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terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Reflexões de fim-de-ano (parte 1?)

 Tenho tido alguma dificuldade em voltar aqui e escrever. Este blog não foi o meu blog mais profícuo mas ainda assim anos houve em que escrevia muito, longos posts, apostava nas imagens e tinha algum cuidado na escrita e algures perdi essa vontade. Nas redes sociais estou a sofrer do mesmo desgaste. Não sei se é de sentir que este blog perdeu algures a sua essência, se é do design que ainda não me satisfaz (um designer é sempre o seu pior cliente - e na verdade, sempre que projectei melhorias visuais no blog ficava pela metade), ou se o facto de trabalhar em conteúdos e redes me faz esgotar a minha veia criativa nas minhas coisas. E sinto-me um pouco triste por isso. Gostava de conseguir apostar em conteúdo mais curado e visualmente mais atrativo neste blog, não quero desistir dele e na verdade escrevo tantos posts mentais e tenho várias ideias, apenas me falta vontade de me organizar e o hábito de voltar aqui a escrever.

Em compensação, no mundo offline as coisas estão um pouco mais ricas. Tenho-me permitido parar e reflectir um pouco sobre tudo e sobre nada, suspendi deliberadamente os livros todos que tinha em aberto, um pequeno exemplo de como as coisas que costumava adorar não me estavam a trazer alegria. Não foi só do esgotamento físico e emocional, acho que me sobrecarreguei e quando me permiti parar, comecei a desfiar a sequência de pensamentos e ações que me trouxe aqui, ao final de um ano complicado, e de 3 anos de longa luta interna. 

E quis muito guardar mais conhecimento, alimentar a mente, e isso também me esgotou. Ler deixou de ser apenas prazer, também era ganhar conhecimento, estudar, elaborar, explorar. Acumulo cursos online que não vejo nem ponho em prática. Estou mesmo naquela situação tramada de "tanto para fazer, e tão pouco tempo para o fazer", que a certa altura desliguei. 

Menos é mais, também na nossa vida, não só no design. E percebi que eu tenho uma tendência aguda de acumular coisas. Livros, ideias, artigos de papelaria, aguarelas, papéis, ebooks, recursos gráficos que nunca preciso... You name it! Para além de que a casa não é só minha e também tenho outros pequenos acumuladores por aqui. Tudo está a rebentar pelas costuras. 

Então parei. Desliguei. Parar de ler por uns tempos foi importante porque a leitura sempre tabelou a minha vida. Um livro é um bom amigo não é? Mas até as boas amizades beneficiam de algum espaço. E tenho saudades, é um facto. Saudades de ler pelo prazer que traz, não por outros benefícios extra, ou para alimentar o ranking anual de livros que defino no goodreads (decisão para 2022, não vou estabelecer uma meta de leitura).

A vida digital, as apps para tudo e mais umas botas que deveriam ser úteis, tornam-se quase uma obrigação e deixamos de fazer as coisas pelo prazer de as fazer. Compramos, acumulamos, porque queremos ver, conhecer, explorar. Mas depois é demasiado. 

Estou a aprender a limpar a minha cabeça, a minha vida, as minhas estantes. Há tempos mudei as mobílias de lugar, e fiz planos para o quarto dos miúdos. Vai implicar uma boa escolha, e há meses que tenho sacos no meu carro de coisas para me desfazer porque já não cabiam na arrecadação. Percebi que está na hora de me livrar de algumas coisas que não têm interesse nenhum manter, mesmo que tenham sido significantes para a minha vida em algum ponto. Não quero continuar a carregar pesos. E isto tem sido válido para as coisas que acumulo, como para situações com que não me identifico.

Recentemente fechei um capítulo da minha vida. E penso com assombro como este capítulo se fecha agora, quando decido por fim a uma série de comportamentos, pensamentos e atitudes que não me fazem bem. Quando decido que em 2022 está na hora de deixar a vitimização de lado, e de começar a recuperar o gozo, a vontade e a determinação para levar a vida a outras paragens. Como diz a Catarina Beato, a vida resolve-se sozinha, e eu sem saber bem como, cheguei a um ponto em que consigo olhar para trás, e, mesmo com trabalho por fazer, começo a ver a aprendizagem que trouxe comigo neste caminho sinuoso. Daqui para a frente há uma nova fase da vida por viver. E estou grata por tudo isto. a

segunda-feira, 5 de julho de 2021

39

 Assentei os pés nos 39 anos sem grande vontade. Não costumo ser esta pessoa que não gosta de fazer anos e que se quer fechar do mundo um dia por ano. Eu sempre gostei de fazer anos e nunca me incomodou o envelhecimento. 

Mas nos últimos 2/3 anos tem sido difícil digerir o avanço da idade. O peso (muito) extra que teima em ficar, os cabelos brancos que já deixei de contar, acordar com dores no corpo só porque sim, um cansaço que avança no cérebro e me faz esquecer mais do que eu gostaria (ainda assim, mantenho uma orgulhosa memória de elefante). Talvez seja só a maternidade, que de facto mudou tudo e tornou os obstáculos da vida um pouco mais difíceis, assim como nos videojogos. Agora sinto que jogo no nível máximo de ansiedade e desconforto. Não creio que volte ao training mode. Mas também não sei se quereria. Há algo neste desafio que me faz ganhar mais garra e força do que antes e isso também me agrada.

Mas não é bem sobre isto que quero falar. Gostava de explicar a minha questão. Não tenho grandes problemas em envelhecer, durante vários anos da minha infância e adolescência até me senti muitas vezes como uma pessoa idosa num corpo jovem. Mas o peso do número 40 está a desequilibrar a balança. É que gostei mesmo MUITO da década dos 30 e não me apetece nada sair daqui. Tem sido uma década feliz, em que me tenho sentido uma power woman em tantos níveis. Talvez tenha medo de não saber mantê-lo na próxima década. Ou talvez, à luz da dificuldade que tive em ter entrevistas de trabalho e nem uma proposta sequer, tenho receio de não conseguir ganhar dinheiro para continuar a ser uma mulher independente. Eu sei que estou num projeto giro e inovador, sei que estou a fazer mais e melhor trabalho que alguma vez fiz na vida, mas inevitavelmente, perante tanta porta fechada fico preocupada. E claro, há ainda aquele medo da 'minha' startup não vingar e isto se desvanecer.

Isto talvez nos leve a questões pertinentes do quanto da nossa identidade é o valor que nos dão no trabalho. Vou ser sincera, sempre fui razoavelmente bem considerada no trabalho, mas nunca fui uma estrela ascendente a somar elogios e aumentos salariais. Eu sempre fui a pessoa sólida e confiável. E no geral sempre estive bem com isso, nunca aspirei a grandes coisas, na verdade, aspirei sempre mais à minha liberdade e ao meu espaço do que a ser uma workaholic. Mas sem dúvida que talvez confunda o valor do trabalho com o meu valor pessoal, ou não deixaria estas questões me afectarem tanto.

Fiz um exercício giro com a minha irmã, no dia dos meus anos. Em todas as décadas da minha vida consegui atingir sonhos e patamares a que aspirei. Até aos meus 10 anos pude ter uma irmã (temos quase 9 anos de diferença, pelo que foi um penoso processo de pedinchice aos meus pais), entre os 10 e os 20, pude escolher a área que queria estudar, fui para Artes e mantive-me determinada nessas escolhas, vivi em pleno uma adolescência feliz. Entre os 20 e os 30, comprei uma casa, saí de casa do meu pai, conquistei a independência. E nos 30... libertei-me de uma relação que já não funcionava, recomprei a minha casa, vivi sozinha, encontrei novamente o amor e tive um filho. Foi uma década épica, de força e de determinação.

