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domingo, 31 de dezembro de 2017

Uma espécie de balanço...

Este blog anda mais parado mas não está defunto. Perante a dificuldade em sentar-me para escrever com calma os posts que gostava (ou seja o que for, ainda só escrevi duas vezes no meu diário desde que fui mãe, e uma delas está incompleta), uma vez que tenho um bebé que faz sestas-relâmpago, é tão infinitamente mais fácil publicar nas redes sociais os meus pensamentos avulso e alimentar ali a minha relação virtual convosco. 
No entanto um balanço é sempre um balanço, e com a ajuda do desafio da Susannah Conway para Dezembro, o December Reflections, consegui um texto mais composto que já está na minha página de Facebook, e queria deixá-lo por aqui também porque tenho milhões de saudades de publicar algo no blog, ainda que se repita. Creio que publicarei mais coisas em breve, até porque com um novo ano vem uma nova palavra e acho que já sei qual a minha...

Tenho tido vontade de escrever e a minha mente tem vagueado incessantemente pelos balanços de 2017. Ainda tenho tudo tão desorganizado na minha mente, mas vou tentar dar ordem ao caos, devagarinho. Valham-me os temas deste desafio, que me ajudam a orientar o pensamento, ou pelo menos assim espero...
(Dia 11: I discovered that
Dia 17: I let go of
Dia 21: this year was 
Dia 27: 2017 taught me 
Dia 28: my wish for 2018)

2017 foi um ano de descobertas incríveis.
Foi o ano em que vivi a experiência mais incrível da minha vida que me virou tudo do avesso e tive de descobrir o meu novo eu. Quando fui mostrar (exibir) o meu pequeno ser no trabalho a minha chefe disse algo que me ficou e acho que é uma das expressões que mais reflecti ao longo dos últimos 4 meses e meio, que é “new normal”. Aquilo que era a normalidade já não o é. Foi tudo abaixo e agora é reconstruir com novos parâmetros e variáveis. E apesar do caos que por vezes se vive, é muito compensador ver determinadas coisas ganharem forma. 

Percebi que consigo ter vontade e determinação férreas, pelo menos assim foi com a amamentação e quero ver se não me esqueço disto para quando me quiser dedicar a outros projectos de vida. Dói, mas ultrapassa-se.
Acima de tudo, descobri que sou muito mais forte do que pensava, e a minha mente muito mais elástica e adaptável.
2017 ensinou-me o significado de resistência e de força. Ensinou-me mais sobre mim. Para o bem e para o mal. Sinto e vejo as coisas mais claramente. 

Foi este o ano em que me despedi da minha avó paterna, e vi a saúde da outra avó a deteriorar-se perigosamente mas cá se vai mantendo firme, ainda que com as inevitáveis sequelas. Sou grata por elas sempre. E fico feliz por o meu filho poder conhecer uma bisavó.

Este ano despedi-me também de complexos e de preocupações com o meu corpo. A gravidez deu-me uma tranquilidade e liberdade imensa. Depois de parir, e apesar da barriga que se manteve por uns tempos, das estrias que ficaram, da pele que ficou flácida, senti-me grata e apaixonada pelo meu corpo. Agora, já quase de peso recuperado, apesar de precisar de perder mais peso e de retomar uma alimentação mais saudável, e de voltar a exercitar-me, gosto do meu corpo mais do que nunca. Espero que esta paz perdure por longos anos. Libertei-me dos complexos e sinto-me pela primeira vez em muito tempo plenamente integrada no meu corpo.

Não vou negar, 2017 foi um ano algo duro, tudo mudou e eu fui largada no caos, a recuperar pouco a pouco. Chorei muito e penei muito. Acho que andei a piscar o olho a uma depressão pós-parto. Ainda me sinto a escrava das hormonas hoje em dia. Mas sinto-me mais eu, cada dia mais capaz. Enraizo-me no meu lugar no mundo, sinto-me forte para lutar as próximas batalhas. Descobri amigos improváveis e palavras de carinho onde não esperava. Assim como palavras ásperas e atitudes condescendentes onde não imaginava surgirem. Acho que faz parte.

Ainda assim, o balanço é positivo, muito positivo. 

Para 2018 só desejo saúde e alguma coragem. Tenho alguns desafios em mente, e claro, toda uma logística, uma nova normalidade para gerir. Que a força esteja comigo. 

Um feliz 2018 para todos os que me seguem e me lêem e têm uma paciência infinita para mim. Não sabem o quão importantes são. Obrigada por tudo.

sábado, 5 de agosto de 2017

Os meus pés são feios*

* ou uma pequena reflexão sobre o corpo, auto-estima e mudanças.

Toda a família do meu pai tem joanetes nos pés. Na família da minha mãe temos uma estranha especificidade em que temos o segundo e terceiro dedos unidos na base. A genética está contra mim, mas não é só isso.
Pratiquei desportos em miúda, e a patinagem artística em especial lixou-mos ainda mais, umas vez que era obrigada a apertar os pés nas botas dos patins, com dois ou três pares de meias, que acentuaram a tendência para joanetes e calos nos dedos dos pés (que por serem tão longos já parecem amendoins) e que não há pedicure que safe. Por fim juntamos a isso uma característica só minha, de nas laterais exteriores dos meus pés, a estrutura óssea espetar-se algures ali a meio, coisa que por vezes me causa desequilíbrios absolutamente parvos quando ando de - pasme-se!- havaianas. Isto para além de alargar o meu pé, não me permitir usar alguns modelos de sapatos, e ser feio, claro.

Há pouco encontrei esta foto no meu instagram pessoal, de há dois anos atrás. E adorei revê-los.
Estes são os meus pés, aqueles que contam histórias de família e a minha história, no geral. Os meus amendoins, secos e com as veias sobressaídas, em vez do pé de Shrek que desenvolvi agora no final da gravidez. E digo-vos, estou ansiosa de tê-los assim novamente, feios como eram. Já não me lembrava muito bem do aspecto do "antes", e tenho pensado neles, tenho saudades de senti-los fortes e sem dores dos inchaços constantes. 
Eu sei que os meus pés são tudo menos bonitos, mas não consigo de deixar de fazer tudo para que estejam confortáveis. Mesmo sendo mais feios agora, eles andam na areia, ou enfiados em chinelas, com todos os defeitos bem visíveis para quem quiser ver. Por vezes falhou a pedicure, mas nem por isso deixei de ir à praia, usar sandálias, apanhar ar quando precisavam. 
E o mesmo se aplica a outras partes do corpo. Usei bikinis mesmo no auge do peso porque gosto de bronzear o máximo de pele possível, t-shirts com os cotovelos secos porque estava calor, saias com depilação por fazer (vá, saias compridas, mas é sempre um "risco"). 
Não quero dizer com isto que sou a favor de uma pessoa andar desleixada, mas por vezes temos de largar o controlo de querer estar perfeitas e só sairmos de casa se estivermos impecáveis e sem falhas. Quero estar arranjada e cuidada, mas não quero depender sempre disso. Quero sair um dia sem maquilhagem e não ficar incomodada por isso.

