quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

It's out there

Sempre fui aquela miúda estranha. A geek, com um sentido de humor meio esquisito, que suscitava vergonha alheia e vivia com o nariz enfiado nos livros. Soube durante muito tempo o que é ser carta fora do baralho, e recordo-me da sensação estranha que foi, no 9º ano perceber que fui a única a ir para artes. E essa decisão foi o primeiro passo que alguma vez dei em direcção à liberdade e afirmação de quem sou. Essa decisão salvou-me a vida, deu-me força para perseguir o que quero e gosto (e pensar que estive tão perto de escolher letras).
Passados tantos anos, já dei vários passos, não sem a sua dose de tropeções, e apesar de ter criado o meu espaço, ainda me sinto, orgulhosamente, a carta fora do baralho.
E aqui, no meu novo projecto que hoje diz olá ao mundo pela primeira vez, e muito bem acompanhada por 4 meninas fenomenais sei que tenho algo a dizer, e que a minha voz faz sentido em algo tão bonito e fora do comum. Não, não somos um site de casamentos, somos 5 miúdas a abrir os braços a todos os casais que querem que o seu dia seja uma opção sua, não uma festa espartilhada em tradições. A criar e dar espaço para que quem quer fazer algo diferente não se deixe levar pelas críticas alheias. Para que a sua voz seja ouvida, sem preconceitos. Um espaço para a arte, para as decisões em nome-próprio, para as cartas fora do baralho viverem o dia mais feliz da sua vida. Clichés à parte.
Venham visitar-nos, gostem-nos, inspirem-se. Vai merecer a pena a viagem.

Nada me preparava para o que ia acontecer hoje depois de postar este texto no facebook. Uma semana mal dormida desde domingo, muito trabalho, nervos, entusiasmo e dedos cruzados. Na terça-feira apontávamos os últimos detalhes e eu preparava febrilmente imagens teaser para o facebook. Hoje de manhã, pelas 9h, cheias de entusiasmo, eu es outras 4 meninas mudámos as fotos de perfil, tiradas pela maravilhosa Marta. Esta foto, com este texto, abriu as portas para algo que eu não esperava: uma onda de carinho sem precedentes, um chover de comentários e boa energia como nunca tinha experimentado. 

Sentia a circulação a pulsar em cada canto do corpo, toda eu formigava. Foram 3 meses de trabalho de bastidores, de reuniões loucas, de risota e de partilha de mil ideias. Foram 3 meses de preparação para que hoje pudéssemos dizer olá ao mundo.
E assim nasceu o Sweet Rebel Bride, no meio de amor, euforia e tanta agitação digital, tanta partilha. Pessoas com quem não falava há anos felicitaram-me, partilharam, foram lá e deixaram-me tão feliz. Foi algo sem precedentes.
Mas não podia de deixar vir aqui, deixar as palavras que ainda não consegui deixar no facebook. Estou de coração cheio. Não há como agradecer cada palavra de apoio e carinho que deixaram, não há como explicar a emoção que senti. Foi uma experiência maravilhosa, e em dias tristes ou quando a motivação falhar, hei-de relembrar como foi este dia e tudo vai ficar bem. Só por isto valeu a pena. E sabe-se lá o que vem daí...
Foi mesmo um dia em cheio. 



Uma coisa maravilhosa neste projecto? Há sempre um lado nosso, meu e das outras meninas, que faz sentido. Há espaço para todas, para as nossas especificidades, para as nossas personalidades. E acredito que temos algo de muito bom em mãos, e com o tempo, há-de abrir espaço para muita gente criativa e com vontade de fazer coisas diferentes. 
Acompanhem-nos nesta nova aventura, acredito que vai ser memorável. 

Espreitem-nos por aqui:

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

5 blogs internacionais para seguir

Ultimamente tenho dado por mim a pesquisar pela net fora feita louca. Esta coisa de participar num projecto novo (está quase quase cá fora, na devida altura conto tudo) e de ter algumas limitações no acesso à net no local de trabalho obrigaram-me a ser mais inventiva nas minhas buscas quando tenho tempos mortos. Aos poucos sigo sites mais especializados e trato cada vez mais o Behance e o LinkedIn por tu. E de tempos a tempos dou por mim a descobrir alguns blogs internacionais que de outra forma não me passariam pelos olhos e merecem a pena ser destacados e fazer parte da minha lista de visitas diárias.

Design is Yay


A blogger com o nome mais engraçado com que alguma vez me deparei, Wita Puspita (sim, parece que é mesmo o nome dela). Esta designer chinesa, que passou pelas Filipinas e mora na Austrália tem um dos blogs mais criativos e easy-going que me lembro de ver. Quando o descobri, fiz algo que não fazia há uns bons 5 ou 6 anos, fui ler os arquivos do blog desde o início… É uma bomba de inspiração e boa energia e está recheado de freebies. Merece a pena espreitar.