Terei receio de não saber encontrar sonhos aos 40? De já ter atingido o meu pico? Ou de serem sonhos mais loucos e estratosféricos e tenho medo de brilhar? Ou então, numa nota terrivelmente obscura, a minha mãe morreu com 46 e essa proximidade das idades incomoda-me (não que ache que vou morrer aos 46 também, mas há um peso absurdo que fica e parece que fico em expectativa).

Não sei. Não sei, mas vou descobrindo devagar, aprofundar com calma. Hei-de perceber como manobrar este navio. Não preciso das respostas todas agora, preciso sim, de saber que isto também se resolve. E que este processo de desvendar e recuperar também pode ser épico e uma das minhas maiores forças. 

Portanto, parabéns a mim, e que os 40 sejam festejados em pleno. Para já, concedam-me esta pequena neura. 

terça-feira, 15 de junho de 2021

Ansiedade

 Há uns dias quebrei. Desatei a chorar numa tarefa qualquer mundana e um medo assolapado de que o meu filho me morresse encheu-me de uma angústia tremenda. Quando me tornei mãe percebi que carrego em mim todos os medos do mundo, a cada dia que passa sinto que tenho mais a perder porque, confere, passe o tempo que passar, o amor aumenta diariamente. Mas nunca tinha sentido esta angústia paralisante, dei por mim a chorar, a pedir ajuda a amigos e família, a exteriorizar este terrível medo que me comia as entranhas. Fui acalmando. Não controlo tudo na vida e certamente não sei o que o futuro reserva, mas viver assim não é opção. 

ansiedade pânico medo

Photo by Tonik on Unsplash


Não soube explicar a origem dessa dor, dessa angústia nervosa que me tomou de assalto. Continuo a não ter grandes luzes sobre o assunto. Apenas sei que ainda não me reequilibrei. Já tive um segundo episódio dias depois, e hoje, depois de uma manhã surpreendentemente calma e feliz ao entregar o Gonçalo na escola, dei por mim a chegar a casa e a sentir uma ansiedade a crescer no peito e um cansaço extremo ao mesmo tempo. Não estou aqui a rebolar na minha miséria, mas num assomo de consciência compreendo que isto ainda não acabou. 

Falamos tanto de saúde mental e de como andamos tomados de fadiga pandémica e de incerteza no futuro, e eu sinto-me o verdadeiro cliché deste discurso. E custa-me muito compreender e aceitar, mas se calhar está na altura de assumir que "eu não estou bem". Percebo que a morte do meu avô acordou algumas feridas que julgava estarem saradas, e 

Tomei uma série de atitudes e ando a delinear alguns planos: deixei de ouvir uma larga maioria de podcasts de crime, estava sempre a por-me no lugar dos intervenientes (todos), e a tomar as dores deles para mim. Tento não me encher de tarefas (o que é algo difícil na minha posição, mas tenho-me permitido abrandar um pouco sem lesar o trabalho, espero), procuro explorar uma paz inconsciente e tento meditar ou, no limite, parar um pouco para respirar fundo e estabelecer alguma paz.  Vou voltar a ficar sozinha em casa e quero voltar a fazer ioga ou qualquer outro exercício. Mas são planos que seguem com calma e ponderação, não quero piorar a achar que tenho de fazer mais e mais.

Por fim, faço por me rodear de inspiração (que me faça sentir bem e não uma fraude - todo um outro assunto para outro dia) e de palavras de força. Toda a ajuda conta na recuperação. Não estou nos meus dias mais produtivos, o futuro continua a construir-se e o mundo não abranda por nós, mas eu sei que tenho de olhar para mim e me dar algum sossego.

Porque partilho isto num blog que nem sei se ainda é lido sequer? Pois, não sei, só sei que partilhar ajuda. Sei que estas dores não são só minhas, e sei que a ansiedade tem dominado a vida de muita gente. Nunca me tinha sentido tão descontrolada, e imagino que como eu haja muitos. Só queria dizer que, se estás a passar por algo semelhante, não estás sozinh(e/o/a). E após escrever isto posso atestar que me sinto mais tranquila. Partilhar é vida mesmo, mes amigues.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Já não tenho avós

Esta semana começou como qualquer outra. Na verdade, bastante mais calma do que a semana anterior, pelo que estava a gozar o abrandamento do ritmo e levava a segunda feira com mais calma. Um dia falo-vos do projecto em que estou metida e a loucura que tem sido. 
O meu pai ligou-me depois do almoço e, ao melhor estilo de um bulldozer descarregou a notícia em mim "olha o avô morreu". Um baque. Um momento.
Falámos um pouco, por muito que esperemos, nunca estamos verdadeiramente à espera. O estado de saúde do meu avô podia descrever-se em números e mesmo assim não lhe definia a condição. O meu avô estava acamado há 5 anos, por causa de um AVC, venceu 2 cancros (tanto quanto sei), tinha Parkinson, estava há dois meses e tal no hospital, com uma pneumonia, apanhou COVID e mesmo assim conseguiu ser assintomático, apanhou uma bactéria hospitalar, perdeu sangue e recebeu transfusões. E foi-se aguentando, um magro e pálido exemplar do que já foi. Até já não dar para mais.

Outro número que posso acrescentar a esta equação é o facto de eu já não o ver há uns... 8 anos talvez? Não era propriamente uma zanga, não era ódio ou desprezo, apenas aceitação de que as pessoas da nossa família não são quem queremos e precisamos que sejam. E este meu avô partiu em desvantagem, porque o meu outro avô era o homem da minha vida. Por isso, depois de ter sido um personagem desestabilizador na harmonia da família, e ter armado confusões desnecessárias achei que era melhor manter-me afastada. Sem culpas nem mágoas. Apenas permitir que as nossas vidas seguissem os seus rumos.

Mas dói-me que ele tenha desaparecido. O meu avô foi mais amado do que talvez merecesse, tinha uma família grande, 3 filhos, 5 netos e 6 bisnetos. Teve uma mulher que o adorou a vida toda, mesmo depois de se ter separado dele. O amor de uma vida nem sempre é isento de dor, percebi isso com os meus avós. Não apostou nos filhos e castigou duramente quem não pensava como ele, quem não se encaixava no seu ideal. A linguagem de amor que conhecia eram palavras ríspidas e dinheiro, e no fim, quando perdeu tudo, sobrou-lhe o amor dos filhos e da mulher que infernizou a vida da minha avó (justiça seja feita, esteve sempre do lado dele, portanto talvez tenha sido amado por duas mulheres afinal).

Dói-me que a vida dele tenha sido assim, tão cheia de insegurança e conflito, de ideais antigos e mastigados que nem sei se ele verdadeiramente acreditava neles, que não tivesse sensibilidade para lidar com as pessoas. Dói-me que tenha sido um pai castrador, um avô autoritário e um marido negligente. Dói-me que não tenha visto a beleza e abundância da sua família e tudo o que ele fez contribuiu apenas para marcar conflitos e separar as pessoas. Mas ainda assim não nos separámos. Nem uns dos outros, nem dele. Dói imaginar que era preciso tão pouco para todos termos sido uma família mais feliz.
Dói que não tenha podido dizer-lhe que eu gostava dele e o perdoo. Mas espero que o saiba. 

E, numa nota mais egoísta, dói-me ter perdido todos os meus avós. Nos últimos 4 anos foram-se logo 3. Eu sei, doentes, envelhecidos, frágeis. A vida é mesmo assim, o envelhecimento é mesmo assim. Eu aceito a lei da vida. Mas dói-me esta perda, estas perdas, a solidão que deixam. Doeu-me esta última despedida. Um pouco da minha infância foi com ele. 

