Há tempos comentava no facebook que ou sou uma grande sortuda, ou sou mesmo distraída e não me apercebo de muita coisa (abençoada ignorância). No meio do mundo louco da maternidade, das mães perfeitas e imperfeitas, das nazis da amamentação, das teorias de tudo, da parentalidade positiva e mil e uma correntes de pensamento há algo que é transversal a todas as mães, que é o acto de levarem constantemente com as opiniões alheias. Ninguém gosta de ver as suas escolhas questionadas e comentadas por terceiros (mesmo que muitas gostem de opinar sobre outros).
Isto para dizer que até agora, por distracção ou mesmo por ter sido abençoada, não tenho tido a minha vida demasiado invadida por gestos, palpites, opiniões e invasões (apesar de perceber que esta coisa da amamentação prolongada causa algumas comichões, mas aí decido mesmo ignorar).
Assim, numa de contrariar a corrente de queixas sobre as críticas (se bem que posso também falar disto depois), gostava de partilhar convosco as coisas mais bonitas que disseram e fizeram.
Porque há muitos gestos que são tão absolutamente generosos que eu até fico sem jeito e não faço ideia porque raio alguém faria isso por mim.
Ainda durante a gravidez recebi telefonemas e mensagens de mães do mesmo ano que me
ajudaram muito a alinhar expectativas.
A minha melhor amiga, através de conversas prolongadas ou só apenas pelo exemplo dela, me transmite imensa calma e ao mesmo tempo me faz ver que não existe cá isso de soluções chave-na-mão. É tudo inventado enquanto avançamos e essa é que é a beleza da coisa.
Quando escrevi este desabafo, e a uma leitora antiga do blog, que é minha amiga no facebook e tem também um filho uns dois ou três meses mais velho que o meu, me enviou uma foto da mesa da sala de jantar cheia de roupa e coisas para arrumar(tal e qual como a minha). Quase me vieram as lágrimas aos olhos só de pensar que não sou a única.
A minha ex-colega que me disponibilizou a irmã para me ajudar com a amamentação. Nunca fomos chegadas mas ela foi uma verdadeira amiga nessa fase. E recentemente encontrei-a numa festa e quando conversávamos sobre os sonos das crianças e como decorrem as noites (sendo que a filha dela dorme já a noite inteira e o meu é um terror) ela fez o comentário mais solidário e tranquilo que ouvi e foi absolutamente sincero (coisa tão rara entre mães)
Quando a querida Ana Sofia me pediu a morada e queria fazer-me comida quando o Gonçalo nasceu (não aceite,i mas esse gesto foi…nem tenho palavras)
O comentário da Ana neste post que me provocou uma mudança de pensamento: que quando aprendesse a deixar de me comparar com o pré filhos que tudo iria correr melhor (entre várias outras mensagens no Messenger que me fazem sentir uma pessoa/mãe normal) – e em relação a este… é tão verdadeiro, e estou MUITO mais adaptada à minha vida, já sinto que ser mãe é algo que faz parte de mim naturalmente, e sentir isto ajuda a aceitar todas as lutas que tenho de enfrentar no dia-a-dia. Que alívio.
Quando a minha prima, mãe de dois, um com 10 anos, outro com 7 meses e que eu adoro e admiro MUITO, me disse no aniversário do Gonçalo que não sabia como é que eu conseguia fazer tudo sozinha. Porque apesar de ter ajudas, o grosso do trabalho, do planeamento, das responsabilidades ainda sou em quem faz, e raramente tenho um minuto de descanso. Eu ainda tentei dizer que não fazia nada diferente dela, mas ela disse apenas “eu conto com a minha mãe para tudo, ela ajuda-me em montes de coisas e tu não tens esta ajuda”. Escusado será dizer que nem consegui conversar mais e entrei em modo maricas. Porque nessa altura percebi o que ela queria dizer, e senti-me mesmo uma mãe do caralho (como diz e bem a Susana, e eu sei que sou influenciável e tal mas há que dizer com todas as letras). Porque ser mãe sem ajuda da minha mãe está no top 5 das coisas mais dolorosas da minha vida, e estou a fazê-lo todos os dias, e acredito que estou a fazer bem.
