulite. Basicamente um ciclo de tormento e culpa.

Percebi recentemente que, mesmo numa fase em que me alimentei "melhor", em que fiz dietas e até fiquei bastante tempo num registo dito "saudável", que nunca fui tão magra como gostaria. Aliás, a única vez que fui assim magra, foi precisamente numa fase em que me sentia uma merda, e de facto estava elegante e esguia, mas tinha as omoplatas a sairem das costas, o externo seco, perdi mamas e pasme-se, continuava com perna gordinha, portanto nunca iria ser uma Gisele Bündchen da vida. Não há nada de mal em querer perder algum peso, em querer seguir um estilo de vida saudável, em querer estar bem comigo mesma. Mas não sei se é uma dieta que vai conquistar isto. E chego a uma inevitável conclusão...

Eu não quero fazer dieta! 
Percebi isso depois do Gonçalo nascer, com a amamentação, com as mudanças a que o meu corpo teve de se ajustar. Epá, não me apetece! E assim dei-me permissão para parar de pensar em dieta. Maaaaaaas... neste último ano senti que perdi muito o controlo do que como, e percebi que algo mais está errado. A minha relação com a comida está muito deteriorada. Vejo tudo como comidas boas e más, sinto-me culpada ainda, continuava a ter episódios de comer este mundo e o outro. Portanto, estava na mesma, apenas não estava num plano alimentar, porque a culpa e a vergonha ainda estavam lá.
Pensei em consertar isto tudo com outra dieta, mas para além de não me sentir bem a limitar o que como ainda estou a amamentar e não sinto que o deva fazer, para além de que, tendo de fazer ainda comida à parte para  miúdo (por pouco tempo, felizmente, ele já come quase tudo o que comemos), não me ia meter a braços com mais um prato à parte para mim. Mas, acima de tudo, continuava com a estranha sensação que isso não vai funcionar comigo.

E começou de uma forma muito simples e sem grande intenção, comecei a ler sobre motivação, sobre amor-próprio, porque se queria uma mudança, queria que ela viesse de um lugar de amor e não porque estou em luta comigo mesma. Queria acalmar os meus conflitos primeiro. Aos poucos tenho descoberto, de uma forma muito orgânica pela internet fora, algumas pessoas que falam destes assuntos de uma forma que me faz sentido. Comecei a ler e a informar-me, a acenar lentamente que sim aos artigos cientificamente fundamentados que as dietas não funcionam e que andamos a lixar o nosso sistema há décadas. Se já antes admirava modelos plus-size e outras activistas do positivismo corporal, encontrei pessoas ainda mais activas nas redes sociais, na imprensa, e em blogs, que exploram ainda mais o tema e preconizam uma quebra neste ciclo interminável de ódio e guerra com o próprio corpo, e agora estou plenamente convicta que há outro caminho a seguir. O da aceitação, da permissão, da compaixão.

Quero aprender sobre alimentação intuitiva, quero saber gostar de mim, quero quebrar o ciclo e sentir paz.
E acreditem, não é fácil, não é um caminho linear, não é acordar e decidir e já está. Também exige trabalho e muito exame de consciência.  Mas há algo neste caminho que me entusiasma. Ao contrário da ideia de trabalhar em mais uma dieta, a ideia de pegar em mim e ouvir o meu corpo dá-me ânimo. Não sei ainda se e quando vou conseguir, mas ainda só estou a começar.

Por aí também lutam muito convosco mesmas? Já pensaram seguir este caminho? Tenho muitos recursos que tenciono partilhar em breve, mas gostava muito que me contassem o que pensam sobre estes assuntos.

Monday, February 18, 2019

Um brinde a novas rotinas




Adoro aquela sensação de quando uma rotina nova se começa a tornar habitual e... rotineira. 
Somos seres capazes de nos adaptarmos a tudo, é um facto. Mas ainda assim nada nos prepara para o que vem na mudança de uma rotina, o que parece fácil pode revelar-se bem mais difícil do que parecia. Mas quando é uma mudança desejada e ponderada, e quando os valores estão ajustados, essa mudança torna-se menos complicada, menos assustadora. Ainda assim, não menos desafiante.

Isto para dizer que tenho uma nova rotina na minha vida. Mais uma mudança, mais um desafio. E sinto-me sempre uma imensa sortuda por experimentar um pouco de tudo, por poder explorar tanta coisa nova na minha vida. Que o medo nunca me paralise, que tenha sempre coragem para experimentar e avançar. 

E que as novas rotinas se tornem velhas rotinas com o bom sabor da conquista!
Uma boa semana, amigos.

