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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Die, diet, die


Desde que me tenho como gente que a palavra dieta faz parte do meu vocabulário. Felizmente não (logo) por minha causa, mas pela minha mãe. Vi-a experimentar um pouco de tudo, em constantes dietas, a tomar comprimidos, batidos, a ir a este ou aquele médico, a desistir ao fim de menos de um mês. Este era o comportamento normal. Estar em dieta, estragar a dieta, procurar a próxima dieta. O normal para muita gente.

Eu, com 14 anos comecei a ficar gordinha. Talvez tenha sido aquela fase de mudança corporal da adolescência, mas lembro-me bem da minha médica me dizer que eu precisava de perder 3 quilos. E a partir daí começou toda uma nova fase da minha vida em que eu percebi que tinha de controlar o que comia para poder sentir-me mais digna. Lembro-me bem de me sentir tremendamente reduzida a nada porque era a gordinha. E lembro-me de pensar que talvez esse fosse o meu passaporte para finalmente ser notada, reconhecida. Não sendo eu uma rainha da popularidade, isto era assim uma coisa com algum destaque na minha vida. E assim foi, desde aí.

No entanto, nunca me senti muito confortável. Nunca levei muitas dietas a fundo, nunca gostei muito desta coisa da escravidão na comida, até porque a cada dieta, a contenção fazia depois o efeito oposto, e dava por mim a comer mais do que devia, daquilo que não devia comer, a massacrar-me por não ter força de vontade nem controlo sobre a comida. Muitas vezes olhava-me ao espelho e não achava que fosse assim tão gorda, outras, tudo era gordura e celulite. Basicamente um ciclo de tormento e culpa.

Percebi recentemente que, mesmo numa fase em que me alimentei "melhor", em que fiz dietas e até fiquei bastante tempo num registo dito "saudável", que nunca fui tão magra como gostaria. Aliás, a única vez que fui assim magra, foi precisamente numa fase em que me sentia uma merda, e de facto estava elegante e esguia, mas tinha as omoplatas a sairem das costas, o externo seco, perdi mamas e pasme-se, continuava com perna gordinha, portanto nunca iria ser uma Gisele Bündchen da vida. Não há nada de mal em querer perder algum peso, em querer seguir um estilo de vida saudável, em querer estar bem comigo mesma. Mas não sei se é uma dieta que vai conquistar isto. E chego a uma inevitável conclusão...

Eu não quero fazer dieta! 
Percebi isso depois do Gonçalo nascer, com a amamentação, com as mudanças a que o meu corpo teve de se ajustar. Epá, não me apetece! E assim dei-me permissão para parar de pensar em dieta. Maaaaaaas... neste último ano senti que perdi muito o controlo do que como, e percebi que algo mais está errado. A minha relação com a comida está muito deteriorada. Vejo tudo como comidas boas e más, sinto-me culpada ainda, continuava a ter episódios de comer este mundo e o outro. Portanto, estava na mesma, apenas não estava num plano alimentar, porque a culpa e a vergonha ainda estavam lá.
Pensei em consertar isto tudo com outra dieta, mas para além de não me sentir bem a limitar o que como ainda estou a amamentar e não sinto que o deva fazer, para além de que, tendo de fazer ainda comida à parte para  miúdo (por pouco tempo, felizmente, ele já come quase tudo o que comemos), não me ia meter a braços com mais um prato à parte para mim. Mas, acima de tudo, continuava com a estranha sensação que isso não vai funcionar comigo.

E começou de uma forma muito simples e sem grande intenção, comecei a ler sobre motivação, sobre amor-próprio, porque se queria uma mudança, queria que ela viesse de um lugar de amor e não porque estou em luta comigo mesma. Queria acalmar os meus conflitos primeiro. Aos poucos tenho descoberto, de uma forma muito orgânica pela internet fora, algumas pessoas que falam destes assuntos de uma forma que me faz sentido. Comecei a ler e a informar-me, a acenar lentamente que sim aos artigos cientificamente fundamentados que as dietas não funcionam e que andamos a lixar o nosso sistema há décadas. Se já antes admirava modelos plus-size e outras activistas do positivismo corporal, encontrei pessoas ainda mais activas nas redes sociais, na imprensa, e em blogs, que exploram ainda mais o tema e preconizam uma quebra neste ciclo interminável de ódio e guerra com o próprio corpo, e agora estou plenamente convicta que há outro caminho a seguir. O da aceitação, da permissão, da compaixão.

Quero aprender sobre alimentação intuitiva, quero saber gostar de mim, quero quebrar o ciclo e sentir paz.
E acreditem, não é fácil, não é um caminho linear, não é acordar e decidir e já está. Também exige trabalho e muito exame de consciência.  Mas há algo neste caminho que me entusiasma. Ao contrário da ideia de trabalhar em mais uma dieta, a ideia de pegar em mim e ouvir o meu corpo dá-me ânimo. Não sei ainda se e quando vou conseguir, mas ainda só estou a começar.

Por aí também lutam muito convosco mesmas? Já pensaram seguir este caminho? Tenho muitos recursos que tenciono partilhar em breve, mas gostava muito que me contassem o que pensam sobre estes assuntos.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Sobre a palavra para 2019 e o que quero para o novo ano

Confesso que ando com formigueiro desde o final de 2018, com vontade de fazer de 2019 um ano de actividade e produtividade. Depois de 2 anos de abrandamento e reclusão, em que parei com tudo o que era supérfluo e foquei-me na família e em casa, apetece-me começar a sair da casca e experimentar novamente coisas fora da minha zona de conforto.

Claro que entretanto apetece-me fazer tudo, mas ando a tentar reconhecer o que quero fazer e onde me focar para não desperdiçar energia nem voltar a procurar coisas que não têm a ver comigo (a ver se o ESSENCIAL não ficou apenas em 2018). No entanto é difícil de domar um entusiasmo parvo que por vezes me preenche. Uma coisa que percebo sobre mim, ainda me acontece tanta vez sentir-me a inundar de entusiasmo e paixão pela vida e pelas possibilidades de criar algo novo. Não precisa ser exclusivamente no início de um novo ano, claro. E gosto genuinamente desta característica em mim, quando vejo que consigo repescar aquela energia da criança e adolescente, que se deslumbra e encontra magia no mundo. Sem grandes ingenuidades, sei o que custa a vida e que as coisas boas exigem trabalho. Mas bolas, ainda bem que isto me sai naturalmente, não gostaria de fazer um esforço para ser optimista. 


Portanto, com esta vontade toda a abrir o ano, a palavra teria de significar movimento e atrevimento, mas ainda assim, saber quando abrandar e onde agitar as energias. Assim sendo e sem mais demoras, a palavra para 2019 é (Tcham tcham tcham tchaaaaammmm…) OUSAR (em inglês é tão mais dramático – DARE). Gosto do significado, ousar a sair da casca, a criar, a viver a vida que quero, a descobrir mais sobre mim, a errar. Simplesmente abrir-me para o mundo e avançar, com medos ou sem eles, em pleno. Porque há tanta coisa que fica pela metade ou pela vontade. 


Este ano, pela primeira vez, escolhi também palavras complementares, lembretes das áreas que quero focar esta palavra, ou se for preciso, abrigar-me dela (porque não vou estar em máximos sempre e também terei de ousar a descansar de vez em quando, sim, com direito a deixar a criança na escola e voltar para a casa suja para dormir ou bezerrar no sofá, se precisar). Por isso, CASA, CRESCIMENTO e CRIATIVIDADE também me acompanharão este ano. Parece-vos bem? Acham que dou conta do recado? Nunca pensei em mim como uma pessoa ousada, nem é exactamente esse o objectivo, quero garantir que consigo dar os passos para mudar as coisas e viver experiências de vida mais significativas para mim. A ver vamos se foi uma boa escolha. 


Posto isto, o que quero eu fazer em 2019? 