Somos as nossas histórias. As histórias dos outros com quem nos cruzamos. Ele leva um pouco da minha. Eu partilho um pouco da dele.
Até logo avô.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Welcome July!

(Eu não posso dizer que vou escrever mais para de repente não conseguir arranjar tempo para me coçar, quanto mais escrever, claro!)

Eis que inauguro o mês de Julho a relembrar que fiz 38 anos. Lembro-me como se fosse ontem a festa dos meus 18 anos, e de repente já passaram 20 anos e a vida deu tantas voltas, ganhei e perdi tantos quilos (ganhei mais que perdi - e isto até soa a algo tão positivo), tirei um curso, entrei na vida profissional,  aprendi mil lições, perdi o meu avô, depois a minha mãe, depois as minhas avós, mudei várias vezes de casa, de carro, deixei sonhos de lado, larguei tudo por amor a mim mesma, apaixonei-me, tive um filho, fiquei desempregada, entrei nesta fase atribulada, sobrevivi ao confinamento, e agora persigo projectos novos e renovo o entusiasmo pela vida enquanto faço mil malabarismos para manter tudo a andar e já agora, dormir algumas horinhas extra. E tanta mais matemática coube nestes 20 anos. 

Este post era para ser mais longo e certamente não tencionava reflectir nos últimos 20 anos, mas as palavras às vezes levam-nos com elas, o mês já vai a meio, e o ano vai avançando para a segunda metade e polimos as armas para as batalhas que aí vêm. Estou optimista, ainda que estejamos num vórtice de mudanças estruturais grandes. Ainda tenho boas expectativas para a humanidade, por muito ingénuo que isto possa soar. Não deixo de me informar e preocupar demasiado com situações que estão fora do meu controlo, mas, faço por manter a paz nesta cabeça e esperar que isso influencie positivamente os que me rodeiam.

Bem-vindos 38 anos, adoro anos pares. Que esta seja uma volta ao sol cheia de energia e dinâmica. 
E bom Julho para todos!

(foto da maravilhosa Laura!)

sexta-feira, 20 de março de 2020

Confinamento e conforto

Nesta fase que todos vivemos, eu confesso que apesar da inquietação constante e das insónias que me assolam, no geral ando tranquila e calma, não me ando a passar com o confinamento entre 4 paredes, e levo estes dias com alguma leveza. Ando numa fase de re-enamoramento pela minha casa, e desde Setembro que as arrumações e organizações são uma realidade para que fique menos caótica e mais confortável. 
Quando fiquei desempregada no início do ano, o meu foco era principalmente na casa. Comprei móveis, montei móveis, limpei, arrumei, escolhi, empilhei mil coisas na arrecadação (será a próxima montanha a escalar), dei finalmente novo uso à minha secretária para me ocupar dos meus pequenos projectos e não só, e todo este espaço ficou mais respirável e agradável. 
Já está quase pronto a receber visitas novamente (as saudades que tenho de organizar almoços e jantares com amigos e família), mas essa parte vai ter de esperar.

(a minha secretária, com riscos feitos pelo miúdo e imagens que me inspiram - vou postar no instagram, mas as imagens que me acompanham são da Marta B Sousa, Ana Sílvia Agostinho, Amalteia e Anne M Bentley para a Flow)

Isto para dizer que estar em casa, por si só não me é doloroso ou aborrecido. Claro que não é fácil gerir o dia para todos comermos, dormirmos, estarmos confortáveis, trabalharmos, entretermos o miúdo (e não temos ainda a minha enteada connosco), fazermos algum exercício e afins, mas talvez pelo facto de ter estado em casa um bom pedaço antes, me preparou para fazer os meus dias entre portas. Não me sinto muito aborrecida. Mesmo não adiantando grande coisa no dia a dia, não escrevo e pouco desenho, ainda tenho uma pilha de roupa para passar, tenho um filho cuja palavra que mais repete é "mamã" e precisa de mim para adormecer, para acalmar, e não posso fazer nada à frente dele sob pena de que ele arrebate tudo o que tenho em mãos (computador, cadernos, canetas...enfim, uma alegria. Tendo em conta que sempre gostei de salvaguardar as minhas coisas é todo um teste de resistência e desapego). 
Mais do que nunca, sou grata pelo meu temperamento introvertido. 

Mas claro que sinto falta de contacto humano. Dos meus. Todos os dias há chamadas em vídeo, mais longas que o costume, penso muito no meu pai sozinho em casa e como esta solidão pode ser tão cansativa como uma criança pendurada em nós 24h por dia. 

Estamos todos juntos nisto, mesmo estando separados. Pela primeira vez, vivemos algo que nos nivela a nossa humanidade, verdadeiramente. Nas poucas vezes que saio à rua falo com toda a gente. Quando é que isso acontecia antes? Recebo e-mails de empresas e sim, há muita tentativa de negócio, mas também há palavras calorosas. Todos os dias há directos no instagram e afins, pequenas aulas online, correntes de comunicação nas redes sociais e mensagens com os meus amigos. Muitos memes e muito riso, e de repente sinto-me mais ligada às pessoas. 

Claro que há todo um mundo de preocupações económicas, políticas e práticas a enfrentar, mas tudo a seu tempo. Neste momento sinto uma gratidão imensa pela generosidade das pessoas, pelo sentido de comunidade que se instalou, pela solidariedade e reconhecimento.

Há pouco estendia roupa a ouvir os sinos da igreja, som que sempre associo a conforto e a casa. A primavera chegou, mas cheirava a outono no ar. E senti-me bem e esperançosa. Só espero que saibamos todos fazer a partir daqui um caminho equilibrado e constante daqui para a frente.

quinta-feira, 19 de março de 2020

O post do regresso (ou algo do género)


Voltei! Ou pelo menos quero voltar. Bem, querer querer... quero voltar desde que decidi fazer esta pausa, mas nem sempre é fácil escrever na confusão dos dias, das confusões da minha cabeça e agora retomar o ritmo vai ser difícil mas espero manter-me um pouquinho mais activa (quantas vezes digo eu isto?). 

A verdade é que gosto mesmo de me manter em contacto, de me mexer aqui no meu mundinho virtual, ainda que os blogs tenham perdido o glamour. 
E não tendo mega planos, quero alterar algumas coisas por aqui sim, quero escrever mais e fazer disto um diário mais a sério (mas já sabem, nada de planos e de projeções, apenas o meu diário). Na verdade, os mais atentos talvez já tenham notado algumas pequenas alterações desde há uns tempos atrás (menus diferentes e uma nova profile pic?- se tudo  correu bem...), e o blog continua a ser um investimento que me faz sentido. Resta saber se vou levar em frente tudo aquilo que gostava, mas realmente... apetece-me tanto voltar que nem vou esperar mais.




O que aconteceu neste hiato?

Começo por dizer que não tem sido fácil pensar em escrever aqui. 2019 foi um ano MUITO difícil para mim. Mudei de vida em Janeiro de 2019, e em Janeiro deste ano, a vida mudou novamente, e eu mudei com ela. Sem me alongar muito sobre o assunto, digamos que apostei no cavalo errado, arrisquei num novo desafio profissional que não correu como imaginava e agora estou em pausa. 

Atrevo-me a dizer que é bastante merecida, sempre fui filha da crise numa profissão onde se espera de tudo e se praticam abusos constantemente e sempre lutei por algo melhor, uma posição melhor, experiência diversificada, na esperança de que dessa luta algo bom viesse, até que essa luta levou o melhor de mim e da minha saúde mental.  
Peço desculpa por ser tão vaga, acho que ainda ando a processar tudo isto, e sinceramente, confesso algum vexame por estar desempregada. E se por um lado preciso de abrandar e me reorganizar, por outro as perspectivas não andam muito animadoras neste cenário pandémico. Preparo-me para enfrentar o ano sem perspectiva de emprego e como teste cenário pode ser assustador.