Agora é a vossa vez. Quais os gestos, as palavras, as coisas bonitas que vos disseram acerca desta experiência da maternidade que vos tocaram o coração? Hoje ficamo-nos pelas optimistas, mas um dia destes podemos falar das piorzinhas também…
domingo, 25 de novembro de 2018
quinta-feira, 22 de novembro de 2018
Essencial
Como já disse antes, escolhi para palavra deste ano ESSENCIAL, porque no ano anterior tinha tido um tal arrombo na minha vida com o nascimento do Gonçalo, a luta que foi para amamentar e para superar um baby blues paralisante, esta palavra remetia para uma calma e análise que não costumam ser características típicas minhas, mas que precisava para compreender e aceitar as mudanças que a minha vida tinha acabado de sofrer. E ao mesmo tempo, não me perder de quem sou e daquilo que me caracteriza e do que gosto. E agora que o fim do ano se aproxima, começo a reflectir muito sobre isto, se funcionou para mim, se vivi esta palavra (e o seu significado) verdadeiramente ou se estive aquém.
O que este ano foi para mim
Pelas pesquisas que fui fazendo ocasionalmente no Pinterest e que alimentavam o meu board para a palavra (um hábito que quero continuar a manter para os próximos anos e próximas palavras), ESSENCIAL está ligado ao minimalismo, e se no início pensava em entrar numa onda de arrumação e destralhamento, não consegui reflectir minimamente esse conceito da coisa.
O meu essencial não é tanto sobre como reduzir coisas da minha vida, mas antes o processo de estar em plena confusão e tentar orientar-me se quero ou não manter e como procurei (e procuro) perceber essencialmente quem sou, o que quero, para onde tenciono ir.
Porque durante os últimos anos alimentei um sem número de sonhos mais ou menos realistas, muito baseados no que via pela internet fora (escrevi um pouco sobre isto aqui) e cheguei recentemente à conclusão que andei meio desorientada com isto tudo e sem tirar verdadeiro proveito das coisas. Percebi por exemplo que gostei muito de explorar a costura, mas não seria para fazer disso negócio, queria mesmo é saber como se fazem algumas coisas e divertir-me. Ainda adoro coisas craftys e projectos DIY mas já não quero fotografar mil vezes o que faço para por no blog ou no instagram. Quero só usufruir. E depois até posso partilhar, se me apetecer.
Sinto que 2018 foi uma espécie de ano zero do resto da minha vida. Porque foi um ano em que desarrumei as gavetas figurativas da minha mente e tentei por ordem no caos.
Fiz muitas listas, ainda faço. Comecei por fazer playlists, bucketlists (é tão mais fácil escrever em estrangeiro), fiz desafios de journaling e reflecti sobre alguns temas. Foi engraçado.
Dei por mim a ler e a dar abertura para explorar um mundo de gente que fala de temas mais holísticos (e por vezes quase esotéricos), de coaches motivacionais (quer acredite muito nisso ou não), li e-books, posts em blogs, ouço podcasts dentro destes temas do autoconhecimento e de desenvolvimento pessoal, sempre de espírito aberto e sentido crítico qb. Também andei por aí a explorar todo o tema de aceitação corporal e alimentação intuitiva. Descobri coisas interessantes, e pela primeira vez dei por mim a separar o que interessava do que era acessório. Não me apeteceu por nada em prática, apenas porque senti que o essencial era mesmo informar-me e avaliar à distância o que me interessa. Ando a dar algum tempo para as coisas ficarem ou passarem. Continuo a fazer listas, reflicto sobre os temas que me despertam alguma atenção, mas essencialmente gosto da sensação de que não me fechei ao mundo, mas antes mudei a mentalidade com que encaro estas coisas. E não me sinto assoberbada nem assustada com o excesso de informação interessante e útil. Estou ainda apenas a distinguir o que é importante para mim. E pegar numa coisa de cada vez (esta é provavelmente a minha maior conquista).
Em casa, abracei o caos. Gostava de destralhar, sim, mas enquanto não dá vou fazendo por orientar tudo o melhor que possa. Se todos tivermos roupa para vestir, comida, cuidados básicos de higiene, abraços e sorrisos para partilhar, já estamos bem encaminhados. O resto vai devagar. No trabalho, afasto-me de conflitos e aprendo a focar-me cada vez mais nas minhas tarefas, dou por mim a melhorar métodos de trabalho e os resultados estão à vista. Sinto-me extremamente orgulhosa de mim, porque acho que sou tão melhor profissional agora, mesmo usufruindo de uma redução horária.
