quinta-feira, 1 de setembro de 2016

TB thursday... those vacation days

Custou-me um pouco retomar o assunto das férias. Talvez porque estão imbuídas de uma tal aura de doçura e sossego que não as quero desfiar demasiado em palavras. Apenas quero relembrar o que senti. Férias em duas partes, lado A e lado B, Norte e sul, passado e presente, cheias de momentos mágicos e dias quentes de moleza.

Primeiro a Sul, pelos sítios da minha infância, a minha terra pela primeira vez em anos, na costa ocidental, a apanhar sol, a relembrar como é acordar com o cantar do galo, a percorrer os mesmos trilhos familiares num misto de felicidade e melancolia. Uma primeira parte entre família e amigos, numa espécie de regresso ao passado, mas ao mesmo tempo com a sensação de que uma nova tradição talvez esteja a começar. 



Houve um dia em que o sol não apareceu e estava tudo coberto de neblina. Não resist e saí à rua de pijama e casaco por cima, a fotografar tudo o que encontrava. Adoro estes dias, o mundo parece parar  no silêncio e no sossego e há magia no ar. Parecia um dia de outono, só para mim. À tarde fez-se sol e a praia estava deliciosa. Mas até lá... 









Na segunda parte rumámos ao Norte, a conhecer recantos escondidos, a fazer novos amigos, a comer mais do que devíamos, a descobrir a paz mesmo no meio do caos (imaginem dormir com uma feira cheia de gente e barulhos e carrinhos de choque mesmo à beira de janela e está demasiado calor para fechá-la). Não há palavras para descrever a maravilha que é o nosso país, e mesmo no caos do inferno dos fogos há beleza única e perfeita. Os dias souberam a pouco, mas acabámos entre família e amigos, consolados pelos sorrisos e boa comida.










Todos os dias vimos focos dos fogos, passámos por neblinas densas de fumo. No meio da incredulidade de ver o nosso país a arder, a verdade é que o fumo transformava a luz numa envolvência laranja. Não pude deixar de parar para fotografar.



 (como viram, andei entretida a desenhar por aí...)


Regressei a casa numa paz que durou vários dias. Há algures ainda o eco dessas férias, desses dias de calma e alegria. Guardo-os comigo, para enfrentar os dias que aí vêm. 
A vida real já começou, e já há novos obstáculos a vencer e dias a correrem à velocidade da luz. 

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

No time

Não tenho tempo para escrever. Não tenho mesmo. Por vezes tento arranhar algum tempo para teclar frases incompreensíveis nos intervalos entre uma tarefa e outra. O meu diário anda ao abandono há mais de um mês.

Estive de férias e regressei ao trabalho com uma calma muito pouco característica em mim, e tenho levado os dias da melhor forma possível. Noto este ano uma grande diferença entre o antes e o pós-férias pela primeira vez na vida. Parece que um qualquer vórtice temporal se impôs e nas duas curtas e básicas semanas de agosto em que fui arejar pelo país fora, o tempo deixou de ter significado e a minha cabeça pôde mesmo fazer reset. Finalmente. 

Acabei de ter um fim-de-semana produtivo como não me recordava. Seja na manutenção da casa e da limpeza, da organização dos meus dias, mas também de ver finalmente a renascer a vontade de criar coisas, de repensar a casa, de criar as minhas peças decorativas, para ver as minhas ideias a ganhar forma. Fui aos tecidos pela primeira vez em mais de dois anos. Já não me lembro de uma série de coisas relacionadas com a costura, mas há poucas coisas que me potenciam a imaginação tanto quanto o tecido. Inicialmente só queríamos o suficiente para estofar os assentos das minhas cadeiras, mas abusámos da quantidade  outras ideias começaram a surgir, para aproveitar o excesso e rentabilizar os gastos. Os meus dedos quase que conseguiam sentir novamente o tremelicar da máquina de costura e consigo perfeitamente imaginar o que quero fazer. E tenho uma sorte enorme em ter a pessoa que tenho ao meu lado, que puxa por mim e me ajuda, aliás, que nem me dá muito tempo para pensar (por vezes compro materiais e hesito na hora de avançar), antes que eu desse conta, já ele andava com o assento da primeira cadeira na mão, a sacar agrafos e a tirar o tecido anterior. E antes que eu pudesse pensar duas vezes, andávamos de agrafador e martelo em punho, a esticar tecido, agrafar e martelar, e a fazer nascer uma cadeira nova em pouco tempo.

Tenho andado deliciosamente ocupada para além de tudo isto. Trabalho dentro e fora de casa, sou a dona de casa e a designer, e aquela miúda sonhadora de livro em punho. Ando a aproximar-me cada vez mais de mim, de quem sou e quero ser. Começo finalmente a reconhecer-me depois de alguns meses de confusão e desorientação.
A vida não ficou mais fácil, pelo contrário, há novos problemas com que lidar e batalhas a lutar. Algumas delas dentro de mim mesma. Mas a convicção de que sairei vitoriosa liberta-me de um peso inacreditável. 
Agora só gostava de vir aqui mais vezes, de verdade. Todos os dias penso em como poderei escrever mais, contar histórias do meu dia a dia, falar das férias…  Ainda não deu, por isso conto com a vossa paciência e apareço sempre que puder.
 Devo-vos algumas fotos das férias e mostrar alguns lugares maravilhosos que visitei por este Portugal fora. O próximo post será repleto de imagens e memórias desses dias, fica combinado.
 Uma boa semana a todos.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Aquelas coisas que aprendemos

