sexta-feira, 20 de março de 2020

Confinamento e conforto

Nesta fase que todos vivemos, eu confesso que apesar da inquietação constante e das insónias que me assolam, no geral ando tranquila e calma, não me ando a passar com o confinamento entre 4 paredes, e levo estes dias com alguma leveza. Ando numa fase de re-enamoramento pela minha casa, e desde Setembro que as arrumações e organizações são uma realidade para que fique menos caótica e mais confortável. 
Quando fiquei desempregada no início do ano, o meu foco era principalmente na casa. Comprei móveis, montei móveis, limpei, arrumei, escolhi, empilhei mil coisas na arrecadação (será a próxima montanha a escalar), dei finalmente novo uso à minha secretária para me ocupar dos meus pequenos projectos e não só, e todo este espaço ficou mais respirável e agradável. 
Já está quase pronto a receber visitas novamente (as saudades que tenho de organizar almoços e jantares com amigos e família), mas essa parte vai ter de esperar.

(a minha secretária, com riscos feitos pelo miúdo e imagens que me inspiram - vou postar no instagram, mas as imagens que me acompanham são da Marta B Sousa, Ana Sílvia Agostinho, Amalteia e Anne M Bentley para a Flow)

Isto para dizer que estar em casa, por si só não me é doloroso ou aborrecido. Claro que não é fácil gerir o dia para todos comermos, dormirmos, estarmos confortáveis, trabalharmos, entretermos o miúdo (e não temos ainda a minha enteada connosco), fazermos algum exercício e afins, mas talvez pelo facto de ter estado em casa um bom pedaço antes, me preparou para fazer os meus dias entre portas. Não me sinto muito aborrecida. Mesmo não adiantando grande coisa no dia a dia, não escrevo e pouco desenho, ainda tenho uma pilha de roupa para passar, tenho um filho cuja palavra que mais repete é "mamã" e precisa de mim para adormecer, para acalmar, e não posso fazer nada à frente dele sob pena de que ele arrebate tudo o que tenho em mãos (computador, cadernos, canetas...enfim, uma alegria. Tendo em conta que sempre gostei de salvaguardar as minhas coisas é todo um teste de resistência e desapego). 
Mais do que nunca, sou grata pelo meu temperamento introvertido. 

Mas claro que sinto falta de contacto humano. Dos meus. Todos os dias há chamadas em vídeo, mais longas que o costume, penso muito no meu pai sozinho em casa e como esta solidão pode ser tão cansativa como uma criança pendurada em nós 24h por dia. 

Estamos todos juntos nisto, mesmo estando separados. Pela primeira vez, vivemos algo que nos nivela a nossa humanidade, verdadeiramente. Nas poucas vezes que saio à rua falo com toda a gente. Quando é que isso acontecia antes? Recebo e-mails de empresas e sim, há muita tentativa de negócio, mas também há palavras calorosas. Todos os dias há directos no instagram e afins, pequenas aulas online, correntes de comunicação nas redes sociais e mensagens com os meus amigos. Muitos memes e muito riso, e de repente sinto-me mais ligada às pessoas. 

Claro que há todo um mundo de preocupações económicas, políticas e práticas a enfrentar, mas tudo a seu tempo. Neste momento sinto uma gratidão imensa pela generosidade das pessoas, pelo sentido de comunidade que se instalou, pela solidariedade e reconhecimento.

Há pouco estendia roupa a ouvir os sinos da igreja, som que sempre associo a conforto e a casa. A primavera chegou, mas cheirava a outono no ar. E senti-me bem e esperançosa. Só espero que saibamos todos fazer a partir daqui um caminho equilibrado e constante daqui para a frente.

quinta-feira, 19 de março de 2020

O post do regresso (ou algo do género)


Voltei! Ou pelo menos quero voltar. Bem, querer querer... quero voltar desde que decidi fazer esta pausa, mas nem sempre é fácil escrever na confusão dos dias, das confusões da minha cabeça e agora retomar o ritmo vai ser difícil mas espero manter-me um pouquinho mais activa (quantas vezes digo eu isto?). 

