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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Deixem as mães em paz

Esta frase não é minha, quem a diz com muita (e necessária) frequência é a Susana, mas tenho de roubar e reforçar a mensagem, porque uma pessoa não pára de levar pressão de fora. E hoje preciso de deixar aqui um desabafo porque esta merda cansa, cansa demais, cansa todos os dias.

O meu filho não é desculpa para eu não ser pessoa. Na verdade, desde que ele nasceu que eu procuro voltar a ser uma pessoa, singular, sem ser apenas a mãe do Gonçalo. Mas não é fácil, é uma tarefa algo lenta. Especialmente porque, para começo de conversa, temos de perceber quem somos depois do nascimento de um filho. Se já não é descabida a ideia de que um filho recém-nascido ainda é, em todo o caso, um estranho que estamos a começar a conhecer, então e o que será dito de nos (re)conhecermos após termos "mãe" indelevelmente tatuado na alma? Após nos inchar a barriga, as coxas, as ancas, após passar por um parto, por um arrombo enorme no nosso corpo, e depois todo o tumulto hormonal, a loucura de tentar perceber o que se faz aquele ser pequenino que depende inteiramente de nós. Onde ficamos nós?

Não é fácil, não é imediato, mas ao fim de um tempo, começamos a reconhecer-nos. Um passo de cada vez. E enquanto desvendamos aquela pessoa que estava enterrada em nós, qual relíquia arqueológica, percebemos que mais uma vez teremos de reinventar quem somos, porque para além de tudo o mais que antes éramos, agora somos mães. Nada é exactamente igual. 


Recentemente li uma frase que resume bem este sentimento que a maternidade nos desperta: "The thing that is most difficult when you are a mother is that it is condemnation for a lifetime. It's never possible to press pause." - Leila Slimani


Usar a palavra "condemnation" parece um pouco brusco, mas por vezes uma pessoa sente-se assim, de facto. Não há forma de aligeirar o fardo, não podemos parar para respirar, temos de seguir em frente sem contemplações nem tempo para decidir se estamos a fazer bem ou mal. A nossa liberdade é sempre condicional a partir daqui.

Por isso custa e lixa bem a cabeça a uma pessoa, quando vêm de fora generalizar, dizer que tem de ser assim ou assado, senão o miúdo pode ficar isto ou aquilo, e que devias fazer o que dizem porque assim é que é.


(respiro fundo e lanço um suave "foda-se" mental)

Este discurso não é ok.

Se eu pudesse, jantava fora todas as semanas, tomava o pequeno-almoço com calma na cozinha, maquilhava-me todos os dias (em que me apetece) e não só os que até consigo encaixar o tempo, viajava sem puto sempre que a carteira permite, fazia fins-de-semana românticos com o meu parceiro. Era lindo, mas não é realista. Porque eu tenho um ser humano com vontades próprias e sonos instáveis que não me permitem estar confortável numa série de situações. Ainda.

Por isso irrita-me até à medula que achem que uso o meu filho como desculpa para nem sempre conseguir fazer coisas. Pessoal, eu já era uma cortes antes de ser mãe, eu sou introvertida, um serão ideal para mim será sempre sofá e uma manta com livros ou Netflix (e vinho já agora). Eu fantasio com uma passagem de ano sozinha. Esta sou eu, sempre fui, e não é um filho que muda.

O meu filho não é desculpa, quando eu quero, eu vou, eu participo, mas sim, tem limites. Ele ainda é um bebé. Eu ainda amamento e sim, isso condiciona muito a minha vida, mas é uma escolha minha que deve ser respeitada e aceite. E não vou nunca aceitar que me tentem fazer sentir mal porque não consigo fazer as coisas como antigamente. Não quero viver em função dele, mas há que aceitar que ainda não consigo estar completamente solta. Cada bebé tem o seu timing, cada mãe tem o seu alcance, cada família a sua forma de gestão. Temos de nos ir adaptando aos poucos e os outros têm mais é de comer e calar. Nisto sou muito peremptória.