Compreendo perfeitamente todos os complexos que possamos ter, eu tenho imensos, mas não percebo como é que há pessoas que se deixam dominar por eles. A ponto de deixar de fazer coisas, de não sair de casa, de não usar peças de roupa específicas. Gostaria que ninguém se sentisse assim, gostaria que todos encarassem os seus defeitos de estimação como eu encaro os meus pés (eu incluída nos outros defeitos mais difíceis de aceitar). Sim, são toscos, feios, imperfeitos. Mas são fortes, suportam o meu peso, calçam os sapatos da minha vaidade, consigo apanhar coisas com eles porque os meus dedos têm imensa mobilidade, calço-os e pratico desporto com eles, fotografo-os em cenários descontraídos (olá clichés de Verão) e demonstram um estado de espírito pacífico. E isto são só os pés. 
E se fizéssemos este exercício, de procurar os benefícios nas partes que menos gostamos no nosso corpo? E se nos desligássemos da absurda necessidade de tentar parecer bem? Aposto que quem me vê por aí nem repara nos meus pés feios. E se repararem... não vem mal ao mundo. Sou mesmo mais feliz assim...

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A história da minha barriga


Foto: Da minha maravilhosa Luísa Starling - eu suspiro tanto com estas fotos meu deus!!

(Há muito que quero escrever este relato, para mim, para não me esquecer, para relembrar, para recordar a sensação que foi todo este processo. Pode bem ser uma seca, ser a coisa mais maricas que leram nos últimos tempos, mas tenho de a escrever por aqui porque não queria guardá-la só para mim. Estou no fim do tempo, depois há-de vir a história do parto, de mil e um passos que terei de dar, das minhas aventuras na maior aventura da minha vida. Para já, esta é a história da minha barriga)

Dia 29 de Novembro calhou a uma terça-feira. Como em tantas outras, pelas 6h da manhã já estava acordada a começar o dia, mas desta vez a fazer o chichi matinal para um pau. Andava há 3 meses sem pílula mas já não estava a tentar. Na verdade nem tinha começado a tentar ainda.

Estava em recuperação de um tratamento ao colo do útero (que veio mesmo em cheio no meu timing) e não tinha ainda autorização para tentar engravidar. Mas, no meu desânimo de sentir que tinha mais uma vez um obstáculo quando fazia finalmente planos para ser mãe, mantive-me sem a pílula, recorrendo a outros métodos contraceptivos, na esperança de amenizar a frustração que sentia. Claro que houve uma falha algures pelo processo, porque dei por mim algures a meio de Novembro a estranhar porque raio não me vinha o período. Mas também podia estar a fazer mal as contas, até que no dia 28 dei por mim na casa de banho a perceber que tinha um atraso de 4 dias, e a conversar com uma colega minha com quem o dito se alinha quase na perfeição. Na verdade o meu vinha sempre antes do dela. Menos naquele mês. E ela a comentar os sintomas do costume, o desconforto e as dores. Não sei bem o que lhe disse mas esperei não ser demasiado óbvia da minha atrapalhação. Não podia ser.
Tinha passado por muito recentemente, o desajuste era certamente causado por stress. Se bem que eu conheço-me e sei que nunca me atraso. Mas tinha de tirar as teimas...Há sempre uma primeira vez para tudo.

Descrente dessa possibilidade, lá comprei um teste para fazer na manhã do dia 29, sonolenta e aborrecida. Preparava-me para o banho e não resisti a espreitá-lo, se bem que ainda faltava 1 minuto para terminar o tempo. E foi perante os meus olhos que a segunda linha começou a aparecer.

Já tinha feito testes de gravidez antes, e sei que a segunda linha não aparece para desaparecer em seguida, quando aparece é um teste positivo sem tirar nem por, mas mesmo assim dei por mim a falar com aquele pedaço de plástico "mas estás aí a aparecer para quê? Não posso estar grávida, não faz sentido! Sai!"
Mas não saiu, manteve-se firme (mantém-se ainda hoje, guardei-o e de vez em quando vou vê-lo numa espécie de gesto supersticioso a confirmar aquilo que o meu corpo já sabe há tanto tempo). Lembro-me de olhar para mim ao espelho e nada estar diferente. Nem nenhum inchaço, dor, enjôo ou seja o que for. Nada! Como é que podia estar grávida?

Acordei o meu homem, não podia processar aquilo sozinha. Nenhum de nós acreditava muito nessa possibilidade mas agora estava ali uma prova. "já fiz o teste e deu positivo!" Nem conseguia articular as palavras "estou grávida". Ele sorriu no escuro, um pouco nervoso. Eu nem sabia como reagir, mas aquele sorriso aqueceu-me o coração. Ele perguntou-me se eu não queria. Eu queria, mas o timing não era certo. E se tivesse de interromper? E se houvesse problemas por ter engravidado cedo demais? 
Passei a manhã toda num impasse enquanto esperava a resposta à sms desesperada que enviei à minha ginecologista/ob, para saber como me podia sentir. Acarinhei o pensamento de que pelo menos era capaz de conceber, se tudo o resto desse errado, sabia que poderia começar de novo mais tarde e as probabilidades estariam a meu favor.
E recebi o abençoado telefonema, com aquela voz jovial da minha médica (adoro-a) a acalmar-me, a dizer que tudo bem, avançamos sem problema, a dizer quando marcar o quê e com quem, os cuidados extra a ter e basicamente a abanar a bandeirola de... "agora vais mesmo ser mãe".

Mas a barriga... não me habituava à ideia. 
Sem um único sintoma estava ainda profundamente incrédula. Estava de 4 semanas, era cedo para tudo. Mas as dúvidas acumulavam-se. Iria realmente crescer um bebé dentro de mim? A sério?! Não fazia sentido nenhum.

Comecei a tirar fotos todas as semanas, mas confesso, parei rápido, parecia apenas que tinha só mais um pouco de gordura. Não gostava de me ver e não me parecia especialmente diferente. Os sintomas apareceram aos poucos. Primeiro alguns enjôos (felizmente lá para a semana 18 começaram a dissipar-se), depois as comichões e dores no peito, mas basicamente era isto. Vi uma mancha palpitante e esbranquiçada na primeira consulta com ecografia em Dezembro e mesmo assim parecia estranho. Mas estava lá, ia crescer dentro de mim e nascer no Verão. Um bebé de Agosto, um leão.

Numa manhã de Janeiro, em que, como sempre era a primeira a levantar-me, olhei para o espelho da casa de banho e pela primeira vez notei que a barriga estava espetada. Uma coisinha de nada, mas já fazia diferença. Já me sentia uma espécie de grávida. E parecia possível que a barriga crescesse afinal. Tirei a selfie de casa de banho mais ranhosa de sempre, de pijama, despenteada, num cenário caótico, e ainda hoje remeto esse dia comoi o início da mudança mais incrível do meu corpo. 

Agora olho e já não me identifico com aquela barriga pequena. Eu achava mesmo que estava gorda? Achava impossível vir a ter aquela circunferência perfeita que ainda hoje é o formato da minha barriga. E não sei explicar, mas a partir daquele dia o crescimento foi sendo contínuo e eu sentia a diferença quase diária. Tirei muitas selfies, a evolução era tão óbvia, tão natural. Algures a meio do processo senti mesmo que esta experiência era algo tão inacreditavelmente estranho, mas ao mesmo tempo, a coisa mais natural do mundo

Engordei mais do que devia em Março, mas com a morte da minha avó, e com a outra avó também em risco de vida (felizmente cá continua, saudável, depois de um período mais complicado), desorientei-me, comi demais, não quis saber. Aos 6 meses era uma grávida gorda. Braços mais maciços e ancas mais largas. 
Não perdi peso, mas no mês seguinte recuperei a estabilidade da coisa. A barriga cresceu cada vez mais, o resto do corpo manteve-se, e sinto que recuperei o equilíbrio. Na minha família há historial de grandes barrigas e a minha não é excepção. O corpo vai exigir atenção e cuidados sérios, dieta adequada, mas... Isso é depois.