No entanto, sei que não tenho outro remédio senão ir à luta. E há algo de extremamente electrizante nessa perspectiva. Talvez algo de bom surja daqui mesmo. Ou pelo menos eu acredito que sim.



Para já há um certo alívio em constatar que estou em posição privilegiada para poder ficar em casa com o meu filho nesta fase complicada, que trabalho em casa sempre que posso (ou consigo), que ando a fazer por aprender coisas novas e a aceitar os momentos de pausa que surjam e a respeitar os meus limites. E a nível financeiro... bem, já tinha essas expectativas alinhadas mesmo...

Portanto, sejam bem-vindos ao regresso do blog. Vamos tentar escrever, desabafar, rir e criar. E deliciem-se com as fotos que fiz com a minha lindíssima Laura, alma-gémea criativa, no Outono passado e que já fazem parte deste espaço.

Entretanto, e caso não me apanhem tão amiúde quanto gostaria, convido-vos a passar no meu instagram, ando bastante mais activa por lá, já faço stories e tudo! :)

segunda-feira, 12 de março de 2018

Um mês depois estávamos à volta da cama prontos a escolher roupa. Depois dos procedimentos legais é sempre da roupa que se trata. Abrimos caixotes, sacos e revirámos gavetas. Separámos roupa, guardámos algumas coisas para nós, outras para dar. Outras para o lixo. Encontrámos recordações que vos démos num passado distante. Encontrámos objectos perdidos na memória. E eis que sai um casaco de homem do guarda-fatos. O meu tio questiona-se se será dele uma vez que aproveitava o espaço para alguns fatos dele, mas ninguém o reconhecia. Por baixo havia um colete. Era um fato de cerimónia. E percebemos que aquele fato deveria ter sido usado apenas uma única vez, há cerca de 60 anos atrás... era o fato de casamento do meu avô. Um silêncio comovido e espantado tomou-nos. Tantos anos depois da morte do meu avô ainda há tanta emoção e amor. E percebemos que este luto, esta arrumação vai ser longa. Porque a minha avó era a última. E nas recordações dela vão estar muitas outras de outras vidas. Do meu avô, da minha mãe, da minha prima, da minha bisavó. Tantas vidas por detrás de uma só. Preciosidades. Um tesouro. A nossa família, viva e morta, toda ali.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

35 anos, 35 razões para sorrir

Eu confesso, ando para escrever um post de aniversário mas deu-se-me a preguiça. Chegar aos 35 anos, a este aniversário em particular enquanto espero o bebé que aí vem teve um impacto grande em mim.

Estou algo dividida entre uma felicidade parva de estar numa fase da vida tão aguardada e cheia de expectativas boas, e ao mesmo tempo, 35 anos é uma idade respeitável, e eu não sei se sei ser adulta e respeitável(!) e vou ser mãe.  É que se fizermos as contas, deixei os 25 para trás há exactamente 10 anos, com esta idade não só já assumo total responsabilidade da minha vida, como já tenho muita coisa resolvida e orientada (ainda não descobri o que quero ser quando for grande, mas cheira-me que esse vai ser um work in progress constante). E só faltam 5 anos para os 40! Estou para ver se já me tornei numa adulta respeitável por essa altura...

Photo by MARK ADRIANE on Unsplash

No entanto, perante estas dúvidas existenciais parvas a minha escolha recai (sempre) em ser feliz. Sim, é um impacto grande que já tenho 35 anos e não me sinto muito diferente da adolescente de 19, mas caramba, estou viva!

O que me leva a este post só porque sim, para não me esquecer que há mil e um motivos para ser feliz  mesmo vendo os anos a passar a uma velocidade incrível, e merece sempre a pena enumerá-los.

Sem mais demoras, aqui seguem eles.

1- Tenho saúde
2- Tenho uma família incrível que com mil e um defeitos, acarinha-me sempre e me faz sentir segura
3- Tenho a irmã mais espetacular da História
4- Continuo apaixonada pelo meu moço como se fosse uma adolescente
5- Criei um pequeno núcleo familiar que me deixa plena (e com quem aprendo tanto tanto)
6- Tenho um bebé na barriga quase a vir cá para fora
7- Tenho uma enteada linda e maravilhosa que tem um sentido de humor bestial e é uma criança fácil de lidar (na grande maioria das vezes)
8- Tenho trabalho
9- Sem estar a rebolar em euros e em excessos, vou tendo o dinheiro para pagar as contas e consigo ter os meus extras e poupanças (adoro as minhas sovinices)
10- Tenho uma casa pequena onde a minha família se vai apertando, mas somos tão felizes debaixo deste tecto!
11- Estou sempre rodeada de criatividade e novas ideias
12- Tenho sempre livros para ler (o que me leva ao próximo ponto)
13- Já tenho cartão da biblioteca
14- Ainda sou uma sonhadora
15- Acredito em amor-para-sempre (não sem trabalho e compromisso, mas sei que é possível)
16- Tenho amigos fantásticos que me são tão fiéis e carinhosos e juro que não sei o que fiz para ter pessoas tão maravilhosas por perto
17- Tenho uma elevada resistência ao álcool, acho que com a gravidez foi à vida, mas como...
18-... Gosto de ver tudo pelo lado positivo - quando voltar a beber serei muito mais poupada
19- Tenho sempre cadernos onde escrever e desenhar
20- Nesta fase posso dormir sestas (muito importante)
21- Tenho cada vez mais cabelos brancos, e sim, quando descobri o primeiro fiquei em pânico porque  o meu cabelo é a minha maior vaidade, mas nos dias que correm... adoro vê-los a aparecer quais ervas daninhas, não me perguntem porquê, dá-me gozo
22- Tenho uma cama super confortável onde dormir
23- Estou viva nesta fase de redes sociais e partilhas ilimitadas e onde posso ter contacto com tudo e com todos
24- (ainda) tenho uma boa memória
25- Tenho uma biblioteca com livros absolutamente incríveis como este e este
26- A minha avó desafia os problemas de saúde e cá continua rija e com mau-feitio
27- A Fox Comedy está sem sinal aberto o verão todo (não sei se vou usufruir muito daqui a uns dias mas até lá vá de aproveitar)
28- Às vezes de noite eu e ele semi-acordamos e damos as mãos no escuro e é provavelmente o gesto mais doce de sempre
29- Safo-me bem a fazer doces e bolos (não é bom para a linha e saúde mas todos precisamos de mimos desses de vez em quando - falando nisso vou ali buscar uma fatia do meu bolo de anos)
30- O sentido de humor impera em minha casa, fazemo-nos rir e isso é impagável
31- Tive uma Mãe que não tenho como a descrever (as palavras não são suficientes), e entre o bom e o mau, mesmo com a perda dela, tudo o que precisei aprender na vida ainda reside na figura dela (e ainda há muito a desvendar)
32- Moro num sítio que adoro, posso ir à praia a pé
33- Tenho quem me ature as neuras (e que paciência precisam de ter para mim nessas alturas...)
34- Tenho tido uma gravidez saudável e com surpresas muito agradáveis contra as minhas expectativas pessimistas (agradeço todos os dias por isso)
35- Recebi montes de cremes cheirosos nos anos 

E a lista poderia continuar para coisas ainda mais simples ou parvas, mas que me deixam um sorriso na cara. Espero que nunca percamos a capacidade de ver a felicidade e alegria nas pequenas coisas, passem 35, 45 ou 75 anos (a idade que sinto realmente ter, porque esta mobilidade, meus amigos, está tramada). Um óptimo dia para todos.

domingo, 2 de julho de 2017

Em jeito de fecho da primeira metade do ano...