Oh so beautiful Paper



Blog de lifestyle cheio de projectos DIY com muito bom gosto, fotos maravilhosas e é uma óptima fonte de inspiração por si só. Parece-me ter um foco especial em estacionário, mas o que me inspira acima de tudo neste blog são mesmo os cocktails… 

The crafted life


Aposto que já muita gente conhece este, e o nome não me era estranho, mas pela primeira vez dediquei-me a olhá-lo com mais atenção e fiquei rendida. Acho que ando fascinada com estes blogs simples e coloridos. E ao olhar para isto ando cada vez com mais vontade de voltar a fazer alguns DIY’s… 

Lark & Linen


Blog de design de interiores e lifestyle. Há algum tempo que não encontrava nada de novo que me enchesse o olho nesta área. Adoro o look simples e depurado e está repleto de fotos bonitas e de inspiração bem catita. Check it out! 

Lisa Glanz


Encontrei esta artista no Behance por acaso e adorei. Tenho pena de não actualizar o blog com frequência, mas é uma bela fonte de informação e inspiração. E graças a ela já comecei a pesquisar novos métodos de trabalho que me serão úteis em tantas outras coisas.

Ficaram curiosos com algum?  

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

London time!

Tenho a sensação que tenho sonhado com Londres todos os dias. Nada de muito elaborado ou exaustivo, é mesmo só a impressão que fica ao acordar, uma vaga lembrança de passear nas ruas da cidade, de me sentir no meio daquela arquitectura e ambiência. 


Acho que não preciso de dizer que a viagem correu maravilhosamente bem. Num espirito de turista, sem dúvida, mas de alguma forma, perfeitamente misturada no ambiente da cidade. O que senti em Londres, acima de tudo, foi uma familiaridade enorme, não só por poder ver ao vivo e a cores os cenários e pontos-chave que conheço dos livros e filmes desde a infância, mas porque de alguma forma, tudo por lá me fez lembrar tantas coisas minhas, de outras viagens, de outros tempos. Londres tem de tudo, faz-me viajar no tempo e no espaço… e na maionese. Na catedral de S. Paulo quase esperava ver a senhora dos pombos a vender os saquinhos de migalhas (quem não conhece a referência, é da Mary Poppins, mas já agora vejam que merece sempre a pena).


O passeio começou logo durante a tarde de sexta. Fui ao meu muito desejado, Portobello Market. Perdi a conta às vezes que cantarolei a música “Portobello Road” daquele filme da Disney Bedknobs & Broomsticks (mais uma vez, um clássico que merece a pena), e me perdia pelas ruas, pelo sossego (porque era sexta e chovia), pelas lojas e pelas cores. Desejei poder entrar num café, lanchar a ver o movimento na rua, e ficar ali horas intermináveis simplesmente a aproveitar. Mas não havia tempo. Ainda calcorreei algumas ruas de Notting Hill, maravilhada com aquele ambiente tão característico e terminei o dia em Hyde Park, a percorrer os caminhos vazios e a ver o céu escurecer, visitar a estátua do Peter Pan e voltar a sonhar com a minha personagem preferida da literatura, e a fazer uma larga caminhada por South Kensington até ao hotel (não muito longe dali), espreitando lojas e tirando fotos pelo caminho.





No sábado comecei em Buckingham, desci até Trafalgar square e espreitei a National Gallery e suspirei com tanta obra de alguns dos meus artistas favoritos. De seguida foi a vez do parlamento, vi o London eye, passeei por Westminster, subi até Baker street para visitar a casa do Sherlock Holmes. Percorri mais um boa parte da cidade até Oxford street e Picadilly Circus, espreitei Chinatown e a M&M store. Bebemos uma Guiness num pub e terminámos o dia num restaurante marroquino onde uma bailarina com um peito de um tamanho proibitivo, dançava a dança do ventre. Aquilo é hipnótico!



(um esquilo em St. James's Park... irresistíveis)



(a mesa de cabeceira de Mr. Holmes) 

Domingo passei pela Tower Bridge e a Torre de Londres. Viajei no tempo e passei por Whitechapel na trilha do Jack the Ripper, e fui a Camden e rendi-me. Não sem antes passar por King’s cross e pelo carrinho do Harry Potter, prestes a apanhar o Hogwarts Express. Terminei o dia passando rapidamente pelo Harrods, visita curta essa porque os meus pés precisavam de descanso urgente. 





(fish and chips anyone?) 