Como sabem (ou acho eu que sabem), eu fico-me pela palavra e não faço resoluções. No entanto há coisas que eu quero implementar aos poucos para 2019, que eu sei que quero trabalhar porque sinto essa vontade. Portanto há aqui 3 pontos que estão a ser tratados já já: 

O fim das dietas. No ano passado comecei a seguir contas de instagram do movimento Body Positive e os conceitos de alimentação intuitiva (na verdade já tinha ouvido falar disto há muitos anos, mas nunca aprofundei), sigo e leio profissionais da área que defendem estas premissas, ouço podcasts, leio livros sobre o tema. A verdade é que já não faço uma dieta desde que engravidei, escudei-me com a amamentação para não pensar nisso, mas há sempre uma voz cá dentro que não se cala de que eu devia fazer dieta e isto e aquilo. E cheguei à conclusão que preciso de mudar o paradigma. Deixar de me sentir incapaz ou pouco válida porque não tenho menos 10 quilos, a culpabilizar-me. Então ando a tentar encontrar o meu caminho aqui no meio. Não é fácil perceber como pode tudo funcionar, mas não quero mais ficar refém de dietas. Um dia escrevo sobre isto. 


Sustentabilidade. Sempre estive relativamente atenta às questões ecológicas e éticas, há muitos anos que fecho a torneira quando lavo os dentes, tomo banhos curtos, reduzo e reutilizo ao máximo o plástico antes de o reciclar. Mas ainda é pouco. Ando passo a passo, mas com alguma consistência a implementar algumas mudanças. Já comecei a usar apenas maquilhagem vegan e sem testes em animais, voltámos ao sabonete sólido lá em casa (ainda só para banhos, e só para os adultos, mas já é um passo), quero começar a usar champô sólido e o copo menstrual, uso cotonetes biodegradáveis (são de papel e ainda não são a solução ideal, mas lá chegaremos) e vou começar a usar produtos mais naturais ou feitos em casa para algumas necessidades (por exemplo, um esfoliante, pode sempre ser caseiro, gasta-se menos em embalagens e não polui tanto também). Quero estabelecer mais refeições vegetarianas em casa. Estou longe de estar a adoptar medidas perfeitas, mas uma vez que não vivo sozinha e não é fácil implementar mudanças radicais, vamos continuando a dar pequenos passos, na esperança que isto fique e se torne cada vez mais o nosso estilo de vida. 


 Alimentar a criatividade. Não é segredo que eu gostaria de abranger muito mais o que faço e começar a dar passos na ilustração e alimentar o meu portfolio e o bichinho criativo. Nunca tive um espirito empreendedor para me lançar num negócio próprio, e nem sei se esta é a melhor altura para tentar (ou se eu até quero) tal coisa. No entanto, mesmo não me atirando a pés juntos, gostava muito mesmo de apostar mais fortemente nesta vertente e que o meu blog reflectisse precisamente isso (afinal, o objectivo dele era mesmo este, mas algures pelo caminho tornou-se também o meu diário pessoal). Portanto quero desenhar mais, desenvolver competências na ilustração digital, produzir trabalho mais criativo que me desafie, escrever mais, enfim. Para já, comecei a fazer um desenho por dia (quem me segue no instagram já viu) no caderno da lifestories (já não fazia isto há anos, na altura deixei o desafio a meio, desta vez quero levá-lo ao fim), mas não quero ficar por aqui. Vamos devagarinho a ver no que é que dá. Tenho ideias em processo mas ainda não prometo nada que isto está complicado para os compromissos. 

 E este post já vai longo, aplaudo a paciência de quem me lê até ao fim.

 Será boa altura para perguntar… vocês gostam de ler estes posts compridos? Têm paciência para as minhas viagens na maionese? Ou gostavam de coisas mais curtas e grossas, mais sentido de humor e palavrões…? Os desenhos parecem-vos bem ou não vos dizem nada(mas aí confesso que mesmo que não gostem muito acho que vão levar com eles na mesma, ando no mood de partilhar)? 

Enfim, respondam se quiserem, e se vos apetecer, caso tenham uma palavra do ano, uma resolução, intenção, para dois mil e dezanove, partilhem também nos comentários, adoro saber o que se passa por esses lados. Obrigada e um bom ano!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Despedir-me de 2018



Eu sei que este post deveria ter sido escrito há mais tempo, mas isto não tem propriamente regras fixas (e atendendo à assiduidade com que escrevo este blog, ainda estou surpreendida por conseguir fazer um post de despedida do ano velho ainda só passados 2 dias no ano novo).
Não me vou alongar muito neste post, até porque se tudo correr bem, tenho coisas para escrever em breve e talvez consiga manter um ritmo mais ou menos aqui no tasco. Mas preciso de escrever sobre este ano. 

Apesar de estar a preencher o meu Unravel the year, em que muito é dedicado ao ano que passou, e ter para mim um registo, sinto que o devo fazer aqui, porque a reflexão faz parte deste blog, e também me dá um sentido de "accountability" (como é que se diz isso em português?), em que posso perceber onde estou, o que mudou, o que evoluiu, o que ficou para trás.

2018 foi um ano estranho. Para mim foi bom, no geral. Perdi a minha avó no início do ano e foi a minha maior dor, mas arrumei relativamente bem a situação, encaixei a doença que a consumiu com alguma naturalidade, aceitei a perda e percebi que ela estava também pronta para que tudo cessasse, e sabia que ela queria descansar. E sei que ela aproveitou muito a vida dela, não se privou de excessos, de falar sempre o que pensava e de viver como ela queria, mesmo que a vida não fosse exactamente o que ela desejasse e esperava. 
Quanto a mim, como já aqui expliquei, a palavra do ano ajudou-me muito a pesar os passos que fui dando ao longo do do ano. A rejeitar o que não interessava, a perceber o que realmente é importante em cada situação. Ajudou-me a vários níveis, a perceber o meu papel no emprego, a conhecer-me melhor, a superar conflitos, a perdoar e aceitar determinadas coisas. Claro que não foi perfeito, nem eu fui, mas a verdade é que senti que esta palavra foi provavelmente a mais interessante que já escolhi e foi inacreditavelmente útil.


2018 foi um ano de autoconhecimento e depuração. 
Tomei alguns passos de que me orgulho, doei cabelo e comecei alguns passos em direcção a um modo de vida mais sustentável - mais uma vez, não são muitos nem muito perfeitos, continuo a ter outras opções menos simpáticas, mas comecei a rejeitar determinadas marcas, tento reduzir o consumo de plástico sempre que posso, rejeitei palhinhas e deixei de comprar marcas de cosmética que testam em animais. Não é muito, mas são passos sólidos que tenciono prolongar e abranger em 2019 (já tenho algumas coisas em mente para começar a aplicar... baby steps).

Foi um ano em que voltei a ter casamentos para ir, vi bebés a nascer, vi gravidezes a surgir.

Foi um ano em que conheci mais pessoas nessa internet fora que pensam como eu e me encheram os dias de trocas alegres de palavras e piadas e carinho mútuo. Já há algum tempo que não sentia isto e é sempre bom ver as amizades virtuais a aparecerem e a contribuírem para a nossa felicidade.

Mas também foi um ano triste, demasiado triste para algumas pessoas que conheço e que gosto. Vi perdas absolutamente irreparáveis a acontecer, mortes demasiado trágicas, que me tiraram o chão. Assistir a isto tornou-me uma pessoa mais grata e mais consciente da fragilidade da vida e também me continua a impelir para lutar pelo que me faz feliz. 

Para 2019 quero erguer a cabeça e fazer coisas que me dão prazer e orgulho em mim mesma. Abracei o conceito do positivismo corporal e ando a fazer um esforço consciente para retirar a mentalidade de dieta do meu discurso e dos meus pensamentos, eu mereço ser feliz com o que tenho, com quem sou agora, e tudo o que eu sou é muito mais do que um corpo. 



Estou cheia de energia e optimismo para este ano. Só quero que seja um ano bom para as minhas pessoas. 

Deixei 2018 terminar com alguma calma e paz. Aproveitei os dias de férias para deixar o miúdo na escola e arrumar, preparar coisas, e renovar as minhas energias. Estas fotos foram tiradas num pequeno passeio a semana passada, durante uma manhã. Um bocadinho de natureza, ainda que seja recortada pela paisagem urbana, deu-me alento e forças para procurar o melhor. 