Cheguei à conclusão que o essencial para mim não é desligar e deitar fora tudo o que é acessório. Eu preciso de muita coisa diferente para me motivar e me manter interessada. Preciso de livros por ler, de coisas a acontecer, de ter múltiplos interesses parados no tempo, à espera que me apeteça.
O essencial é saber gerir as prioridades do cérebro, parar com o multitasking, ouvir o corpo, o instinto, saber quando acrescentar e quando retirar, saber quando parar e quando descansar (não quero voltar a passar por um burnout). Tem muito a ver com autoconhecimento, e com a atitude que escolhi adoptar perante estas coisas, e pela primeira vez em muito tempo, começo a perceber bem quem sou. Pelo menos muito melhor do que até aqui.
Acho que foi uma boa palavra.
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pensamentos soltos
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
Coisas avulso
Devido ao post da semana passada da querida Susana (que tem só o blog/pág de facebook que me ajudam a lidar com esta coisa complexa e maravilhosa que é a maternidade sem enlouquecer ou me sentir uma freak), acredito que o meu blog receba agora uma fornada de novas leitoras. Assim em jeito de apresentação, deixo alguns factos aleatórios sobre mim só porque sim:
1- (isto já devem saber, mas) Sou a Joana, tenho 36 anos e sou designer gráfica há 13 anos. Ainda não me fartei da minha profissão mas sempre achei que não pode durar para sempre. A ver vamos se algum dia me vai dar para mudar radicalmente.
2- Em Setembro fez também 13 anos que escrevo blogs. Comecei completamente por acaso, para seguir e partilhar coisas com uma querida amiga que foi viver para os Estados Unidos e ficou por lá. Tornou-se o testemunho da minha vida desde aí (apesar deste blog ser mais recente, tem apenas 7 anos). Ela parou de escrever, eu não consigo largar isto… mas não actualizo com muita frequência, aviso já
3- Não suporto a moda dos unicórnios.
4- Sou chocolatodependente e eu sei que está só na minha cabeça, mas não quero parar de comer. É uma escolha, e eu assumo.
5- O meu herói preferido é o Tio Patinhas
6- Consequentemente, sempre me considerei um pouco forreta e acho que é uma virtude
7- Tenho boa memória e sei de coisas absolutamente desnecessárias e que não deveriam ocupar espaço cerebral. Mas também guardo imensas recordações que adoro partilhar com amigos mais antigos.
8- Mas também sei o meu Nº de Cartão de cidadão e o NIF de cor. E falta pouco para decorar o meu NIB também
9- Sou introvertida e adoro ler. Tenho de ter sempre um livro na cabeceira mesmo que passe dias sem lhe tocar
10- Tim Burton rules
11- Sou definitivamente uma morning person e acordo sempre com fome e com energia
12- O pequeno-almoço é a minha refeição preferida
13- O meu filho é provavelmente o bebé mais lindo que eu já vi
14- Já pratiquei patinagem artística e é a minha pedrinha no sapato não me ter dedicado mais àquilo (houve muitos problemas que impediram, um dia talvez vos conte)
15- Falando nisso, é um objectivo meu a curto prazo comprar patins para recuperar o hábito (próxima primavera, espero eu)
16- Sou uma geek. Adoro o Star Wars e não consigo escolher preferidos entre o senhor dos Anéis e o Harry Potter.
17- O meu maior sonho seria comprar uma casa no campo e ter uma biblioteca “à antiga”, assim uma coisa muito ao estilo Enid Blyton. Quem sabe um dia.
E pronto, assim de repente não me ocorre mais nada, mas certamente ficou muito por dizer. E agora um desafio em cima do joelho, não se querem também apresentar e contar 3 coisas sobre vocês? Os comentários estão em aberto. E isto não é válido só para a malta “nova”, os que já cá vêm também podiam partilhar algo que não saiba sobre vocês. #ficaadica
quinta-feira, 4 de outubro de 2018
Ai pessoas...!
Estou cansada das pessoas. Muito a sério. Cansada da facilidade com que as pessoas descartam e destratam as outras, a facilidade como empurram os outros com a barriga para ficarem eles próprios no centro das atenções. Não posso mais participar em conversas onde só te ouvem porque estão à espera da vez deles para falar, e isto quando te ouvem, porque grande parte das vezes impõem-se, dominam tudo e não te deixam sequer opinar porque apenas a opinião deles conta.