A minha mãe começou a namorar o meu pai quando tinha 14 anos. Era portanto uma miúda, mas apaixonou-se e manteve-se com ele ao longo da vida toda. Sempre achei a história deles muito bonita, e o amor deles muito comovente a vários níveis.
No entanto não é sobre os meus pais que vou falar hoje.
Dizia eu que a minha mãe tinha 14 anos, e começou a namorar com o meu pai num Carnaval, portanto, algures em Fevereiro. E, obviamente, isto tornou-se uma distração e no segundo período as notas dela baixaram.
Quando ela recebeu as notas em casa pela altura da Páscoa, a minha avó, como será de esperar em muitas mães ou pais, zangou-se e desatou a barafustar com ela e a ameaçar castigos. O meu avô manteve-se silencioso durante o monólogo da minha avó, a minha mãe de cabeça baixa, envergonhada, a balbuciar desculpas. O meu avô, o homem que mais admiro à superfície da Terra, depois da minha avó se ter calado limitou-se a dizer: “filha, sei que te distraíste e as coisas não correram bem, mas eu sei que tu vais conseguir dar a volta e que vais ter melhores notas no 3º período”.
A minha mãe contava-me esta história tantas vezes a sorrir porque “uma coisa é gritarem contigo, e tu sentes-te com vontade de ripostar e contradizer, outra é darem a entender que têm confiança em ti, e aí não tens outra hipótese senão corresponder ao voto de confiança”.
Esta história é ainda hoje muito importante para mim. Porque funciona a muitos níveis. É claro que dar castigos ou levantar a voz é por vezes inevitável quando se educam crianças. Mas e quando já não são crianças? Esta atitude do meu avô, é, para mim, uma excelente lição de parentalidade, consciente de que cria seres humanos, decentes e capazes de tomar as suas decisões, de se responsabilizarem pelos seus actos.
Para além de que é um exemplo fantástico de liderança. O meu avô, sem querer e sem educação neste sentido, parece-me por vezes um guru ao nível do Simon Sinek. :)
Lembro-me desta história com frequência quando reflicto sobre estes assuntos. Porque há que saber largar o controlo de algumas coisas e simplesmente confiar, especialmente se lidamos com pessoas. E todos os dias lidamos com pessoas.
Hoje pensei muito nisto e só me faz sentido partilhá-la convosco.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Untitled


Já comecei a escrever vários posts nestes últimos meses que justifiquem a minha ausência. Depois de despejar em várias páginas de texto em que desenvolvo diferentes linhas de pensamento chego sempre a uma conclusão muito simples: Estou esgotada. E não há como contornar ou evitar o assunto. Percebi que cheguei ao limite das minhas forças quando passava a vida a sentir-me cansada e de repente esse cansaço transformou-se em desinteresse, desapego e por muitas vezes, tristeza. Parece que me perdi, que já não sei muito bem quem quero ser e o que quero fazer da vida. Este foi o primeiro ano em que fiz anos e não tive bolo ou velas, nem vontade de pedir desejos.
Isto nunca me tinha acontecido. Tenho MESMO dificuldade em fazer os malabarismos do dia-a-dia. Há momentos em que sem saber bem como, perco as forças, o ânimo e a capacidade de pensar sequer. 
Por isso ando em modo pausa até recuperar a vontade.

Cada dia tem sido um processo interessante de recuperação e descobertas em relação a mim própria. Agora, mais do que nunca ando a aprender a ouvir o meu corpo. Ando a abrandar o ritmo, a dar-me tempo para pensar, a tentar perceber quem quero ser e quais os meus próximos passos. E isto tem sido um processo algo solitário mas extremamente enriquecedor. Ando a aprender imenso acerca de mim mesma, do funcionamento da minha cabeça, os meus medos, o que me move, e acima de tudo, a ter paciência comigo própria. (Ajuda imenso ser Verão, porque o próprio ritmo dos dias ajuda a libertar algum espaço mental e a deixar algum tempo para viajar na maionese)

 Depois de alguns dias mais negros em que tive de aceitar que já não dava, de ter cedido, de ter pedido ajuda, começo a recuperar um pouco, sempre cautelosa porque ainda não sei avaliar as consequências de baixar as guardas, mas acredito que o pior já passou. :)
 Estou a partilhar isto, não só para justificar a minha ausência, mas também para deixar aqui espaço aberto ao diálogo. Tenho saudades deste blog e tenho saudades de estar mais presente, saudades de escrever, mas senti-me paralisada por muito tempo, já não sei como levar isto para a frente. Vamos considerar este post como um desbloqueador de conversa, e espero que vocês tenham opiniões, experiências que queiram partilhar comigo e acompanhar-me nesta fase do percurso. 
 Neste momento já só penso nas férias (faltam duas semanas certinhas) e vou voltar às origens, o que me enche de boa expectativa e pensamentos felizes. Por aí já há férias no horizonte? Ou estão a meio? Ou não tiram férias de todo nesta época?
Ainda sem datas marcadas, sem compromissos de maior, tenho só de acrescentar que é bom estar de volta, que penso no meu cantinho quase todos os dias e espero que vocês ainda me visitem e passem por aqui. Mesmo que o optimismo e o entusiasmo sejam mais raros.
Uma boa semana para todos!