Um dos meus grandes objectivos pré-mãe era terminar de escrever o meu diário, que escrevi até à última linha da última página. Calhou mesmo bem fechá-lo nesta fase, em que o ano chega a meio e gosto de reflectir no que fiz e no que vem aí. E que a minha vida esta prestes a mudar... sabe bem começar algo novo para fazer parte da nova fase também.



Como sabem, este ano decidi dedicar-me mais a esta tarefa da escrita. Ando mesmo a coleccionar material de apoio no Pinterest, tudo o que me guie neste processo de auto conhecimento que iniciei mais à séria no ano passado.

Ainda estou a arranhar a superfície, mas sabe-me bem verificar que escrevo mais páginas de cada vez, que faço reflexões tanto em fases negativas como positivas, que procuro mais e mais formas de me manter em contacto com o meu bem-estar.

Terminar este diário foi uma sensação única, nunca o tinha feito antes. Em miúda tive vários cadernos e diários onde desabafava os meus males e desamores, as dúvidas e dores de crescimento, mas nunca foi uma tarefa consistente e invariavelmente encostava-os a um canto até que me apetecesse iniciar novamente a tarefa... num caderno limpo que invariavelmente abandonava da mesma forma. 

O diário que agora terminei foi-me dado nos meus anos pela minha irmã há (quase) 3 anos. Iniciei-o com pequenas histórias e evasões da realidade, que na altura me estava a ser bastante dolorosa. O diário acompanhou-me na minha separação, no despertar da nova relação, em viagens, ajudou-me a encontrar a palavra do ano e guardou memórias que não me quero esquecer. Ajudou-me também a descobrir a origem de tantas coisas em mim, a colocar as peças do puzzle em ordem, a perceber onde estou e para onde quero ir. Acompanhou-me em bons e maus momentos, tanto terminava uma entrada com um sentimento de gratidão, como dois dias depois desabava-me o mundo e lá ia eu, desabafar mágoas. A vida é cheia de altos e baixos, mas no meio da loucura que por vezes um diário possa ser, consigo encontrar um fio condutor e perceber que tudo faz parte da minha história e evolução. 

Hoje, em que estamos exactamente a inaugurar a segunda metade do ano, fez-me sentido este post.
E só porque me apetece, vou partilhar algumas coisas que escrevi por lá, e que olhando para trás fazem-me sorrir, e sentir-me mais segura do meu percurso, com todos os altos e baixos que implica.

"(...) Um dia de cada vez, uma página, um parágrafo de cada vez. Não precisa de saber para onde vai, nem precisa de saber como acaba a história, porque o importante é começar. 
Hoje. Agora. Aqui. (...)"
(primeira entrada - 07-07-2014)

" Se eu pudesse cristalizar estes momentos de gratidão e felicidade pura, fazia-o, e olhava diariamente para eles, para nunca me esquecer. Resta-me a escrita para deixar a memória presente em qualquer lugar. (...)" 
(28-12-2015)

"Eu sei de uma coisa. Eu não vou parar, se não me sinto bem, ou confortável, ou feliz, eu sei que vou fazer algo para mudar o que estiver mal."
(26-02-2017)

Agora que venha a segunda parte. Que vou inaugurar com o meu aniversário. Parece-me uma boa.


terça-feira, 6 de junho de 2017

O que perdemos pelo caminho

Não sei bem como começar este post, mas tenho de falar sobre isto. Na passada sexta um antigo amigo do colégio contactou-me via facebook. E foi uma agradável surpresa durante para aí uns 3 minutos, até que percebi que o motivo pelo qual ele me contactava era para me informar que uma amiga nossa do secundário morreu. 

Já não falava com a M. há mais de 10 anos, trocava breves comentários no face, ou no dia de anos dela mandava um beijinho e assim ficávamos. A vida afasta-nos das pessoas, é inevitável. Acho que nem eu nem ela lamentámos muito isso, acontece simplesmente. Mas o afastamento nunca determinou que ela não tivesse sido importante para mim. 

Nunca fomos as melhores amigas mas tinhamos um bom entendimento, nos tempos do colégio juntávamos com frequência um grupinho e íamos a casa dela com frequência, seja para passar a tarde, para estudar, para nos arranjarmos para alguma festa, a cadela dela, o ser mais doce que me lembro, era como se fosse nossa também (pesou-me muito quando morreu), saíamos muitas vezes à noite, os meus primeiros fins-de-semana fora foram com ela, foi ela que me apresentou ao Friends, e ainda hoje, quando vejo episódios desta série, lembro-me dela. 
Nem sempre era fácil conviver com a M., ela precisava por vezes de atenção que ninguém compreendia, era sensível e tempestuosa, conseguia ser incrivelmente competitiva com as outras raparigas, mas comigo nunca o foi. Sempre senti que tínhamos uma amizade bastante simples e limpa. Talvez os sinais tenham estado sempre lá, e se calhar todos devíamos ter sabido mais cedo que ela não estava bem aqui. Porque a M. decidiu morrer. 
Ontem foi o velório. Não pude ir porque estava refém do centro de saúde, mas também não sei se conseguiria enfrentar vê-la sem vida. Talvez ela esteja finalmente em paz, talvez aquela inquietação tenha finalmente ido embora quando ela decidiu terminar tudo. 

E quanto a mim, penso nela incessantemente há 4 dias, sem saber muito bem como lidar com a estranheza disto tudo. Prefiro lembrar-me dela como aquela miúda meio rebelde, que foi a primeira a fazer um piercing e tatuagens ainda durante o secundário, que trabalhou num bar e nos dava bebidas à borla, que me acompanhava nas noites de karaoke quando eu (achava que) sabia cantar e me apoiava incondicionalmente, que nos abriu sempre as portas de casa dela e nos deixava sempre à vontade, e que no concerto dos Limp Bizkit (ih pois foi, fomos ver esse!) foi chamada para os conhecer ao backstage apenas por ser uma miúda gira. Foram tão bons tempos, sinto-me tão grata por tê-los vivido com ela. Quero lembrar-me do sorriso e do entusiasmo dela, de como a tornavam mais bonita. Quero acreditar que ela viveu antes de morrer.  Quero não me esquecer.

O ano passado e este ano têm sido anos de perdas duras. O meu mundo vai mudar e vem aí uma pessoa nova em folha (entre tantas que vão nascer ou já nasceram este ano). Faz parte, as gerações renovam-se. Fico com tanta pena de ver tantos a perderem-se pelo caminho, de não poder viver tudo isto com elas por cá. Parece que crescer é isto, mas gostava mesmo que abrandasse o ritmo durante uns tempos. Anda a ser duro demais.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Saltos de fé e a vida como ela é

Votei este blog ao abandono. Não houve um único dia em que não pensasse neste meu canto e no quanto queria voltar a escrever e a partilhar por aqui. Mas foram uns dias difíceis, devo confessar. 

Andei cerca de duas semanas meio perdida no meu mundo, onde me recolhi por uns tempos a lamber feridas. Feridas essas que nem sei bem o que eram, apenas a necessidade enorme de me sentar e perceber as voltas que a minha vida deu nos últimos tempos e foram tantas. 
Acho que não (re)conhecia a minha capacidade de adaptação às situações. A verdade é que por muito que o novo emprego tenha sido desejado e a mudança tenha sido feita com consciência e vontade, não foi uma fase fácil, eu já me tinha esquecido o quanto custa e o quanto eu detesto mudar. 
As saudades do meu velho canto, o medo do desconhecido, o estar num ambiente mais formal, quieto, lembrar-me de mil procedimentos, tentar não dar barraca (ups, claro que aconteceu, mas nada de grave), a falta dos meus amigos de trabalho, de estar mais perto de casa, a estranheza de estar num local tão cheio de gente em Lisboa, a poluição, o trânsito, e ainda todo um cansaço acumulado do meu anterior emprego (que eu adorava, mas ainda assim, me sugava as energias), começaram a deixar-me absolutamente sem energia para nada, andei deprimida e saturada e não sabia muito bem o que e como sentir. 
Agora sinto que tudo acalmou um pouco, que posso respirar, que há coisas que se começam a automatizar e finalmente começo a descomplicar e a aligeirar as coisas. 