Virem de fora criticar ou generalizar é algo que cada vez mais é inadmissível. Eu não o faço com ninguém, é muito fácil aproveitar estes momentos de fragilidade para opinar, difícil é respirar, parar, e aceitar que a outra pessoa apenas quer ser ouvida, não julgada.
E era engraçado que estes comentários não viessem de outras mães e pais, que sabem o que é que a casa gasta.
Enfim, precisava de mandar isto cá para fora. Peço desculpa estar ausente tanto tempo para vir aqui fazer um rant, mas precisava de exorcizar a coisa.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Coisas que aprendi e não acreditava que eram reais (felizmente não são muitas)

Pessoal, estamos num impasse, porque ando verdadeiramente sem vontade de escrever.  As ideias para posts e pensamentos avulsos continuam a brotar desta cabecinha, mas quando coloco o dedo no teclado, nada sai. É um pouco frustrante, porque sinto que a minha cabeça está a entrar num estado de absoluta incapacidade de funcionar como devia. Sim, eu sei, agora tenho um bebé, que não dorme grande coisa, que não me larga, que eu amamento (e de alguma forma, acho que isso influencia a minha capacidade cerebral), como demasiado açúcar, tenho muita coisa (sopeirices) a acontecer na minha vida, yadda, yadda, yadda.
Eu sei que um bebé nos rouba atenção, espaço, sanidade mental, e recentemente passei (espero que já tenha passado mesmo) uma fase catastrófica porque, depois ter passado 5 meses entre os primeiros dois dentes e o terceiro, e de repente nas duas últimas semanas apareceram três a espreitar sem aviso prévio, o que acredito que provocou a quantidade de noites mal dormidas que, ainda por cima, coincidiram com uma constipação do demo que não me larga há 2 semanas.

Portanto estamos bem.

Ainda assim, e apesar de eu me sentir absolutamente incapaz de juntar as ideias em frases coerentes e relativamente curtas, queria partilhar convosco algumas coisas que me diziam que iriam acontecer quando fosse mãe, e que ou não acreditava muito nelas (ou achava-as um pouco forçadas).

A primeira, eu era uma gabarolas com a minha imunidade. Raramente ficava doente, a única maleita que padecia era de alergias, que, com o passar dos anos têm vindo a abrandar. Não tinha febre há mais de uma década. Apanhava vento e correntes de ar sem um pio. Se estivesse um pouco mais afectada um dia de chá e brufens aliviava a coisa. E já me tinham dito que quando tivesse filhos o corpo ia reagir de maneira diferente e que apanhávamos facilmente as doenças dos putos e afins. A minha tosse de cão e o meu nariz pingão sem fim à vista confirmam esta tese, desde que o puto nasceu que eu sou uma menina. E pior, com a amamentação estou estupidamente limitada na medicação, e obviamente que não há cá aguardente com mel. Uma tristeza portanto. Sinto-me como o super-homem junto à kriptonite.

Segunda, que me esqueço das coisas mais facilmente. Esta vai e vem. Ainda acho que continuo a ter uma boa memória – e a prova disso é que ontem no trabalho, a falar com um colega, e com esta constipação e noites mal dormidas, lhe lembrei que ele se estava a esquecer do café na máquina. Nem tudo está perdido. Mas então no que toca ao blog, acontece-me mais vezes do que quero admitir, tenho ideias para posts e quando vou tentar ordenar ideias… esqueci-me (aliás, compilar as ideias para este post foi um feito, esqueci-me várias vezes do que queria escrever, e é aqui que sinto que os smartphonesforam das melhores invenções da humanidade).

