sexta-feira, 8 de maio de 2015

Espreitar um guarda-roupa com 50 anos

Dizem que é uma característica intrínseca do signo Caranguejo, uma paixão pela História. Eu nunca fui uma brilhante aluna em História, mas sempre adorei percorrer castelos, igrejas, espaços mais antigos que o tempo e imaginar como seria a vida nos tempos em que foram erigidos. Mas mais do que a História Universal e Antiga (que adoro), ainda fico mais interessada naquela pequena História, aquela que faz parte da minha vida, ou da minha família. Toca-me mais olhar para um espelho onde sei que a minha bisavó se penteou do que entrar numa igreja medieval. Ou ver fotografias antigas de pessoas que nem conheço do que ver quadros de fidalgos. Adoro saber mais das vidas dos meus antepassados, daqueles que nunca vi e daqueles que conheço. Todos os dias pouso as chaves na máquina da costura que foi da minha bisa e penso no que já terá aquele objecto tão simples testemunhado.

Por isso não é de estranhar que quando vi esta notícia e vi as fotografias uma parte de mim se tenha comovido profundamente. 




(fotos de Ishiuchi Miyako)

Adoro a Frida Kahlo, o seu estilo, o seu percurso, a sua genialidade que a tantos níveis ajudaram a moldar muitas gerações de mulheres. Gosto de olhar para a mulher, que usou a artista para comunicar a sua dor ao mundo. E ao ver os seus maravilhosos vestidos e objectos que fazem parte da vida de qualquer mulher (frascos de verniz!), utilizados, desgastados pelo tempo, fechados durante anos até poderem ser vistos por nós.
A última vez que foram usados, foi ela quem os usou, a última vez que tinham visto a luz do dia, foi quando ela abria a porta do seu roupeiro. Os nossos objectos contam aquela história que ninguém conhece, e parece que morrem connosco, quando vamos. A roupa parece estranhamente vazia e oca sem ela. Mas ela está em tudo o que vemos.
E não consigo ficar indiferente a este testemunho vivo de História, com H grande, porque para mim, cada vida, cada pedaço de cada pessoa tem sempre um mundo de histórias, que se contam, que ficam perdidas no tempo. E aqui resgatamos um pouco desse tempo perdido. É maravilhoso.

Bom fim-de-semana de calor pessoal.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Duas coisinhas

Não escondo que as 4ªs feiras são o meu calcanhar de Aquiles. É mesmo aquele dia da semana que não gosto, não me entusiasma para nada, nem tendo um treino que adoro à hora de almoço (mas que me rebenta toda), nem sabendo que quando chego a casa a maior parte da semana já passou. Mas claro que há coisas boas que acontecem às 4ªs feiras. E hoje tenho estas duas que acho maravilhosamente humanas e bonitas. São aquelas coisas pequenas e simples que nos restauram a fé na humanidade. Afinal, as coisas boas podem ser tão pequenas quanto isto.

A primeira, tecnicamente descobri ontem à noite, foi a resposta que a JK Rowling deu a um fã no twitter, e achei que foi das coisas mais deliciosas que já vi. É engraçado que sempre a achei um pouco pedante e desligada, mas a verdade é que no twitter ela tem tido sempre uma capacidade enorme de comunicar com os fãs e seguidores (seja para se defender, como para apoiar alguém, como neste caso).

Vejam só o pequeno diálogo:



Não é uma coisa para lá de fofinha? Definitivamente tenho de começar a prestar mais atenção ao twitter daqui para a frente.

A segunda coisa, já partilhei hoje na minha página do facebook e achei absolutamente brilhante. Já vivi demasiado perto o cancro, mais do que uma vez, e o peso que tem sobre os doentes e sobre quem está por perto é esmagador. Nunca há palavras para descrever o que se sente e o que se pode dizer aos doentes, até que a Emily McDowell, sobrevivente de cancro, decidiu criar postais com as coisas imperfeitas que podes dizer, e porque não? Para mim isto faz muito mais sentido do que dizer aqueles clichés vagos de "as coisas acontecem todas por uma razão", ou "deus escreve direito por linhas tortas". Seguem os meus preferidos, mas podem ver mais aqui.