Em breve falo-vos da palavra que escolhi para 2019 e alguns planos e novidades que se avizinham. Obrigada por estarem aí e que seja um ano estupidamente feliz para todos.




quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Essencial

Como já disse antes, escolhi para palavra deste ano ESSENCIAL, porque no ano anterior tinha tido um tal arrombo na minha vida com o nascimento do Gonçalo, a luta que foi para amamentar e para superar um baby blues paralisante, esta palavra remetia para uma calma e análise que não costumam ser características típicas minhas, mas que precisava para compreender e aceitar as mudanças que a minha vida tinha acabado de sofrer. E ao mesmo tempo, não me perder de quem sou e daquilo que me caracteriza e do que gosto. E agora que o fim do ano se aproxima, começo a reflectir muito sobre isto, se funcionou para mim, se vivi esta palavra (e o seu significado) verdadeiramente ou se estive aquém.





O que este ano foi para mim
Pelas pesquisas que fui fazendo ocasionalmente no Pinterest e que alimentavam o meu board para a palavra (um hábito que quero continuar a manter para os próximos anos e próximas palavras), ESSENCIAL está ligado ao minimalismo, e se no início pensava em entrar numa onda de arrumação e destralhamento, não consegui reflectir minimamente esse conceito da coisa. 

O meu essencial não é tanto sobre como reduzir coisas da minha vida, mas antes o processo de estar em plena confusão e tentar orientar-me se quero ou não manter e como procurei (e procuro) perceber essencialmente quem sou, o que quero, para onde tenciono ir. 

Porque durante os últimos anos alimentei um sem número de sonhos mais ou menos realistas, muito baseados no que via pela internet fora (escrevi um pouco sobre isto aquie cheguei recentemente à conclusão que andei meio desorientada com isto tudo e sem tirar verdadeiro proveito das coisas. Percebi por exemplo que gostei muito de explorar a costura, mas não seria para fazer disso negócio, queria mesmo é saber como se fazem algumas coisas e divertir-me. Ainda adoro coisas craftys e projectos DIY mas já não quero fotografar mil vezes o que faço para por no blog ou no instagram. Quero só usufruir. E depois até posso partilhar, se me apetecer.

Sinto que 2018 foi uma espécie de ano zero do resto da minha vida. Porque foi um ano em que desarrumei as gavetas figurativas da minha mente e tentei por ordem no caos. 
Fiz muitas listas, ainda faço. Comecei por fazer playlists, bucketlists (é tão mais fácil escrever em estrangeiro), fiz desafios de journaling e reflecti sobre alguns temas. Foi engraçado. 
Dei por mim a ler e a dar abertura para explorar um mundo de gente que fala de temas mais holísticos (e por vezes quase esotéricos), de coaches motivacionais (quer acredite muito nisso ou não), li e-books, posts em blogs, ouço podcasts dentro destes temas do autoconhecimento e de desenvolvimento pessoal, sempre de espírito aberto e sentido crítico qb. Também andei por aí a explorar todo o tema de aceitação corporal e alimentação intuitiva. Descobri coisas interessantes, e pela primeira vez dei por mim a separar o que interessava do que era acessório. Não me apeteceu por nada em prática, apenas porque senti que o essencial era mesmo informar-me e avaliar à distância o que me interessa. Ando a dar algum tempo para as coisas ficarem ou passarem. Continuo a fazer listas, reflicto sobre os temas que me despertam alguma atenção, mas essencialmente gosto da sensação de que não me fechei ao mundo, mas antes mudei a mentalidade com que encaro estas coisas. E não me sinto assoberbada nem assustada com o excesso de informação interessante e útil. Estou ainda apenas a distinguir o que é importante para mim. E pegar numa coisa de cada vez (esta é provavelmente a minha maior conquista).

Em casa, abracei o caos. Gostava de destralhar, sim, mas enquanto não dá vou fazendo por orientar tudo o melhor que possa. Se todos tivermos roupa para vestir, comida, cuidados básicos de higiene, abraços e sorrisos para partilhar, já estamos bem encaminhadosO resto vai devagar. No trabalho, afasto-me de conflitos e aprendo a focar-me cada vez mais nas minhas tarefas, dou por mim a melhorar métodos de trabalho e os resultados estão à vista. Sinto-me extremamente orgulhosa de mim, porque acho que sou tão melhor profissional agora, mesmo usufruindo de uma redução horária.

Cheguei à conclusão que o essencial para mim não é desligar e deitar fora tudo o que é acessório. Eu preciso de muita coisa diferente para me motivar e me manter interessada. Preciso de livros por ler, de coisas a acontecer, de ter múltiplos interesses parados no tempo, à espera que me apeteça.

O essencial é saber gerir as prioridades do cérebro, parar com o multitasking, ouvir o corpo, o instinto, saber quando acrescentar e quando retirar, saber quando parar e quando descansar (não quero voltar a passar por um burnout). Tem muito a ver com autoconhecimento, e com a atitude que escolhi adoptar perante estas coisas, e pela primeira vez em muito tempo, começo a perceber bem quem sou. Pelo menos muito melhor do que até aqui.
Acho que foi uma boa palavra.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Ai pessoas...!

Estou cansada das pessoas. Muito a sério. Cansada da facilidade com que as pessoas descartam e destratam as outras, a facilidade como empurram os outros com a barriga para ficarem eles próprios no centro das atenções. Não posso mais participar em conversas onde só te ouvem porque estão à espera da vez deles para falar, e isto quando te ouvem, porque grande parte das vezes impõem-se, dominam tudo e não te deixam sequer opinar porque apenas a opinião deles conta.

Detesto como vejo pessoas a tirar conclusões sobre os outros e como espalham as suas visões e opiniões deturpadas pela sua própria perspectiva da vida porque têm de odiar alguém, porque tem de haver um objecto de rejeição, de conversa, de desprezo conjunto. Porque rejeitar é fácil, rejeitar une pessoas sob um denominador comum. Excepto que há as que ficam de fora, as que são ignoradas. E por vezes muito obviamente rejeitadas, a tentar fazer de tudo para não serem postas de parte, mas sem sucesso.

Odeio quando rotulam assim as pessoas. Sem dó nem piedade, sem tolerância, sem um mínimo de compreensão e compaixão.

Odeio que essas atitudes de merda sejam tão tóxicas que contaminem todos em redor.

Não sou nenhuma santa. Eu ainda julgo, critico e aponto o dedo. Mais vezes do que gostaria. Mas se antes o fazia e empinava o nariz, orgulhosa, hoje repenso, recolho o braço esticado em tom acusador e questiono. Não conheço o íntimo de ninguém, não sei o que passa, não sei as dores por que passam. E se não me está a fazer mal ou a provocar uma ofensa mortal, que direito tenho eu de rebaixar alguém? Porque me irrita? Porque não é igual à carneirada?


Infelizmente há quem queira ter a razão à força, que impõe a sua verdade impugnável e com isso empurra os outros para fora de vista. Como se isso não ofendesse também. Como se isso não magoasse.

O que nos dá o direito de atropelar assim as pessoas? Porque raio isso nunca ficou arquivado nos tempos de escola? Onde anda a compreensão e tolerância que tantos gostam de aclamar mas que depois quando lhes convém, fica esquecida?

Não precisamos de ser todos amigos de toda a gente e amar o mundo, claro que existem círculos mais restritos e devemos estar com quem nos diz mais, mas não é sempre assim que funciona a vida, também temos de tolerar e conviver com quem não nos é tão próximo. Rejeitar e rebaixar só porque é conveniente ou porque nos achamos na posse de uma qualquer posição superior à dos outros não é aceitável. Não sejamos então estas bestas críticas e intolerantes, não façamos aos outros aquilo que não gostamos que nos façam a nós. Será que custa muito?

Foda-se, eu achava que não. Mas já me enganei por menos…

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Setembro é sempre aquele mês...