Monday, February 11, 2019

(des)adequação


Há dias em que me sinto a querer confundir-me com as paredes e passar completamente despercebida. Não tenho feitio para falar (muito) alto, não gosto de chamar a atenção sobre mim, gosto de ficar caladinha e interferir muito pouco na confusão.

Este foi um um fim-de-semana incrivelmente proveitoso e feliz. Não aconteceu nada de mais, deu para passear um pouco pelo campo, o que já é óptimo, para tratar das lides domésticas, para me sentar a desenhar e ler um pouco (demasiado pouco, mas é melhor do que nada), para cozinhar, para brincar com o miúdo que incrivelmente deu noites com horas mais longas de sono. Foram dias vividos ao sabor das vontades, devagar.

Então venho num ritmo calmo, de um espaço que me permitiu respirar um pouco. E a agressividade de uma segunda-feira por vezes fere-me. Já deixei de me lamentar por uma série de coisas. Nos dias que correm eu tento ao máximo encontrar a alegria das pequenas coisas e aproveitar o meu tempo junto aos meus. Mas hoje custa-me esta coisa de me apresentar ao mundo. Custa-me sentir-me tão deslocada e fora de ritmo. Custa-me que a vida me obrigue tantas vezes para eu não ser eu, para marcar passo num ritmo diferente do meu, para me adequar mesmo que não esteja ainda completamente adaptada.

Hoje faz um ano que perdi a minha avó, e penso nas gerações de mulheres que me precederam e o quanto me pesa o amor por elas, pelas que me moldaram, pelas que não conheci mas marcaram a minha vida, e pelo legado que poderei vir a deixar, ou não. Magoa-me a velocidade com que a vida passa, magoa-me que não possa nunca apresentar ao Gonçalo aqueles que vieram antes de nós e são os meus pilares da família. 

Então estou assim, desadequada, longe do mundo, entregue ao meu universo.
E pisei cocó de cão. Outra vez (sim, na sexta aconteceu o mesmo).

Há dias em que a vida é apenas isto.

Wednesday, February 6, 2019

Deixem as mães em paz

Esta frase não é minha, quem a diz com muita (e necessária) frequência é a Susana, mas tenho de roubar e reforçar a mensagem, porque uma pessoa não pára de levar pressão de fora. E hoje preciso de deixar aqui um desabafo porque esta merda cansa, cansa demais, cansa todos os dias.

O meu filho não é desculpa para eu não ser pessoa. Na verdade, desde que ele nasceu que eu procuro voltar a ser uma pessoa, singular, sem ser apenas a mãe do Gonçalo. Mas não é fácil, é uma tarefa algo lenta. Especialmente porque, para começo de conversa, temos de perceber quem somos depois do nascimento de um filho. Se já não é descabida a ideia de que um filho recém-nascido ainda é, em todo o caso, um estranho que estamos a começar a conhecer, então e o que será dito de nos (re)conhecermos após termos "mãe" indelevelmente tatuado na alma? Após nos inchar a barriga, as coxas, as ancas, após passar por um parto, por um arrombo enorme no nosso corpo, e depois todo o tumulto hormonal, a loucura de tentar perceber o que se faz aquele ser pequenino que depende inteiramente de nós. Onde ficamos nós?

Não é fácil, não é imediato, mas ao fim de um tempo, começamos a reconhecer-nos. Um passo de cada vez. E enquanto desvendamos aquela pessoa que estava enterrada em nós, qual relíquia arqueológica, percebemos que mais uma vez teremos de reinventar quem somos, porque para além de tudo o mais que antes éramos, agora somos mães. Nada é exactamente igual. 

Recentemente li uma frase que resume bem este sentimento que a maternidade nos desperta: "The thing that is most difficult when you are a mother is that it is condemnation for a lifetime. It's never possible to press pause." - Leila Slimani


Usar a palavra "condemnation" parece um pouco brusco, mas por vezes uma pessoa sente-se assim, de facto. Não há forma de aligeirar o fardo, não podemos parar para respirar, temos de seguir em frente sem contemplações nem tempo para decidir se estamos a fazer bem ou mal. A nossa liberdade é sempre condicional a partir daqui.

Por isso custa e lixa bem a cabeça a uma pessoa, quando vêm de fora generalizar, dizer que tem de ser assim ou assado, senão o miúdo pode ficar isto ou aquilo, e que devias fazer o que dizem porque assim é que é.

(respiro fundo e lanço um suave "foda-se" mental)

Este discurso não é ok.

Se eu pudesse, jantava fora todas as semanas, tomava o pequeno-almoço com calma na cozinha, maquilhava-me todos os dias (em que me apetece) e não só os que até consigo encaixar o tempo, viajava sem puto sempre que a carteira permite, fazia fins-de-semana românticos com o meu parceiro. Era lindo, mas não é realista. Porque eu tenho um ser humano com vontades próprias e sonos instáveis que não me permitem estar confortável numa série de situações. Ainda.

