sábado, 5 de agosto de 2017

Os meus pés são feios*

* ou uma pequena reflexão sobre o corpo, auto-estima e mudanças.

Toda a família do meu pai tem joanetes nos pés. Na família da minha mãe temos uma estranha especificidade em que temos o segundo e terceiro dedos unidos na base. A genética está contra mim, mas não é só isso.
Pratiquei desportos em miúda, e a patinagem artística em especial lixou-mos ainda mais, umas vez que era obrigada a apertar os pés nas botas dos patins, com dois ou três pares de meias, que acentuaram a tendência para joanetes e calos nos dedos dos pés (que por serem tão longos já parecem amendoins) e que não há pedicure que safe. Por fim juntamos a isso uma característica só minha, de nas laterais exteriores dos meus pés, a estrutura óssea espetar-se algures ali a meio, coisa que por vezes me causa desequilíbrios absolutamente parvos quando ando de - pasme-se!- havaianas. Isto para além de alargar o meu pé, não me permitir usar alguns modelos de sapatos, e ser feio, claro.

Há pouco encontrei esta foto no meu instagram pessoal, de há dois anos atrás. E adorei revê-los.
Estes são os meus pés, aqueles que contam histórias de família e a minha história, no geral. Os meus amendoins, secos e com as veias sobressaídas, em vez do pé de Shrek que desenvolvi agora no final da gravidez. E digo-vos, estou ansiosa de tê-los assim novamente, feios como eram. Já não me lembrava muito bem do aspecto do "antes", e tenho pensado neles, tenho saudades de senti-los fortes e sem dores dos inchaços constantes. 
Eu sei que os meus pés são tudo menos bonitos, mas não consigo de deixar de fazer tudo para que estejam confortáveis. Mesmo sendo mais feios agora, eles andam na areia, ou enfiados em chinelas, com todos os defeitos bem visíveis para quem quiser ver. Por vezes falhou a pedicure, mas nem por isso deixei de ir à praia, usar sandálias, apanhar ar quando precisavam. 
E o mesmo se aplica a outras partes do corpo. Usei bikinis mesmo no auge do peso porque gosto de bronzear o máximo de pele possível, t-shirts com os cotovelos secos porque estava calor, saias com depilação por fazer (vá, saias compridas, mas é sempre um "risco"). 
Não quero dizer com isto que sou a favor de uma pessoa andar desleixada, mas por vezes temos de largar o controlo de querer estar perfeitas e só sairmos de casa se estivermos impecáveis e sem falhas. Quero estar arranjada e cuidada, mas não quero depender sempre disso. Quero sair um dia sem maquilhagem e não ficar incomodada por isso.

Compreendo perfeitamente todos os complexos que possamos ter, eu tenho imensos, mas não percebo como é que há pessoas que se deixam dominar por eles. A ponto de deixar de fazer coisas, de não sair de casa, de não usar peças de roupa específicas. Gostaria que ninguém se sentisse assim, gostaria que todos encarassem os seus defeitos de estimação como eu encaro os meus pés (eu incluída nos outros defeitos mais difíceis de aceitar). Sim, são toscos, feios, imperfeitos. Mas são fortes, suportam o meu peso, calçam os sapatos da minha vaidade, consigo apanhar coisas com eles porque os meus dedos têm imensa mobilidade, calço-os e pratico desporto com eles, fotografo-os em cenários descontraídos (olá clichés de Verão) e demonstram um estado de espírito pacífico. E isto são só os pés. 
E se fizéssemos este exercício, de procurar os benefícios nas partes que menos gostamos no nosso corpo? E se nos desligássemos da absurda necessidade de tentar parecer bem? Aposto que quem me vê por aí nem repara nos meus pés feios. E se repararem... não vem mal ao mundo. Sou mesmo mais feliz assim...

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A história da minha barriga


Foto: Da minha maravilhosa Luísa Starling - eu suspiro tanto com estas fotos meu deus!!

(Há muito que quero escrever este relato, para mim, para não me esquecer, para relembrar, para recordar a sensação que foi todo este processo. Pode bem ser uma seca, ser a coisa mais maricas que leram nos últimos tempos, mas tenho de a escrever por aqui porque não queria guardá-la só para mim. Estou no fim do tempo, depois há-de vir a história do parto, de mil e um passos que terei de dar, das minhas aventuras na maior aventura da minha vida. Para já, esta é a história da minha barriga)

Dia 29 de Novembro calhou a uma terça-feira. Como em tantas outras, pelas 6h da manhã já estava acordada a começar o dia, mas desta vez a fazer o chichi matinal para um pau. Andava há 3 meses sem pílula mas já não estava a tentar. Na verdade nem tinha começado a tentar ainda.