Eis que 3 semanas volvidas estou de volta a estas lides, apenas para constatar que as férias passam sempre a correr, mesmo que durma pouco. Não vou entrar em detalhes do que é ter quase 3 semanas de férias para só ir 1 para fora e as restantes serem para limpar, arrumar, organizar a casa e a roupa. Nem o que é passar férias com crianças (spoiler: não são férias) ou dicas para o mesmo (deus me livre, nem sei como sobrevivi).
Apenas queria fazer uma pequena reflexão sobre o que é voltar à minha terrinha e como é regressar a casa depois de lá passar uns dias. Spoiler: é maravilhoso. Não interessa que esteja em férias que não são férias, que não consiga parar um segundo, que tenha levado papel e caneta e não escrevi uma linha, mas a inspiração que recebo dali continua a tocar-me, mesmo quando não posso fazer nada quanto a isso. E soube mesmo bem regressar a casa e perceber que sinto novamente Setembro como um mês de recomeços. Mais uma vez, não que tenha feito grande coisa sobre isso, andámos a matar saudades da família no regresso e depois começámos a levar a injecção da creche, que é todo um novo capítulo e uma nova dor-de-cabeça.
Mas a aproximação do Outono faz sempre com que me apeteça planear os próximos passos, começar esta fase do ano com outra energia e vontade, recolher em casa, projectar intenções para a minha vida… É sem dúvida, a minha fase do ano preferida.
Agora vamos a ver se isto não cai em saco roto e realmente avanço com as coisas. Ando já a fazer listas e a pensar no Natal (a ver se este é finalmente o ano em que despacho as prendas com mais antecedência para gozar dezembro com outra calma). Estou mais do que pronta para o Outono (até porque o verão não colabora e já quer avançar para a próxima estação). Vamos a isto?

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Amamãetação, ou como isto custa como o raio - parte 3

Chegámos à terceira e última parte de posts sobre a amamentação. Não volto a fazer-vos uma destas tão cedo...

Pois bem, passadas as dores e as agonias a coisa começou a decorrer mais tranquilamente. Ele mamava bem, tinha força, e eu finalmente conseguia parar para respirar. Foi nesta fase que consegui retomar leituras com calma enquanto ele demorava eternidades a mamar. A sério, o miúdo demorava o tempo que queria! Dormia pelo meio. Por vezes pousava-o e 5 minutos depois queria leite. Não conseguia perceber quando estava satisfeito. Finalmente ele tinha atinado na mama e gostava muito da livre demanda. Não fazia intervalos maiores que duas horas, excepto de noite, que conseguia dormir umas 3 horas de seguida... de vez em quando. Não conseguia aumentar o intervalo de tempo entre mamadas, por muito que a pediatra e a enfermeira do CS insistissem.
Ele simplesmente ficava.

Entretanto, como ele crescia e as necessidades mudavam, a pediatra aumentou a quantidade de leite artificial. E aqui comecei eu a ficar desconfortável. A mastite já tinha passado, ou estava prestes a passar, vamos continuar a encher o miúdo de leite artificial? Agora que o meu corpo entrava no esquema tinha de correr o risco de desmamar? Não estava a achar muita piada.
Apesar de continuar a não adorar a experiência da amamentação em si, não queria ser empurrada para fora dela. Comecei então aos poucos a ler artigos sobre largar a alimentação complementar e dar mama em exclusivo. Sabia que era possível, sabia de uma experiência em primeira mão. Mas não sabia o como.
(Faço aqui o parênteses sobre o assunto de contactar ajuda especializada de uma enfermeira ou uma CAM. Eu tentei no início, mas em Agosto era uma fase de férias e nem toda a gente estava disponível, o grupo da Liga La Leche estava parado, a irmã de uma rapariga que conhecia, que é enfermeira especializada também esteve quase para vir ajudar, mas uma noite mal dormida ditou que o encontro não acontecesse e essa rapariga estava grávida de fim de tempo, não deu para outras combinações. Por isso isto foi tudo muito à base de procurar soluções e tentá-las organicamente.)

Então fui testando. Continuava a dar de mamar em livre demanda. Por vezes não dava o leite artificial (especialmente porque ele mamava com muita frequência, e não podia fazer intervalos menores que 3 horas), à noite, com a preguiça em aquecer biberões e afins, quase não dava e ele parecia bem e satisfeito. E aumentava de peso. Numa consulta de rotina disseram que podia tirar o leite artificial à vontade, que o meu era suficiente. Só dava leite artificial à noite naquela de ver se ele dormia mais (nunca funcionou) e ele continuava a desenvolver-se lindamente. Uma noite tirei o leite artificial e não notei diferença. E assim voltei a amamentar em exclusivo. 
No meio disto tudo, devo ter comprado umas 3 ou 4 latas de leite artificial. 
Olhando para trás, parece ter sido um processo relativamente simples, mas naquelas fases complicadas, na loucura das hormonas, fui muito infeliz. Ninguém nos prepara para isto.

Hoje em dia ainda amamento. Não planeei nada disto, não sei até quando vou amamentar, se vou desmamá-lo por livre vontade ou esperar até ele querer. O que sei sobre este assunto é:

1- Amamentar é uma cena pessoal. Nunca deveremos julgar ninguém ou tentar influenciá-la só porque não concordamos. Eu já tive em todos os lugares do espectro, desde odiar com todas as forças, como adorar profundamente a experiência. Chorei de dor e de alegria. Mas não quer dizer que seja assim com toda a gente. Respeito toda a mãe que amamenta até aos cinco, como a que amamenta 6 meses, como a que não amamenta porque não pode, como a que amamenta porque não quer. Eu tive alguma sorte com a minha experiência, insisti porque quis e por alguma preguiça em assumir determinadas mudanças. Não sou nenhuma heroína por ainda amamentar, mas tenho motivos para dar continuidade.

2- Deveríamos mesmo ter acompanhamento mais especializado disponível. A amamentação é pior do que a gravidez e a privação de sono, e birras, tudo combinado. Mil obrigados às enfermeiras do SOS Amamentação, às enfermeiras do centro de saúde que foram dando apoio e conselhos, às mães que, amamentando ou não, me deram muitas perspectivas sobre o assunto para eu poder decidir o que queria fazer. Procurem sempre apoio e ajuda se têm dúvidas.

3- Amamentar pode ser muito lindo, mas também pode ser a pior seca da vida. Quando o bebé demorava 40 minutos a mamar em cada mama (até chegar aos 3 meses, idade em que lá aprendeu a acelerar a coisa) eu andava a morrer uma morte lenta de tanto tédio. Vá que me fui orientando para ler durante o processo. Essa coisa do vínculo especial... eh! Há momentos muito bonitos e especiais, claro, muitos deles gerados da minha emoção, porque o Gonçalo sempre foi irrequieto e não ficava embevecido a olhar para mim nem me lia os pensamentos, como se poderia imaginar, mas também podem existir momentos em tantas outras circunstâncias, e  as vezes em prefere estar com o pai, que nunca amamentou? 
Faz tudo parte. Pode ser lindo mas não vai propriamente descer uma luz divina sobre nós.

4- É uma espécie de super poder. Não é bem, mas sinto-me como tal por isso... :P

Resumindo. Façam o que querem. O corpo é vosso, as mamas são vossas. O que interessa é um bebé alimentado e nutrido, e uma mãe que pode zelar pelo crescimento dele em paz consigo própria. Custou-me a interiorizar isto, mas é mesmo isto.
E fechamos este assunto aqui.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Andamos todas perdidas?

Para quem não me segue no facebook ou no Instagram, estou de férias. Para a semana estarei fora de Lisboa, mas por enquanto, estou por casa, a orientar as coisas devagarinho, a limpar a casa, a preparar a tralha para a viagem, tudo com muita calma. E pelo meio, fazemos manhãs de praia tranquilas com o Gonçalo, ele ainda dorme uma pequena sesta debaixo do chapéu e nós temos a ilusão de que podemos curtir a praia, tomar um banho de mar, folhear uma revista e apanhar uma corzinha.

Mas não era bem este assunto que vos queria trazer.
Hoje, quando fomos à praia, estava uma rapariga sozinha ao pé do nosso chapéu. Nós ficámos por lá cerca de 1h30, e neste tempo, ela foi ao mar uma vez, fumou bastantes cigarros e passou 95% do tempo ao telefone. Ora ligava a amigas, ora ligava à chefe, ora ligava a um cliente para combinar detalhes de um serviço qualquer... 