Agora, já não sei o que é ter uma barriga normal. Flutuo entre o estado de espírito em que quero o meu corpo de volta (apesar de saber que vai regressar amarrotado e "usado" - as estrias já apareceram, mais uma obra genética fofinha, mesmo andando barrada de cremes e óleos), e a incredulidade em vir a ter um corpo dito "normal" depois disto tudo. Agora estranho a ideia de não ter barriga. Sinto-me perfeitamente ajustada, perfeitamente equilibrada assim. Mesmo com dores, mesmo com o desconforto de carregar uma barriga enorme, cheia de bebé e líquido amniótico. Mesmo com a ansiedade de ver finalmente a cara por detrás de tanto pontapé e reviravolta.

Sinto que usei as capacidades do meu corpo em pleno. Este processo fez-me conhecê-lo, e sentir-me bem em situações tão diferentes. Sinto-me segura, sinto-me eu. E faz-me sentir relativamente tranquila quanto ao desafio que será recuperar a forma, cuidar de mim, reaprender a movimentar-me depois das dores pós-parto. Depois disto sinto-me capaz de tudo.

Esta foi (é?) a história do meu processo, da minha evolução, da minha barriga. Das estranhezas e da naturalidade, a conviverem em conjunto.
E agora é altura de me despedir, de abraçar outro desafio, outros, plural. Termina hoje o tempo, espero não ter de esperar muito mais, agora quero ser mãe, mesmo sabendo que vou sentir saudades, que vai custar dividir-me em dois quando me senti tão bem e tão em paz comigo mesma.

Aplaudo desde já os corajosos que leram isto até ao fim. Obrigada pessoal, tão cedo não vos faço uma destas, eu prometo (tipo, o post do parto será curtinho ou dividido em vários para não enjoar).

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Por aqui...

Não, ainda não pari. Tanto quanto sei, o pequeno continua encantado com o T0 que é o meu útero e não tem grande vontade de conhecer o mundo cá fora. Ando longe e distante porque nos dias que correm as sinapses já não funcionam como antigamente. Não sei se é do calor, se é de ter esta barriga de melancia a desequilibrar o meu centro de gravidade, a verdade é que mal durmo, mal mantenho um raciocínio e a vontade de fazer seja o que for que não implique preparar a casa e a chegada do miúdo parece-me demasiado cansativo (nesta altura já são tarefas automáticas, por isso, é quase como um passeio no parque...).
Não que não me interesse por outras coisas e outros afazeres, mas realmente sinto que neste momento não dá, e mais do que nunca, há que respeitar a vontade do corpo e dar-lhe alguma tranquilidade nesta fase. Nem me tem apetecido postar no instagram...

Mas não significa que não ande razoavelmente activa, apenas cansada demais para ter uma vida social mais intensa (perdão a todos os que tenho deixado pendurados nestes dias), para grandes deslocações ou até conversas mais profundas sem desatar a bocejar ou a deixar a mente vaguear.

Os meus esforços concentram-se essencialmente em escrever, ler e descansar/ver tv nestes dias (vou tentar esquecer que andei o fim-de-semana todo a ver o Botched no canal E!), e tentar retomar a prática do yoga pré-natal que descobri no Youtube e gosto bastante.

Queria com este post apenas dizer uma ou duas coisinhas...

- A Susannah Conway (ainda preciso de a apresentar?) lançou um Mid-year check para complementar o Unravel the year. Sendo fã deste processo e este ano ando super certinha com isto, estou a adorar escrever, especialmente porque a primeira metade do ano foi muito baseada na minha gravidez e em muitas aprendizagens que tenho feito a nível de vida familiar e estar a fazer um balanço parece-me uma boa antecipação para a próxima fase em que serei mãe e sabe-se lá o que me vai passar pela cabeça entretanto... Quem quiser, é so seguir o link e agarrar.

- Comecei a ver o This is us mas ainda não me apeteceu chorar baba e ranho. Deve ser lá mais para a frente, não? 

- Tenho feito algumas aguarelas com a minha enteada e devo dizer que é das tarefas mais deliciosas dos dias que correm. Passar por este processo com uma criança é super divertido. Ambas evoluímos e divertimo-nos e estreitamos cada vez mais a nossa relação. Mostrarei algumas coisas em breve.

- Estou a ler o livro desta moça e estou a adorar cada parágrafo. Apetece-me oferecê-lo a toda a gente e ainda só vou a meio.

- Não sei se é do nesting ou o raio que o parta, mas mais do que nunca ando numa loucura de voyeurismo imobiliário e passo a vida a perder-me em revistas e sites de decoração e a ver o Property Brothers e a imaginar como seria viver aqui ou ali, ou que obras faria, ou que casas compraria. Quero muito um jardim, mas infelizmente agora não dá. Alguém sabe como é que se desliga isto?

- Começo a ter uma ansiedade crescente em conhecer o meu filho e começar finalmente a usar as coisas que andam preparadas há séculos. Parece que ando a encenar um espetáculo há semanas e nunca mais chega a data de estreia. Ando mais atenta que nunca aos sinais do meu corpo mas sempre que posso, durmo, descanso, dou-me uma folga. O calor ajuda à letargia.

- Por fim, e numa nota muito maricas e pessoal, ando encantada com a dose de amor, carinho e generosidade dos meus amigos e conhecidos para comigo e com o pequeno. Tenho recebido um apoio maravilhoso, prendas deliciosas, e juro que não sei o que fiz para merecer esta generosidade tão grande de tantas frentes. Sou uma sortuda do caraças.

Tentarei voltar assim que ganhe ânimo ou vontade ou me apeteça dizer disparates ou coisas úteis (o que vier primeiro). 
Boa semana meus amigos!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Anne, com E

O Netflix veio para tornar a minha vida melhor, não tenho dúvidas.
Se há dias em que odeio a forma como o sistema tem falhas, bloqueia, não mostra a lista completa de filmes e séries, tem todo um outro lado que me entusiasma, em particular, esta coisa de dar voz e espaço a produções novas e diversificadas. (trouxe o Gilmore girls de volta e só por isso tem o meu amor incondicional).

E a Anne with an E, uma nova abordagem ao clássico "Ana dos cabelos ruivos", que foi SÓ o desenho animado que mais me tocou em criança tinha tudo para e encher as medidas, e quando li o primeiro livro da saga há uns anos, foi um dos poucos livros que me fez chorar, mas admito... Não sabia muito bem o que esperar dali. 
Haviam algumas coisas garantidas, a paixão pela vida, o entusiasmo, os delírios e sonhos de olhos abertos da pequena Anne que adoraria chamar-se Cordelia e vestir vestidos de mangas tufadas, que se perde na leitura e na fantasia e entusiasma-se com as pequenas coisas e faz as perguntas mais inusitadas.


Mas o que poderia realmente mais uma série acrescentar àquilo que já conhecemos desta adorável miúda?
Aparentemente, bastante, fiquei agradavelmente surpreendida com a perspectiva fresca, muito feminina - e feminista - com que contam a história.
Começa logo no primeiro episódio, quando a Anne, sabendo que os irmãos que a adoptaram queriam um rapaz para ajudar na quinta e a querem devolver ao orfanato,  dispara que pode fazer o trabalho ela, que é rija e forte e pode fazer o que qualquer rapaz faz também. 
E depois vão surgindo subtilezas aqui e ali. Os preconceitos da pequena sociedade fechada para com a miúda órfã, o desespero juvenil das mudanças do corpo, da adolescência numa época em que esta fase era vivida em segredo, os pensamentos progressistas e a luta pela afirmação, pela igualdade feminina, e inclusive... uma menção muito óbvia à homosexualidade, cuidadosa e desprovida de preconceitos, porque a Anne é mesmo assim - há uma série de detalhes que não existam antes mas que foram insinuados com tanto cuidado e tão bem incorporados na história que não destoam com a história fantasista e alegre daquela miúda cheia de imaginação. 