A verdade é que gosto mesmo de me manter em contacto, de me mexer aqui no meu mundinho virtual, ainda que os blogs tenham perdido o glamour. 
E não tendo mega planos, quero alterar algumas coisas por aqui sim, quero escrever mais e fazer disto um diário mais a sério (mas já sabem, nada de planos e de projeções, apenas o meu diário). Na verdade, os mais atentos talvez já tenham notado algumas pequenas alterações desde há uns tempos atrás (menus diferentes e uma nova profile pic?- se tudo  correu bem...), e o blog continua a ser um investimento que me faz sentido. Resta saber se vou levar em frente tudo aquilo que gostava, mas realmente... apetece-me tanto voltar que nem vou esperar mais.




O que aconteceu neste hiato?

Começo por dizer que não tem sido fácil pensar em escrever aqui. 2019 foi um ano MUITO difícil para mim. Mudei de vida em Janeiro de 2019, e em Janeiro deste ano, a vida mudou novamente, e eu mudei com ela. Sem me alongar muito sobre o assunto, digamos que apostei no cavalo errado, arrisquei num novo desafio profissional que não correu como imaginava e agora estou em pausa. 

Atrevo-me a dizer que é bastante merecida, sempre fui filha da crise numa profissão onde se espera de tudo e se praticam abusos constantemente e sempre lutei por algo melhor, uma posição melhor, experiência diversificada, na esperança de que dessa luta algo bom viesse, até que essa luta levou o melhor de mim e da minha saúde mental.  
Peço desculpa por ser tão vaga, acho que ainda ando a processar tudo isto, e sinceramente, confesso algum vexame por estar desempregada. E se por um lado preciso de abrandar e me reorganizar, por outro as perspectivas não andam muito animadoras neste cenário pandémico. Preparo-me para enfrentar o ano sem perspectiva de emprego e como teste cenário pode ser assustador.

No entanto, sei que não tenho outro remédio senão ir à luta. E há algo de extremamente electrizante nessa perspectiva. Talvez algo de bom surja daqui mesmo. Ou pelo menos eu acredito que sim.



Para já há um certo alívio em constatar que estou em posição privilegiada para poder ficar em casa com o meu filho nesta fase complicada, que trabalho em casa sempre que posso (ou consigo), que ando a fazer por aprender coisas novas e a aceitar os momentos de pausa que surjam e a respeitar os meus limites. E a nível financeiro... bem, já tinha essas expectativas alinhadas mesmo...

Portanto, sejam bem-vindos ao regresso do blog. Vamos tentar escrever, desabafar, rir e criar. E deliciem-se com as fotos que fiz com a minha lindíssima Laura, alma-gémea criativa, no Outono passado e que já fazem parte deste espaço.

Entretanto, e caso não me apanhem tão amiúde quanto gostaria, convido-vos a passar no meu instagram, ando bastante mais activa por lá, já faço stories e tudo! :)

terça-feira, 2 de abril de 2019

Aquele post que nunca pensei escrever...

(imagem da maravilhosa Unsplash: https://unsplash.com/photos/s9CC2SKySJM/share)

A verdade é esta... apetece-me muito pouco escrever por aqui. Aliás, ainda há muita coisa que gosto de partilhar e penso em fazê-lo, mas algo me impede e fogem-me as palavras. Não vejo grande propósito nisso. Talvez esteja com uma crise de identidade blogosférica, não sei.
Para ser mesmo sincera, estou num ponto tal que não vejo grande interesse neste espaço, não vejo um fio condutor, não vejo objectivos nem ideias. E não tem de haver. Mas mesmo um diário por vezes é um espaço de despejo, sem brio nenhum, escrito com letra ilegível e com a pergunta "para quê?" a pairar no ar.
Este meu diário está numa fase dessas. Ando há quase 14 anos nisto, já não sei escrever ou reflectir sem pensar em como isto poderia dar um post interessante.
E talvez o desgaste seja mesmo esse.
Quero perceber como é a vida para além dos posts. Quero arrumar bem a minha cabeça e o meu espaço.