Enfim, passei a minha parca hora e meia de praia a ouvi-la desenrolar a vida e o dia-a-dia. Houve duas situações que me prenderam. Uma delas, em que a chefe lhe aconselha a ser mais assertiva com um cliente porque não poderia dar-lhe tudo o que ele pretendia no tempo que ele queria. Ao que a oiço falar com ele ao telefone como se estivesse chateada e prestes a insultá-lo, porque obviamente ela nunca soube dizer que não nem impor limites, então saíu-lhe um tom de voz mais agressivo do que seria de esperar. 
A segunda situação foi a que me fez ficar a pensar. Alguém lhe ligou a cobrar algo. Diria que é um namorado ou aspirante a namorado, que tentou contactá-la na noite anterior mas como ela se deitou cedo, não lhe retornou a chamada/mensagem/convite/whatever. E ela, ao falar com ele para lhe travar as inseguranças disse algumas frases que me ficaram... "epá, eu agora não olho para o telemóvel à noite, o que me está a fazer lindamente, devo dizer" e "eu ando a cuidar de mim, hoje levantei-me às 7h e fui caminhar, ando a ir ao ginásio, vim à praia sozinha...". E doeu-me um pouco o coração por ela. 

Não que houvesse algo de mal no que ela disse ou no que faz, pelo contrário (quem me dera voltar ao ginásio e ir à praia sozinha). Mas por perceber a insegurança por detrás de tanta actividade. Não sei se ela estaria a enfrentar uma depressão ou apenas a tentar dar alguns passos numa evolução pessoal. Como vemos tantas vezes nessa internet fora. Até na porcaria dos detox digitais e afins vamos nas modas (sim, eu assumo, o meu detox digital foi fraco e não rendeu nada, foi mais uma experiência para sentir que consigo, eu ainda não estou pronta para abdicar da distração que as redes sociais trazem, tal como não tenho estado preparada para fazer dietas e continuo com peso a mais).

Fiquei triste porque andamos todos a tentar encontrar um propósito, porque a internet e a vida digital nos trazem tanta informação, mas também tanta frustração. E aparentemente, nestas experiências pessoais, também não acrescenta propriamente algum conteúdo, porque muito disto é superficial. 

Aquela rapariga podia estar a deixar o telefone desligado à noite, mas é óbvio que não sabe estar sozinha, senão não teria passado todo o tempo ao telefone a falar com várias pessoas, e acredito que não tenha tirado prazer algum da sua passagem pela praia. 
Estamos todos a ser mordidos pelos bichos do mindfulness e da felicidade e seguimos os passos que nos sugerem na esperança de encontrar aquela faísca, aquele momento "eureka" e esquecemo-nos de viver, esquecemo-nos de olhar para nós e perceber se é mesmo aquilo que queremos e gostamos. Se calhar para ela o ideal seria ir a um shopping, e se calhar sairia de lá com a cabeça mais tranquila do que estar na praia sozinha apenas porque algum guru de auto-ajuda ou uma influencer dizem que é bom.  

Claro que sou a favor do melhoramento pessoal, mas também do auto conhecimento. Mas temos de saber o que gostamos e o que nos faz feliz. Comigo, quando estou muito confusa e cansada e stressada, ler é o melhor remédio. É onde sou feliz e estou plenamente tranquila, onde posso ser eu. E a partir daí posso decidir o que fazer a seguir. Mesmo que não seja a minha área de conforto. 
E sei que já sou uma sortuda por saber isto. Mas tenho pena, tenho tanta pena de não sabermos lidar connosco próprios. Estaremos perdidos? Seremos cegos a liderar cegos? Algum dia tudo isto fará sentido? 
Enfim, não procuro respostas, apenas queria partilhar esta reflexão convosco.
Se não voltar entretanto, boas férias para mim... ;)

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Reflexões sobre sonhar e querer fazer. Ou querer sonhar.

Quando era pequena, queria viver como a Ana dos cabelos ruivos, numa quinta idílica no cenário maravilhoso que era o frontão verde. Queria uma vida rodeada de paisagens naturais, caminhos ladeados de árvores e flores até à escola ou até à casa da minha melhor amiga. Queria uma quinta com animais, ovos frescos todas as manhãs, leite acabado de ordenhar da vaca, viver uma vida mais lenta, ter tempo e espaço para escrever e desenhar e pintar.

Eu identificava-me plenamente com a Ana, acima de tudo no facto de ser uma cabeça no ar que vive a vida presa à imaginação e muito pouco na realidade.
E é engraçado porque já dei mil voltas, mas acho que eu continuo a ser assim.
Só que a um outro nível. O nível das histórias de encantar das redes sociais.

Já me deixei deslumbrar por tudo isso, e tempos houve em que adoraria ser como aquelas bloggers que transcenderam e ganharam notoriedade e dinheiro e têm um emprego de sonho a trabalhar de pijama no sofá. Já achei que tinha de aprender a costurar, a tricotar, a pintar aguarela, gestão de redes sociais, fotografia, escrita criativa. E fiz muitas destas coisas cheia de vontade e intenção. Comprei cursos online, e-books, alimentei-me desta informação, entusiasmada. Ainda hoje tenho uns quantos por fazer, porque convenhamos... não há tempo para tudo.

Mas sinto por vezes que nunca me entreguei verdadeiramente a nada. Ainda exploro alguns destes meios criativos (sendo que a escrita e o desenho/pintura sempre foi o meu foco principal porque sempre adorei fazer) e acho que me vai apetecer sempre dedicar-me um pouco a tudo isto. Vou sempre gostar de trabalhos manuais e de fotografia e de escrever muito. E não há mal em gostar de tudo e ser interessada em muita coisa. Só acho que insisti nisto pelos princípios errados. Acho que queria a vida de algumas pessoas que seguia. 

Recentemente libertei-me da ideia de que este terá de ser um objectivo profissional, ou que me iria fazer mudar de vida. Sim, a mudança vem, mas há muitas formas de mudar. A mim tem-me ajudado a repensar, a procurar-me, e não tanto “isto agora tem de me preencher enquanto pessoa, senão não serei válida”. 

Tem sido um caminho algo frustrante este. Mas a verdade é que antes de procurar lá fora o que quero, deveria olhar para dentro de mim. E muitas vezes andei deslumbrada com o mundo que se vive do outro lado do ecrã, como se fosse o mundo da Ana dos cabelos ruivos. Como se, apesar da beleza, esse mundo não escondesse tristeza, frustração, solidão… A Ana era tão imaginativa porque precisava de um escape da sua vida de órfã. Eu sempre fui muito introvertida e não me dei muito bem com as convenções e com o mundo fora de portas, pelo que também vivia num mundo de fantasia.

Por isso agora quero mesmo é olhar para mim, para a minha vida, para os meus desejos e perceber o que quero, o que é para mim. E fazer coisas, do princípio ao fim. Devo-o a mim mesma, e aos meus. Mesmo que seja aborrecido ou sem objectivos. Será sempre especial porque é meu.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Desabafo

Perdoem-me a fra(n)queza, mas eu tenho de perguntar... como é que as mães fazem?! Como é que se conseguem organizar para fazer jantar para toda a família, para limpar e destralhar a despensa, para inventar receitas, para por os filhos mais velhos à escola, para manter a roupa em dia, como? Estes exemplos são apenas ilustrativos, claro, mas há por aí muita mãe nesta bonita blogosfera e afins, que conseguem fazer mil coisas, e algumas têm bebés pequenos. Ok, quando já é o segundo ou o terceiro filho a coisa deve descomplicar à grande mas eu por vezes ainda me sinto tão arrebatada, tão assoberbada e a tentar manter-me à tona, que fico boquiaberta com os feitos destas mulheres. Como é que conseguem?

É porque os vossos bebés dormem melhor do que o meu? Os vossos maridos participam mais do que o meu? Têm mais força de vontade do que eu? Acredito que muitas tenham ajuda que eu não tenho mas isso não lhes tira o mérito de conseguirem equilibrar tantas outras coisas... e eu até me acho uma pessoa organizada e capaz em tantas coisas. Mas não consigo fazer uma lista semanal das refeições, não consigo tirar muito tempo para me enfiar na cozinha a preparar alimentos para a semana, nem para limpar o pó ou a casa de banho às vezes tenho tempo... quanto mais para fazer posts e tirar fotos e elaborar textos com cabeça, tronco e membros. Ou talvez eu não tenha nada para dizer, também pode ser isso.