Detesto como vejo pessoas a tirar conclusões sobre os outros e como espalham as suas visões e opiniões deturpadas pela sua própria perspectiva da vida porque têm de odiar alguém, porque tem de haver um objecto de rejeição, de conversa, de desprezo conjunto. Porque rejeitar é fácil, rejeitar une pessoas sob um denominador comum. Excepto que há as que ficam de fora, as que são ignoradas. E por vezes muito obviamente rejeitadas, a tentar fazer de tudo para não serem postas de parte, mas sem sucesso.
Odeio quando rotulam assim as pessoas. Sem dó nem piedade, sem tolerância, sem um mínimo de compreensão e compaixão.
Odeio que essas atitudes de merda sejam tão tóxicas que contaminem todos em redor.
Não sou nenhuma santa. Eu ainda julgo, critico e aponto o dedo. Mais vezes do que gostaria. Mas se antes o fazia e empinava o nariz, orgulhosa, hoje repenso, recolho o braço esticado em tom acusador e questiono. Não conheço o íntimo de ninguém, não sei o que passa, não sei as dores por que passam. E se não me está a fazer mal ou a provocar uma ofensa mortal, que direito tenho eu de rebaixar alguém? Porque me irrita? Porque não é igual à carneirada?
Infelizmente há quem queira ter a razão à força, que impõe a sua verdade impugnável e com isso empurra os outros para fora de vista. Como se isso não ofendesse também. Como se isso não magoasse.
O que nos dá o direito de atropelar assim as pessoas? Porque raio isso nunca ficou arquivado nos tempos de escola? Onde anda a compreensão e tolerância que tantos gostam de aclamar mas que depois quando lhes convém, fica esquecida?
Não precisamos de ser todos amigos de toda a gente e amar o mundo, claro que existem círculos mais restritos e devemos estar com quem nos diz mais, mas não é sempre assim que funciona a vida, também temos de tolerar e conviver com quem não nos é tão próximo. Rejeitar e rebaixar só porque é conveniente ou porque nos achamos na posse de uma qualquer posição superior à dos outros não é aceitável. Não sejamos então estas bestas críticas e intolerantes, não façamos aos outros aquilo que não gostamos que nos façam a nós. Será que custa muito?
Foda-se, eu achava que não. Mas já me enganei por menos…
Detesto como vejo pessoas a tirar conclusões sobre os outros e como espalham as suas visões e opiniões deturpadas pela sua própria perspectiva da vida porque têm de odiar alguém, porque tem de haver um objecto de rejeição, de conversa, de desprezo conjunto. Porque rejeitar é fácil, rejeitar une pessoas sob um denominador comum. Excepto que há as que ficam de fora, as que são ignoradas. E por vezes muito obviamente rejeitadas, a tentar fazer de tudo para não serem postas de parte, mas sem sucesso.
Odeio quando rotulam assim as pessoas. Sem dó nem piedade, sem tolerância, sem um mínimo de compreensão e compaixão.
Odeio que essas atitudes de merda sejam tão tóxicas que contaminem todos em redor.
Não sou nenhuma santa. Eu ainda julgo, critico e aponto o dedo. Mais vezes do que gostaria. Mas se antes o fazia e empinava o nariz, orgulhosa, hoje repenso, recolho o braço esticado em tom acusador e questiono. Não conheço o íntimo de ninguém, não sei o que passa, não sei as dores por que passam. E se não me está a fazer mal ou a provocar uma ofensa mortal, que direito tenho eu de rebaixar alguém? Porque me irrita? Porque não é igual à carneirada?
Infelizmente há quem queira ter a razão à força, que impõe a sua verdade impugnável e com isso empurra os outros para fora de vista. Como se isso não ofendesse também. Como se isso não magoasse.
O que nos dá o direito de atropelar assim as pessoas? Porque raio isso nunca ficou arquivado nos tempos de escola? Onde anda a compreensão e tolerância que tantos gostam de aclamar mas que depois quando lhes convém, fica esquecida?
Não precisamos de ser todos amigos de toda a gente e amar o mundo, claro que existem círculos mais restritos e devemos estar com quem nos diz mais, mas não é sempre assim que funciona a vida, também temos de tolerar e conviver com quem não nos é tão próximo. Rejeitar e rebaixar só porque é conveniente ou porque nos achamos na posse de uma qualquer posição superior à dos outros não é aceitável. Não sejamos então estas bestas críticas e intolerantes, não façamos aos outros aquilo que não gostamos que nos façam a nós. Será que custa muito?
Foda-se, eu achava que não. Mas já me enganei por menos…
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