sexta-feira, 9 de março de 2018

Esta coisa de regressar donde, no fundo, nunca se partiu

Queria deixar respostas a cada comentário que se deram ao trabalho de escrever no post anterior mas fiquei tão maravilhosamente comovida com as vossas palavras que não sabia bem o que dizer. Obrigada antes de mais por tirarem um bocadinho do vosso tempo para me presentearem com as vossas palavras, logo eu que, apesar de vos ler sempre que posso, falho redondamente na parte de comentar.

Com isto queria apenas dizer que os posts vão começar a ser mais curtos, mais simples. Se já não eram muito planeados, agora ainda são menos. Muitas vezes dava por mim a escrever alguns pensamentos no meu Facebook pessoal e a pensar que gostava de os partilhar ou elaborar por aqui. Pois bem, não há tempo para elaborar, por isso vou abraçar esta nova fase com conversa mais rápida e espontânea, as imagens e fotografias que conseguir quando conseguir, e toda a alegria de aqui voltar mais assiduamente. 
De um início de ano assumidamente mais triste e cabisbaixo esta coisa de tentar voltar ao blog anima-me muito. Sem planos editoriais, sem grande critério, mas muito eu. E vamos lá a isto...

quinta-feira, 8 de março de 2018

Este é o post que ando a escrever há semanas e não termino...

Queria escrever mais no blog mas não consigo. Sinto que se perdeu um pouco o objectivo. Já não desenho nem pinto nem crio. A minha cabeça faz planos mas as minhas mãos e corpo não conseguem acompanhar.

Não escrevo tanto porque ando triste. A morte da minha avó foi um golpe duro de roer e tentei escrever tanto sobre isso que me desalentei em exaustão de saudades. 

Não durmo, a maternidade está a ser um desafio constante ao nível do sono. Tenho pouco apoio da minha cara metade, não porque ele não queira, mas porque temos horários incompatíveis. 

Voltei ao trabalho há um mês. E agora até gosto de segundas feiras. No trabalho a mente descansa e foca-se. E não há falta de sono que me tire a vontade de escrever.

A maternidade é neste momento (ainda) uma grande parte de mim (creio que será sempre mas fui arrombada com a violência deste amor). Há dias em que quero mais bebés, no plural. Há outros em que quero apenas o meu pequeno Gonçalo e não quero fracturar o meu coração em mais pedaços de tanto amor porque não sei se aguento. E eu também quero ter-me a mim de novo. 

Escrevo textos melhores na minha mente do que o são no blog ou no meu diário. Escrevo muito mais na minha cabeça que no papel. Mas quero escrever.
O meu blog está diferente. Eu estou diferente.

Mas vou continuar a escrever. Porque eu gosto tanto de o fazer. Porque quero partilhar o que penso. Assim, sem grande objectivo e rumo.
Espero que me perdoem a mudança de direcção . Eu quero continuar a escrever mas o blog não pode ficar igual. Vai navegar ao sabor da minha vida.  

Vai ser bom.
E eu quero regressar.

mulheres

Dispenso flores neste dia. Dispenso desejos de “feliz dia”, dispenso presentes e promoções de lojas só e apenas dedicadas às mulheres. Eu hoje só queria sentir compreensão, carinho, reconhecimento. Permitam-me o desabafo... é difícil ser mulher, e se se for mãe acresce mais um nível de dificuldade, e se não há direitos, acresce ainda mais, se nasceste no lugar errado, ainda mais. Ser mulher é como os níveis mais difíceis dos videojogos, com os piores bosses. Não é possível existir uma igualdade plena porque os géneros serão sempre diferentes, as responsabilidades diferentes. Ainda assim, merecemos igualdade de oportunidades, de salários, de tratamento, de reconhecimento. Fazemos sempre mais e estamos sempre a dar provas de tudo. E não faz sentido. E hei-de sempre questionar isto. Ao mesmo tempo que assumo todo o meu quinhão de responsabilidades “femininas”. Com todas as contradições que isso implica. Eu sei. É complicado e por vezes muito parvo. 