Por isso irrita-me até à medula que achem que uso o meu filho como desculpa para nem sempre conseguir fazer coisas. Pessoal, eu já era uma cortes antes de ser mãe, eu sou introvertida, um serão ideal para mim será sempre sofá e uma manta com livros ou Netflix (e vinho já agora). Eu fantasio com uma passagem de ano sozinha. Esta sou eu, sempre fui, e não é um filho que muda.

O meu filho não é desculpa, quando eu quero, eu vou, eu participo, mas sim, tem limites. Ele ainda é um bebé. Eu ainda amamento e sim, isso condiciona muito a minha vida, mas é uma escolha minha que deve ser respeitada e aceite. E não vou nunca aceitar que me tentem fazer sentir mal porque não consigo fazer as coisas como antigamente. Não quero viver em função dele, mas há que aceitar que ainda não consigo estar completamente solta. Cada bebé tem o seu timing, cada mãe tem o seu alcance, cada família a sua forma de gestão. Temos de nos ir adaptando aos poucos e os outros têm mais é de comer e calar. Nisto sou muito peremptória.

Virem de fora criticar ou generalizar é algo que cada vez mais é inadmissível. Eu não o faço com ninguém, é muito fácil aproveitar estes momentos de fragilidade para opinar, difícil é respirar, parar, e aceitar que a outra pessoa apenas quer ser ouvida, não julgada.
E era engraçado que estes comentários não viessem de outras mães e pais, que sabem o que é que a casa gasta.
Enfim, precisava de mandar isto cá para fora. Peço desculpa estar ausente tanto tempo para vir aqui fazer um rant, mas precisava de exorcizar a coisa.

Suspiro...


Não sei de onde veio esta imagem, mas apareceu-me hoje no Pinterest e não resisto em partilhar. Se eu tivesse um espaço assim acho que nunca saía de casa, desta sala. Era tão feliz se tivesse uma biblioteca. Vá, trocava aquela poltrona por uma mais confortável e moderna e talvez pintasse as estantes de branco também. Não fosse eu ter um filho a relembrar que tenho de fazer comida, e dar banhos e lavar roupa e ninguém me punha a vista em cima, só a pilha de livros que tenho para ler.

Wednesday, January 9, 2019

Sobre a palavra para 2019 e o que quero para o novo ano

Confesso que ando com formigueiro desde o final de 2018, com vontade de fazer de 2019 um ano de actividade e produtividade. Depois de 2 anos de abrandamento e reclusão, em que parei com tudo o que era supérfluo e foquei-me na família e em casa, apetece-me começar a sair da casca e experimentar novamente coisas fora da minha zona de conforto.

Claro que entretanto apetece-me fazer tudo, mas ando a tentar reconhecer o que quero fazer e onde me focar para não desperdiçar energia nem voltar a procurar coisas que não têm a ver comigo (a ver se o ESSENCIAL não ficou apenas em 2018). No entanto é difícil de domar um entusiasmo parvo que por vezes me preenche. Uma coisa que percebo sobre mim, ainda me acontece tanta vez sentir-me a inundar de entusiasmo e paixão pela vida e pelas possibilidades de criar algo novo. Não precisa ser exclusivamente no início de um novo ano, claro. E gosto genuinamente desta característica em mim, quando vejo que consigo repescar aquela energia da criança e adolescente, que se deslumbra e encontra magia no mundo. Sem grandes ingenuidades, sei o que custa a vida e que as coisas boas exigem trabalho. Mas bolas, ainda bem que isto me sai naturalmente, não gostaria de fazer um esforço para ser optimista. 


Portanto, com esta vontade toda a abrir o ano, a palavra teria de significar movimento e atrevimento, mas ainda assim, saber quando abrandar e onde agitar as energias. Assim sendo e sem mais demoras, a palavra para 2019 é (Tcham tcham tcham tchaaaaammmm…) OUSAR (em inglês é tão mais dramático – DARE). Gosto do significado, ousar a sair da casca, a criar, a viver a vida que quero, a descobrir mais sobre mim, a errar. Simplesmente abrir-me para o mundo e avançar, com medos ou sem eles, em pleno. Porque há tanta coisa que fica pela metade ou pela vontade. 