Estava em recuperação de um tratamento ao colo do útero (que veio mesmo em cheio no meu timing) e não tinha ainda autorização para tentar engravidar. Mas, no meu desânimo de sentir que tinha mais uma vez um obstáculo quando fazia finalmente planos para ser mãe, mantive-me sem a pílula, recorrendo a outros métodos contraceptivos, na esperança de amenizar a frustração que sentia. Claro que houve uma falha algures pelo processo, porque dei por mim algures a meio de Novembro a estranhar porque raio não me vinha o período. Mas também podia estar a fazer mal as contas, até que no dia 28 dei por mim na casa de banho a perceber que tinha um atraso de 4 dias, e a conversar com uma colega minha com quem o dito se alinha quase na perfeição. Na verdade o meu vinha sempre antes do dela. Menos naquele mês. E ela a comentar os sintomas do costume, o desconforto e as dores. Não sei bem o que lhe disse mas esperei não ser demasiado óbvia da minha atrapalhação. Não podia ser.
Tinha passado por muito recentemente, o desajuste era certamente causado por stress. Se bem que eu conheço-me e sei que nunca me atraso. Mas tinha de tirar as teimas...Há sempre uma primeira vez para tudo.

Descrente dessa possibilidade, lá comprei um teste para fazer na manhã do dia 29, sonolenta e aborrecida. Preparava-me para o banho e não resisti a espreitá-lo, se bem que ainda faltava 1 minuto para terminar o tempo. E foi perante os meus olhos que a segunda linha começou a aparecer.

Já tinha feito testes de gravidez antes, e sei que a segunda linha não aparece para desaparecer em seguida, quando aparece é um teste positivo sem tirar nem por, mas mesmo assim dei por mim a falar com aquele pedaço de plástico "mas estás aí a aparecer para quê? Não posso estar grávida, não faz sentido! Sai!"
Mas não saiu, manteve-se firme (mantém-se ainda hoje, guardei-o e de vez em quando vou vê-lo numa espécie de gesto supersticioso a confirmar aquilo que o meu corpo já sabe há tanto tempo). Lembro-me de olhar para mim ao espelho e nada estar diferente. Nem nenhum inchaço, dor, enjôo ou seja o que for. Nada! Como é que podia estar grávida?

Acordei o meu homem, não podia processar aquilo sozinha. Nenhum de nós acreditava muito nessa possibilidade mas agora estava ali uma prova. "já fiz o teste e deu positivo!" Nem conseguia articular as palavras "estou grávida". Ele sorriu no escuro, um pouco nervoso. Eu nem sabia como reagir, mas aquele sorriso aqueceu-me o coração. Ele perguntou-me se eu não queria. Eu queria, mas o timing não era certo. E se tivesse de interromper? E se houvesse problemas por ter engravidado cedo demais? 
Passei a manhã toda num impasse enquanto esperava a resposta à sms desesperada que enviei à minha ginecologista/ob, para saber como me podia sentir. Acarinhei o pensamento de que pelo menos era capaz de conceber, se tudo o resto desse errado, sabia que poderia começar de novo mais tarde e as probabilidades estariam a meu favor.
E recebi o abençoado telefonema, com aquela voz jovial da minha médica (adoro-a) a acalmar-me, a dizer que tudo bem, avançamos sem problema, a dizer quando marcar o quê e com quem, os cuidados extra a ter e basicamente a abanar a bandeirola de... "agora vais mesmo ser mãe".

Mas a barriga... não me habituava à ideia. 
Sem um único sintoma estava ainda profundamente incrédula. Estava de 4 semanas, era cedo para tudo. Mas as dúvidas acumulavam-se. Iria realmente crescer um bebé dentro de mim? A sério?! Não fazia sentido nenhum.

Comecei a tirar fotos todas as semanas, mas confesso, parei rápido, parecia apenas que tinha só mais um pouco de gordura. Não gostava de me ver e não me parecia especialmente diferente. Os sintomas apareceram aos poucos. Primeiro alguns enjôos (felizmente lá para a semana 18 começaram a dissipar-se), depois as comichões e dores no peito, mas basicamente era isto. Vi uma mancha palpitante e esbranquiçada na primeira consulta com ecografia em Dezembro e mesmo assim parecia estranho. Mas estava lá, ia crescer dentro de mim e nascer no Verão. Um bebé de Agosto, um leão.

Numa manhã de Janeiro, em que, como sempre era a primeira a levantar-me, olhei para o espelho da casa de banho e pela primeira vez notei que a barriga estava espetada. Uma coisinha de nada, mas já fazia diferença. Já me sentia uma espécie de grávida. E parecia possível que a barriga crescesse afinal. Tirei a selfie de casa de banho mais ranhosa de sempre, de pijama, despenteada, num cenário caótico, e ainda hoje remeto esse dia comoi o início da mudança mais incrível do meu corpo. 

