quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A stroll around Paço d'Arcos







Ontem cheguei adiantada à aula de yoga, ainda com a luz outonal, e pensei que o melhor seria conhecer o espaço que se vai tornar parte da minha rotina, duas vezes por semana. Gosto de conhecer os sítios onde vou passar algum tempo. Aprender o desenho das ruas que me rodeiam, absorver a energia do local, e aquele espaço ali juntinho à linha de comboio onde vou passar a descobrir a minha paz.
E soube bem aquele bocadinho. Munida de iphone e instagram, fotografei casas antigas, paredes grafitadas, locais ao abandono... enfim, uma infinidade de possibilidades, de histórias à espera de serem contadas, de inspiração.
Deixo-vos aqui o meu testemunho desse curto passeio. Já me sinto mais parte daquele sítio. E as fotos que tenho tirado ultimamente muito me têm inspirado para futuras ideias. Quero tanto explorá-las, que o tempo se estique e me permita fazer tudo o que ocorre.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

I turn to nature




Para aqueles dias de desânimo, nada como procurar o jardim local, e, não satisfeita com a zona dos bancos e calçada, fui refugiar-me num recanto com árvores depois de espaço relvado, sempre com cuidado para não pisar nenhum cocó de cão perdido (muito civilizadas as pessoas daqui) e deixei que a sombra me envolvesse e calasse o ruído. 
Trouxe pauzinhos presos no cabelo e a frescura da sombra cerrada das árvores na pele. Soube tão bem, estive tão longe. E com o instagram como companheiro posso trazer esses momentos comigo e novas ideias em perspectiva.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Tempo para tudo


Em miúda, quando desanimava com os trabalhos de casa e a escola e o difícil que era ter dois testes no mesmo dia e organizar-me para estudar, e as Barbies (não sei como!) sussurravam-me ao ouvido para brincar com elas, os meus pais impunham a regra do "trabalho antes do prazer", que eu teria tempo para tudo, bastava saber gerir o meu tempo. E com o passar dos anos lá fazia os meus esforços para que acontecesse. Às vezes conseguia, outras vezes os trabalhos eram demais e não havia espaço para a diversão, noutros dias não haviam trabalhos e podia descontrair, e ainda haviam os raros momentos em que os trabalhos eram uma diversão e normalmente envolviam composições ou desenhos. Lembro-me da vez em que desenhei o meu patim da patinagem artística, já com a bota muito amolgada, visto de várias perspectivas, para a aula de Educação Visual, que me deu um gozo tremendo (e ficou bastante bom, modéstia à parte), ou de quando copiei algumas vinhetas da banda desenhada do Astérix para um trabalho de História sobre os romanos (e fui largamente elogiada pela professora porque fui a única que não se limitou a fotocopiar as partes que interessavam). 
Já não é novidade que olho para esses anos com um misto de saudade e melancolia. Não adorei o Colégio, mas talvez por ser um ambiente tão rígido, obrigou-me a seguir os meus instintos e a encontrar alguma originalidade e autenticidade que me levou mais tarde à área de artes e aos anos mais felizes, de quando eu era uma estudante do secundário.

Hoje pensei nisto porque acabei de costurar a minha primeira mala, e porque parece que mais uma vez estou a sentir-me assoberbada, mas lá na minha memória ouço a voz dos meus pais, e explicarem que havia tempo para tudo e sinto que sim, finalmente estou a sentir que voltei a criar, a brincar, a sair do ambiente pouco criativo do trabalho (eu sei que por definição trabalho numa área criativa mas infelizmente nem sempre posso verdadeiramente sê-lo, especialmente se há outras áreas criativas que me dizem mais do que esta) e a fazer as coisas que me dão gozo, e a almejar cada dia mais e mais por elas e a encaixar diariamente bocadinhos que me fazem sair da rotina e procurar novamente a minha voz. É engraçado. Basta dar um pequeno passo, e depois os outros vão seguindo e quando dou por mim preciso de ter estes projectos, estes pequenos pormenores diários. A criatividade realmente é algo fantástico, basta dar-lhe um empurrãozinho e lá vai ela! 

Mais costuras

Buttercup bag by Rae

Ontem, não sei se num gesto de afogar as mágoas, se numa ânsia doida que me começa a dominar mais e mais a vontade, lá voltei ao modelo de mala que queria experimentar há mais de 6 meses. A semana passada tinha já começado a recortar os moldes grátis e a ler as instruções, depois cheguei mesmo a comprar o molde e a licença comercial à criadora na esperança de ter instruções mais detalhadas. Como não adiantou muito nesse aspecto, decidi que estava na hora de tentar no matter what (ainda por cima fui comprar o modelo, por isso mais motivos tinha ainda), ontem dediquei-me umas horinhas a pôr tudo em prática e é incrível como em pouco tempo já tinha a mala praticamente feita.
É giro como nos vamos habituando aos materiais, à sequência, às manias da máquina e às tentativas mais loucas de juntar as peças todas e esperar pelo melhor. Claro que esta é a versão 0.0, de teste, e hoje de manhã ao acordar percebi que tinha feito uma das etapas mal (apesar da mala estar perfeitamente utilizável), e já sei o que é preciso fazer para que tudo bata certo da próxima vez. Estou a ficar maluquinha e a sonhar com costuras, estou a ver. Já tenho em vista um teste ao molde maior (desta vez com todos os passos bem atinadinhos e já agora um fecho magnético (que não tinha em casa, vou ter de comprar entretanto) ou um ziper para fechar e poder oferecer à minha amiga que mora em Berlim e nos vai dar guarida durante uma semana. Acho que é uma maneira simpática de lhe agradecer e ao mesmo tempo felicitá-la, porque fará anos durante a nossa visita.
Depois disso estou certa que estarei apta a poder produzir para venda, mas darei mais novidades sobre isso em breve.