E boa quarta feira para todos!

domingo, 3 de maio de 2015

Lazy sunday

Eu sei que ansiamos pelos dias de calor e praia, tardes preguiçosas na esplanada, mojitos numa noite quente, mas estes dias chuvosos de primavera têm qualquer coisa (e não são alergias, pelo menos por enquanto). 
Hoje foi um daqueles dias raros. Um dia de calma e sossego como os domingos devem ser. E fiz um pouco de tudo, trabalhei, desenhei, escrevi, fotografei, cozinhei. Um domingo em que me senti mais eu. Foi tão bom, merecia ser partilhado. Se todos os fins-de-semana tivessem três dias aposto que estes domingos seriam mais frequentes. 
Resta agora começar a semana com esta paz e tranquilidade no espírito. Boa semana para todos e bem-vindo maio, o mês em que a (esperemos) a Primavera trará mais sol e calor.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

3 coisas que aprendi em 3 meses a viver sozinha

(imagem daqui)

Pois que Abril está a chegar ao fim e comecei a fazer contas de cabeça. Apercebi-me que estou há 3 meses nesta aventura de morar sozinha e claro que tinha de fazer uma retrospectiva da coisa. E por muito que tenha sido algo que sempre quis fazer, e mesmo não me assustando com as responsabilidades que a independência traz, tive muitos momentos daqueles de bater mesmo no fundo, equiparados com momentos de pura euforia. Uma montanha-russa emocional. Acho que faz parte, nos primeiros tempos e depois como tudo o resto, encarrila e torna-se mais simples. E aqui ficam as lições que já aprendi nestes dias...

1. Organiza-te, ninguém vai fazê-lo por ti. 
A roupa está suja? Há bolas de cotão a acumular-se nos cantos da casa? Cozinhaste qualquer coisa complicada e agora a cozinha está do avesso com loiça a pingar gordura? Pois, tens bom remédio, se queres ver as coisas limpas e arrumadas, fá-las tu, ou vive numa pocilga (não é opção). Eu sempre fui moça de gostar de fazer eu as coisas ("se queres algo bem feito, fá-la tu mesma"), mas rapidamente trocava esta minha convicção por uma alma caridosa que me fizesse alguma destas tarefas. No entanto, com o tempo ando a aprender a fazê-las de forma parcelada, sem me aborrecer muito, sem ocupar muito tempo. Num dia passo a ferro, noutro cozinho aos montes para a semana toda, noutro aspiro, noutro limpo a casa-de-banho... enfim. Uma calmaria.
Há que conhecer os limites e por vezes fazer concessões. Isto implica também abdicar do perfeccionismo. Há dias em que pura e simplesmente não faço algumas coisas e deixo para depois, não morro por isso e não destabiliza assim tanto o equilíbrio da coisa (não dobrar a manta ou ajeitar as almofadas do sofá, não arrumar alguma roupa, desde que não seja muita... não me mata deixar isso para o dia seguinte).

2. Nada de panicar. Tu consegues.
O primeiro mês foi assustador. Apesar de ter feito as contas mil vezes, duvidei muito que conseguisse manter a estabilidade financeira. O peso da responsabilidade esmagava-me, e pela primeira vez na vida tive de reconhecer que teria que fazer alguns cortes radicais no meu estilo de vida. Cortar no que não é essencial, sem deixar de o fazer completamente para não endoidecer (refeições fora, copos com amigos, roupa, etc., tudo isso foi reduzido ao mínimo possível, sem sacrificar a minha vida social), saber rentabilizar a comida que compro, aproveitar promoções, não desperdiçar recursos... enfim, ando a fazer de tudo para que os gastos sejam equilibrados e feitos com critério. Este mês já tive uma agradável surpresa, e acredito que saberei poupar ainda mais. Veremos o que me reservam os próximos tempos.

3. Aproveita cada bocadinho.
A verdade é que passo mais tempo fora de casa do que dentro, pelo que, já que fiz uma mudança grande de estilo de vida, já que fiz o investimento, tenho de a aproveitar ao máximo. Isto tem muito a ver com a primeira lição. Não me desgastar demasiado em tarefas domésticas e simplesmente aproveitar a casa.  Ver tv embrulhada em mantas e a comer chocolates (de vez em quando acontece), ler no sofá numa tarde de domingo, cozinhar coisas boas com toda a calma e dedicação, receber amigos... Enfim, fazer da minha casa um sítio para se estar bem.
E enquanto vou intercalando os momentos de descanso e ronha com as tarefas, também todo o trabalho que vou tendo em casa se transforma num prazer. Vou arranjando tempo para tudo, simplesmente, uma coisa de cada vez. E sabem que mais? Há mesmo tempo para tudo.

Acredito que tenho ainda mais lições se andasse a pesquisar a minha mente inquieta, mas estas três destacam-se. Há alguém com experiência nestas andanças que queira partilhar uma lição semelhante ou conselhos? São sempre bem-vindos.