E isto não é uma critica, nada disso. Isto é pura inveja e curiosidade também. Porque há oito meses que a minha vida tem de ser pensada antes de agir, que tenho de planear todos os passos e preparar tudo de antemão, porque a espontaneidade parece ter ficado perdida no tempo e que cada acção que eu tenha de tomar seja sempre rápida e sem pensar muito senão começo a amolecer e desisto (sair com o miúdo para umas compras, por exemplo, e aproveitar as janelas de tempo em que ele não vai precisar de comer e com sorte, de mudar a fralda também).
As coisas evoluem e melhoram, eu sei, e já tanto melhorou, já posso respirar em tantas situações que antes me sufocavam completamente (dar de mamar de 2h em 2h é das coisas mais paralisantes que já vivi) mas sei que isto não volta exactamente atrás e aceitar que agora este é o meu novo normal é ainda difícil. Não sei se alguma vez vou descontrair e aproveitar a viagem, se vou largar a necessidade de controlo ou a ansiedade de ter de cumprir com determinados requisitos. Não sei se farei posts com imagens bonitas e textos cuidados aqui no blog outra vez (há dias em que acho que é melhor abandonar o tasco porque não sinto que acrescente seja o que for). Não me sinto ainda capaz de abraçar projectos ou ideias a longo prazo. E custa assumir as limitações. Custa sentir que tanto depende de mim, e que as minhas coisas estão em suspenso por tempo indeterminado. É quase como passar novamente pelo burnout - despojar tudo e depois começar a construir aos poucos.

Não que eu esteja a morrer de vontade de fazer mil outras coisas. Mas gostava de encontrar a disponibilidade mental e na agenda para voltar a fazer algumas coisas de forma mais espontânea. Não me consigo ainda descontrair. Ou então estou a ver tudo pela perspectiva pré-filhos, em que não havia o risco de ser interrompida nestas coisas, em que eu dependia só de mim... talvez precise mesmo de ver ascorosas por outro prisma, até porque este é um dos momentos mais bonitos que já vivi e quero honrá-lo ao máximo. Mas também gostava da minha vida antes, que fazer?
Vida complicadinha, esta!

segunda-feira, 12 de março de 2018

7 meses

Há dois meses escrevi este texto, quando o meu filho fez 5 meses. E num piscar de olhos já tem 7. Mais uns dias e começo a planear a festa de aniversário dele. O tempo voa, foge, corre. E é delicioso tanto quanto assustador.

Há 5 meses, no hospital, depois de tantas horas na sala de partos sem sucesso, uma rápida decisão da médica mais antipática de sempre e vi-me noutra sala, de luzes mais brilhantes, de instrumentos, de prontidão. A médica podia ser antipática, mas foi eficaz. Pareceu-me que não passaram mais de 10 minutos desde que me abriram e agitaram as entranhas, quando ouvi um choro rouco que, percebi ali, estava directamente ligado ao meu coração, bastou-me ouvi-lo para os batimentos aprenderem um novo ritmo. Lembro-me de morrer de curiosidade para o ver, e a anestesista (cuja simpatia suplantava a antipatia da médica) ia-me descrevendo o Gonçalo, cabeludo, moreno, pesa 4,200kgs, tão grande! (“Ainda bem que saiu por cima e não por baixo“- nunca mais me esqueço disto). 

E enfim trouxeram-mo, para junto do meu pescoço, e eu senti a suavidade da pele dele na minha, e a lutar para as lágrimas não saírem, falei-lhe. O choro dele interrompeu-se, os olhos abriram-se e eu juro que ele me viu a alma. Reconhecemo-nos, conhecemo-nos. A vida pode atirar-nos para direções opostas e sei que virá um tempo em que ele não me quererá por perto, por isso agarro-me tantas vezes a está memória, bebo todos os momentos, mesmo aqueles mais difíceis do início, quando não sentia ainda “aquela” ligação, “aquele” amor. Não é imediato, é um facto. Mas o tempo dita que as coisas se ajustem, e hoje não falta cumplicidade e amor nos nossos gestos mútuos. Também há muito gozo, porque acredito que o safardanas já tem sentido de humor e goza com a minha cara todos os dias. 

Esta madrugada, uma particularmente difícil, ele não dormia e eu sinto-me por vezes uma miúda com um bebé nas mãos e não percebo muito bem como isto me aconteceu. E sou tomada de uma emoção que me suplanta e esmaga e percebo... foda-se, sou mãe!💙

sexta-feira, 9 de março de 2018

Esta coisa de regressar donde, no fundo, nunca se partiu

Queria deixar respostas a cada comentário que se deram ao trabalho de escrever no post anterior mas fiquei tão maravilhosamente comovida com as vossas palavras que não sabia bem o que dizer. Obrigada antes de mais por tirarem um bocadinho do vosso tempo para me presentearem com as vossas palavras, logo eu que, apesar de vos ler sempre que posso, falho redondamente na parte de comentar.

Com isto queria apenas dizer que os posts vão começar a ser mais curtos, mais simples. Se já não eram muito planeados, agora ainda são menos. Muitas vezes dava por mim a escrever alguns pensamentos no meu Facebook pessoal e a pensar que gostava de os partilhar ou elaborar por aqui. Pois bem, não há tempo para elaborar, por isso vou abraçar esta nova fase com conversa mais rápida e espontânea, as imagens e fotografias que conseguir quando conseguir, e toda a alegria de aqui voltar mais assiduamente. 
De um início de ano assumidamente mais triste e cabisbaixo esta coisa de tentar voltar ao blog anima-me muito. Sem planos editoriais, sem grande critério, mas muito eu. E vamos lá a isto...

quinta-feira, 8 de março de 2018

Este é o post que ando a escrever há semanas e não termino...

Queria escrever mais no blog mas não consigo. Sinto que se perdeu um pouco o objectivo. Já não desenho nem pinto nem crio. A minha cabeça faz planos mas as minhas mãos e corpo não conseguem acompanhar.

Não escrevo tanto porque ando triste. A morte da minha avó foi um golpe duro de roer e tentei escrever tanto sobre isso que me desalentei em exaustão de saudades. 

Não durmo, a maternidade está a ser um desafio constante ao nível do sono. Tenho pouco apoio da minha cara metade, não porque ele não queira, mas porque temos horários incompatíveis. 

Voltei ao trabalho há um mês. E agora até gosto de segundas feiras. No trabalho a mente descansa e foca-se. E não há falta de sono que me tire a vontade de escrever.

A maternidade é neste momento (ainda) uma grande parte de mim (creio que será sempre mas fui arrombada com a violência deste amor). Há dias em que quero mais bebés, no plural. Há outros em que quero apenas o meu pequeno Gonçalo e não quero fracturar o meu coração em mais pedaços de tanto amor porque não sei se aguento. E eu também quero ter-me a mim de novo. 

Escrevo textos melhores na minha mente do que o são no blog ou no meu diário. Escrevo muito mais na minha cabeça que no papel. Mas quero escrever.
O meu blog está diferente. Eu estou diferente.

Mas vou continuar a escrever. Porque eu gosto tanto de o fazer. Porque quero partilhar o que penso. Assim, sem grande objectivo e rumo.
Espero que me perdoem a mudança de direcção . Eu quero continuar a escrever mas o blog não pode ficar igual. Vai navegar ao sabor da minha vida.  

Vai ser bom.
E eu quero regressar.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Pretérito perfeito

Daqui a 7 dias vai fazer 9 anos que escrevi este post, no meu blog anterior. Estive a manhã toda à procura deste texto porque julgava que já o tinha publicado aqui na box. Fico tão feliz por tê-lo encontrado.
Porque este ano, daqui a 7 dias, eu poderia repetir quase tudo o que escrevi, mas já só posso escrever no pretérito perfeito e não no presente. Hoje vim trabalhar com o vazio dela presente em mim. A saudade dói-me na alma. Em menos de um ano despedi-me das minhas avós. Estou cansada disto, de ver gente a morrer, de me despedir. Ficam as palavras do orgulho que sempre senti dela. Da minha admiração.
E prometo um regresso um pouco mais feliz para breve. Para já, o eco dos anos passados...

