segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Um brinde a novas rotinas




Adoro aquela sensação de quando uma rotina nova se começa a tornar habitual e... rotineira. 
Somos seres capazes de nos adaptarmos a tudo, é um facto. Mas ainda assim nada nos prepara para o que vem na mudança de uma rotina, o que parece fácil pode revelar-se bem mais difícil do que parecia. Mas quando é uma mudança desejada e ponderada, e quando os valores estão ajustados, essa mudança torna-se menos complicada, menos assustadora. Ainda assim, não menos desafiante.

Isto para dizer que tenho uma nova rotina na minha vida. Mais uma mudança, mais um desafio. E sinto-me sempre uma imensa sortuda por experimentar um pouco de tudo, por poder explorar tanta coisa nova na minha vida. Que o medo nunca me paralise, que tenha sempre coragem para experimentar e avançar. 

E que as novas rotinas se tornem velhas rotinas com o bom sabor da conquista!
Uma boa semana, amigos.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

(des)adequação


Há dias em que me sinto a querer confundir-me com as paredes e passar completamente despercebida. Não tenho feitio para falar (muito) alto, não gosto de chamar a atenção sobre mim, gosto de ficar caladinha e interferir muito pouco na confusão.

Este foi um um fim-de-semana incrivelmente proveitoso e feliz. Não aconteceu nada de mais, deu para passear um pouco pelo campo, o que já é óptimo, para tratar das lides domésticas, para me sentar a desenhar e ler um pouco (demasiado pouco, mas é melhor do que nada), para cozinhar, para brincar com o miúdo que incrivelmente deu noites com horas mais longas de sono. Foram dias vividos ao sabor das vontades, devagar.

Então venho num ritmo calmo, de um espaço que me permitiu respirar um pouco. E a agressividade de uma segunda-feira por vezes fere-me. Já deixei de me lamentar por uma série de coisas. Nos dias que correm eu tento ao máximo encontrar a alegria das pequenas coisas e aproveitar o meu tempo junto aos meus. Mas hoje custa-me esta coisa de me apresentar ao mundo. Custa-me sentir-me tão deslocada e fora de ritmo. Custa-me que a vida me obrigue tantas vezes para eu não ser eu, para marcar passo num ritmo diferente do meu, para me adequar mesmo que não esteja ainda completamente adaptada.

Hoje faz um ano que perdi a minha avó, e penso nas gerações de mulheres que me precederam e o quanto me pesa o amor por elas, pelas que me moldaram, pelas que não conheci mas marcaram a minha vida, e pelo legado que poderei vir a deixar, ou não. Magoa-me a velocidade com que a vida passa, magoa-me que não possa nunca apresentar ao Gonçalo aqueles que vieram antes de nós e são os meus pilares da família. 

Então estou assim, desadequada, longe do mundo, entregue ao meu universo.
E pisei cocó de cão. Outra vez (sim, na sexta aconteceu o mesmo).

Há dias em que a vida é apenas isto.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Deixem as mães em paz

Esta frase não é minha, quem a diz com muita (e necessária) frequência é a Susana, mas tenho de roubar e reforçar a mensagem, porque uma pessoa não pára de levar pressão de fora. E hoje preciso de deixar aqui um desabafo porque esta merda cansa, cansa demais, cansa todos os dias.

O meu filho não é desculpa para eu não ser pessoa. Na verdade, desde que ele nasceu que eu procuro voltar a ser uma pessoa, singular, sem ser apenas a mãe do Gonçalo. Mas não é fácil, é uma tarefa algo lenta. Especialmente porque, para começo de conversa, temos de perceber quem somos depois do nascimento de um filho. Se já não é descabida a ideia de que um filho recém-nascido ainda é, em todo o caso, um estranho que estamos a começar a conhecer, então e o que será dito de nos (re)conhecermos após termos "mãe" indelevelmente tatuado na alma? Após nos inchar a barriga, as coxas, as ancas, após passar por um parto, por um arrombo enorme no nosso corpo, e depois todo o tumulto hormonal, a loucura de tentar perceber o que se faz aquele ser pequenino que depende inteiramente de nós. Onde ficamos nós?