Terceiro, que no fundo no fundo, eles dão bem menos trabalho quando são bebezinhos. E eu confesso que não acreditava muito nesta porque passei horrivelmente mal nos primeiros tempos. Aquelas coisas que ninguém fala: não me sentia particularmente apegada ao bebé, sentia-me exausta, a flutuar num mar de hormonas, nervosa e preocupada com a responsabilidade em ser a principal fonte de sobrevivência daquela criatura. Só queria que o tempo passasse e ele começasse a ser mais ele, e eu estivesse mais habituada ao meu papel de mãe. Pois… ontem passava pelas fotos dele tão pequenino e apesar das sestas de meia-hora que ela fazia, era realmente um sossego e tão mais fácil de lidar do que agora. Como é que eu não vi isso?? Mas ele agora é um espectáculo, divertido e provocador, e isso compensa (um pouco) a trabalheira que dá.
Ainda estou para perceber se entretanto com esta coisa das saudades do pouco trabalho que dava e de ter um bebé sossegadinho e dependente de mim me vão dar vontade de ter outro. Para já não acredito muito nisso, estou muito bem assim, obrigada. Mas nunca se sabe. No meio disto tudo, o que realmente aprendi com esta coisa da maternidade é nunca dar nada por certo nem definitivo. As coisas mudam facilmente e eu tenho de apanhar o ritmo e deixar de querer controlar tudo. E há dias em que isso custa horrores, mas acho que é capaz de ser a melhor e mais dura aprendizagem da minha vida. E há algo de bom em desafiar os limites.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Amamãetação, ou como isto custa como o raio - parte 3

Chegámos à terceira e última parte de posts sobre a amamentação. Não volto a fazer-vos uma destas tão cedo...

Pois bem, passadas as dores e as agonias a coisa começou a decorrer mais tranquilamente. Ele mamava bem, tinha força, e eu finalmente conseguia parar para respirar. Foi nesta fase que consegui retomar leituras com calma enquanto ele demorava eternidades a mamar. A sério, o miúdo demorava o tempo que queria! Dormia pelo meio. Por vezes pousava-o e 5 minutos depois queria leite. Não conseguia perceber quando estava satisfeito. Finalmente ele tinha atinado na mama e gostava muito da livre demanda. Não fazia intervalos maiores que duas horas, excepto de noite, que conseguia dormir umas 3 horas de seguida... de vez em quando. Não conseguia aumentar o intervalo de tempo entre mamadas, por muito que a pediatra e a enfermeira do CS insistissem.
Ele simplesmente ficava.

Entretanto, como ele crescia e as necessidades mudavam, a pediatra aumentou a quantidade de leite artificial. E aqui comecei eu a ficar desconfortável. A mastite já tinha passado, ou estava prestes a passar, vamos continuar a encher o miúdo de leite artificial? Agora que o meu corpo entrava no esquema tinha de correr o risco de desmamar? Não estava a achar muita piada.
Apesar de continuar a não adorar a experiência da amamentação em si, não queria ser empurrada para fora dela. Comecei então aos poucos a ler artigos sobre largar a alimentação complementar e dar mama em exclusivo. Sabia que era possível, sabia de uma experiência em primeira mão. Mas não sabia o como.
(Faço aqui o parênteses sobre o assunto de contactar ajuda especializada de uma enfermeira ou uma CAM. Eu tentei no início, mas em Agosto era uma fase de férias e nem toda a gente estava disponível, o grupo da Liga La Leche estava parado, a irmã de uma rapariga que conhecia, que é enfermeira especializada também esteve quase para vir ajudar, mas uma noite mal dormida ditou que o encontro não acontecesse e essa rapariga estava grávida de fim de tempo, não deu para outras combinações. Por isso isto foi tudo muito à base de procurar soluções e tentá-las organicamente.)

Então fui testando. Continuava a dar de mamar em livre demanda. Por vezes não dava o leite artificial (especialmente porque ele mamava com muita frequência, e não podia fazer intervalos menores que 3 horas), à noite, com a preguiça em aquecer biberões e afins, quase não dava e ele parecia bem e satisfeito. E aumentava de peso. Numa consulta de rotina disseram que podia tirar o leite artificial à vontade, que o meu era suficiente. Só dava leite artificial à noite naquela de ver se ele dormia mais (nunca funcionou) e ele continuava a desenvolver-se lindamente. Uma noite tirei o leite artificial e não notei diferença. E assim voltei a amamentar em exclusivo. 
No meio disto tudo, devo ter comprado umas 3 ou 4 latas de leite artificial. 
Olhando para trás, parece ter sido um processo relativamente simples, mas naquelas fases complicadas, na loucura das hormonas, fui muito infeliz. Ninguém nos prepara para isto.