Mas claro, descansar não é bem para mim. No meio desta fase de adaptação vou preparando o Natal, vou mudando a casa para que haja espaço para tudo de todos, já passei serões a montar móveis, a cozinhar, a limpar a casa, porque nada pode parar, e, por fim... decidi juntar-me a um projecto que me faz sair completamente da minha zona de conforto. O meu cérebro anda a mil mas estou satisfeita de andar dedicada a tudo isto. Agora, porque há uns dias atrás andava meio louca a pensar porque me meto em tanta coisa ao mesmo tempo e afinal o que quero eu da vida? 

Bem, aparentemente quero tudo, ou pelo menos quero arriscar um pouco antes de desistir. E percebi que por muito que o meu corpo e mente ainda estejam exaustos, eu preciso de aproveitar as oportunidades que surgem. Quanto ao novo projecto, estou com medo, porque pela primeira vez sinto que não posso desistir, não depende apenas de mim nem é um dos meus projectos-passatempo, é um compromisso sério com outras pessoas. E é tão assustador como entusiasmante. A seu devido tempo vou dar novidades e explicar tudo, mas por enquanto, ainda há muito trabalho de bastidores a ser feito e eu ainda ando a tentar atinar com a minha rotina para que consiga encaixar tudo o que preciso de fazer.

Não prometo regressos em grande porque o meu blog segue um pouco os meus caprichos e disposição do momento. Para já posso dizer-vos que me sinto a conquistar uma dura batalha contra mim mesma e contra as minhas inseguranças e receios. Estou a encarar a vida de frente a assumir que consigo. Um passo de cada vez.

Hoje escrevo-vos com este céu de Outono maravilhoso a entrar-me pela casa enquanto estou encolhida na minha manta para afugentar o frio. Preparo-me para um fim-de-tarde a trabalhar e a criar e tento fazê-lo com a maior paz possível. Vou aparecendo sempre que puder mas fica já aqui um desejo sincero que este mês de Dezembro seja quente e luminoso. Até já!

domingo, 1 de novembro de 2015

Olá Novembro!


Devagarinho aproximamo-nos do fim do ano, como quem não quer a coisa. Como já sabem, eu anseio pelo Natal (ou pelo menos, gosto da preparação para o dito), e adoro viver esta época em pleno. Já ando a disfrutar uma boa parte dos meus objectivos de Outono, e em Novembro, com o S. Martinho à porta, os dias cinzentos e pesados de chuva, ando ainda mais motivada para fazer render esta estação. Ainda para mais com um horário de trabalho que ainda me permite sair suficientemente cedo e usar ainda mais os meus dias para o que quiser. 

Novembro já começa com um sabor especial de missão cumprida. Depois de uma semana meio louca de idas ao Ikea, de arrumações, de montagens de móveis, de reorganização de materiais e papéis e tanta coisa, pude finalmente sentir que a minha casa está finalmente a entrar numa ordem há muito desejada. A imagem com que acompanho este post é perfeitamente intencional, é que esta é minha nova secretária, donde vos escrevo, com uma decoração simples (e pensada para muitos momentos de escrita e desenho - aquela caixa de vinho do Porto deu o perfeito organizador de secretária), neste meu novo espaço de home office... na sala. 

Pois que repensei na minha vida e na minha casa, e a verdade é que naquele quarto eu nunca passava tempo nenhum, não me enchia as medidas e percebi porquê. Estava em constante contradição. Porque eu comprei a casa há 6 anos, na esperança que fosse uma casa de família, aquele quarto teria outro objectivo, que não se cumpriu, e quando fiquei sozinha nela tentei enchê-la com outros sonhos e a tentativa de concretização de projectos em espera.
E enquanto eu esperava a inspiração divina para me organizar naquele escritório, e eventualmente começar a cumprir os tais projectos, a vida ia desenrolando e desenvolvendo, os velhos sonhos começam a retomar forma, e a casa está em vias de cumprir o propósito que lhe atribuí inicialmente, em pouco tempo será uma casa de família. Aproveito já para dizer que não estou grávida (tenho um emprego novo, não iria agora de repente pô-lo em risco, nem é o timing certo), mas sim, haverá uma vida a dois, e de vez em quando, a três. 

Confesso que estou algures entre a alegria incondicional e a incredulidade de que isto está mesmo a acontecer. Este não era de todo o meu plano inicial, mas ainda bem que os sonhos não se concretizam da forma que planeamos, senão nunca descobriria todas as surpresas maravilhosas que me deu nos últimos tempos. E eu não trocava o meu percurso, com todos os tropeções e decepções, pelo sonho inicial.
As coisas acontecem quando temos coragem de as desejar. E este mês é o mês destes novos começos, de planos concretizados e sonhos traçados para criar um futuro mais bonito e cheio de amor. Por isso bem-vindo Novembro. A minha casa, é a tua casa. :)

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Change happens... And it sticks

Consegui encaixar um bocadinho para falar um pouco da mudança dos últimos tempos. 
Têm sido uns dias conturbados e de muita reflexão interior. Nada que não esperasse, mas realmente depois de ultrapassadas algumas barreiras, esquecemo-nos como é sair da zona de conforto. Eu quis muito esta mudança. Eu gostava do meu trabalho mas estava a atingir o meu limite. Andava demasiado cansada, demasiado esgotada e desmotivada. Eu precisava, acima de tudo, desta mudança.

A primeira coisa que me apercebi é que recomeçar é tramado e eu já me tinha esquecido disso. Neste contexto então, tive mesmo um baque grande. Mudam-se procedimentos, tarefas, responsabilidades. Aqui tenho uma equipa maior e consigo finalmente respirar e focar-me de outra forma. Mas senti-me tão novata que até assusta. O silêncio de não nos conhecermos e sermos uma equipa tão recente por vezes oprime. Mas depois há todo o entusiasmo de acreditar que, há 4 anos eu estava sozinha, e frustrada e triste, e o emprego que me oprimia tornou-se uma das melhores coisas da minha vida. E tive sorte de o poder deixar por algo melhor. E deixá-lo um sítio melhor do que o encontrei (um orgulho muito meu).
E agora, por muito que custe começar de novo, há a sensação desconhecida de não saber que coisas interessantes poderemos fazer com todas estas novidades. Pessoas novas, uma equipa nova, uma dinâmica ainda a ser criada. Tudo pode acontecer a partir daqui e é nisso que me tento focar nos dias mais complicados.

Porque, por um motivo que desconheço, sinto-me de alguma forma insegura. Como se não acreditasse que consigo dar a volta. Como se não o tivesse feito uma mão cheia de vezes. 

Mudar é tramado, e a vida pede que estejamos atentos. Não é só um emprego, é uma rotina, é um estilo de vida, é algo que vai servir de pano de fundo para os próximos eventos da minha vida. Sim, porque mais mudanças aproximam-se, daquelas que acredito que serão boas. E é dali, onde passo 8 horas diárias, que muitos planos, ideias, e estratégias acontecem na minha cabeça. Quero acreditar que é ali que irei trabalhar quando engravidar (será?). É a partir dali que novas rotinas vão acontecer. Quero acreditar que um dia que saia dali será com algo completamente diferente em mente. Portanto não é só um trabalho. 