Devorei a série em 3 tempos, foi uma viagem ao passado, a piscar o olho ao futuro. Se também cresceram com as aventuras da Anne, vejam esta série, não se vão arrepender. A pequena actriz principal, Amybeth McNulty, é a personificação perfeita da personagem, e aquele genérico inicial está absolutamente delicioso,o verdadeiro eye candy. Faltará muito para a próxima temporada? Estou rendida.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Body building, body being

(Sem criticar, sem me lamentar, hoje saiu-me este texto, ao ver uma newsletter de uma conhecida marca de sapatos e ao rever algumas fotos antigas no Instagram... E de repente caiu a ficha e como tudo mudou recentemente, com a gravidez mas não só. E hoje senti saudades, apenas, de como as coisas costumavam ser.)

Tenho saudades do meu corpo.
O meu corpo normal, o meu, desinchado, com cintura, menos celulite, menos rabo, menos carne no geral.
Tenho saudades de calçar sapatos de salto alto. De caber nesses sapatos. Tenho saudades de comprar sapatos pela beleza, mais do que pela funcionalidade, e tenho saudades de me equilibrar a 10 cm ou mais da minha altura sem dores ou desconfortos (houve mesmo uma altura assim).
Tenho saudades de sushi, de comer com pauzinhos, beber saké ou vinho branco.
Tenho saudades de me vestir cuidadosamente, de ir a um qualquer evento inesperado, de me maquilhar (mesmo a sério).
Tenho saudades de pular, de fazer boxe, de correr, de suar de cansaço físico. Tenho saudades de sentir os meus abdominais.
Tenho saudades de me levantar sem esforço ou apoio. Tenho saudades de assentar os pés no chão e não sentir dores. 
Tenho saudades de não ressonar.
Tenho saudades do meu corpo ser meu. E sei que vou continuar a ter saudades por algum tempo, porque vou demorar a reconquistar o meu corpo.

Mas sei que também vou sentir orgulho em tudo o que o meu corpo faz agora, mesmo com as dores de pés, de costas, na barriga, mesmo com os inchaços inesperados e dificuldade em mexer-me.
E virá o dia em que terei saudades deste dia, deste estado, e de todos os movimentos e encontrões dentro de mim, desta intimidade, desta ligação que construo diariamente com o meu filho. Sei que vou ter saudades de tanto do meu corpo ao longa da vida, porque tudo vai mudando. 
It's all good. Faz parte.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

E depois acontecem assim... coisas

Tenho andado com dezenas de planos em mãos para os dias em que ficaria em casa. A prioridade seria sempre preparar tudo para o nascimento do bebé, depois, orientar e preparar algumas coisas em casa, costurar, ler todos aqueles livros que sei que não vou ter tempo para ler quando ele nascer, fazer os cursos online que tenho pendurados, fazer ilustrações espetaculares, escrever muito no meu diário, no blog, e lançar uma nova imagem espetacular para o mesmo, com inauguração com pompa e circunstância e o presidente a cortar a fita com uma tesoura gigante... Mas sabem que mais? 


... A vida nem sempre é como se planeia, e quando detalhamos este e aquele passo, quando os encaixamos em sequência na nossa lista de tarefas, damos conta que nem sempre as coisas seguem os pressupostos iniciais e nem sempre temos energia para as coisas. Subestimei esta fase e na verdade, estou de rastos, ando mais ansiosa do que previa, com muitas insónias, sempre com mil coisas a fazer, a sensação que tudo depende de mim, e muito pouca energia (e mesmo assim já risquei muitos items da minha to-do list), cansada da sensação que não faço o suficiente, de ainda não ter decidido isto ou aquilo, de não ter visitado o hospital, de não ter feito um curso pré-parto (e não quero mesmo fazer um, será que vem mal ao mundo por isto? Mas antes as mulheres não pariam sem cursos e esse tipo de preparações?)... Eu sei que estou rodeada de apoio e óptimas intenções, mas começo a não ter espaço para tudo, e começo a ver a meta e confesso... este desconhecimento do que aí vem assusta-me um pouco. 

Não por ter de tratar de um bebé, de ter um ser dependente de mim, o parto não me faz espécie, nem as provações da amamentação (excepto não poder beber álcool). Talvez seja ingénua, talvez seja egoísta, mas a verdade é que o que me assusta e não saber até que ponto a minha vida vai mudar, até que ponto vou deixar de ter tempo e cabeça para aquelas coisas que adoro fazer e será que vou sobreviver sem elas, por muito que o meu filho venha a ser um ser adorável e por muito que me imagine a passar horas intermináveis a cheirá-lo e a admirá-lo (porque claro que isso vai acontecer). Conto com as hormonas para me fazerem cair de amores pelo pequeno ser que me pontapeia sem dó nem piedade (as we speak) e me façam afastar os receios de me tornar menos eu, de me afundar num mundo de maternidade e domesticidade que não sei se me adequo.

E tudo isto para dizer...
Tenho uma imagem nova no blog. 

Comecei esta manhã devagarinho, com vontade de olhar para isto com olhos de ver, de me organizar e orientar, de talvez por ordem no tasco e isto começou a desenvolver-se para lá do meu controlo e agora já está, sem planos, sem um lançamento adequado, sem pompa e circunstância, apenas a imagem que eu já desenvolvi há uns tempos, um código de cores definido num tirinho, enfim, tudo aquilo que desaconselho e me tento afastar no meu dia a dia. 

(Photo by Clem Onojeghuo on Unsplash)

Claro que não foi tudo à balda e esta preparação já tem alguns meses, mas ainda assim, é interessante ver as coisas a surgir assim do nada. O meu lado control freak está um pouco confuso, mas como vejo em tantos sítios e tanta frase feita... done is better than perfect. Não creio que isto esteja para já terminado, ainda faltam acertar bastantes detalhes e talvez isto ainda vá mudar novamente mas... apeteceu-me tanto começar a usar o meu novo logo, apetece-me tanto que o meu blog tenha uma cara nova ao fim de tanto tempo, e queria que fosse antes do bebé nascer e de eu ser engolida pela maternidade... Não resisti.

Depois de meses de planeamento, listas detalhadas no Evernote, artigos e posts lidos sobre branding, e tanta pesquisa... é isto. Surgiu um pouco do nada, a surpreender-me.
Como a vida aliás. 

Porquê simplificar o nome do blog e passar a ser "A box" (se bem que mais nada mudou)? Porque esta caixa, ainda que minha, é feita de tanta coisa que não sou só eu. Contém os meus pensamentos, desejos, a minha criatividade e alguns sonhos, mas também as influencias dos outros em mim, a vossa energia que me acompanha, e, se pensarmos bem, não será muito diferente das vossas e é mais uma no meio de tantas. Todos guardamos o que nos é mais queridos nas nossas caixas... colecções, fotografias, desenhos, cartas, lápis, sapatos, bolos...
Bem, na verdade talvez não existam caixas, e estamos sempre a tentar pensar fora da dita, mas seja como for... precisamos de um sítio para guardar as ideias no fim do dia. Este é o meu.