Hoje em dia ainda amamento. Não planeei nada disto, não sei até quando vou amamentar, se vou desmamá-lo por livre vontade ou esperar até ele querer. O que sei sobre este assunto é:

1- Amamentar é uma cena pessoal. Nunca deveremos julgar ninguém ou tentar influenciá-la só porque não concordamos. Eu já tive em todos os lugares do espectro, desde odiar com todas as forças, como adorar profundamente a experiência. Chorei de dor e de alegria. Mas não quer dizer que seja assim com toda a gente. Respeito toda a mãe que amamenta até aos cinco, como a que amamenta 6 meses, como a que não amamenta porque não pode, como a que amamenta porque não quer. Eu tive alguma sorte com a minha experiência, insisti porque quis e por alguma preguiça em assumir determinadas mudanças. Não sou nenhuma heroína por ainda amamentar, mas tenho motivos para dar continuidade.

2- Deveríamos mesmo ter acompanhamento mais especializado disponível. A amamentação é pior do que a gravidez e a privação de sono, e birras, tudo combinado. Mil obrigados às enfermeiras do SOS Amamentação, às enfermeiras do centro de saúde que foram dando apoio e conselhos, às mães que, amamentando ou não, me deram muitas perspectivas sobre o assunto para eu poder decidir o que queria fazer. Procurem sempre apoio e ajuda se têm dúvidas.

3- Amamentar pode ser muito lindo, mas também pode ser a pior seca da vida. Quando o bebé demorava 40 minutos a mamar em cada mama (até chegar aos 3 meses, idade em que lá aprendeu a acelerar a coisa) eu andava a morrer uma morte lenta de tanto tédio. Vá que me fui orientando para ler durante o processo. Essa coisa do vínculo especial... eh! Há momentos muito bonitos e especiais, claro, muitos deles gerados da minha emoção, porque o Gonçalo sempre foi irrequieto e não ficava embevecido a olhar para mim nem me lia os pensamentos, como se poderia imaginar, mas também podem existir momentos em tantas outras circunstâncias, e  as vezes em prefere estar com o pai, que nunca amamentou? 
Faz tudo parte. Pode ser lindo mas não vai propriamente descer uma luz divina sobre nós.

4- É uma espécie de super poder. Não é bem, mas sinto-me como tal por isso... :P

Resumindo. Façam o que querem. O corpo é vosso, as mamas são vossas. O que interessa é um bebé alimentado e nutrido, e uma mãe que pode zelar pelo crescimento dele em paz consigo própria. Custou-me a interiorizar isto, mas é mesmo isto.
E fechamos este assunto aqui.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Anatomia de uma festa de aniversário.


Vou ser sincera, não sei mesmo como consegui por a uma festa de anos a andar. Bem, até sei, fui mesmo organizadinha e o mais essencial, tive ajuda, que mesmo com percalços pelo meio, atrasos, esquecimentos e breves desorientações, idas e vindas, esteve sempre lá a ajudar-me a por a festa de pé. Quando chegaram os primeiros convidados (os avós e tia), estávamos ainda a comer pizza que encomendámos para o espaço da festa e só tínhamos meia mesa posta, mas a coisa foi-se compondo. E agora que me começo a afastar da loucura do último fim-de-semana é que percebo que a coisa até correu lindamente e, atrever-me-ei a dizê-lo?, foi um sucesso.

