quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Dos sonhos e objectivos

Há dias escrevi um texto sobre os objectivos ou a falta deles. Um texto que pensei publicar por aqui, mas deixei-o em banho-maria por me parecer ainda algo incompleto. E, seguindo um conselho de ouro da Susannah Conway nesta entrevista que divulguei há dias no facebook, se deixamos um post mais pessoal em stand-by durante uma semana, provavelmente não será para publicar. E não era. Hoje tenho mais a dizer e a acrescentar e faz muito mais sentido escrevê-lo agora.

Quando no ano passado percebi que estava em burnout, perdi a vontade de fazer tudo, não sabia sequer o que queria fazer nem para onde queria ir. Estava assoberbada e exausta, a minha vida deu muitas voltas e ainda não me tinha adaptado a todas as alterações. Mas a mudança mais vincada desses dias foi mesmo a sensação que de repente todos os meus sonhos, as minha vontades e motivações tinham desaparecido. O meu processo de recuperação foi demorado (acho que ainda está a decorrer), mas começou de forma simples, a primeira (e durante algum tempo, única) vontade que regressou foi precisamente a de ler, e agarrei-me à leitura novamente como se a minha vida dependesse disso. Sempre adorei ler, e foi mesmo uma bóia de salvação que me ajudou a recuperar terreno estável. E cumpri à risca o meu objectivo de livros para 2016 no goodreads, que foi bastante bom.

Nos dias que correm, já sinto a criatividade a correr-me novamente nas veias e percebi que na verdade nunca me abandonou, mas que agora vou cuidar dela de outra forma, não a tomar por garantida e alimentando-a dia a dia, sem pressões e sem julgamentos. No entanto estou um pouco confusa quanto aos meus sonhos. 

Continuo sem saber exactamente o que quero e para onde vou, nem tenho vontade de fazer planos. Sem grandes pânicos, encaro esta fase como um período de descoberta, e, curiosamente, enquanto ainda vou abrindo novas portas e questionando, deixo-me levar ao sabor das vontades, sem objectivos. Sinto-me muito eu novamente, e embora pareça um contra-senso, ando mesmo a fazer coisas e a elaborar pequenos projectos, imperfeitos que sejam, mas cheios de intenção e dedicação.

Há outros sonhos prestes a serem concretizados e posso perfeitamente concentrar-me num de cada vez (mais sobre isto num outro post).

No entanto tinha de fazer esta pequena confissão. Ao ler estes posts da Lénia e da Catarina, não consigo evitar sentir-me um pouco atrás no comboio dos sonhos. Sou só humana. 
Tenho a sorte de conhecer e privar com pessoas que perseguem sonhos, e, melhor ainda, que os concretizam. E estou tão orgulhosa de vê-las a conquistar novos patamares e lançarem-se em novos desafios e saírem deles vitoriosos. Mas não deixo de reparar que ainda não estou bem lá. Não sei que sonhos perseguir ainda. Não estou ainda a deixar-me mover por uma paixão. 
(realço a palavra ainda, não me imagino sem sonhos para perseguir)

Mas tenho fé que algo vai mudar, como mudou para elas. Eu não sou uma pessoa desmotivada, percebi isso recentemente, mas nem sempre sabemos para onde queremos que a motivação nos conduza. Talvez coisas boas estejam para acontecer. E não preciso de subir ao everest, neste momento qualquer pequena conquista também me vai fazer sentir imensamente capaz. E levar-me talvez a terrenos inexplorados.

E é engraçado como o facto de sentir que ainda me falta tanto para percorrer me faz sentir tão bem ao mesmo tempo. Há um mundo de possibilidades para acontecer e o futuro está em aberto. 


(imagem daqui)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

LaLa Love


Ontem fui ver o La La Land. Tinha de ver com os meus olhos a causa de tanto hype e perceber porque é que um filme musical e supostamente levezinho é um candidato tão forte aos óscares. Não que tenham de ser só dramas pesadões os considerados, mas há que dizer que isto não acontece todos os anos.
Claro que baixei as expectativas. Recordo-me bem da decepção que o Shakespeare in Love me causou há uns anos atrás, mas como sou menina para adorar musicais (como eu gostava que o mundo parasse por momentos para dançar e cantar comigo em momentos-chave da minha existência, não era lindo a vida ser parecida com um musical?), e a crítica recebe-o tão bem, achei que não ia desiludir e ser pelo menos um bom momento de entretenimento em família. 

E adorei. Adorei ser agradavelmente surpreendida. Adorei ter adorado este filme.

Sem querer entrar demasiado em detalhes nem spoilers, o que mais me tocou no filme não foi a história de amor em si, mas sim o quanto esta aparentemente história simples consegue falar ao mais íntimo de cada um. É acima de tudo uma história de sonhos, da luta para os concretizar, das tareias que a vida dá, da resiliência e da desistência, dos obstáculos e dos desvios. E nesta fase da minha vida, há que dizer que é um tema muito querido e muito reflectido por mim. É sempre bom ver uma história que, ainda que romantizada, consegue reflectir uma perspectiva tão realista acerca dos sonhos e como nós os vemos.

Depois há toda uma série de elementos que tornam este filme inesquecível, adoro os elementos “mágicos” a piscar o olho a produções ao melhor estilo da antiga Hollywood, a riqueza visual, as cores, o guarda-roupa, a banda sonora, a encenação dos momentos de música e dança que, não sei explicar como, não são iguais aos “verdadeiros” filmes musicais. E é curioso como o filme conquista o estranho paradoxo de, no meio de encenações verdadeiramente Hollywoodescas de canto e dança, não ser exagerado nem irrealista. Ou talvez seja só eu a ver isto.

