Há dias assim, em que só apetece fugir à realidade, dias em que o meu computador, o escritório, o meu trabalho, o meu eu profissional não são mais do que meros cenários compostos de adereços ocos e eu uma personagem com a profundidade de uma poça na praia.
Eu antes era sempre assim, desligava-me, perdia a ligação ao que se
passava para me encontrar em mundos fantasiados, em enredos complexos e
em identidades tão díspares da minha. Agora esses episódios são menos
frequentes. Por vezes sinto que isso significa que me acomodei à vidinha
normal, que estou quebrada e rendida à realidade.
Mas depois relembro que a minha realidade em tempos foi um sonho. Que eu conquistei. Claro que nem tudo aconteceu como eu planeei, mas dá muito mais gozo aprender com o inesperado, e descobri que também já não preciso de recomeçar do zero para poder sentir que ando para a frente.
Não fujo, não porque estou acomodada, mas porque me viciei neste processo, porque a realidade, construída de sonhos, me ajuda a construir outros.
Mas hoje, só hoje, apetecia-me. Perder-me em mundos inventados, criar uma nova identidade, deixar a realidade em suspenso só um bocadinho. Pela primeira vez em muito tempo estou com a segunda-feira entalada e só me apetece estar longe. Apetecia-me criar um mundo à parte e hoje estar por lá.
Como o da
Kirsty. Já falei dela
antes e continuo a maravilhar-me com este mundo. Ela sim, perdeu-se num mundo de fantasia e partilha-o todos os dias com toda a gente. Agora que sei que ela está a preparar finalmente o livro, mal posso esperar por me perder, perdão, encontrar... por lá.
Boa semana