Mas eu tenho sorte. Cresci em liberdade. Posso votar. Posso abortar. Recebo o meu dinheiro. Tenho o meu emprego. A minha casa. O meu carro. Os meus livros e as minhas coisas.  Tenho muito. Tenho oportunidades. E ideias, e projectos e vontade. Tenho tanto e estou tão grata. E ao mesmo tempo ainda falta tanto para me sentir igual aos homens.
Este dia ainda faz sentido. Para mim e para todas as mulheres. Para as minhas mulheres. As que me antecederam, as que me precedem, as que me acompanham. Mães, avós, irmãs, amigas, tias, primas. 
E agora, música.




segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Pretérito perfeito

Daqui a 7 dias vai fazer 9 anos que escrevi este post, no meu blog anterior. Estive a manhã toda à procura deste texto porque julgava que já o tinha publicado aqui na box. Fico tão feliz por tê-lo encontrado.
Porque este ano, daqui a 7 dias, eu poderia repetir quase tudo o que escrevi, mas já só posso escrever no pretérito perfeito e não no presente. Hoje vim trabalhar com o vazio dela presente em mim. A saudade dói-me na alma. Em menos de um ano despedi-me das minhas avós. Estou cansada disto, de ver gente a morrer, de me despedir. Ficam as palavras do orgulho que sempre senti dela. Da minha admiração.
E prometo um regresso um pouco mais feliz para breve. Para já, o eco dos anos passados...

“ A minha avó faz hoje 77 anos. Apetecia-me dar-lhe 77 rosas brancas, 77 beijinhos, 77 abraços, e, porque não, 77 chocolates, porque ela é gulosa como eu. 
Tem um feitio tramado a minha avózinha, diz o que lhe passa pela cabeça e não pensa nas consequências, que às vezes se viram contra ela. Fuma e ouve a televisão muito alto, porque os ouvidos já não são o que eram. Cozinha divinamente, sempre com muita gordura, e tem o colesterol muito alto como dita a genética (coisas que eu e a M. herdámos também), mas que até agora nunca causou nenhum problema. Diariamente sai de casa, desce o 2º andar pelas escadas, caminha 1km até ao centro comercial ali perto onde compra o jornal e volta para casa. Como dorme poucas horas por dia, costuma dormitar à tarde depois do telejornal, às vezes até durante as novelas preferidas dela.

É a mulher mais corajosa que conheço. 
Abrigou a minha bisavó até quase ao fim da sua vida, mesmo trabalhando e tendo três filhos para criar, tomou conta da prima viúva que não tinha filhos quando o cancro a estava a corroer e ficou com ela até ao último minuto. A minha avó vive sozinha há cinco anos e três meses, desde que o meu avô partiu, e ai de quem lhe ameaçar tirar a independência. Perdeu o marido e a filha no espaço de dois anos e meio, mas nunca desistiu de lutar e de ajudar sempre que possível. De quando em vez cozinha para nós, e enche-nos de mimos. Muito frequentemente as palavras delas vêm acompanhadas de lágrimas, mas mantém-se forte e, quando preciso, também posso desabafar no ombro dela. Dizem que herdei dela a cor de pele e o cabelo (que era lindo, obrigada) e o corpo, claro, que também era o da minha mãe. 
E de todas as minhas recordações de infância, as relacionadas com ela são as mais presentes, pois sempre me fez sentir amada e acarinhada. A casa dela é o meu templo, ali sinto-me sempre bem, apesar das lágrimas que já lá foram derramadas ao longo dos anos. Ela faz parte de mim, e ela não sabe disto, mas não há dia em que não agradeça a presença dela, acho que nem desconfia como é importante para mim. Quando trabalhava mais perto de casa ia lá almoçar ou aparecia mais frequentemente ao fim da tarde, só que a vida complicou-se e esses momentos deixaram de ser tão frequentes.
Mas hoje, depois do trabalho, vou aparecer lá em casa com chocolates, flores, abraços e beijinhos. Porque ela merece. Porque a quero ver sorrir, porque quero sentir-lhe o cheiro e o conforto, porque quero que ela saiba que estou sempre com ela, porque sei que ver os netos é a alegria dela. Porque hoje ela faz 77 anos.”