Espero que apreciem e me digam o que pensam, está sempre tudo em aberto e eu prometo que não serei (demasiado) sensível às críticas negativas.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Coming home

Hoje foi o meu último dia de trabalho. Vou finalmente para casa usufruir de algum descanso pré-bebé, talvez um pouco mais cedo do que o previsto inicialmente, e a verdade é que me deparo com uma dualidade interessante dentro de mim. 

Sinto necessidade de justificar a toda a gente porque vou para casa tão mais cedo do que o esperado, como se tivesse vergonha ou fosse preguiçosa por o fazer. 
Não preciso. Eu até podia não estar podre de cansada, a sofrer com as poucas horas de sono, com as dores de costas e todos os sintomas menos românticos da gravidez, que podia parar e ir descansar se me apetecesse. Mas a verdade é que padeço destes todos e mais uns quantos, e cheguei a um ponto em que sinto que não consigo esforçar-me mais. Especialmente quando dei por mim mais do que uma vez com a sensação de que não estou em condições para conduzir. É assustador.
Fiz por e organizei-me para poder ter este “benefício”, porque de facto o ano passado ia rebentando a cabeça com o excesso de coisas por pensar e fazer. E como o ano passado aprendi que tenho de ouvir o meu corpo e não quero testar os limites, vamos tentar começar em vantagem e gozar de algum sossego antes da criança me vir virar a vida do avesso por todos os bons motivos.

 Eu sinto-me mais confortável com esta decisão. E não acho que me vá aborrecer por ficar dois meses sem nada que fazer (pois, como se isso fosse possível).

Há sempre teorias para tudo no que toca a gravidez e a opinar sobre as decisões das mães de ficar ou não em casa. As pessoas não têm de fazer tudo igual. Cada um decide como se sente mais confortável. E não deverão haver julgamentos. Especialmente meus. 

Desenganem-se se acham que vou estar os dias inteiros refastelada no sofá a devorar tudo o que aparece no Netflix. Há muitas coisas que quero e preciso de fazer. Tenho uma lista imensa de preparativos para a chegada do meu miúdo, coisas por montar, por arrumar, por lavar. Malas de maternidade por fazer. Outra lista de coisas que quero arrumar, limpar e orientar em casa. Quero também fazer algumas coisas à mão para o quarto das crianças, e outras tantas por mim e para mim. E ler e escrever e desenhar muito. Fazer caminhadas e também aproveitar toda a praia que puder. 
E claro que vou percorrer a minha wishlist do Netflix, porque é óbvio que vou estreitar a minha relação com o sofá de vez em quando.

Em breve a minha vida vai mudar e ainda não sei muito bem como. Por isso nada como usufruir destes dias mais meus, dedicar-me efectivamente a esta coisa do nesting, e também a tirar algum tempo para ser apenas eu (ou assim espero). Porque sei que durante uns tempos apenas serei mãe. 

Estou entusiasmada e feliz. Toda uma nova fase começa a partir de agora, há uma sensação de finalidade grande nisto e ainda bem.  É estranho e um pouco assustador, mas o entusiasmo ainda prevalece. Tudo se torna mais real. 



(e quando escrevi este post, ainda não tinha acontecido, mas não podia deixar de comentar que ainda tive direito a uma despedida surpresa no trabalho, com direito a bolo de chocolate e a mimos dos colegas. Soube muito bem ser acarinhada por todos, apesar de detestar ser o centro das atenções. Que comece a contagem decrescente!)

quinta-feira, 18 de maio de 2017

6 coisinhas...

(imagem do maravilhoso Unsplash)

Enquanto aguardo por tempos mais frutuosos para voltar a uma escrita mais regular (talvez quando entrar de baixa - naqueles dias, espero, pacíficos, antes da criança nascer, imediatamente antes de eu voltar a não conseguir postar nada outra vez...), gosto só de parar um pouco por cá, arejar os caracteres, dizer nada de especial. Talvez os posts curtos até façam sentido por uns tempos...
Por aqui vive-se intensamente cada emoção, culpo as hormonas dos meus males, carrego em mim todas as dores de alma e não só. A gravidez não me deu sintomas estranhos ou fora do normal, apenas crises emocionais complexas que são parecidas com as que já tinha antes, mas exponencialmente maiores, algo como um SPM fora de controlo.

É engraçado que no estado caótico em que as coisas se encontram nesta altura do campeonato, vou encontrando alguns fios perdidos, e vou dando algum sentido a tanta coisa. 

E nestes momentos, encontro algumas conclusões em jeito de lições de vida que preciso de ter perto de mim, mas que talvez também vos sejam úteis ou façam sentido e por isso quero partilhá-las...

1- Preocupa-te menos em agradar
Nunca podes agradar a todos, e por vezes, nem a ti própria, por isso, nada como não levar as coisas demasiado a sério e descontrair um pouco

2- Relaxa... não podes controlar tudo a toda a hora
Dispensa explicações, não?

3- Dá tempo ao tempo
A paciência nunca foi uma virtude minha, mas tenho mesmo de aprender a cultivá-la. A aceitar que as coisas levam o seu tempo, que não são imediatas. Este pode ser um dos grandes motivos pelos quais eu não consigo cumprir dietas e afins. Não estou para esperar.

4- Não percas de vista o que é importante
É normal ser apanhada no turbilhão de emoções, tarefas, e tantas outras complexidades e distrações da vida. Mas de vez em quando há que perceber porque fazemos o que fazemos, onde queremos ir, com quem queremos estar... Perceber onde estamos e se estamos a fazer o nosso caminho.

5- Se tudo parar, o mundo continua a girar. 
Podes fazer umas pausas, a vida na terra não desaparece por isso.

6- Escreve o que sentes, o que te vai na alma, escreve parvoíces e acontecimentos banais do dia, o que pensas, o que te apetece. Escreve porque te faz bem.
Ultimamente os meus diários têm sido alimentados com mais frequência e adoro poder reflectir um pouco mais, poder recriar os meus pensamentos, limpar a cabeça nas palavras. Gostava era que fosse um exercício diário, mas pronto, é um work in progress.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

My greatest music crush...


Ouvia o Mama’s Gun da Erykah Badu a caminho da faculdade com 19, 20 anos. Inicialmente, a musicalidade e as passagens entre músicas eram o que mais me atraía. Lembro-me que ouvia como um agradável ruído de fundo que me embalava o caminho e me fazia sentir inevitavelmente cool e na vanguarda dos gostos musicais semi alternativos do R&B e Soul. Claro que foi a minha amiga Sara quem me emprestou o álbum pela primeira vez, ela deu-me sempre a conhecer coisas fantásticas e sempre teve um gosto impecável.

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que percebi que estava a reter as músicas quando dei por mim na fila do bar da faculdade a cantar o “kiss me on my neck” e percebi que precisava de ir para o carro e procurar a música em questão e ouvi-la com outra atenção. Nessa altura o álbum rolava inteiro sem preferências por uma outra faixa e nem sequer retinha os nomes das músicas. A partir daí comecei a prestar mais atenção. Lia as letras, retinha mensagens, identificava-me. Ouvia-o uma e outra vez e enraizou-se em mim

Naquela altura, solteira e descomprometida, sentia que aquela música dizia tudo sobre quem quer procurar o amor e a cumplicidade. Ainda hoje, ao adormecer com a respiração do meu amor no meu pescoço penso sempre na letra “…and kiss me on my neck, and breathe on my neck…” e sinto que as coisas estão bem.