E sim, estou a gostar. Estou a adaptar-me rapidamente, mais do que pensava e tenho projectos interessantes em calha. E sim, quero continuar a fazer as minhas coisas porque não existem empregos perfeitos e sei que aquilo que eu quero e gosto é importante para manter a sanidade mental.

E bem a propósito, aqui está um artigo da Elizabeth Gilbert sobre esta coisa das mulheres serem sempre tão inseguras, e o Mr. Hugh Laurie himself a motivar-me nesta quarta-feira (que toda a gente sabe que é o pior dia da semana).

(imagem via)

domingo, 27 de setembro de 2015

Change happens

As coisas andam a mudar por aqui. E, como sempre, quando algo se muda, outras que tais vão atrás e quando damos conta, a vida anda de pernas para o ar. 
Nunca fui pessoa que gostasse particularmente da mudança. Sou caranguejo, sou ligada ao passado, à História pessoal de cada um (a minha em particular). Mas sei perceber que não podemos estar sempre no mesmo lugar. Por isso sinto-me sempre uma contradição ambulante quando algo muda, porque por um lado quero e desejo essa mudança, por outro desejo a vida simples que conhecia antes. Encontrei esta frase no pinterest e acho que se adequa muito bem...


No início deste mês dei por mim a tomar uma decisão difícil, mas necessária. Decidi mudar de emprego. Quem me segue e conhece há mais tempo sabe que a minha vida profissional, ainda que bastante regular e com um crescimento estável, muitas vezes causou-me questões existenciais. No início do meu percurso, achava na minha ingenuidade que existia o emprego perfeito. Mudei muitas vezes e procurei sempre "aquele" ideal que não existia. Experimentei tantas coisas diferentes, tantas vertentes, cheguei a questionar se design gráfico ainda era a minha cena. Agora olho-a como uma fase de altos e baixos, que me ajudou a tomar a decisão de ficar, como deve ser,neste onde me encontro. Há que aceitar que um emprego implica também um percurso. Os primeiros tempos não foram fáceis, pela primeira vez trabalhava numa empresa grande, e passava muito tempo sozinha, na sala enorme que quase sempre se encontrava vazia à excepção de mim. 

Foi nesses primeiros dias que criei este blog. Percebi que, se ia ser uma adulta responsável, teria de ter um sítio onde sonhar e extravasar a criatividade que não podia usar no mundo corporativo.
Postei várias vezes sobre os meus almoços solitários no jardim, que me davam força para ultrapassar os primeiros tempos. Começar a conviver demorou algum tempo, mas construí um percurso de que muito me orgulho, sei que hoje ainda sou das pessoas que criam um bom ambiente, conheço bem a empresa e faço um bom trabalho, para além de tudo isto, conquistei novos amigos que quero levar comigo pela vida fora, e não só. Foi aqui que me voltei a apaixonar. 

Mas trabalho é trabalho e tive de reconhecer que não poderia evoluir muito mais do ponto onde estava, e decidi responder a um anúncio. E gostaram de mim. E fizeram-me uma proposta irrecusável. Pela primeira vez uma oportunidade realmente boa surgiu-me pela frente e eu não podia rejeitá-la. Claro que isto levou-me a alguns dias de desorientação. Como é que digo adeus a um sítio onde cresci, onde aprendi tanto, onde criei laços tão fortes e onde muitas vezes me encontrei? Bem, vai devagarinho. Tanto tenho dias de saudades intensas e alguma angústia da separação, como uma alegria enorme em atingir um novo patamar profissional.

O meu maior orgulho é pensar que estes 4 anos e qualquer coisa serviram para eu realmente aprender a ser determinada e confiante nas minhas capacidades. Deu-me a força para eu poder dar o passo seguinte. Para eu poder encontrar uma oportunidade boa na minha vida. 

Portanto entre a melancolia do adeus e a expectativa, vou vivendo os meus dias até à mudança realmente chegar. Está a ser cansativo, mas mais uma vez, vou aprendendo muito sobre mim.

Daqui a duas semanas vou despedir-me daquela que foi a minha segunda casa durante quatro anos e abraçar um novo desafio. Sinto o formigueiro da novidade e a expectativa de recriar, mais uma vez, a minha vida. A minha vida deu tantas voltas nos últimos tempos. Estou tonta de tanto rodopio, mas estou feliz porque esse rodopio foi causado por mim. E aí não há melancolia que resista. A minha vida, crio-a eu. 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

O dia em que me voltei a ver de fato-de-banho numa fotografia

A semana passada tive uma tarde livre com os meus colegas e estivémos na praia e piscina. Tiraram-se muitas fotos, e provavelmente foi o teambuilding mais memorável que já tivémos. No meio dessas fotos apareço eu em fato-de-banho (aliás, entretanto apareceram umas no facebook sem eu dar conta - coisa que não permito normalmente-, mas fiquei tão agradavelmente surpreendida que nem contestei... enfim, já lá vamos). Ora no ano passado eu perdi 6 quilos, este ano já recuperei 2 e autoflagelei-me mentalmente, até porque ainda faltam mais uns 7 ou 8 para chegar ao objectivo que pretendo.
Já perdi a conta às vezes que devia fazer dieta, que devia ter atenção ao que como, enfim, sou daquelas que passou a vida inteira a lamentar não ter um rabo com dois números abaixo. E a verdade é que preciso de perder esse peso, mas como faço tanto exercício físico e o meu corpo responde tão bem a esse estímulo, ando mais descontraída e não me tenho privado de nada (ter só engordado 2 quilos é uma sorte).

Mas eu vi-me de fato-de-banho, vi-me de calções naquelas fotos e que posso eu dizer? 
Quando me vi, de fora de mim mesma, eu parecia aquelas raparigas plus-size (mas ainda assim, não demasiado), que dominam a cena. Eu não reconheci aquela analog que há 6 ou 7 anos atrás deixou que lhe tirassem fotos em bikini e estava acanhada e tímida e não gostou de se ver. Não sei se é de estar nos trintas e me estar nas tintas (pun intended), ou do exercício ou de ter feito as pazes com aquilo que não posso contrariar (tenho uma dificuldade gigante em emagrecer, sou daquelas que engorda com o ar e com o stress), mas o meu corpo, estando mais ou menos cheio, inchado, pesado, é o meu corpo. E eu gosto dele. E pela primeira vez percebi que isso é mesmo verdade. Eu ainda sou jovem, capaz, tenho pernas fortes que me fazem correr e andar, uma boa pele, um cabelo ainda melhor, e tenho curvas que estão todas no sítio certo. Portanto mesmo não gostando de ver aquelas gordurinhas em excesso, não me posso queixar. De todo.
Sim, deveria perder peso e vou ter de tratar disso, nem que seja porque um dia vou querer engravidar, e não quero estar demasiado fora de forma para poder entrar numa situação de risco.
Mas percebi que mesmo com um olho crítico, eu gosto de mim e do meu corpo. E percebi que no fundo, sempre gostei e sempre me senti confortável nele, ou não estaria à vontade de fato-de-banho em frente às pessoas. Não é maravilhoso descobrir isto?

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Birthday Girl, 33rd edition

Acordei muito cedo com aquela melancolia dos aniversários, a pensar na minha mãe e para onde vai o tempo. Vagueei pelos meus álbuns de fotos de bebé e as vezes parece-me incrível que tenha tido aquele tamanho, e ainda me lembro tão bem de ser pequena. 