Não sei se o desânimo é permanente, mas a verdade é que ando sem força para por planos em andamento, para me largar ao mundo como eu queria e sentia que devia. Afinal ainda não é tempo para me atirar cá para fora, a primavera chegou e continuo a querer estar recolhida como se fosse inverno. Escolhi mal a palavra do ano e tenho plena consciência que tenho de alterar o meu foco.

Não que ande parada na vida. Continuo a trabalhar para alguns dos objectivos que tinha definido, a aprender e a por coisas novas em prática, continuo a ler e a recolher informação, a fazer uma série de trabalho interno de mim para mim. E por isso não consigo mesmo comprometer-me mais com isto. Não quero, pelo menos para já.

Por isso, coloco aqui no blog umas reticências. Ainda não é o ponto final, mas pode vir a ser, não sei.


terça-feira, 5 de março de 2019

A lista!

Na senda deste post, não podia deixar de partilhar convosco algumas pessoas que me estão a fazer pensar e a ajudar a mudar a minha relação com o corpo e a comida. Achei que por si só isto já tenho algumas coisas para partilhar que mereciam um post isolado, por isso, sem mais demoras, aqui vão elas... Aviso já que isto pode ser algo longo. E que mesmo assim vai faltar muita coisa...

Não conheço (ainda) contas portuguesas de profissionais especializados em alimentação intuitiva,  por isso os links e referências que tenho são mesmo de malta estrangeira, lá fora há todo um movimento a acontecer que gostava mesmo de ver replicado em várias profissões, seja de coaching, de nutricionistas, de psicólogos... A boa noticia é que cheira-me que ainda só estamos no começo.

Por cá conheço pouca coisa, confesso, mas há algumas mulheres que já lutam muito pelo positivismo e aceitação, portanto sugiro desde já o Lolly Taste da Vânia, e o blog da Helena Magalhães, que são as que mais vejo a abordar temas de amor-próprio e de quebra com esta cultura de dieta e imagem. Descobri também (sugestão da Ana) a Joana Margarida Morais e estou a adorar o feed do instagram dela. Noto também que há já alguns profissionais no instagram que também têm um discurso muito mais inclusivo e abrangente, e em breve teremos mesmo mais gente especializada neste tipo de abordagem.

Mas adiante, aqui vão os meus links de referência, começando pelos especialistas:

Isabelle Ysebaert - Psicóloga e healtch coach, ger o projecto Full of joy. É super conveniente, pois mora cá em Portugal e tem uma forma super simples de abordar estas questões no blog e o melhor de tudo, gere um grupo de facebook com pessoas que estão motivadas a mudar a relação com a comida, e que enche de informação preciosa (e truques para começarmos a aprofundar esta relação com o corpo e a comida) e promete que, se continuar a crescer, terá em breve muito conteúdo de mais especialistas. Corram a juntar-se aqui, e podem dizer que fui eu que vos mandei! :)

Laura Thomas PhD - Adoro-a. é uma nutricionista sem papas na língua e que está cheia de vontade de desmistificar e mandar abaixo os pilares da cultura de dieta. Incluindo aqueles institucionalizados como a Ella Woodward e o Jamie Oliver (ah pois!). Sigam-na no instagram e ouçam o podcast - Don't salt my game, é super leve e sempre cheio de conteúdo interessante. Lançou um livro no início do ano sobre alimentação intuitiva que já está na minha mesa de cabeceira e que sinto que vai ser um verdadeiro guia para entrar neste mundo. Quando o ler hei-de falar dele.

Linda Tucker - Sigo-a há pouco tempo mas é uma health coach com um discurso muito abrangente e tolerante. Gostei particularmente deste post que acho que resume um pouco a fase em que me encontro e as perguntas que tenho e as dúvidas que estou a experimentar. Muito enriquecedor e interessante.