“ A minha avó faz hoje 77 anos. Apetecia-me dar-lhe 77 rosas brancas, 77 beijinhos, 77 abraços, e, porque não, 77 chocolates, porque ela é gulosa como eu. 
Tem um feitio tramado a minha avózinha, diz o que lhe passa pela cabeça e não pensa nas consequências, que às vezes se viram contra ela. Fuma e ouve a televisão muito alto, porque os ouvidos já não são o que eram. Cozinha divinamente, sempre com muita gordura, e tem o colesterol muito alto como dita a genética (coisas que eu e a M. herdámos também), mas que até agora nunca causou nenhum problema. Diariamente sai de casa, desce o 2º andar pelas escadas, caminha 1km até ao centro comercial ali perto onde compra o jornal e volta para casa. Como dorme poucas horas por dia, costuma dormitar à tarde depois do telejornal, às vezes até durante as novelas preferidas dela.

É a mulher mais corajosa que conheço. 
Abrigou a minha bisavó até quase ao fim da sua vida, mesmo trabalhando e tendo três filhos para criar, tomou conta da prima viúva que não tinha filhos quando o cancro a estava a corroer e ficou com ela até ao último minuto. A minha avó vive sozinha há cinco anos e três meses, desde que o meu avô partiu, e ai de quem lhe ameaçar tirar a independência. Perdeu o marido e a filha no espaço de dois anos e meio, mas nunca desistiu de lutar e de ajudar sempre que possível. De quando em vez cozinha para nós, e enche-nos de mimos. Muito frequentemente as palavras delas vêm acompanhadas de lágrimas, mas mantém-se forte e, quando preciso, também posso desabafar no ombro dela. Dizem que herdei dela a cor de pele e o cabelo (que era lindo, obrigada) e o corpo, claro, que também era o da minha mãe. 
E de todas as minhas recordações de infância, as relacionadas com ela são as mais presentes, pois sempre me fez sentir amada e acarinhada. A casa dela é o meu templo, ali sinto-me sempre bem, apesar das lágrimas que já lá foram derramadas ao longo dos anos. Ela faz parte de mim, e ela não sabe disto, mas não há dia em que não agradeça a presença dela, acho que nem desconfia como é importante para mim. Quando trabalhava mais perto de casa ia lá almoçar ou aparecia mais frequentemente ao fim da tarde, só que a vida complicou-se e esses momentos deixaram de ser tão frequentes.
Mas hoje, depois do trabalho, vou aparecer lá em casa com chocolates, flores, abraços e beijinhos. Porque ela merece. Porque a quero ver sorrir, porque quero sentir-lhe o cheiro e o conforto, porque quero que ela saiba que estou sempre com ela, porque sei que ver os netos é a alegria dela. Porque hoje ela faz 77 anos.”

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Parece que já tenho uma palavra para este ano...

Na verdade, ainda não estava contente com a minha escolha de palavras do ano (tinha duas) e não sei bem como, durante esta madrugada, ao ler um post neste blog sobre a palavra do ano, e eu a pensar que não tinha ainda decidido acerca da minha, uma pequena palavra surgiu, silenciosa e surpreeendentemente. Não dei muito crédito à coisa, mas enquanto amamentava e tentava que o pequeno dormisse (ontem deu-lhe a espertina, vá-se lá saber porquê, eu tinha sono!), a palavra fazia mais e mais sentido. Fico muito feliz que as minhas noites de privação de sono sirvam propósitos um pouco mais úteis do que andar feita zombie o dia todo. Fico é com pena que as páginas do meu diário estejam ainda a meio do processo do "Find Your Word", coisa que tenho feito nos outros anos e tem sido interessante. Mas tempo para escrever não é coisa que abunda para estas bandas, por isso trabalho com o que tenho.


Enquanto reflectia sobre o ano de 2017 e sobre o meu BECOMING, penso que foi um processo muito interessante. Pela primeira vez deixei mesmo uma palavra guiar-me e fixar objectivos e ideias. Um problema que surgiu com esta palavra foi precisamente aquilo que já faço há alguns anos e este ano quero mudar: eu estou sempre a acrescentar coisas à minha vida. Eu quero escrever mais, quero ler mais, quero desenhar mais, quero pintar mais e melhor, quero criar, quero dar mais corda ao blog, quero fazer trabalho diferente, quero fazer voluntariado, quero perder peso, quero ir ao ginásio, quero meditar, quero cozinhar, quero fazer manteiga de amendoim em casa... entre tantas coisas que quero sempre fazer e acumular na minha vida agitada. E durante algum tempo até o fiz... queria gozar a minha liberdade pré-maternidade e andei a tentar aproveitar o meu tempo nesse sentido, a acumular as actividades que queria fazer... e escusado será dizer que muitas coisas ficaram pelo caminho.

Ter um filho fez-me abrandar e reduzir as minhas actividades ao essencial. Fez-me viver um momento de cada vez, fez-me confrontar-me com alguns aspectos negros da minha personalidade. 

Neste ano percebi que consigo ser feliz com pouco, e que as pequenas conquistas importam enormemente. Quando tenho tempo para escrever um pouco, para desenhar, quando consigo ver um filme sem adormecer (mesmo que seja na cama, no Ipad, com um olho no burro outro no cigano), quando me maquilho, fico extremamente feliz. Aquelas coisas que antes faziam parte integrante do meu dia-a-dia deixaram de ser garantidas, e agora tornam-se ainda mais importantes (bem, maquilhar tem de fazer parte do meu dia a dia, especialmente quando voltar ao trabalho, mas vocês percebem a lógica da coisa). 

Outra coisa que notei ao longo deste ano e garantem-me que as hormonas são grandes culpadas, foi a minha tolerância e paciência para as pessoas diminuir drasticamente. Dei por mim a ser mais agressiva, a discutir mais, a questionar ainda mais tudo, a demarcar-me e a ser muito pouco flexível. Quero mudar isso em 2018. Não que eu possa combater as hormonas assim sem mais nem menos, mas posso tentar arranjar estratégias para abrandar e olhar para as situações sem entrar em conflito e sem me passar da cabeça. Até porque depois fico com sentimentos de culpa e acredito mesmo que não se devem alimentar este tipo de sentimentos negativos sob pena de nos afectar e nos tirar o gozo da vida. 
Outra coisa que gostava de apostar mais em 2018 será num pensamento sustentável, reduzir a pegada ambiental e usar menos plástico. 

As minhas primeiras duas palavras que tinha em mente eram AGIR e TOLERÂNCIA, que fazem muito sentido neste contexto de reflexão e intenções, mas... será que teriam força para me acompanhar ao longo do ano? Agir faz algum sentido quando ando a abrandar o ritmo? Senti que estas eram específicas demais para um ano inteiro e há tão mais num ano do que as intenções que se delineiam no início deste.

Por isso ontem a palavra que me surgiu numa inesperada inspiração foi... ESSENCIAL. 
Acho que resume tudo a que me proponho, e abre caminho ao que o ano trará. Não me arrogo de conseguir prever o que acontece quando tenho uma criança que ainda depende tanto de mim, e sinceramente estou farta de acrescentar tarefas e coisas à minha vida. Será um ano em que tentarei abrandar e deixar sair o que não interessa. Claro que quero escrever, ler, criar, desafiar-me, mas uma coisa de cada vez, preferencialmente em paz e sossego, e sem objectivos específicos ou uma agenda. Tenho saudades de desenhar a carvão. Quis tanto explorar outras técnicas que me esqueci do que gostava de fazer no início de tudo. Quero retomar a essência das coisas. Quero fazer o que tiver de fazer com tranquilidade e paciência. Quero ter mais tempo para as pessoas da minha vida, para não me entrar em conflitos e desorientar-me como tem acontecido ao longo de 2017. Com sorte as hormonas ajudam-me.
E hoje mesmo espero começar o meu board do Pinterest com inspiração relativa a esta palavra. Vamos ver como corre.

