Este blog anda com uma crise existencial de todo o tamanho. Ando há muitos dias quase a escrever, quase com ideias para posts, quase com vontade. E tenho reflectido muito sobre o que quero fazer com o blog e porquê. Numa fase em que a blogosfera evolui para marcas e negócios, em que há um foco no lifestyle e na qualidade dos conteúdos que se produzem, em que cada vez mais damos a nossa cara, abrimos as portas das nossas casas, e para as nossas vidas, confesso que me senti perdida nos meus objectivos. Nos primórdios da minha blogo-experiência, o blog era uma brincadeira, uma maneira de me manter em contacto, de dizer o que penso. E hoje fui pescar ao meu defunto blog, "A sequela", um texto que fiz sobre esta temática há cerca de dois anos. Espreitem lá o que me passava pela cabeça na altura...
"Comecei
o meu primeiro blog em Setembro de 2005. A minha amiga S. tinha acabado
de partir para os Estados Unidos para estudar e como ela criou um blog
com comentários fechados apenas a users para fugir ao spam, e eu criei
este perfil para poder comentar e comunicar mais com ela, e já que ali
estava, vá de criar um blog também. Teve tantos nomes esse primeiro
blog, mas acabou por ficar o "Pensamentos analógicos" que partilhei
inicialmente com uma pequena mão cheia de amigos, serviu de troca de
ideias entre mim e amigos que entretanto também aderiram à blogo, trouxe
algumas pessoas novas com quem ainda vou mantendo o contacto,
foi bom. Nessa altura a blogoesfera era um sítio de muito boa educação.
Lembro com saudade um antigo blogger que entretanto soube que faleceu,
cujo primeiro comentário no "Pensamentos" foi a pedir licença para
comentar... Achei um mimo mesmo. De vez em quando lembro-me dele e das
palavras da mulher dele quando nos deixou a triste notícia do seu
falecimento. Enfim, é a vida, não há nada a fazer...
Depois
cansei-me, sentia que o que eu escrevia não me ia levar a lado nenhum,
estava numa fase de desmotivação geral em relação a tudo e decidi
fechá-lo para abrir "A sequela". E aqui estou muito bem.
Se
o meu blog fosse um sítio seria um alpendre (tenho uma queda por
alpendres), com paredes de madeira branca, trepadeiras, sofás
confortáveis, onde eu posso dormir uma sesta e não preciso de trancar a
porta porque todos são bem-vindos. Há sempre comida e bebida no
frigorífico para quem me visita.
O
meu blog é também ele parte de mim, da minha personalidade, do meu
coração. Nunca tive a intenção de crescer muito (nunca publicitei o meu
blog, o máximo que faço é comentar em blogs alheios e tive sorte de
algumas dessas pessoas espreitarem e gostarem do meu alpendre), nem de
fazer do blog um instrumento de trabalho, se bem que agora vejo que
ainda é um meio bastante válido para o fazer e já penso nisso noutros
termos daí a criação do Box, onde divulgo toda a minha actividade
criativa, boa ou má, a todos os níveis, na esperança de evoluir, talvez
ganhar alguma visibilidade para dar outros passos antes impensados.
O
meu blog nunca serviu para dizer mal ou entrar em despiques (como já
aconteceu noutros blogs), e, mesmo concordando com alguns
comentários/críticas que já foram feitos a outros bloggers, nunca me deu
para aí simplesmente. E os poucos comentários maldosos que já recebi
fizeram-me mais rir do que chorar.
O
meu blog não é um blog de actualidades, não é blog de crítica, muito
menos um fashion blog. É um blog de conversa, por vezes amena, por vezes
de disparates, por vezes de reflexões e episódios diários, e por vezes
também de desabafos. Desabafos esses que são meus, acerca de mim
essencialmente, e se nem sempre digo exactamente do que se trata, é
porque também há coisas que não quero expor declaradamente.
Eu
subscrevo inteiramente o que digo no meu blog. Tudo o que escrevo vem
directo do coração, e a censura é muito pouca (por vezes já apaguei
posts por serem demasiado agressivos, lá está o cérebro a aplicar a
sensatez).
Por
isso gostava só de frisar, e esta mensagem tem um destino muito
específico, que tentar usar o meu blog como arma de arremesso contra mim
não funciona. O meu blog não é o meu esconderijo. É a minha casa,
aquela casa grande que infelizmente não tenho na vida real mas que na
virtual é suficientemente grande para todos os que me queiram visitar.
Mesmo para quem vem dizer mal. E há sempre comida e bebida no
frigorífico.
Obrigada
a quem me lê, a todos. Não sabem o que significa para mim ter visto
aquele número de seguidores aumentar com o tempo, coisa que jamais
pensei ser possível. Este blog trouxe-me tantas alegrias, são
incontáveis e só sei estar grata por isso."
Nesta altura estava obviamente incomodada com algum assédio de que fui alvo naquela altura, mas pondo isso de parte, noto que algumas coisas mudaram e algumas ainda são as mesmas. Por exemplo, continuo a sentir que o meu blog é um alpendre, onde podemos lanchar, ler um livro, escrever cartas, sonhar em voz alta, rir, desenhar, sentar-nos em silêncio a ouvir os passarinhos, enfim, o que apetecer, o que inspira, o que se sente. Mas já não ando a desabafar toda e qualquer parvoíce que me apetece (ainda vão algumas, mas são menos), acho que já não faz sentido. Mas confesso que neste momento já não sei bem porque tenho um blog. Inicialmente tinha um objectivo muito específico, agora não quero guiar-me cegamente por um objectivo apenas porque isso me parece limitar. E quero que a Box seja algo mais fluido e que vá desenvolvendo comigo, mas ainda não sei bem para onde. Creio que é um daqueles casos em que o caminho faz-se caminhando.
Haverá certamente novo post sobre isto. Afinal, preciso de uma versão actualizada a esta questão. Porque é que tenho um blog?
(Ah! E por agora, suspendo um pouco as traduções, preciso de perceber melhor a minha voz e só depois traduzi-la.)