Christy Harrington - Mais uma nutricionista especializada, com direito a curso (carote) sobre alimentação intuitiva e muito conteúdo bom. Também tem um óptimo podcast, - Food Psych que confesso, não ouço tanto quanto gostaria porque ela tem uma voz um pouco irritante (será o sotaque americano?). Mas ainda assim, tem imenso conhecimento disto tudo e vale sempre a pena segui-la.

(há certamente muitos mais, mas estes são os que acompanho com mais regularidade)

Activistas com muito conhecimento de causa:

Cruzei-me com a Megan do Body Posi Panda, no instagram e achei-a muito doce e colorida, quase não a levei a sério. Mas enganei-me redondamente. Ela já passou por muito, esteve às portas da morte com uma anorexia, e tem muito a dizer sobre estes assuntos. É muito lógica na forma de argumentar e não há como não acenar que sim a tudo o que diz. Contra factos não há argumentos, de facto... Li o livro dela recentemente. É muito completo no que diz respeito ao positivismo corporal e na desmistificação do universo das dietas, mas também muito "activista". Pensei que ia ser mais leve, não foi o que esperava, mas nem por isso significa que tem menos informação e interesse. No entanto, no blog já temos uma boa dose de informação e de respostas que ela dá às dúvidas que são sempre dedicadas e cheias de carinho.

Conheço o F*ck it Diet há pouco tempo, mas é um daqueles sites refrescantes com muita informação e bons conteúdos (também inclui um podcast que ainda não ouvi). Chega uma altura em que se calhar isto tudo se repete, mas acho que não nos faz mal deixar a informação entranhar-se sob outro ponto de vista e estas pessoas têm sempre a sua experiência pessoal a partilhar, com que nos identificamos imediatamente. Gosto muito do facto da Caroline ser uma pessoa "normal", que não tem excesso de peso nem aparenta ter qualquer tipo de problema com a imagem corporal, mas quem é que disse que para se ter disfunções alimentares ou lutar pelo positivismo corporal tem de ter um tipo de corpo específico? E o livro dela também está quase aí e parece-me muito interessante...

Redes sociais:

Para além da malta que já mencionei acima, há algumas contas avulso de positivismo corporal e de mulheres maiores que provam que não precisam de se enquadrar nos pârametros para serem bonitas e capazes de muita coisa. Temos a Milly com o  Self Love Clubb, que fala muito sobre saúde mental e aceitação de quem somos, sempre de uma forma crua e muito real, por vezes drástica, mas é fantástico lê-la (especialmente neste post, sobre a "dieta" que vai fazer para o casamento), a modelo Tess Holiday, que dispensa apresentações, a Paloma Elsesser, que outra modelo plus-size e é linda, e a actriz Jameela Jamil que se está a tornar no meu mais recente girl-crush. Há outras que sigo mas estou certamente a esquecer-me. Estas são as minhas maiores referências.
Também adoro o blog Style me Sunday, onde acompanhamos a Natalie, uma mulher real, com duas filhas, corpo mole e largo e roupa maravilhosa.

Por fim, como não poderia deixar de ler, uma listinha de livros. Não sou nenhuma expert no assunto, até porque ainda agora comecei, mas fica a minha wishlist, em que alguns são mesmo os livros referência do assunto:
- Intuitive Eating (ou, a Bíblia da coisa)
- Health at every size (que também passo a vida a ouvir falar)
- Body Positive Power que já falei ali acima e é uma óptima introdução no tema, em especial o capítulo dos distúrbios alimentares
- Just eat it - aposto que vai ser bom! Vou começar a ler esta semana.
- F*ck it diet - ainda não saíu mas arrisco dizer que vai merecer a pena

Obrigada a quem ficou até ao fim, este assunto vai voltar a ser falado de vez em quando no blog, porque gostava mesmo de reflectir sobre isto e perceber como pode funcionar este processo para mim. Ainda tenho um longo caminho a percorrer. Especialmente porque ainda não larguei completamente a ideia de que preciso de emagrecer para me sentir mais bonita e válida, e que há comidas boas e más. Vai ser puxado, eu sei, mas isto vai ao sítio. E contem comigo se quiserem debater mais sobre estes assuntos.