Este álbum fala-me directamente ao meu íntimo, parece que foi feito para mim e em muitos aspectos definiu-me os meus primeiros anos como adulta e acompanhou-me desde sempre. Foi de lá que, apesar de estar mal escrito, retirei o meu nickname que me acompanha nos blogs desde 2005… “when incense burns, smoke unfurls, analogue girl in a digital world”. Esta frase ainda hoje resume muito de quem sou. 

A Erykah conhece-me melhor que eu própria. 

Este álbum envelheceu muito bem, continua com uma sonoridade impecável, algumas das músicas já são clássicos, outras parecem-me ainda mais brilhantes do que antes. Adoro como este álbum me acompanha há tanto tempo e ainda assim me faz sentir que me ensina algo. É tão raro isto. 

Quando me sinto mais distante, desligada, perdida, ouvi-lo do início ao fim é um regresso a mim mesma, é encontrar equilíbrio novamente. Todo ele vibra em mim. “Oh baby… we need to smile…

Sinto-me uma sortuda por ter esta relação com o álbum, por muito parvo que isto soe. Alguém tem também um amor incontornável por um álbum como eu? Ou é só de mim e eu sou estranha?

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Random monday stuff


(foto by me a caminho do emprego hoje de manhã. A luz estava maravilhosa e esta foto não lhe faz justiça)

Hoje de manhã pareceu-me ver a primeira estria na barriga. "Paniquei "um pouco e enchi-me de creme porque era a mãe das estrias. Espreitei novamente à tarde e já lá não estava. Provavelmente era algum vinco do pijama. Livrei-me de boa. Por enquanto, pelo menos...

Ontem estive a escrever, finalmente. Foi pouco mas fez-me bem. Também fiz algumas colagens naquele que pode bem ser um futuro art journal. Cortei desenhos meus para lá incluir e desfiz um pouco o mito de que as coisas são intocáveis. Gosto da forma como começo a abraçar estes projectos imperfeitos. Fazem-me sentir que posso sujar e disparatar à vontade. Experimentar e mudar a perspectiva das coisas. Em breve talvez tenha algumas páginas para mostrar.

Cheguei à conclusão que as hormonas pioram exponencialmente o meu road rage, e sei que tenho de me controlar antes que faça um pião e agrida alguém. Aproveitei a calma desta fase e fiz por vir sempre pela faixa da direita para o trabalho, sem acelerar demasiado nem ultrapassar e cheguei bastante cedo na mesma. Não me stressei pelo caminho e pude aproveitar a viagem e simplesmente desfrutar da paisagem e do nascer do sol. A vista privilegiada que tenho todas as manhãs é uma das maiores alegrias do meu dia mas nunca a usufruo como deve ser. Hoje foi o dia. Espero manter-me assim mais algum tempo, em especial quando o trânsito voltar.

Ando a pensar muito no minimalismo. E no mindfulness, porque preciso de controlar os meus nervos e acalmar a mente. Apetece-me simplificar tudo. 
Falando em minimalismo, achei este vídeo interessante. Tem sugestões que merecem a pena explorar, nem que seja apenas pela reflexão em si.

Estou a viciar-me em programas sobre imobiliário e renovações e coisas do género (maldita sic mulher e sic caras). Pena que não possa investir como os senhores dos programas. Mas sonhar e imaginar ainda é de graça.

Tive um jantar com os meus amigos de infância lá por casa, mas o improviso ainda trouxe mais gente e a casa encheu. Esta alegre confusão deixou-me estupidamente feliz

Tive uma segunda feira tranquila e animada, com uma hora de almoço prolongada na companhia de uma miúda fantástica que conheço de blogs há uns anos e nunca tivemos oportunidade de nos encontrarmos com calma para falar (e hoje acabou por ser a correr mas só deu vontade de combinar mais). Adoro como os blogs continuam a trazer-me estas surpresas na vida. 

Esta semana é mais curta e vem aí a minha época preferida. Não sei se já tinha dito que adoro a Páscoa?

Boa semana a todos!

(sublinhei propositadamente algumas expressões em cada um destes acontecimentos. Pontos que marcam cada uma destas coisas, são todas positivas, alegraram-me muito o dia e estou profundamente grata por cada uma delas, mesmo pelo susto da estria. Hoje tive uma segunda-feira atípica, calma e animada, deviam ser todas assim.)

terça-feira, 4 de abril de 2017

Dois dias em casa


Isto podia parecer um título meio parodiado de um filme cómico alternativo mas não, foi uma pequena pausa a que tive direito, com o aval da minha médica que me viu demasiado nervosa na última consulta. Esta coisa de não dormir não convém a ninguém, muito menos a uma pessoa que traz outra dentro de si. 

Claro, disse-me que não podia ficar esparramada no sofá a comer (já bem basta o aumento agressivo de peso no último mês) e por isso mesmo dei corda aos sapatos e aproveitei para começar as longas caminhadas que ela recomendou. Vocês que já me conhecem sabem que eu vou sempre para a praia. Ontem fui de tarde, hoje já aproveitei a manhã. Praias diferentes, horas diferentes, públicos diferentes.

Os dias estão tão estupidamente convidativos que só apetece ficar de papo para o ar, e já se nota o movimento louco dos surfistas, dos adolescentes (uns mais parvos que outros), ou dos muitos turistas a passarem pela linha. De manhã o sossego é outro e vemos as pessoas da zona que vivem mais devagar e aproveitam os benefícios de aqui morarem. 

Com mais ou menos gente, a verdade é que mal sinto o cheiro a maresia o meu coração abranda, o meu cérebro entra num estado de pura felicidade e sinto que estou em casa. Não creio que conseguisse viver longe da costa, amo demasiado o mar. 
Pensei que não aproveito o suficiente, que tenho de andar mais, ir para junto da água salgada, sentir a areia, o cheiro. E que tenho de ensinar tudo isso ao miúdo que aí vem, de tudo o que gostava de lhe passar, percebi que o que mais quero é que ele também ame o mar.

Perco demasiado tempo a aborrecer-me com a minha rotina, e com esta altura do ano é tão mais fácil voltar a ter a praia perto de mim, e tudo se tornar mais optimista e luminoso.

Ando a aproveitar também para por as leituras e o walking dead em dia (andei a procrastinar, mas ao menos agora tenho os episódios todos para devorar), e ver se é desta que retomo a escrita nos diários. Também já marquei as minhas mini-férias (a minha babymoon) lá para Maio, que serão muito curtas mas vão ser o balão de ar necessário depois dos preparativos que tenho ainda pela frente. Mal posso esperar.

Depois desta pausa (e ainda o dia de hoje vai a meio) sinto-me novamente capaz de enfrentar a dureza do meu dia-a-dia e talvez, dormir um pouco melhor. Devíamos todos poder fazer isto mais vezes. 

quinta-feira, 30 de março de 2017

Switch off

Andava eu lançada com os posts e depois isto volta a morrer na praia. Não tenho mesmo feitio para postar de forma muito regular, mas acho que já todos percebemos isso. Isto é consoante a disposição.