Pronto, os 33 estão aqui. Eu sei que ando a falar demasiado do meu aniversário este ano, mas esta ainda é uma idade que me dá alguma desconfiança, como se não soubesse o que esperar daqui. Este é o último post sobre o assunto.
A verdade é que o post anterior me fez pensar que percorri um longo caminho, ainda que tenha sido "só" neste pequeno cérebro.

Portanto decidi que depois de tanto tempo em cuidadosos processos mentais, que deveria desafiar-me a conquistar novas metas, por pequenas que sejam, por insignificantes que pareçam.

Então fica aqui o meu compromisso de que...

1 -  Vou voltar a estudar (este é uma batota daquelas, já estou inscrita num curso há duas semanas, a começar em Setembro - dois meses em que o ritmo vai ser louco - espero ter maturidade para isto).

2 - Vou atinar com gastos e excessos alimentares, tenho de me organizar melhor no que toca à alimentação e comer comida (ainda) mais saudável. Gelado não é refeição, não aos 33. :P

3 - Vou arrumar o meu roupeiro, mas desta vez a sério. Fazer uma boa escolha, reduzir quantidades de tralha, saber onde está tudo e não ter roupa amontoada e mal dobrada nas gavetas.

4 -  Vou ler mais, mas mesmo muito mais.

5 - Vou continuar a gostar de mim (muito importante é difícil de manter, mas nada como fazer por isso todos os dias).

6 - Vou não me levar tão a sério, que isto tem mais piada quando estou descontraída.

7 - Vou continuar a fazer exercício, a meditar e vou voltar a fazer yoga, nem que seja em casa sozinha a fazer tudo mal.

8 - Vou viajar, nem que seja na maionese, estou a precisar de explorar novos cenários.

9 - Vou escrever no meu diário.

10 - Vou amar a vida e os meus e dizer-lhes isso muitas vezes, porque a vida é curta e se eu pestanejar já estou nos 34.

Termino apenas com este pensamento... Hoje quando dei conta, percebi que já tenho tudo aquilo que poderia desejar. Estou tremendamente feliz e de cabeça limpa. 

Claro que há sonhos a concretizar e  objectivos a perseguir, mas neste momento, sinto que conquistei o que mais queria. Que pensamento tão diferente de há um ano atrás. Os 32 permitiram-me chegar aqui tranquila e feliz. Que os 33 consolidem toda esta construção.
E com isto fecho este enjôo de posts sobre o meu aniversário.
Vou comer bolo!

domingo, 21 de junho de 2015

Bem-vindo Verão

Uma data que me desperta sempre sentimentos contraditórios. Adoro o Verão, é a minha estação, a dos meus anos (apesar do Outono ser mesmo a minha favorita, o Verão vem logo a seguir), mas hoje, num dia que sempre me foi muito significativo, o solstício de Verão, também faz mais um ano em que perdi a minha mãe. Relembro os passos deste dia há nove anos atrás e penso no que ele é hoje. Sinto-me orgulhosa de saber ser feliz, de perceber que aprendi tanto sobre a vida e sobre como aproveitá-la, mesmo com a ausência dela. 
E e inevitável sorrir por entre as guinadas que a saudade provoca. 


E hoje como é Verão e domingo, aproveitei para me dedicar a certas indulgências, como apanhar sol da varanda depois de já ter estado na praia...


E de petiscar tremoços com uma mini, na cama, a ler banda desenhada, ainda de bikini, que também calha sempre bem para marcar a data. 
Que seja um Verão em grande. Já conto os dias para as férias.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

E o vosso, como foi?



O Natal mudou, ou terei sido eu?

Não sei precisar, mas sei que os Natais verdadeiramente felizes ficaram algures perdidos no passado. Ou, na minha inocência, alguns deles já não eram tão felizes assim, mas eu simplesmente não via. Compreendo melhor do que nunca porque dizem que o Natal é das crianças. O Natal em adultos é algo complicado, os problemas nunca ficam à porta nestes dias, por muito que queiramos e tentemos. Enfim, faz parte da vida.
E este ano não foi excepção. Na verdade foi mais difícil. O que mais gosto do Natal não é o dia nem a festa em si, mas a antecipação, o tempo que posso dedicar a pensar no presente mais indicado para a pessoa, ou o que posso fazer para oferecer, decorar a árvore e a casa, pensar numa forma diferente de embrulhar os presentes, essas pequenas coisas que este ano não consegui fazer.

Ainda assim, há sempre uma alegria desmedida em reaver as pessoas da família que não vemos com tanta frequência, há algo de extremamente ingénuo e inocente que desperta em mim, numa esperança, ainda que remota, de me lembrar do brilho que o Natal tinha há tanto tempo atrás.

Este Natal não foi o melhor, não o poderia ser, havia demasiado espaço vazio.
Mas ainda assim estou extremamente grata. Tivémos uma mesa farta, onde nos apertámos para nos sentarmos, o que significa que ainda somos bastantes, e ainda houve espaço para algumas gargalhadas, com a ajuda do vinho e da surdez da minha avó.
E ainda tenho a sorte de receber algumas prendas bem jeitosinhas! :)




Agora temos um novo ano à porta, o que não significa que não vivamos estes últimos cinco dias em pleno. Este ano não quero resoluções, quero apenas conseguir abrandar e encontrar o ponto de equilíbrio, o meu.
Em breve falamos mais sobre isto.

Espero que tenham tido um Natal feliz, tranquilo e quentinho. Afinal tem estado um sol radiante que anima qualquer um. :)

domingo, 21 de setembro de 2014


Enquanto escrevo este texto que sei que vou apagar e reescrever até me sentir confortável, continuo sem saber que título lhe vou dar. 
É sempre difícil encontrar o título certo para um texto de regresso depois de dois meses de ausência, e explicar tudo o que mudou na minha vida. E é difícil explicar a mudança de cento e oitenta graus da minha vida, porque, mesmo sendo este um blog que se quer leve e descomprometido, sabemos que a vida não é sempre assim, nem o meu objectivo é iludir-me(vos) nesse sentido. 

Nos últimos posts referi várias vezes a falta de tempo, e como o trabalho parecia ter dominado a minha vida por completo. Abracei um novo projecto, estou sem férias de verdade há quase um ano, e o desgaste e o cansaço dominaram os últimos tempos. No entanto esta não era a minha única preocupação, algo mais ocupava os meus pensamentos e cresceu exponencialmente, tornou-se demasiado evidente para ser ignorada e em Agosto, ao fim de quase 12 anos, em que crescemos e lutámos juntos, eu e o P. decidimos que teríamos de continuar a nossa vida separados. 
Não é fácil fechar um capítulo destes, e enfrentar toda a atribulação que se segue, os assuntos que ficam em suspenso, uma casa e uma vida partilhada. No entanto permanece o carinho, o respeito, e (porque não?) o amor que nos faz desejar o melhor do mundo para o outro. E isso faz toda a diferença.

Estar em paz com uma decisão tão difícil é uma conquista na minha vida, e pela primeira vez em muito tempo, estou a enfrentar o futuro sem planos definidos, sem uma linha condutora, apenas na perspectiva da aprendizagem em reencontrar-me e definir-me, ainda que demore algum tempo. 

E há sempre lições positivas e boas surpresas que me têm preenchido o coração. Sei que continuarei a ser feliz, onde quer que este novo caminho me leve. E conto que o blog continue a fazer parte da minha vida, agora mais assiduamente.


(graffitti visto algures por Sintra nos últimos dias, que achei tão forte e definidor... Ninguém pode sonhar por ninguém, nem ser feliz por ninguém. Ando a aprender a ter novos sonhos e há algo de muito bonito nisso também. A vida não correu como planeei, mas não destruiu a capacidade de sonhar e imaginar um futuro feliz para mim...)