A verdade é que me lancei numa empreitada doida. Queria uma festa como imaginava, com uma imagem bonita (defeito profissional, desculpem lá), que pudesse reproduzir na festa e queria fazer eu as coisas e a comida. Estava morta pela oportunidade de fazer um pequeno projecto e quis muito agarrar esta oportunidade. Só tenho uma oportunidade para o primeiro ano de um filho…
Passo um...Location, location, location!
A primeira coisa que tinha em mente era o espaço da festa. Uma amiga minha fez duas festas para o filho dela por aqui e eu apaixonei-me. Para além do espaço ser lindo, é próximo de casa, temos uma liberdade total para usar coisas, para reorganizar e decorar ao nosso gosto, tem uma mesa óptima e espaçosa, louça bonita, tudo de bom. E a um valor aceitável.
Passo dois... tema e afins
Outra coisa que eu queria mesmo mesmo mesmo, era uma espécie de infográfico informativo do primeiro ano da vida do Gonçalo (tinha um exemplo donde tirei a inspiração no meu Pinterest, mas parece que desapareceu para grande pena minha). Não tinha brindes e doces porque não era bem uma festa de crianças (e eu na verdade não gosto muito disso), mas queria algo que pudesse ser engraçado e diferente e que reflectisse o Gonçalo. Então fiz uma versão à minha maneira e dentro do tema, que deu para dois posters A3 e também fiz pequenos postais A5 para quem quisesse, levar. Acho que gostaram.
O tema em si foi mais difícil de decidir. Achava eu que iria para os animais da selva ou assim, visto que o puto até é leão de signo… Mas comecei a ver o tema repetido até à exaustão no Pinterest (claro que criei um board de inspiração tipo, uns 3 meses antes) e comecei a desanimar. Não que esperasse inventar a roda nesta fase, mas queria algo que pudesse adaptar melhor aos nossos gostos e que fosse um pouquinho diferente do que vemos para o primeiro ano. Então deparámo-nos com este post e a partir daqui vimos que queríamos mesmo o tema “little man”, e com inspiração nos ícones hipsters, as coisas ganharam forma. Acrescentei umas pinceladas de aguarela made by me e a coisa estava lançada. Serviu para o convite no facebook, para etiquetas de comida assim como outras pequenas peças espalhadas e ainda umas peças comestíveis (mais sobre isto à frente). Até a roupa do Gonçalo estava pensada para o tema (mas o calor não deixou que usássemos a camisa e o laço).

Um detalhe que quis acrescentar e que foi um pouco o flop, mas vá, numa festa de um bebé com crianças aos pulos é sempre difícil de pedir essa disponibilidade, foi o pequeno livro de dedicatórias. Disponibilizei canetas e carimbos para poderem desenhar e escrever. Poucos foram os que escreveram, mas vou agora dedicar-me a perseguir os que não o fizeram. E sim, no fim, quero escrever eu, quando encontrar a paz e o sossego para o poder fazer com calma. Gostava de repetir todos os anos este passo, ou fazer algo semelhante para que o Gonçalo tenha sempre as palavras e encorajamento da família e amigos. É tão fácil perdermo-nos nas rotinas e nas complicações de todos os dias e sentirmo-nos longe de todos, acho que estes artifícios nos lembram o quanto gostamos das pessoas e elas de nós. Por isso é que gosto tanto de escrever cartas, seja sobre o que for.


Passo três... O que comer
Quanto às comidas, também não inventei grande coisa. Claro que adoraria ter entrado numa onda mais sugar/gluten free mas não havia tempo para grandes invenções. Havia sempre as típicas pipocas, batatas fritas, sandes, espetadas de fruta e salgados. Dediquei-me essencialmente em fazer algumas coisas de raíz e com a ajuda da bimby fiz um salame de dois chocolates, bolo brigadeiro, bolo de anos e limonada. A minha irmã pelo seu turno fez gelatina e cozinhou os folhados de salsicha que tinha preparado e congelado de antemão. E acreditem, isto já foi trabalho suficiente. O que deu um  ar de sua graça e que fiz mesmo muita questão, foi ter impressões personalizadas da imagem da festa em bolachas pela Oficina da Flor. Desde os tempos do Sweet Rebel Bride que andava fisgada para fazer umas bolachinhas personalizadas, e por pouco ia perdendo a oportunidade porque estão em tempo de férias. Mas lá consegui imprimir com antecedência, e colei eu em bolachinhas para não se perder o efeito (usei chocolate branco derretido). Não ficou nada mau e dá sempre aquele toque à mesa, para além de que eram deliciosas.

O bolo

Não há muito a dizer sobre isto. Confesso que adoraria ter tido um bolo alto (teria de fazer duas vezes a receita), mas não tive tempo para mais. Na minha ideia queria um bolo muito simples, com uma decoração simples também (acabei por fazer o cake topper, como podem ver na primeira foto deste post, com bandeirolas a reproduzir a imagem que criei) e uma vela azul que corri tudo para a encontrar, finalmente, na tiger - abençoada!