Não é fácil, não é imediato, mas ao fim de um tempo, começamos a reconhecer-nos. Um passo de cada vez. E enquanto desvendamos aquela pessoa que estava enterrada em nós, qual relíquia arqueológica, percebemos que mais uma vez teremos de reinventar quem somos, porque para além de tudo o mais que antes éramos, agora somos mães. Nada é exactamente igual. 


Recentemente li uma frase que resume bem este sentimento que a maternidade nos desperta: "The thing that is most difficult when you are a mother is that it is condemnation for a lifetime. It's never possible to press pause." - Leila Slimani


Usar a palavra "condemnation" parece um pouco brusco, mas por vezes uma pessoa sente-se assim, de facto. Não há forma de aligeirar o fardo, não podemos parar para respirar, temos de seguir em frente sem contemplações nem tempo para decidir se estamos a fazer bem ou mal. A nossa liberdade é sempre condicional a partir daqui.

Por isso custa e lixa bem a cabeça a uma pessoa, quando vêm de fora generalizar, dizer que tem de ser assim ou assado, senão o miúdo pode ficar isto ou aquilo, e que devias fazer o que dizem porque assim é que é.


(respiro fundo e lanço um suave "foda-se" mental)

Este discurso não é ok.

Se eu pudesse, jantava fora todas as semanas, tomava o pequeno-almoço com calma na cozinha, maquilhava-me todos os dias (em que me apetece) e não só os que até consigo encaixar o tempo, viajava sem puto sempre que a carteira permite, fazia fins-de-semana românticos com o meu parceiro. Era lindo, mas não é realista. Porque eu tenho um ser humano com vontades próprias e sonos instáveis que não me permitem estar confortável numa série de situações. Ainda.

Por isso irrita-me até à medula que achem que uso o meu filho como desculpa para nem sempre conseguir fazer coisas. Pessoal, eu já era uma cortes antes de ser mãe, eu sou introvertida, um serão ideal para mim será sempre sofá e uma manta com livros ou Netflix (e vinho já agora). Eu fantasio com uma passagem de ano sozinha. Esta sou eu, sempre fui, e não é um filho que muda.

O meu filho não é desculpa, quando eu quero, eu vou, eu participo, mas sim, tem limites. Ele ainda é um bebé. Eu ainda amamento e sim, isso condiciona muito a minha vida, mas é uma escolha minha que deve ser respeitada e aceite. E não vou nunca aceitar que me tentem fazer sentir mal porque não consigo fazer as coisas como antigamente. Não quero viver em função dele, mas há que aceitar que ainda não consigo estar completamente solta. Cada bebé tem o seu timing, cada mãe tem o seu alcance, cada família a sua forma de gestão. Temos de nos ir adaptando aos poucos e os outros têm mais é de comer e calar. Nisto sou muito peremptória.

Virem de fora criticar ou generalizar é algo que cada vez mais é inadmissível. Eu não o faço com ninguém, é muito fácil aproveitar estes momentos de fragilidade para opinar, difícil é respirar, parar, e aceitar que a outra pessoa apenas quer ser ouvida, não julgada.
E era engraçado que estes comentários não viessem de outras mães e pais, que sabem o que é que a casa gasta.
Enfim, precisava de mandar isto cá para fora. Peço desculpa estar ausente tanto tempo para vir aqui fazer um rant, mas precisava de exorcizar a coisa.

Suspiro...


Não sei de onde veio esta imagem, mas apareceu-me hoje no Pinterest e não resisto em partilhar. Se eu tivesse um espaço assim acho que nunca saía de casa, desta sala. Era tão feliz se tivesse uma biblioteca. Vá, trocava aquela poltrona por uma mais confortável e moderna e talvez pintasse as estantes de branco também. Não fosse eu ter um filho a relembrar que tenho de fazer comida, e dar banhos e lavar roupa e ninguém me punha a vista em cima, só a pilha de livros que tenho para ler.