Agora olho e já não me identifico com aquela barriga pequena. Eu achava mesmo que estava gorda? Achava impossível vir a ter aquela circunferência perfeita que ainda hoje é o formato da minha barriga. E não sei explicar, mas a partir daquele dia o crescimento foi sendo contínuo e eu sentia a diferença quase diária. Tirei muitas selfies, a evolução era tão óbvia, tão natural. Algures a meio do processo senti mesmo que esta experiência era algo tão inacreditavelmente estranho, mas ao mesmo tempo, a coisa mais natural do mundo

Engordei mais do que devia em Março, mas com a morte da minha avó, e com a outra avó também em risco de vida (felizmente cá continua, saudável, depois de um período mais complicado), desorientei-me, comi demais, não quis saber. Aos 6 meses era uma grávida gorda. Braços mais maciços e ancas mais largas. 
Não perdi peso, mas no mês seguinte recuperei a estabilidade da coisa. A barriga cresceu cada vez mais, o resto do corpo manteve-se, e sinto que recuperei o equilíbrio. Na minha família há historial de grandes barrigas e a minha não é excepção. O corpo vai exigir atenção e cuidados sérios, dieta adequada, mas... Isso é depois.

Agora, já não sei o que é ter uma barriga normal. Flutuo entre o estado de espírito em que quero o meu corpo de volta (apesar de saber que vai regressar amarrotado e "usado" - as estrias já apareceram, mais uma obra genética fofinha, mesmo andando barrada de cremes e óleos), e a incredulidade em vir a ter um corpo dito "normal" depois disto tudo. Agora estranho a ideia de não ter barriga. Sinto-me perfeitamente ajustada, perfeitamente equilibrada assim. Mesmo com dores, mesmo com o desconforto de carregar uma barriga enorme, cheia de bebé e líquido amniótico. Mesmo com a ansiedade de ver finalmente a cara por detrás de tanto pontapé e reviravolta.

Sinto que usei as capacidades do meu corpo em pleno. Este processo fez-me conhecê-lo, e sentir-me bem em situações tão diferentes. Sinto-me segura, sinto-me eu. E faz-me sentir relativamente tranquila quanto ao desafio que será recuperar a forma, cuidar de mim, reaprender a movimentar-me depois das dores pós-parto. Depois disto sinto-me capaz de tudo.

Esta foi (é?) a história do meu processo, da minha evolução, da minha barriga. Das estranhezas e da naturalidade, a conviverem em conjunto.
E agora é altura de me despedir, de abraçar outro desafio, outros, plural. Termina hoje o tempo, espero não ter de esperar muito mais, agora quero ser mãe, mesmo sabendo que vou sentir saudades, que vai custar dividir-me em dois quando me senti tão bem e tão em paz comigo mesma.

Aplaudo desde já os corajosos que leram isto até ao fim. Obrigada pessoal, tão cedo não vos faço uma destas, eu prometo (tipo, o post do parto será curtinho ou dividido em vários para não enjoar).

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Por aqui...

Não, ainda não pari. Tanto quanto sei, o pequeno continua encantado com o T0 que é o meu útero e não tem grande vontade de conhecer o mundo cá fora. Ando longe e distante porque nos dias que correm as sinapses já não funcionam como antigamente. Não sei se é do calor, se é de ter esta barriga de melancia a desequilibrar o meu centro de gravidade, a verdade é que mal durmo, mal mantenho um raciocínio e a vontade de fazer seja o que for que não implique preparar a casa e a chegada do miúdo parece-me demasiado cansativo (nesta altura já são tarefas automáticas, por isso, é quase como um passeio no parque...).
Não que não me interesse por outras coisas e outros afazeres, mas realmente sinto que neste momento não dá, e mais do que nunca, há que respeitar a vontade do corpo e dar-lhe alguma tranquilidade nesta fase. Nem me tem apetecido postar no instagram...

Mas não significa que não ande razoavelmente activa, apenas cansada demais para ter uma vida social mais intensa (perdão a todos os que tenho deixado pendurados nestes dias), para grandes deslocações ou até conversas mais profundas sem desatar a bocejar ou a deixar a mente vaguear.

Os meus esforços concentram-se essencialmente em escrever, ler e descansar/ver tv nestes dias (vou tentar esquecer que andei o fim-de-semana todo a ver o Botched no canal E!), e tentar retomar a prática do yoga pré-natal que descobri no Youtube e gosto bastante.

Queria com este post apenas dizer uma ou duas coisinhas...

- A Susannah Conway (ainda preciso de a apresentar?) lançou um Mid-year check para complementar o Unravel the year. Sendo fã deste processo e este ano ando super certinha com isto, estou a adorar escrever, especialmente porque a primeira metade do ano foi muito baseada na minha gravidez e em muitas aprendizagens que tenho feito a nível de vida familiar e estar a fazer um balanço parece-me uma boa antecipação para a próxima fase em que serei mãe e sabe-se lá o que me vai passar pela cabeça entretanto... Quem quiser, é so seguir o link e agarrar.