Queria um bolo relativamente simples e meti na cabeça que teria de ter cobertura de queijo-creme, talvez para poder dar a provar ao Gonçalo sem grandes culpas, se bem que na hora H ele nem quis saber. Encontrei esta receita e devo dizer... nunca fiz um bolo tão bom. Não era muito grande, é certo, mas tendo em conta o lanche, nunca pensei que toda a gente o adorasse tanto a pontos de desaparecer por completo. Eu só comi umas duas garfadas, em breve terei de o fazer de novo para o devorar conveniente.
Ainda consegui que toda a "loiça" descartável usada no bolo fosse amiga do ambiente , assim como usei apenas palhinhas de papel (não havia budget para mais, mas damos passinhos pequenos e já não está tudo perdido), tudo do Jumbo. Vejam este post da Helena, foi lá que descobri.

Fazer o bolo, enfeitá-lo com a decoração feita por mim e ainda poder fazer desse momento um momeno sustentável, foi uma das sensações mais incríveis nesta experiência toda. Estava tão parecido com a minha imaginação, e saber que toda a gente adorou... Enfim, não sei explicar.

Escrevo-vos este post completamente de rastos, numa segunda-feira quase sem dormir, mas muito feliz de ver as ideias materializadas, de ver o meu filho a crescer sob o olhar de todos os que nos são queridos,e de perceber que eu consigo fazer tudo a que me proponho, que ainda consigo concretizar, se calhar com mais gana do que antes.  
Eu ainda sou eu, e também sou mãe.
Há um ano.
Caraças!

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Desabafo

Perdoem-me a fra(n)queza, mas eu tenho de perguntar... como é que as mães fazem?! Como é que se conseguem organizar para fazer jantar para toda a família, para limpar e destralhar a despensa, para inventar receitas, para por os filhos mais velhos à escola, para manter a roupa em dia, como? Estes exemplos são apenas ilustrativos, claro, mas há por aí muita mãe nesta bonita blogosfera e afins, que conseguem fazer mil coisas, e algumas têm bebés pequenos. Ok, quando já é o segundo ou o terceiro filho a coisa deve descomplicar à grande mas eu por vezes ainda me sinto tão arrebatada, tão assoberbada e a tentar manter-me à tona, que fico boquiaberta com os feitos destas mulheres. Como é que conseguem?

É porque os vossos bebés dormem melhor do que o meu? Os vossos maridos participam mais do que o meu? Têm mais força de vontade do que eu? Acredito que muitas tenham ajuda que eu não tenho mas isso não lhes tira o mérito de conseguirem equilibrar tantas outras coisas... e eu até me acho uma pessoa organizada e capaz em tantas coisas. Mas não consigo fazer uma lista semanal das refeições, não consigo tirar muito tempo para me enfiar na cozinha a preparar alimentos para a semana, nem para limpar o pó ou a casa de banho às vezes tenho tempo... quanto mais para fazer posts e tirar fotos e elaborar textos com cabeça, tronco e membros. Ou talvez eu não tenha nada para dizer, também pode ser isso.

E isto não é uma critica, nada disso. Isto é pura inveja e curiosidade também. Porque há oito meses que a minha vida tem de ser pensada antes de agir, que tenho de planear todos os passos e preparar tudo de antemão, porque a espontaneidade parece ter ficado perdida no tempo e que cada acção que eu tenha de tomar seja sempre rápida e sem pensar muito senão começo a amolecer e desisto (sair com o miúdo para umas compras, por exemplo, e aproveitar as janelas de tempo em que ele não vai precisar de comer e com sorte, de mudar a fralda também).
As coisas evoluem e melhoram, eu sei, e já tanto melhorou, já posso respirar em tantas situações que antes me sufocavam completamente (dar de mamar de 2h em 2h é das coisas mais paralisantes que já vivi) mas sei que isto não volta exactamente atrás e aceitar que agora este é o meu novo normal é ainda difícil. Não sei se alguma vez vou descontrair e aproveitar a viagem, se vou largar a necessidade de controlo ou a ansiedade de ter de cumprir com determinados requisitos. Não sei se farei posts com imagens bonitas e textos cuidados aqui no blog outra vez (há dias em que acho que é melhor abandonar o tasco porque não sinto que acrescente seja o que for). Não me sinto ainda capaz de abraçar projectos ou ideias a longo prazo. E custa assumir as limitações. Custa sentir que tanto depende de mim, e que as minhas coisas estão em suspenso por tempo indeterminado. É quase como passar novamente pelo burnout - despojar tudo e depois começar a construir aos poucos.