Adoro o facto de ser uma história que se passa em Los Angeles (tão facilmente temos filmes com aspirantes a actrizes e a músicos em Nova Iorque, achei extremamente refrescante a escolha desta cidade), e claro, last but not least…os fantásticos actores que dão vida à trama. Ryan Gosling cada vez mais dispensa apresentações acerca da qualidade do seu trabalho, e a Emma Stone, que começou em comédias mais loucas, cada vez mais dá cartas como uma das actrizes mais credíveis que já vi (admito, tenho um girl crush, para além de que adoro o cabelo dela). E, repensando o discurso da Meryl Streep nos Globos de Ouro, há de facto algo fantástico nesta maquinaria e nisto de se ser actor. Aquela gente faz tanta coisa tão diversificada, canta, dança, multiplica cenários e personagens… Vivem experiências fantásticas, inspiram e são inspiradores. E dá para perceber que se entregaram com paixão ao papel e isso é algo que dá gosto ver. 

Hoje dou por mim a flutuar naquele mundo de sonho e aspirações, de inocência e a sua perda… Não consigo tirar o filme da cabeça.

Se puderem vejam, tirem as vossas conclusões. Gostando ou não do género, acho que não perdem nada por ver, nem que seja pelas referências à velha Hollywood. Eu certamente vou rever e vou encher os ouvidos com aquelas músicas sempre que puder

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Choosing a word


Já faço este workbook da Susannah Conway há alguns anos, mas acho que só desta vez é que me deixei mesmo absorver pelo processo. Já tenho visto em vários blogs aqui e ali esta coisa de se escolher uma palavra para nos apoiar ao longo do ano, para nos guiar e focar nas nossas intenções, para ser um ponto de partida para os nossos objectivos e conquistas. Aparentemente é uma tendência que está a crescer e tenho de confessar, parece-me muito mais interessante do que listar resoluções.
Com uma palavra definimos aquilo que queremos que seja o nosso ano. E os desafios, objectivos, projectos ou ideias que surjam estarão relacionados com ela. É no fundo, um compromisso connosco próprios e a nossa evolução pessoal, respeitando o lugar onde estamos e para onde queremos ir.

Por causa de 2016 ter sido tão agressivo em mim, e sendo que o burnout foi o que mais me marcou, percebi que o ano que ficou para trás foi um ano de pausa, de ficar o mais quieta que podia, para poder absorver as mudanças que tinham vindo a acontecer desde 2015, de modo a aceitar que a minha vida mudou, que eu mudei.
A parte mais complicada foi aceitar que a indiferença e desmotivação que senti perante tudo era parte do meu caminho, e tive de me ouvir e confiar que quando fosse a altura certa, eu iria ter forças e vontade e motivação novamente. É engraçado olhar agora para trás e verificar que passei por tantas atribulações, decepções, perdas, e perceber que isto faz parte, e que me levou a novos caminhos. Felizmente 2016 terminou numa nota muito positiva, que me traz expectativas boas para 2017.
Perante este cenário e depois de percorrer páginas de exercícios e reflexões (o bem que me fez escrever), percebi que estava pronta a dar os próximos passos, voltar a ser criativa e entusiasmada com as coisas. A minha palavra teria de ser algo que me trouxesse de volta a mim, mas sempre com a noção de que eu mudei. Algo que respeitasse quem eu me tornei, ao mesmo tempo que me desse o empurrão para contrariar a inércia e começar a movimentar-me novamente.

Por isso a minha escolha deste ano foi uma palavra, em inglês, visto que o correspondente em português não tem a mesma carga, que é: BECOMING. Sinto que reúne todas estas especificidades e me dá um bom feeling para o avançar das coisas. Vou empenhar-me e fazer reflexões mensais sobre a minha relação com a minha palavra, e levar esta intenção pelo ano fora. Já tenho um board no Pinterest para continuar a pensar activamente na minha palavra e como me pode motivar. 

No final de 2017 quero poder olhar para trás e traçar o meu percurso com um resultado positivo e com a sensação que construí uma parte importante de mim. 

E agora vocês… Alguém desse lado já experimentou escolher uma palavra para o ano? Faz-vos sentido ou acham isto um bocado pateta? Se escolheram, sintam-se à vontade para partilhar comigo, adoraria saber mais…

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Gostava mesmo de saber como começar a escrever este post. A verdade é que quero retomar o blog, quero voltar a partilhar o que penso e o que faço por aqui, mas não sei bem por onde começar. Estive afastada muito tempo e isso atrapalha a fluidez da conversa.

Coisas rápidas, para começar…
Comecei o novo ano cheia de boas intenções e vontades. Mais uma vez não quero cá fazer resoluções, comprometi-me a fazer pequenas coisas, uma de cada vez, sem pressas e sem delinear objectivos, porque 2016 foi demasiado duro neste aspecto. Tive um burnout e assustei-me a sério com a falta de motivação, pelo que agora estou a deixar que a vontade surja organicamente.

Há qualquer coisa de refrescante em deixar-me levar pela maré e não levar as coisas demasiado a sério, tem sido muito interessante descobrir-me e encher-me de intenção a cada passo. 
Por isso comecei o ano de 2017 com o Unravelling the year da Susannah Conway e com um pequeno (e fácil) DIY, que me espevitaram a motivação e me fazem sentir que sou capaz porque… Estão feitos!
Podem espreitar os meus próximos passos (enquanto não desbloqueio completamente por aqui) no Instagram e no facebook do blog. Prometo que ando mais assídua. Já postei 3 vezes este ano! 

E o blog fica assim novamente aberto e pronto a escrever mais algumas páginas da minha vida. 2017 promete ser bom.
Ainda não é tarde para vos desejar um bom ano e coisas boas para os próximos… 342 dias. Enjoy!