Se no domingo estava de rastos, na segunda já estava preparada para mais e, para as despedidas ainda fui à catedral de S. Paulo e passei pelo bairro de Chelsea, em parte para ver o estádio, porque o homem vive e respira bola e tinha de aproveitar. Há sempre coisas que ficam penduradas, mas certamente que vou voltar. Várias vezes, se puder. 

O último dia deixou ainda mais saudades, porque, com (quase) tudo visto, pudemos finalmente caminhar com calma e sem destino e aproveitar a cidade com outro ritmo. Tinha passado a ganância de ver tudo porque não havia tempo. É curioso como me parece que tanto no primeiro dia como no último é que as viagens são realmente aproveitadas, são aqueles momentos em que levamos as coisas com calma e deixamo-nos envolver pelo ambiente da cidade, sem seguir escrupulosamente o mapa ou a lista. No primeiro dia há muito tempo pela frente, no último não há nenhum. E ambos traduzem-se em passeios mais lentos e tranquilos.

Londres superou todas as expectativas. Fui-me embora com uma melancolia enorme porque ainda não estava preparada para regressar, e isto não acontece em todas as viagens, normalmente fico logo com saudades de casa. Hoje faz uma semana que lá cheguei, acho que teria ficado lá mais alguns dias senão indefinidamente, mas estou feliz com esta pequena experiência, e na esperança de repetir a viagem e ter todo um novo leque de experiências por viver. Podemos sempre continuar a alimentar sonhos e viagens, ou sonhos de viagens...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Mudar alguma coisa

Como já disse antes, este ano decidi não fazer resoluções de Ano Novo. Há uma parte de mim que ainda acha tudo isto muito estranho, não ter as linhas-guia que me encaminhem as intenções, mas como sei que o mês de Janeiro é sempre aquele mês de ajustes e adaptações (e por vezes, frustrações), tenho aproveitado para repensar com tranquilidade naquilo que realmente quero para 2016 sem pressões. E ando a chegar a conclusões e a ideias interessantes que ando a por em prática, que, sem querer, me andam a dar uma direcção em alternativa às resoluções.

Não sei se vocês conhecem e fazem também, mas eu gosto muito de preencher o Unravel the year ahead (já falei dele aqui). Ajuda-me imenso a estabelecer uma intenção para o ano, através de uma palavra. Ainda não terminei de preencher porque fiquei bloqueada na palavra do ano até que percebi que, ao contrário de outros anos, não ando em ânsias para riscar tarefas, atingir objectivos, cumprir as resoluções. Percebi que tenho apenas uma decisão e essa decisão levou-me à minha palavra, que será “abrandar”. Cheguei à conclusão que a maior causa dos meus males, o que preciso de trabalhar em mim acima de tudo é dominar os nervos, falar mais devagar, pensar antes de agir, e focar-me mais. E ser paciente comigo mesma ao mesmo tempo. Por isso abrandar serve-me como uma luva. Não vou deixar de ser uma miúda ocupada, por isso tenho de lidar com o que tenho, quero saber quando e como parar (ou avançar), organizar-me para que tudo se desenrole com naturalidade e menos esforço, quero poder dar prioridade ao que é realmente importante e aos poucos, mudar aquilo que preciso.

No entanto, encontrar uma palavra não é tudo. Esta ajuda-me a definir a intenção, mas eu continuo a precisar de perseguir objectivos. Só que talvez de outra forma que não me obrigue a estar todos os dias a fazer um controle frenético da minha lista de tarefas, a desorientar os meus horários e rotina e a arranjar lugar ao stress quando não chego onde quero quando quero. A ideia seria eliminar, pelo menos para já, o “quando”, e dar-me alguma liberdade de encontrar o que funciona para mim.

Encontrei esta semana este post no Zen Habits sobre criar pequenas regras em vez das resoluções. É engraçado que antes de lo ler já tinha pensado em fazer precisamente isto. E vai completamente de encontro à minha orientação de abrandar e ser paciente comigo ao longo do ano. A ideia é bastante simples, em vez de determinar objectivos e projectá-los e definir datas e listas de tarefas, a ideia será apenas criar regras que nos hão-de levar lá. É assim um processo ao contrário. E gosto muito da forma como ele propõe de irmos acrescentando regras aos poucos, de duas em duas semanas, devagarinho e de uma forma natural.
Estou entusiasmada com isto. Já pensei em algumas que quero começar a implementar, mas acho que vou começar a segui-las mais a sério quando voltar de Londres (já só falta uma semana! Yey!). 

O ano começou com notícias tristes e dias cinzentos e aborrecidos. Mas os dias estão a começar a tornar-se maiores e mais promissores. E aquela velha vontade de fazer coisas, está a crescer. Devagarinho chegamos lá… :)