Não que eu esteja a morrer de vontade de fazer mil outras coisas. Mas gostava de encontrar a disponibilidade mental e na agenda para voltar a fazer algumas coisas de forma mais espontânea. Não me consigo ainda descontrair. Ou então estou a ver tudo pela perspectiva pré-filhos, em que não havia o risco de ser interrompida nestas coisas, em que eu dependia só de mim... talvez precise mesmo de ver ascorosas por outro prisma, até porque este é um dos momentos mais bonitos que já vivi e quero honrá-lo ao máximo. Mas também gostava da minha vida antes, que fazer?
Vida complicadinha, esta!

segunda-feira, 12 de março de 2018

7 meses

Há dois meses escrevi este texto, quando o meu filho fez 5 meses. E num piscar de olhos já tem 7. Mais uns dias e começo a planear a festa de aniversário dele. O tempo voa, foge, corre. E é delicioso tanto quanto assustador.

Há 5 meses, no hospital, depois de tantas horas na sala de partos sem sucesso, uma rápida decisão da médica mais antipática de sempre e vi-me noutra sala, de luzes mais brilhantes, de instrumentos, de prontidão. A médica podia ser antipática, mas foi eficaz. Pareceu-me que não passaram mais de 10 minutos desde que me abriram e agitaram as entranhas, quando ouvi um choro rouco que, percebi ali, estava directamente ligado ao meu coração, bastou-me ouvi-lo para os batimentos aprenderem um novo ritmo. Lembro-me de morrer de curiosidade para o ver, e a anestesista (cuja simpatia suplantava a antipatia da médica) ia-me descrevendo o Gonçalo, cabeludo, moreno, pesa 4,200kgs, tão grande! (“Ainda bem que saiu por cima e não por baixo“- nunca mais me esqueço disto). 

E enfim trouxeram-mo, para junto do meu pescoço, e eu senti a suavidade da pele dele na minha, e a lutar para as lágrimas não saírem, falei-lhe. O choro dele interrompeu-se, os olhos abriram-se e eu juro que ele me viu a alma. Reconhecemo-nos, conhecemo-nos. A vida pode atirar-nos para direções opostas e sei que virá um tempo em que ele não me quererá por perto, por isso agarro-me tantas vezes a está memória, bebo todos os momentos, mesmo aqueles mais difíceis do início, quando não sentia ainda “aquela” ligação, “aquele” amor. Não é imediato, é um facto. Mas o tempo dita que as coisas se ajustem, e hoje não falta cumplicidade e amor nos nossos gestos mútuos. Também há muito gozo, porque acredito que o safardanas já tem sentido de humor e goza com a minha cara todos os dias. 

Esta madrugada, uma particularmente difícil, ele não dormia e eu sinto-me por vezes uma miúda com um bebé nas mãos e não percebo muito bem como isto me aconteceu. E sou tomada de uma emoção que me suplanta e esmaga e percebo... foda-se, sou mãe!💙

quinta-feira, 8 de março de 2018

Este é o post que ando a escrever há semanas e não termino...

Queria escrever mais no blog mas não consigo. Sinto que se perdeu um pouco o objectivo. Já não desenho nem pinto nem crio. A minha cabeça faz planos mas as minhas mãos e corpo não conseguem acompanhar.

Não escrevo tanto porque ando triste. A morte da minha avó foi um golpe duro de roer e tentei escrever tanto sobre isso que me desalentei em exaustão de saudades. 

Não durmo, a maternidade está a ser um desafio constante ao nível do sono. Tenho pouco apoio da minha cara metade, não porque ele não queira, mas porque temos horários incompatíveis. 