Este mês está a ser complicado a vários níveis, e apesar de tentar manter uma atitude positiva, as hormonas e a falta de sono estão a desestabilizar tudo o que cuidadosamente construí ao longo do ano passado. Durmo 4 ou 5 horas por noite, no máximo, a barriga pesa e cresce, acordo com dores no corpo, a falta de sono aumenta a fome, como mais doces para compensar algumas falhas emocionais, insulto todos no trânsito (e não só), não tenho paciência para as pessoas e desconfio que também já não têm grande pachorra para mim. As arritmias agravam-se todos os dias. Aumentei dramaticamente de peso neste mês. Percebo portanto que estou a entrar num estado um bocado descontrolado. Preciso de um time-out. Abrandar.

Por isso vamos recomeçar devagar. 

Controlar os desejos maníacos por doces, comer bem, alimentar o meu corpo e a alma. Respirar devagar, porque nesta altura é tão fácil ficar ofegante. Os dias mais longos chegaram e há que começar a dar uso aos ténis e à praia tão próxima de mim para as caminhadas e os passeios que tanto desejo. Ler muito. Ler é a minha cura para tudo.
Quero preparar a chegada do bebé com calma e aproveitar cada segundo desta fase. Em breve ele estará cá fora e aí vai ser tramado escrever regularmente no blog.
Ele está bem e é o que mais interessa. Mas quero ficar bem para ele também. E para mim, que mereço.

Volto em breve com as minhas histórias, quero tanto escrever!
Para já, não estranhem, vou devagarinho.

terça-feira, 14 de março de 2017

5 coisas que... epá não



Esta coisa de estar grávida faz-me pensar nos registos desta fase, e a querer concretizar alguns desejos para aproveitar a barriga e esta fase bonita, e tirar maior partido de quando a criança nascer e assim… Mas vá, com alguns limites. Há coisas que não me imagino a fazer nem que a vaca tussa. E isto não é uma crítica a quem faz, mas são pequenas coisas que não têm nada a ver comigo e não tenciono fazer de todo. 
E aqui abaixo segue as 5 coisas que não quero fazer na gravidez/pós-parto. 

1- Sessão fotográfica semi despida. Gosto muito da minha barriga e tenho orgulho dela, mesmo que esteja enorme, mas… não quero de todo tirar fotos em biquini ou algo parecido. Claro que vou querer fazer uma sessão de fotos de grávida, e eventualmente talvez mostre alguma pele mas… epá não sei, não é para mim. O mesmo se aplica ao pai da criança. Há fotos sexy do casal com a mulher grávida sim senhora (esta é uma delas, para mim, mas convenhamos, eu não sou a Carolina), mas acho que não é a minha cena. Ou se o fizer ficam bem guardadas apenas e somente para meu gáudio pessoal. Já vi coisas medonhas por aí, é tão fácil resvalar para o mau gosto.

2- Pintar a barriga para eventos, fotos, etc.. Pois, não quero mesmo, não tolero de forma alguma. Nem moldes de gesso, já os vi à venda em supermercados (nem tinha onde guardar aquilo em casa). Na minha barriga só creme gordo, obrigada.

3- Voltando às sessões fotográficas, não quero nada em estúdio, com sapatinhos, letras, corações com as mãos, o nome da criança, whatever. A criança ainda não tem nome e tanto quanto sei até posso mudar de ideias quando o conhecer, por isso, quero a cena o mais neutra possível e vá… uma sessão de grávida até é capaz de ser mais sobre a mãe (e o pai) do que sobre a criança. Ou não, mas pronto, na minha óptica não concebo. 

4- Falar em nome dele. Não me estou a ver a mandar mensagem tipo para a família quando a criança chegar a este mundo ao melhor estilo “Sou o …. Nasci com xx kgs às tantas horas de parto natural. Eu e a minha mamã estamos bem… yadda yadda yadda”. Não. Não é a minha cena. Talvez aconteça uma derrapagem qualquer do estilo “olá tia” para a minha irmã, para a minha cunhada ou assim, mas nada mais significativo que isso. Se quando fizer um ano eu escrever o convite em nome dele autorizo quem quer que seja a esbofetear-me.

5- Por último, e para mim, um autêntico flagelo, fotos de recém-nascido ao estilo Anne Geddes são completamente postas de parte. Nada de decorar o bebé, enfiá-lo em baldes, obrigá-lo a apoiar a cabeça nas mãos, deitá-lo em tapetes de pêlo. Não consigo, acho horrível. Quero fotos naturais. Eventualmente gostaria de fazer uma sessão pós-parto com aqueles momentos mágicos do começo e claro, na intimidade do lar, umas fotos deste ou deste género. De resto quero as básicas do dia-a-dia, sem artifícios nem encenações.

E pronto, é isto. Sinto-me tão aliviada. Peço desculpa se ofendi alguém que fez qualquer uma destas coisas ou se acha piada, mas eu tenho de ser honesta e não gosto mesmo. Cada um com a sua mania. 

segunda-feira, 13 de março de 2017

Coisas minhas

(Foto: unsplash)


É engraçado como há peças da vida que se encaixam de forma tão curiosa. Por vezes parece que as coisas acontecem de propósito. 

Há dias cheguei à conclusão que por vezes me sinto abatida e triste porque deixei de apreciar as coisas boas, aquelas por que estou grata. Por vezes olho para tudo como se fosse um problema e fico a remoer sem necessidade. Ando a tratar de afastar esses pensamentos e fazer por me lembrar que a gratidão tem muita razão de existir. E há sempre coisas que fortalecem essas decisões por vezes tímidas.

A semana passada, para além de perder a minha avó, perdi também uma oportunidade. Bem, na verdade ninguém me garantiu que teria essa oportunidade, mas era algo em vista, que poderia ou não arrancar. Pois que arrancou e eu não fui considerada. Senti-me um pouco rejeitada e desvalorizada, e não são sentimentos fáceis de lidar. 
Especialmente quando se percebe que se fez um esforço e ninguém viu, quando uma pessoa cria expectativas de que aquilo seria ideal e bom, especialmente quando sentimos que é injusto. 

No entanto tive de erguer a cabeça e repensar. Queria mesmo esta oportunidade? Queria mesmo seguir este caminho? Não seria dar passos atrás? 
Percebi que se este caminho se tivesse aberto à minha frente que me iria suscitar mais dúvidas que garantias, mais cansaço do que conforto. E eu já passei o suficiente para não querer voltar a agitar as coisas da maneira errada. 

Percebi também que percorri grande parte da minha vida pessoal e profissional sem um objectivo de maior (e não há nada de mal nisso, “nem todos os que vagueiam estão perdidos”, já dizia o nosso amigo Tolkien), sem ambições específicas sem ser de trabalhar honestamente, ter uma vida minimamente cheia de experiências pessoais, viagens, a busca de uma família, o criar uma casa confortável, ler livros que gosto, investigar assuntos de interesse… E acho que o tenho feito até agora. Ainda não fiz tudo, mas também não queria conquistar tudo agora. 

E percebi que nem todas as oportunidades de fazer coisas diferentes são feitas à minha medida. Já tinha aprendido isto, e também a aceitar quando assim o é. E esta é claramente uma situação dessas.

Não estou assim tão longe dos objectivos que imaginei para a minha vida. É claro que quero mais. Este ano tenho recuperado uma vontade cada vez maior de sonhar e produzir. Voltei a escrever aqui, pinto e desenho mais. Escrevo mais. Sinto que atingi alguns bons patamares, culminando mesmo nesta gravidez tão desejada. A partir daqui se calhar posso ser mais ambiciosa e criteriosa. Já conquistei tanta coisa, talvez pouco palpável, mas que interessa tanto, que a partir de agora sinto que vou mesmo começar a lucrar.