Bem-vindo 2018. Acho que vais ser bom.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Uma espécie de balanço...

Este blog anda mais parado mas não está defunto. Perante a dificuldade em sentar-me para escrever com calma os posts que gostava (ou seja o que for, ainda só escrevi duas vezes no meu diário desde que fui mãe, e uma delas está incompleta), uma vez que tenho um bebé que faz sestas-relâmpago, é tão infinitamente mais fácil publicar nas redes sociais os meus pensamentos avulso e alimentar ali a minha relação virtual convosco. 
No entanto um balanço é sempre um balanço, e com a ajuda do desafio da Susannah Conway para Dezembro, o December Reflections, consegui um texto mais composto que já está na minha página de Facebook, e queria deixá-lo por aqui também porque tenho milhões de saudades de publicar algo no blog, ainda que se repita. Creio que publicarei mais coisas em breve, até porque com um novo ano vem uma nova palavra e acho que já sei qual a minha...

Tenho tido vontade de escrever e a minha mente tem vagueado incessantemente pelos balanços de 2017. Ainda tenho tudo tão desorganizado na minha mente, mas vou tentar dar ordem ao caos, devagarinho. Valham-me os temas deste desafio, que me ajudam a orientar o pensamento, ou pelo menos assim espero...
(Dia 11: I discovered that
Dia 17: I let go of
Dia 21: this year was 
Dia 27: 2017 taught me 
Dia 28: my wish for 2018)

2017 foi um ano de descobertas incríveis.
Foi o ano em que vivi a experiência mais incrível da minha vida que me virou tudo do avesso e tive de descobrir o meu novo eu. Quando fui mostrar (exibir) o meu pequeno ser no trabalho a minha chefe disse algo que me ficou e acho que é uma das expressões que mais reflecti ao longo dos últimos 4 meses e meio, que é “new normal”. Aquilo que era a normalidade já não o é. Foi tudo abaixo e agora é reconstruir com novos parâmetros e variáveis. E apesar do caos que por vezes se vive, é muito compensador ver determinadas coisas ganharem forma. 

Percebi que consigo ter vontade e determinação férreas, pelo menos assim foi com a amamentação e quero ver se não me esqueço disto para quando me quiser dedicar a outros projectos de vida. Dói, mas ultrapassa-se.
Acima de tudo, descobri que sou muito mais forte do que pensava, e a minha mente muito mais elástica e adaptável.
2017 ensinou-me o significado de resistência e de força. Ensinou-me mais sobre mim. Para o bem e para o mal. Sinto e vejo as coisas mais claramente. 

Foi este o ano em que me despedi da minha avó paterna, e vi a saúde da outra avó a deteriorar-se perigosamente mas cá se vai mantendo firme, ainda que com as inevitáveis sequelas. Sou grata por elas sempre. E fico feliz por o meu filho poder conhecer uma bisavó.

Este ano despedi-me também de complexos e de preocupações com o meu corpo. A gravidez deu-me uma tranquilidade e liberdade imensa. Depois de parir, e apesar da barriga que se manteve por uns tempos, das estrias que ficaram, da pele que ficou flácida, senti-me grata e apaixonada pelo meu corpo. Agora, já quase de peso recuperado, apesar de precisar de perder mais peso e de retomar uma alimentação mais saudável, e de voltar a exercitar-me, gosto do meu corpo mais do que nunca. Espero que esta paz perdure por longos anos. Libertei-me dos complexos e sinto-me pela primeira vez em muito tempo plenamente integrada no meu corpo.

Não vou negar, 2017 foi um ano algo duro, tudo mudou e eu fui largada no caos, a recuperar pouco a pouco. Chorei muito e penei muito. Acho que andei a piscar o olho a uma depressão pós-parto. Ainda me sinto a escrava das hormonas hoje em dia. Mas sinto-me mais eu, cada dia mais capaz. Enraizo-me no meu lugar no mundo, sinto-me forte para lutar as próximas batalhas. Descobri amigos improváveis e palavras de carinho onde não esperava. Assim como palavras ásperas e atitudes condescendentes onde não imaginava surgirem. Acho que faz parte.

Ainda assim, o balanço é positivo, muito positivo. 

Para 2018 só desejo saúde e alguma coragem. Tenho alguns desafios em mente, e claro, toda uma logística, uma nova normalidade para gerir. Que a força esteja comigo. 

Um feliz 2018 para todos os que me seguem e me lêem e têm uma paciência infinita para mim. Não sabem o quão importantes são. Obrigada por tudo.

sábado, 5 de agosto de 2017

Os meus pés são feios*

* ou uma pequena reflexão sobre o corpo, auto-estima e mudanças.

Toda a família do meu pai tem joanetes nos pés. Na família da minha mãe temos uma estranha especificidade em que temos o segundo e terceiro dedos unidos na base. A genética está contra mim, mas não é só isso.
Pratiquei desportos em miúda, e a patinagem artística em especial lixou-mos ainda mais, umas vez que era obrigada a apertar os pés nas botas dos patins, com dois ou três pares de meias, que acentuaram a tendência para joanetes e calos nos dedos dos pés (que por serem tão longos já parecem amendoins) e que não há pedicure que safe. Por fim juntamos a isso uma característica só minha, de nas laterais exteriores dos meus pés, a estrutura óssea espetar-se algures ali a meio, coisa que por vezes me causa desequilíbrios absolutamente parvos quando ando de - pasme-se!- havaianas. Isto para além de alargar o meu pé, não me permitir usar alguns modelos de sapatos, e ser feio, claro.

Há pouco encontrei esta foto no meu instagram pessoal, de há dois anos atrás. E adorei revê-los.
Estes são os meus pés, aqueles que contam histórias de família e a minha história, no geral. Os meus amendoins, secos e com as veias sobressaídas, em vez do pé de Shrek que desenvolvi agora no final da gravidez. E digo-vos, estou ansiosa de tê-los assim novamente, feios como eram. Já não me lembrava muito bem do aspecto do "antes", e tenho pensado neles, tenho saudades de senti-los fortes e sem dores dos inchaços constantes. 
Eu sei que os meus pés são tudo menos bonitos, mas não consigo de deixar de fazer tudo para que estejam confortáveis. Mesmo sendo mais feios agora, eles andam na areia, ou enfiados em chinelas, com todos os defeitos bem visíveis para quem quiser ver. Por vezes falhou a pedicure, mas nem por isso deixei de ir à praia, usar sandálias, apanhar ar quando precisavam. 
E o mesmo se aplica a outras partes do corpo. Usei bikinis mesmo no auge do peso porque gosto de bronzear o máximo de pele possível, t-shirts com os cotovelos secos porque estava calor, saias com depilação por fazer (vá, saias compridas, mas é sempre um "risco"). 
Não quero dizer com isto que sou a favor de uma pessoa andar desleixada, mas por vezes temos de largar o controlo de querer estar perfeitas e só sairmos de casa se estivermos impecáveis e sem falhas. Quero estar arranjada e cuidada, mas não quero depender sempre disso. Quero sair um dia sem maquilhagem e não ficar incomodada por isso.

Compreendo perfeitamente todos os complexos que possamos ter, eu tenho imensos, mas não percebo como é que há pessoas que se deixam dominar por eles. A ponto de deixar de fazer coisas, de não sair de casa, de não usar peças de roupa específicas. Gostaria que ninguém se sentisse assim, gostaria que todos encarassem os seus defeitos de estimação como eu encaro os meus pés (eu incluída nos outros defeitos mais difíceis de aceitar). Sim, são toscos, feios, imperfeitos. Mas são fortes, suportam o meu peso, calçam os sapatos da minha vaidade, consigo apanhar coisas com eles porque os meus dedos têm imensa mobilidade, calço-os e pratico desporto com eles, fotografo-os em cenários descontraídos (olá clichés de Verão) e demonstram um estado de espírito pacífico. E isto são só os pés. 
E se fizéssemos este exercício, de procurar os benefícios nas partes que menos gostamos no nosso corpo? E se nos desligássemos da absurda necessidade de tentar parecer bem? Aposto que quem me vê por aí nem repara nos meus pés feios. E se repararem... não vem mal ao mundo. Sou mesmo mais feliz assim...