Voltei ao trabalho há um mês. E agora até gosto de segundas feiras. No trabalho a mente descansa e foca-se. E não há falta de sono que me tire a vontade de escrever.

A maternidade é neste momento (ainda) uma grande parte de mim (creio que será sempre mas fui arrombada com a violência deste amor). Há dias em que quero mais bebés, no plural. Há outros em que quero apenas o meu pequeno Gonçalo e não quero fracturar o meu coração em mais pedaços de tanto amor porque não sei se aguento. E eu também quero ter-me a mim de novo. 

Escrevo textos melhores na minha mente do que o são no blog ou no meu diário. Escrevo muito mais na minha cabeça que no papel. Mas quero escrever.
O meu blog está diferente. Eu estou diferente.

Mas vou continuar a escrever. Porque eu gosto tanto de o fazer. Porque quero partilhar o que penso. Assim, sem grande objectivo e rumo.
Espero que me perdoem a mudança de direcção . Eu quero continuar a escrever mas o blog não pode ficar igual. Vai navegar ao sabor da minha vida.  

Vai ser bom.
E eu quero regressar.

domingo, 17 de setembro de 2017

Ch...ch...ch...ch... changes

(Imagem: popsugar moms)

Não queria bombardear o blog com conteúdos chatos sobre maternidade a torto e a direito mas confesso que é inevitável uma vez que submergi neste mundo e ainda não consegui voltar em cheio. Provavelmente nunca voltarei ao que era antes, com tudo o que isto tem de assustador e libertador. Excepto nos pés, que voltaram a ser feios como dantes, assim como o meu corpo, que, tirando a barriga e alguma flacidez extra, parece ter voltado ao que era sem grandes dificuldades.

Ando perdida num mundo de fraldas, cremes para rabo, mamas e biberões, leite, muito leite, roupa pequenina e muito namoro com aquele pequeno ser que me retiraram das entranhas naquele dia de verão e que tenho vindo a conhecer cada vez melhor de dia para dia. E já passou um mês e uma semana. Por vezes parece que passou a correr, outras, parece que passou uma eternidade. 

Têm sido dias muito preenchidos, sem saber bem onde começa um e acaba o próximo, sucumbi um pouco ao pânico de mãe de primeira viagem (sabemos que será difícil, mas nada nos prepara verdadeiramente para a realidade), e o baby blues não ajudou nem um bocadinho. Tive a sorte de estar rodeada de família e boas amigas com quem desabafei os meus males, pedi conselhos (sou das últimas a ser mãe) e aos poucos superei as inseguranças e as dificuldades com a amamentação, que convenhamos, também é mais tramada do que a pintam. Estou num mundo muito mais tranquilo agora. Não é um mundo isento de sustos e inseguranças mas está a tornar-se aos poucos numa viagem mais amena em que me deixo perder nos doces sons do G. a dormir (ele ronca e é a coisa mais adorável de todos os tempos), das pequenas conquistas diárias, do reaprender da vida em casal e familiar neste pós-parto, da evolução que lhe vejo de dia para dia e as tentativas (muitas vezes frustradas) de encaixar as tarefas do costume quando ele assim o permite. 
Aos poucos as coisas vão encontrando uma nova normalidade e o meu coração enche-se de gratidão por tudo o que tenho. Ser mãe é provavelmente o meu papel mais difícil até hoje, mas acredito que será muito compensador.

E assim em jeito de balanço, depois dos dramas iniciais, já consegui ver os três últimos episódios do Game of Thrones, ainda que muito espaçados, já consegui ler todo o feed do Bloglovin, li um pequeno capítulo do livro que deixei pendurado antes do puto nascer, e já folheei meio catálogo do IKEA. Portanto para mim o saldo é super positivo. Nova normalidade, de facto.

Em breve espero contar-vos a história do meu parto, que, não sendo propriamente horrível (vá, por acaso até foi um bocadinho horrível), não foi nenhum passeio no parque e até merece um post só seu. Darei novidades em breve. Até lá, ando mais activa no facebook do blog e por vezes no instagram. Vemo-nos por aí malta!