- Comecei a ver o This is us mas ainda não me apeteceu chorar baba e ranho. Deve ser lá mais para a frente, não? 

- Tenho feito algumas aguarelas com a minha enteada e devo dizer que é das tarefas mais deliciosas dos dias que correm. Passar por este processo com uma criança é super divertido. Ambas evoluímos e divertimo-nos e estreitamos cada vez mais a nossa relação. Mostrarei algumas coisas em breve.

- Estou a ler o livro desta moça e estou a adorar cada parágrafo. Apetece-me oferecê-lo a toda a gente e ainda só vou a meio.

- Não sei se é do nesting ou o raio que o parta, mas mais do que nunca ando numa loucura de voyeurismo imobiliário e passo a vida a perder-me em revistas e sites de decoração e a ver o Property Brothers e a imaginar como seria viver aqui ou ali, ou que obras faria, ou que casas compraria. Quero muito um jardim, mas infelizmente agora não dá. Alguém sabe como é que se desliga isto?

- Começo a ter uma ansiedade crescente em conhecer o meu filho e começar finalmente a usar as coisas que andam preparadas há séculos. Parece que ando a encenar um espetáculo há semanas e nunca mais chega a data de estreia. Ando mais atenta que nunca aos sinais do meu corpo mas sempre que posso, durmo, descanso, dou-me uma folga. O calor ajuda à letargia.

- Por fim, e numa nota muito maricas e pessoal, ando encantada com a dose de amor, carinho e generosidade dos meus amigos e conhecidos para comigo e com o pequeno. Tenho recebido um apoio maravilhoso, prendas deliciosas, e juro que não sei o que fiz para merecer esta generosidade tão grande de tantas frentes. Sou uma sortuda do caraças.

Tentarei voltar assim que ganhe ânimo ou vontade ou me apeteça dizer disparates ou coisas úteis (o que vier primeiro). 
Boa semana meus amigos!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Anne, com E

O Netflix veio para tornar a minha vida melhor, não tenho dúvidas.
Se há dias em que odeio a forma como o sistema tem falhas, bloqueia, não mostra a lista completa de filmes e séries, tem todo um outro lado que me entusiasma, em particular, esta coisa de dar voz e espaço a produções novas e diversificadas. (trouxe o Gilmore girls de volta e só por isso tem o meu amor incondicional).

E a Anne with an E, uma nova abordagem ao clássico "Ana dos cabelos ruivos", que foi SÓ o desenho animado que mais me tocou em criança tinha tudo para e encher as medidas, e quando li o primeiro livro da saga há uns anos, foi um dos poucos livros que me fez chorar, mas admito... Não sabia muito bem o que esperar dali. 
Haviam algumas coisas garantidas, a paixão pela vida, o entusiasmo, os delírios e sonhos de olhos abertos da pequena Anne que adoraria chamar-se Cordelia e vestir vestidos de mangas tufadas, que se perde na leitura e na fantasia e entusiasma-se com as pequenas coisas e faz as perguntas mais inusitadas.


Mas o que poderia realmente mais uma série acrescentar àquilo que já conhecemos desta adorável miúda?
Aparentemente, bastante, fiquei agradavelmente surpreendida com a perspectiva fresca, muito feminina - e feminista - com que contam a história.
Começa logo no primeiro episódio, quando a Anne, sabendo que os irmãos que a adoptaram queriam um rapaz para ajudar na quinta e a querem devolver ao orfanato,  dispara que pode fazer o trabalho ela, que é rija e forte e pode fazer o que qualquer rapaz faz também. 
E depois vão surgindo subtilezas aqui e ali. Os preconceitos da pequena sociedade fechada para com a miúda órfã, o desespero juvenil das mudanças do corpo, da adolescência numa época em que esta fase era vivida em segredo, os pensamentos progressistas e a luta pela afirmação, pela igualdade feminina, e inclusive... uma menção muito óbvia à homosexualidade, cuidadosa e desprovida de preconceitos, porque a Anne é mesmo assim - há uma série de detalhes que não existam antes mas que foram insinuados com tanto cuidado e tão bem incorporados na história que não destoam com a história fantasista e alegre daquela miúda cheia de imaginação. 


Devorei a série em 3 tempos, foi uma viagem ao passado, a piscar o olho ao futuro. Se também cresceram com as aventuras da Anne, vejam esta série, não se vão arrepender. A pequena actriz principal, Amybeth McNulty, é a personificação perfeita da personagem, e aquele genérico inicial está absolutamente delicioso,o verdadeiro eye candy. Faltará muito para a próxima temporada? Estou rendida.