E, passado o sentimento de frustração, a verdade é que fico aliviada. Posso libertar-me de algumas amarras que me seguravam, posso olhar mais genuinamente para o futuro, posso descortinar outras oportunidades e agarrar-me a elas com outra força, mais confiança e mais consciência. Sinto que muitos dos passos que dei eram mesmo para me trazer até aqui, para me trazer de volta a mim.

A minha palavra do ano faz cada dia mais sentido, encaixa perfeitamente em tudo o que tenho vivido, dá-me fé no que aí vem. E ter noção disto é absolutamente fantástico. 

quinta-feira, 2 de março de 2017

5 razões que fazem do tio Patinhas um dos meus heróis

Março é para mim um mês de gastos. É o mês com mais aniversários na família, e daqueles a quem tenho mesmo de dar presentes. Este ano não é excepção, especialmente se ainda somarmos às loucuras do costume as consultas e ecografias e ainda uma despesa fofinha de obras no prédio. Isto de ser adulto e gerir as complicações monetárias não é fácil. 

Mas eu sempre fui uma rapariga dada às poupanças e no meio do caos que por vezes se instala, arranjo sempre espaço para guardar algum dinheiro, gerir gastos, e planos B para tudo. Não é por acaso que o tio Patinhas sempre foi um dos meus heróis e exemplos a seguir em muitas coisas. E é sobre ele que quero falar, porque ainda hoje gosto de assumir que o tio Patinhas é um dos meus heróis de infância, e que se mantém até ao presente. Há muito que queria escrever um post sobre o assunto, e finalmente cheguei lá.





Pondo de parte as minhas divagações infantis, em que acreditava que iria conseguir mergulhar no dinheiro como ele se guardasse moedas suficientes para encher, vá, uma banheira, eu acho mesmo que o velho sovina é um exemplo a seguir. 

Para além das dicas de poupança (como usar a mesma saqueta de chá várias vezes, não levar a carteira para alguém pagar por nós, etc. :D), há uma série de outras preciosas lições que podemos aprender com ele. 


(desenhos do fantástico Carl Barks, o "pai" do tio Patinhas, que obviamente venero e a quem estou eternamente grata pela criação de uma das personagens mais amadas de sempre da Disney)

1- Nunca é tarde demais para perseguir tesouros - ou sonhos. Se há coisa que o tio Patinhas me ensina é que não há idade fixa para se viver uma aventura, procurar um tesouro enterrado, aprender mais. Mantém-se sempre curioso e interessado e disposto a arriscar, e isso inclusive parece trazer-lhe mais genica e energia. É algo que devemos ter em conta em tudo na nossa vida.

2- Defende o que é seu com unhas e dentes - Não interessa se está a proteger a caixa-forte de um ataque dos metralhas com o canhão a postos, o tiozinho nunca de distrai do que é importante para si e não deixa as suas conquistas em mãos alheias. 

3- Dá valor às pequenas coisas - Guarda a primeira moeda que ganhou como um tesouro, um símbolo do seu passado sofrido, para que nunca se esqueça de onde veio e o caminho que percorreu. Não que as suas origens humildes estejam presentes em todas as suas acções (na verdade, houve episódios de fraqueza em que se achava acima dos outros, mas ainda gosto mais dele por isso), no entanto acaba por dar a mão à palmatória e a relembrar as coisas verdadeiramente importantes da vida.

4- Admite que estava errado - Perdi a conta às histórias do tio Patinhas em que deixa a ganância falar mais alto para perceber que no fim o que realmente valoriza na vida são os prazeres mais simples. Especialmente nas histórias da Vovó Donalda, que consegue sempre vergá-lo em nome da razão e perdoa o pato arrependido como uma verdadeira avó.

5- Conquistou a sua fortuna por si próprio - Há lá coisa mais valiosa do que subir a próprio custo, sem ajudas, sem heranças, com os recursos que se cria? E acima de tudo, com honestidade. É uma das facetas mais admiráveis do tio Patinhas, e foi sempre um valor pelo que me guio ainda nos dias de hoje. Não que vá enriquecer nos tempos mais próximos, mas sempre me fez acreditar que o esforço compensa, e que chegamos aos nossos objectivos se não tivermos medo de experimentar, de inovar, de explorar novas soluções. E de nos mantermos honestos, com os outros e especialmente, para connosco próprios.

Digam lá se já tinham pensado nisto antes? 

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Sobre o carnaval...

Em miúda sempre gostei do Carnaval. Adorava poder usar uma roupa que não a minha, poder ser outra coisa que não eu, usar maquilhagem, atirar confettis sem medo de sujar ou de ofender alguém. No colégio, o dia era livre, e passávamos o dia apenas a brincar, a cobiçar as máscaras alheias e a retocar maquilhagem e a entrar na nossa personagem. Quando cresci, não achava a mesma piada, nem a desfiles, nem a festas de Carnaval, mas gostava da ideia de criar a máscara. A última vez que me mascarei, algures no secundário, fiz uma máscara de abelha Maia com algumas amigas e todo o processo de fazermos algo foi a minha parte preferida.

Eu sei que pareço a pessoa mais saudosista do planeta a dizer o cliché, mas o Carnaval era tão diferente quando eu era miúda... Lembro-me que sempre quis ser uma princesa, ou a tão afamada dama antiga cheia de folhos e rendas, mas nunca tive grande opção. Contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que usei roupa elaborada até aos pés, porque o giro era mascarar-me de capuchinho vermelho, índia, de boneca Emília do Sítio do Pica-pau Amarelo... As minhas máscaras eram feitas essencialmente pela avó do meu melhor amigo, que nos costurava as roupas, as nossas mães compunham os adereços e pintavam-nos. Quando fui a Emília, a minha mãe costurou remendos numas collants, e fez ela mesma a peruca com lãs coloridas e tranças espetadas numa armação de arame, que combinava lindamente com o vestido de trapos feito pela avó Célia. 

Eram dias em que tinha de se criar algo do nada porque não se vendiam máscaras em cada loja de esquina ou supermercado como hoje, e eu sei que a vida andava mais devagar, permitia estas coisas. A minha mãe nunca me vestiu como princesa mas dava-me muitas opções diferentes, acho mesmo que foi uma das maiores influências criativas da minha vida.

Hoje em dia é raro ver algo semelhante. Os miúdos querem ser as personagens dos desenhos animados preferidos e há mil e uma versões à venda pré-feitas, brilhantes e espampanantes que eliminam a necessidade de criar algo novo. Os pais cedem mais facilmente porque está tudo tão convenientemente à mão, não há paciência para estas coisas como antigamente.

 Se há algo que sempre aspirei quando fosse mãe, era precisamente poder fazer algumas máscaras por mim mesma, e nos dias que correm, mais do que ter um grande entusiasmo pelo Carnaval, gosto das possibilidades criativas que posso dar asas quando tiver o bebé cá fora. A ideia do R2D2 vem daqui, e se há algo que me dá um certo gozo é ver os mil projectos DIY que existem deste género. Claro que vou querer participar nisto. Enquanto ele ou ela não tiver opção de escolha ainda (e vejam se eu ganho juízo, mas a ideia de mascarar a criatura de zombie do Walking Dead começa a tomar forma na minha cabeça...). 

Até lá, divirto-me com as ideias que me ocorrem. E lembro o Carnaval dos velhos tempos com um eterno saudosismo. Alguém vai ter direito a fim-de-semana prolongado? Ainda brincam ao Carnaval? Têm recordações semelhantes às minhas? Adorava saber mais sobre as vossas experiências.