Este ano, pela primeira vez, escolhi também palavras complementares, lembretes das áreas que quero focar esta palavra, ou se for preciso, abrigar-me dela (porque não vou estar em máximos sempre e também terei de ousar a descansar de vez em quando, sim, com direito a deixar a criança na escola e voltar para a casa suja para dormir ou bezerrar no sofá, se precisar). Por isso, CASA, CRESCIMENTO e CRIATIVIDADE também me acompanharão este ano. Parece-vos bem? Acham que dou conta do recado? Nunca pensei em mim como uma pessoa ousada, nem é exactamente esse o objectivo, quero garantir que consigo dar os passos para mudar as coisas e viver experiências de vida mais significativas para mim. A ver vamos se foi uma boa escolha. 


Posto isto, o que quero eu fazer em 2019? 

Como sabem (ou acho eu que sabem), eu fico-me pela palavra e não faço resoluções. No entanto há coisas que eu quero implementar aos poucos para 2019, que eu sei que quero trabalhar porque sinto essa vontade. Portanto há aqui 3 pontos que estão a ser tratados já já: 

O fim das dietas. No ano passado comecei a seguir contas de instagram do movimento Body Positive e os conceitos de alimentação intuitiva (na verdade já tinha ouvido falar disto há muitos anos, mas nunca aprofundei), sigo e leio profissionais da área que defendem estas premissas, ouço podcasts, leio livros sobre o tema. A verdade é que já não faço uma dieta desde que engravidei, escudei-me com a amamentação para não pensar nisso, mas há sempre uma voz cá dentro que não se cala de que eu devia fazer dieta e isto e aquilo. E cheguei à conclusão que preciso de mudar o paradigma. Deixar de me sentir incapaz ou pouco válida porque não tenho menos 10 quilos, a culpabilizar-me. Então ando a tentar encontrar o meu caminho aqui no meio. Não é fácil perceber como pode tudo funcionar, mas não quero mais ficar refém de dietas. Um dia escrevo sobre isto. 


Sustentabilidade. Sempre estive relativamente atenta às questões ecológicas e éticas, há muitos anos que fecho a torneira quando lavo os dentes, tomo banhos curtos, reduzo e reutilizo ao máximo o plástico antes de o reciclar. Mas ainda é pouco. Ando passo a passo, mas com alguma consistência a implementar algumas mudanças. Já comecei a usar apenas maquilhagem vegan e sem testes em animais, voltámos ao sabonete sólido lá em casa (ainda só para banhos, e só para os adultos, mas já é um passo), quero começar a usar champô sólido e o copo menstrual, uso cotonetes biodegradáveis (são de papel e ainda não são a solução ideal, mas lá chegaremos) e vou começar a usar produtos mais naturais ou feitos em casa para algumas necessidades (por exemplo, um esfoliante, pode sempre ser caseiro, gasta-se menos em embalagens e não polui tanto também). Quero estabelecer mais refeições vegetarianas em casa. Estou longe de estar a adoptar medidas perfeitas, mas uma vez que não vivo sozinha e não é fácil implementar mudanças radicais, vamos continuando a dar pequenos passos, na esperança que isto fique e se torne cada vez mais o nosso estilo de vida. 


 Alimentar a criatividade. Não é segredo que eu gostaria de abranger muito mais o que faço e começar a dar passos na ilustração e alimentar o meu portfolio e o bichinho criativo. Nunca tive um espirito empreendedor para me lançar num negócio próprio, e nem sei se esta é a melhor altura para tentar (ou se eu até quero) tal coisa. No entanto, mesmo não me atirando a pés juntos, gostava muito mesmo de apostar mais fortemente nesta vertente e que o meu blog reflectisse precisamente isso (afinal, o objectivo dele era mesmo este, mas algures pelo caminho tornou-se também o meu diário pessoal). Portanto quero desenhar mais, desenvolver competências na ilustração digital, produzir trabalho mais criativo que me desafie, escrever mais, enfim. Para já, comecei a fazer um desenho por dia (quem me segue no instagram já viu) no caderno da lifestories (já não fazia isto há anos, na altura deixei o desafio a meio, desta vez quero levá-lo ao fim), mas não quero ficar por aqui. Vamos devagarinho a ver no que é que dá. Tenho ideias em processo mas ainda não prometo nada que isto está complicado para os compromissos. 

 E este post já vai longo, aplaudo a paciência de quem me lê até ao fim.

 Será boa altura para perguntar… vocês gostam de ler estes posts compridos? Têm paciência para as minhas viagens na maionese? Ou gostavam de coisas mais curtas e grossas, mais sentido de humor e palavrões…? Os desenhos parecem-vos bem ou não vos dizem nada(mas aí confesso que mesmo que não gostem muito acho que vão levar com eles na mesma, ando no mood de partilhar)? 

Enfim, respondam se quiserem, e se vos apetecer, caso tenham uma palavra do ano, uma resolução, intenção, para dois mil e dezanove, partilhem também nos comentários, adoro saber o que se passa por esses lados. Obrigada e um bom ano!